Você está preparado para viver em um mundo VUCA?

VUCA é um acrônimo do inglês volatile, uncertain, complex e ambiguous e serve para descrever quatro características que estão presentes atualmente na vida de todos

Edson Moraes , Administradores.com,
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Vivemos um tempo de desafios extremos, tanto para profissionais liberais quanto para pequenas e médias empresas e corporações. Segundo especialistas em gestão, vivemos num “mundo VUCA”, expressão que nasceu durante a Guerra Fria, mas que está cada vez mais presente no vocabulário dos profissionais e dos empreendedores da nova economia. 

VUCA é um acrônimo do inglês volatile, uncertain, complex e ambiguous e serve para descrever quatro características que estão presentes atualmente na vida de todos: volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade. 

O principal impacto dessas características pode ser percebido na dificuldade de realizar qualquer planejamento em longo prazo. Entende-se que no mundo VUCA seja mais prudente ter agilidade na resposta às demandas imediatas do ambiente e nas ações de curto prazo do que projetar cenários longos e complexos. 

Tal situação, contudo, afeta diretamente a nossa relação com as necessidades básicas dos seres humanos, como reconhecimento, segurança ou estabilidade. Por esta razão, é cada vez mais importante termos clareza do nosso propósito, da missão de nosso negócio e da identificação dos resultados buscados, mitigando o impacto da volatilidade que está ao nosso redor. 

O mesmo vale para a incerteza, pois a forma de resolver os problemas de hoje talvez não sirva para compreender e resolver os problemas em um futuro próximo. Perceber a interdependência das coisas e considerar a complexidade das variáveis presentes na tomada de decisão fogem dos modelos de gestão de riscos tradicionalmente utilizados em processos corporativos e atitudes individuais. Como consequência, é improvável que ações isoladas tenham algum efeito em um sistema interconectado. 

A ambiguidade está presente na ausência de clareza ao se analisar contextos complexos. Experiências anteriores não garantem que a solução para um problema sirva em um novo cenário, uma vez que este pode propiciar diversas interpretações cabíveis. 

Desenvolver habilidades específicas será um caminho de empoderamento que viabilizará melhores ações de contorno no mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo. Uma vez que as mudanças são inevitáveis, a inteligência emocional, a autoestima e a resiliência são essenciais para lidar com a volatilidade e com as adaptações requeridas na transformação do cenário. 

Para lidar com as incertezas, a flexibilidade é o caminho para a adaptação constante à realidade que se transforma. A impossibilidade de certezas sobre qual caminho seguir sugere que tenhamos a mente aberta para o desenvolvimento da criatividade e da capacidade de resolução de problemas complexos. 

No caso da complexidade do mundo, competências como teamworking, pensamento crítico e flexibilidade cognitiva são as ferramentas que permitirão ampliar a visão sobre o contexto, viabilizando a elaboração de soluções mais aderentes às necessidades.

A ambiguidade requer que tenhamos uma grande habilidade de negociação, tanto interiormente quanto com os participantes da situação, pois o caminho a seguir não será necessariamente similar às decisões sustentadas no passado. Aprender com os erros e analisar a situação por outra perspectiva requerem uma postura firme e disposição para assumir novos riscos. 

Enfim, no mundo VUCA, é fundamental que se tenha ousadia. Pois é sendo ousado que poderemos analisar os problemas em potencial e suas variáveis, entenderemos as consequências de cada problema e as possíveis ações requeridas, avaliaremos a interdependência das variáveis identificadas e nos prepararemos para as alternativas e seus desafios. 

Edson Moraes — Sócio do Espaço Meio - https://espacomeio.com.br, Executive Coach desde 2014 e Consultor (Gestão & Governança) desde 2003. Foi Executivo do Bank of America entre 1982 e 2003. Seguiu carreira na Área de Tecnologia da Informação, foi Head do Escritório de Projetos e CIO por 4 anos. É Master em Project Management pela George Washington University. Participou de programas de educação executiva na área de TI ( Stanford University, Business School São Paulo e Fundação Getúlio Vargas). Formado em Comunicação Social – Jornalismo pela PUC/SP. É Conselheiro de Administração formado pelo IBGC, Coach pelo Instituto EcoSocial e certificado pelo ICF. Articulista e palestrante nas áreas de Governança, Tecnologia da Informação e Gestão de Projetos.