CFA discute aplicações das ciências comportamentais e do nudging às políticas públicas durante talk show

Em quase uma hora e meia de debate, especialista francês explicou como funcionam as boas práticas de políticas públicas e suas experiências na França

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O Conselho Federal de Administração (CFA), em parceria com a Embaixada da França, discutiu, no dia 27 de novembro, durante um talk show, tema referente à arquitetura de escolha. Conhecido como nudging, são intervenções criadas para influenciar positivamente as pessoas em suas tomadas de decisões. O bate papo, mediado pelo administrador Cesar Campos, foi realizado no estúdio do CFAPlay e contou com a participação do presidente do CFA, Wagner Siqueira, do conselheiro federal pelo Distrito Federal, Carlos Alberto Ferreira Júnior, e do cofundador e diretor da BVA Nudge Unit, Paris, França, Étienne Bressoud.

Em quase uma hora e meia de debate, o especialista francês explicou como funcionam as boas práticas de políticas públicas e suas experiências na França. Para Étienne, a prática do nudging é uma forma de persuasão, como um estímulo, ao invés de uma ordem ou norma que encoraja certas ações.

“Como vou criar um ambiente em torno de um indivíduo para orientá-lo em seu comportamento? Nós humanos somos bastante irracionais em nosso modo de tomarmos decisões. O que a teoria econômica padrão nos diz é que, a partir do momento em que dou uma informação ao meu cidadão, ele agirá em função da informação que lhe foi repassada. O nudging vai apoiar-se na economia comportamental e nos mostrará os conjuntos de elementos para modificar a decisão irracional do comportamento do indivíduo”, disse.

O líder do CFA, Wagner Siqueira, ressaltou que as organizações, seja no Brasil ou no mundo, “não são racionais e muito menos lógicas, mas partem do princípio de serem psicológicas”.

“Se não fosse assim, seria muito fácil: pegaríamos o problema e chamaríamos os melhores especialistas, que dariam a solução. Com isso, todos os problemas básicos estariam elencados e o computador dirigiria as organizações, mas não é assim. Isso me faz lembrar de que as pessoas não são racionais; diferente disso, as pessoas são racionalizadoras. Ou seja, elas buscam justificações racionais para reafirmar comportamentos que tomam na emoção, temperamento e preconceitos da própria cultura, e vão incorporando como uma segunda natureza”, acrescentou Siqueira.

O conselheiro federal pelo Distrito Federal questionou Étienne Bressoud sobre a diferença entre as técnicas e formas de aplicação do nudging para as iniciativas privada e pública. Para o especialista, “o nudging é reaproveitado pelas empresas em uma lógica de marketing. Ou seja, é muito mais fácil para o governo que faz campanha contra a obesidade, por exemplo, o bom consumo do remédio – enxergando o bem dos indivíduos.

Por fim, Étienne agradeceu a oportunidade de falar sobre o tema e se colocou à disposição do CFA.

Confira a transmissão na íntegra do talk show: