O que podemos aprender sobre reposicionamento de marca com Lady Gaga

Do fim ao recomeço, entenda como Lady Gaga reinventou sua carreira com estratégias precisas

Luan Barbosa, Administradores.com,
Divulgação

O Rock in Rio, maior evento musical do planeta, está prestes a começar. A edição de 2017 conta com grandes nomes da música nacional e internacional. Abrindo o festival um nome de peso no cenário pop mundial: Lady Gaga. A americana, de 31 anos, já esteve no Brasil em 2012 com sua turnê “Born This Way Ball Tour”. Mas, é a primeira vez que aterrissa no Rock in Rio e se apresenta para mais de 120 mil pessoas.

Ela já foi chamada de rainha do pop, inovadora, redutiva e fracassada nos intensos 9 anos de carreira. Mas, o que sempre chama atenção sobre sua imagem, é a capacidade de se reinventar enquanto artista e, claro, com o apoio incondicional dos fãs, os quais chama, carinhosamente, de Little Monsters.

Quem é Lady Gaga

Falar de Lady Gaga requer certos conhecimentos sobre fenômenos culturais que implodem na sociedade e espalham resquícios de sua identidade em todo planeta. Poucos artistas são/foram tão populares. Vimos os Beatles, Elvis Presley, Michael Jackson, Madonna, Britney Spears e, mais recente, Lady Gaga.

Sua reformulação de conceito pop, repleto de referências eletrônicas, transformaram as pistas de dança, as rádios, os charts, as premiações e, principalmente, os fãs. Não é recente a troca de afeição entre artista e fãs, mas foi com a Mother Monster que essa relação ganhou novos níveis de legitimidade.

1. Gaga sempre foi branding

Ter uma formatação redonda do que seu negócio é, quem representa e o que objetiva. Esse é o primeiro e mais importante passo na construção de um negócio.

Lady Gaga é uma personagem, todos sabemos. Stefani sabe (o nome verdadeiro da cantora é Stefani Joanne Angelina Germanotta). Mas é uma personagem tão profunda que se perde no eixo do real e do lúdico. Cria-se uma persona de essência única e coletiva. Nós temos a Lady e a Gaga.

Gaga veio ao mundo com os smash hits “Just Dance” e “Poker Face”, canções que explodiram o em 2008 e colocaram os holofotes na nova-iorquina de origem italiana com pouco mais de um metro e meio de altura. Foi uma era de ouro. Ou melhor, de diamante. Os álbuns “The Fame” e “The Fame Monster” transformaram Gaga na celebridade do momento. Todos queriam e precisavam tê-la. O resultado a gente já conhece. Vendas extraordinárias, reconhecimento da crítica através de prêmios e a construção de uma das fãs bases mais sólidas que podemos lembrar. Desde o início a performer soube construir sua marca. Seja pela roupas excêntricas, músicas atemporais, discurso progressista ou ao abraçar causas rejeitadas pela sociedade em geral, como o público LGBTQ+.

Lembre-se: as pessoas querem saber com o que a sua marca se importa e pelo que ela luta.

2. Tudo que é sólido pode desmanchar

Todo empreendedor deve ter ciência e estar preparado para possíveis crises. Seja uma repercussão negativa à imagem ou uma crise financeira, um negócio vai passar por isso sempre. Ter estratégias para sair dessa fase é o diferencial.

Talvez a carga emocional tenha sido demasiada. Em 2012, Gaga não conseguiu finalizar sua turnê devido ao rompimento do quadril na etapa norte-americana. Foi preciso um ano e meio passar para começarem as especulações sobre o sucessor do BTW. E ele viria repleto de conceitos abstratos. Forma artística de digestão complexa, “ARTPOP” foi uma celebração artística com um planejamento ruim.

Um desempenho comercial mediano, críticas pesadas e uma divulgação confusa. A falta de um bom planejamento deixou uma mancha na carreira de Lady Gaga, que encerrou a divulgação do álbum de forma precoce.

Lembre-se: é importante planejar e prever resultados, positivos e negativos, de toda a ação para saber como lidar com uma crise.

3. Gaga é re-branding

Algumas crises exigem que você recoloque sua empresa no mercado. Seja o conceito, a identidade ou outros atributos, mudar pode trazer vantagens.

Depois de ser massacrada pela crítica, estava na hora de voltar. Estrategista, Gaga evitou uma nova sonoridade que soasse estranha aos ouvidos do mundo e traçou um plano para limpar sua imagem. Massivamente sob holofotes, a imagem da cantora acabou se desgastando com a super exposição. Para desfazer isso, apostou no que poucos conheciam: sua voz. Ao lado do clássico cantor de jazz Tony Bennett, Gaga lançou um álbum com releituras de clássicos do jazz americano. Provou que, muito além da estranheza, tinha um controle vocal invejável e uma versatilidade vista poucas vezes. O álbum, “Cheek to Cheek” vendeu bem, conquistou críticos e um importante Grammy. De repente, todos estavam prestando atenção novamente na “nova” Gaga.

A cantora ainda apostou na carreira de atriz e atuou em American Horror Story, série queridinha da América que lhe rendeu um Globo de Ouro de melhor atriz. E, depois de um álbum mais pessoal, o “Joanne”, Gaga assegurou seu nome como destaque no maior evento esportivo do mundo: o Super Bowl. A cantora deu ao público um espetáculo de pouco mais de 12 minutos e foi aclamada por uma audiência de mais de 150 milhões de espectadores ao redor do mundo, a maior da história.

Lembre-se: quando as coisas não andam bem no seu negócio é hora de mostrar ao seu público que ele precisa de você. Repense estratégias e tenha ciência dos diferenciais que faz da sua marca única e essencial.

Moral da história? Às vezes uma marca sofre tanta exposição que precisa ser revista na sua essência. Lady Gaga mostrou, diversas vezes, ser uma especialista em marketing. Ao atrelar, por exemplo, seu nome a grandes feitos: recordes, eventos, marcas e projetos. Quando tudo parecia perdido Gaga lembrou ao público o motivo de ser tão fascinante: sua capacidade de se reinventar, deslocar o foco e ser amada novamente. Sempre jogando luz à sua essência.

Faça da sua marca uma Lady Gaga: insubstituível, única, versátil e capaz de se refazer!

Luan Barbosa — Jornalista, especialista em Marketing Digital e Mestrando em Comunicação pela Universidade Federal da Paraíba. Faz parte da equipe de conteúdo da Stalo Estratégia Digital. O artigo foi publicado originalmente no blog da Stalo




Fique informado

Receba gratuitamente notícias sobre Administração