Renovação do comprometimento de lideranças de todo o mundo por um desenvolvimento sustentável. Esse é um dos objetivos da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que também visa analisar os progressos, o que ainda precisa ser feito e desafios atuais. No entanto, o evento é cercado por polêmicas relacionadas, por exemplo, aos seus desdobramentos, ao compromisso com práticas efetivamente sustentáveis e adoção da economia verde por parte das maiores lideranças mundiais. O impasse sobre a retirada ou não de compromissos firmados na conferência anterior, a falta de obrigatoriedade para o cumprimento de metas relacionadas ao desenvolvimento sustentável no “Rascunho Zero” do relatório “O Futuro que Queremos” – documento-base da Rio+20, feito em conjunto com as lideranças participantes – , as divergências entre países sobre a adoção de práticas menos prejudiciais ao meio-ambiente e o não-comparecimento de importantes nomes, como o do presidente dos Estados Unidos Barack Obama, e dos chanceleres Angela Merkel, da Alemanha, e David Cameron, do Reino Unido, também estão sendo alvo de críticas de organizações e da sociedade. E um dos críticos à Rio+20 é o pesquisador Alfredo Pena Vega, que afirma que as preocupações dos estados participantes do evento não dizem respeito ao que será discutido. ” Na cúpula existirá um confronto entre os países do norte, preocupados pela crise, e as potências emergentes, que têm apenas interesse no crescimento e não querem nem ouvir falar de questões ecológicas”, afirmou o estudioso, que acredita na sociedade civil para a realização de mudanças e não na atuação dos Estados. E ele deixa uma mensagem: “O importante, além do fórum em si, é a etapa pós-Rio”, afirmou. A consideração de possível fracasso da Rio+ 20 também veio de entidades como World Wide Fund (WWF) e outros estudiosos, como o professor da UnB, Eduardo Viola, especialista em negociações relativas ao clima, que reafirma o desinteresse das maiores potências – Estados Unidos, China e União Europeia – na discussão e explica que os resultados da conferência não irão além de “acordos superdifusos que vão apenas repetir coisas já ditas em conferências anteriores”, afirma. Apesar disso, na opinião de outros especialistas e autoridades, o evento pode superar a Rio92 em expectativas positivas de mudança. O secretário-geral da ONU para a conferência, Sha Zukang, é um dos otimistas em relação ao evento, afirmando sua importância tanto histórica quanto em impacto em relação à conferência anterior (Rio92) sem que ocorram mudanças nos seus princípios. “Todos eles ainda são igualmente relevantes e válidos”, disse sobre a questão, que ainda é motivo de divergências entre líderes. No Brasil O país também recebeu várias críticas em relação à sua própria realidade que, para especialistas como Mário Mantovani, ambientalista e diretor de políticas públicas da ONG S.O.S Mata Atlântica, vai na contramão da sustentabilidade. A aprovação do novo Código Florestal e as questões fundiária, ambiental e social são alguns dos problemas de acordo com ele, em entrevista ao Terra TV, na qual também afirmou que o pacote apresentado pelo Brasil na Rio+20 será “pífio”. Apesar da crítica, Mantovani explicou ao Terra que a conferência será uma boa ocasião para que a sociedade aja e promova mudanças. “Será uma conferência onde a sociedade vai construir. Se cada um de nós tirar um momento nestas duas semanas para pedir um pouco pela qualidade de vida, coisas que não se dão valor e que a economia verde vai precisar alcançar, vamos realmente fazer a diferença. É o que eu chamo de economia planetária”, disse o especialista. E para que ocorra essa mudança de atitude social, o conhecimento sobre o que é, de fato, a conferência é fundamental. Uma pesquisa recente, realizada pelo Ministério do Meio Ambiente, apontou que apenas cerca de 22% dos brasileiros, ou seja, 40 milhões de pessoas, sabem dizer o que é a conferência. Ainda é um número pequeno, mas mostra que o brasileiro está mais informado sobre sustentabilidade, levando em consideração que, quando foi realizada a Rio92, apenas 3% da população sabia o que era o evento. No entanto, apesar de ainda haver muito o que se fazer em um país onde os impactos ambientais (com poluição e construções de usinas hidrelétricas, nucleares, minas, entre outros) e a pobreza extrema (que afeta 8,5% da população, segundo o IBGE) ainda existem, é possível que uma nova atitude, não só partindo da sociedade como dos próprios governos e empresários, seja tomada ou, pelo menos, pensada durante a Rio+20. E isso também serve para todos os outros países participantes da conferência, independente de assumirem ou não compromissos pelo desenvolvimento sustentável e a implementação de uma economia verde, que demanda mudanças sensíveis na maneira como consumimos, além de um crescimento econômico em conjunto com a melhoria contínua da condição de vida da população mundial. Entenda o que será discutido na Rio+20 e suas implicações para as políticas de desenvolvimento sustentável no mundo Negócios sustentáveis: o papel das organizações na construção de uma nova ordem mundial