Soft Skills: quais habilidades as empresas têm buscado na hora de contratar?

Empresas estão desenvolvendo inúmeras ferramentas digitais para alavancar a produtividade e essa tendência tem um impacto considerável na forma de trabalharmos

Armelle Champetier, Administradores.com,
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Digitalização, robotização e Inteligência Artificial são alguns dos termos mais ouvidos por quem tem acompanhado as mudanças no mercado de trabalho em todo o mundo. Estamos evoluindo para uma realidade na qual muitas tarefas passarão a ser executadas por máquinas.

As empresas estão desenvolvendo inúmeras ferramentas digitais para alavancar a produtividade e essa tendência tem um impacto considerável na forma de trabalharmos e nas competências procuradas pelos empregadores: em vez de conhecimento técnicos e diplomas, as organizações procuram cada vez mais habilidade de trabalhar em equipe e adaptabilidade no mundo VUCA (sigla em inglês, que significa Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade).

Gestão de estresse

Dentro desse contexto, a habilidade em lidar bem com altos níveis de estresse se torna uma competência indispensável. Identificamos diversos fatores de estresse na forma atual de trabalhar: o cérebro precisa se adaptar toda hora a novas situações e está em estado de alerta permanentemente.

Segundo uma pesquisa da OMS, o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com 9,3% da população atingida pelo problema. Além disso, o estilo de vida nas grandes cidades traz também muitas situações estressantes: trânsito, longas horas de trabalho, mercado de trabalho competitivo e preocupação com o seu próprio futuro.

O excesso de estresse no ambiente de trabalho, além de prejudicar a saúde do colaborador, também afeta seu desempenho: um funcionário estressado tende a ter mais dificuldade para dominar suas emoções, impactando,, assim sua inteligência emocional e prejudicando o relacionamento com colegas, subordinados e gestores.

Na escala individual, estresse demais pode também atrapalhar a capacidade de se comunicar em público, na hora de apresentar um projeto ou em uma reunião. Também tem um impacto negativo na qualidade do sono do colaborador, causando insônias e fadiga. Esse estado de cansaço permanente diminui a capacidade de concentração, aumenta o risco de erros evitáveis e pode deteriorar as relações interpessoais.

Técnicas de concentração

A multiplicação das ferramentas digitais trouxe um significativo aumento de produtividade dentro das companhias: uma notificação no celular, a conversa de colegas, e-mails chegando a todo momento. Concentrar-se numa mesma tarefa mais do que 15 minutos se tornou uma proeza digna dos monges budistas! Desenvolver técnicas de concentração pode ser útil não apenas em tarefas individuais, mas também em trabalhos coletivos, como reuniões. A prática de cinco minutos de meditação, por exemplo, pode ajudar a trazer o foco necessário para a ocasião, evitar conversas fora do assunto e melhorar as eficiências das trocas.

Além da produtividade, a incapacidade de se concentrar por períodos prolongados pode afetar a motivação do colaborador. Uma pesquisa realizada pela Udemy (2018 Workplace Distraction Report) destacou mais um efeito nocivo das distrações no trabalho: a aparição de frustrações por não conseguir alcançar o seu potencial máximo, levando a uma desmotivação, desorganização e até a visível perda de qualidade no trabalho. Sem surpresa, essa tendência é ainda mais forte nas novas gerações.

Se não sabemos quais são as competências técnicas que serão exigidas pelo futuro mercado de trabalho, temos plena certeza que competências como gestão de estresse e capacidade de concentração em ambientes movimentados já são essenciais. Muito mais que diplomas de grandes universidades e a fluência em diferentes idiomas, essa característica tem chamado a atenção em processo seletivos, impulsionando a mudança de cultura nas corporações que têm investido cada vez mais nesse tipo de treinamento.

Armelle Champetier — Diretora da Yogist no Brasil.