Transformação Digital: apenas um termo cool do momento ou necessidade para sobrevivência?

Manter o cliente como foco central é o que diferencia um processo de transformação digital de apenas digitalização de processos e documentos dentro de uma empresa

Bruna Maggion, Administradores.com,
iStock

É fato que as empresas brasileiras andam a passos curtos rumo à transformação digital. De acordo com levantamento feito pela PwC apenas 9% das empresas se consideram avançadas em níveis de digitalização. A transformação digital pode ser definida como um processo estratégico, no qual a tecnologia é utilizada para que as empresas se tornem mais competitivas, posicionando o cliente no centro de tudo.

Manter o cliente como foco central é o que diferencia um processo de transformação digital de apenas digitalização de processos e documentos dentro de uma empresa. Para falarmos realmente em transformação digital, é essencial entender as necessidades, dores e jornada do consumidor e entender como aquela empresa vai agregar valor a ele, como vai facilitar sua vida e entregar um produto extremamente melhor com um processo altamente otimizado e mais qualificado. E é justamente esse o segredo: mudar o mindset e tentar enxergar a empresa de fora, com a visão do cliente.

É importante entender também que o processo de transformação digital não limita-se a apenas uma área ou um processo dentro da empresa, a digitalização é uma transformação que pode ocorrer em diversas áreas desde supply, logística, marketing, finanças até o relacionamento com o cliente, com aplicações desde a automatização de um processo fabril com fábricas conectadas com a inteligência de vendas, entendendo em tempo real as necessidades de produção trazendo grandes otimizações para a área de planejamento de demanda, uma logística com entregas automatizadas através de drones, produtos com IOT que entregam informações de consumo úteis a áreas de marketing e/ou assistência técnica, uso de algoritmos preditivos para otimizar cronograma de reparos com manutenção preventiva de equipamentos, até utilização de inteligência artificial e plataformas conectadas com mensageria para um atendimento ao cliente muito mais eficaz e qualitativo.

Apesar de engatinhar nesse sentido, temos empresas brasileiras que apostam em um avanço tecnológico para os próximos anos. A expectativa, é que em 2020, o número tenha um salto de 9% para 72%, o que demonstra que viveremos um verdadeiro "boom" de investimentos e mudanças nesse sentido.

Então por onde começar? Apesar de falarmos de tecnologia, a premissa mais importante para o sucesso de uma transformação digital são as pessoas. Tal processo apenas ocorrerá com o patrocínio inquestionável da alta liderança, já que são eles que vão pulverizar pela empresa os benefícios dessa transformação, fazendo com que os demais colaboradores se envolvam com essa ideia, entendam e se engajem com os reais benefícios gerando mudança de mindset. Além disso é essencial o reforço na cultura, capacitação de pessoas e até possíveis mudanças de estratégia e estrutura, dependendo do nível de maturidade de cada organização.

Além disso, é muito importante um investimento da empresa com a segurança de dados, com profissionais especializados e certificados no assunto, evitando assim que a empresa seja exposta a ameaças e riscos que envolvem a proteção virtual e cibersegurança.

Por falar em dados é inquestionável o volume gerado através da utilização das tecnologia nos processos da empresa. Além disso, outro fator importante a ser considerado é a estratégia de utilização de tais dados, sendo fundamental ter recursos de analytics com grande variedade de habilidades, como cientistas de dados, arquitetos de algoritmos, além de uma integração do fluxo de trabalho, para suportar as decisões e conduzir a transformação digital do jeito certo, utilizando o potencial máximo dos dados e impulsionando ainda mais ganhos e benefícios para a empresa e consumidor.

A transformação digital não é uma tarefa simples, exige grande abertura à mudança e existem riscos, porém os ganhos em eficiência, redução de custos, e aumento de receita geram altas vantagens competitivas. O termo pode ter sido apenas uma palavra de ordem em algumas salas de reuniões (atrasadas) anos atrás, mas 2019 forçará muitas empresas a perceberem que o tema não é brincadeira. É um imperativo no mercado empresarial atual, será uma ocorrência cada vez mais comum nos próximos anos e as empresas que rapidamente se adaptarem a essa nova realidade são as que terão ou se manterão com sucesso no mercado e, em contrapartida, aquelas que não adotarem as mudanças podem estar definitivamente fora do jogo. Essa é uma jornada inevitável, ganhará quem correr mais rápido.

Bruna MaggionHead de marketing da Wavy.