Planejamento estratégico, tático e operacional do Programa Pré-Sal Brasileiro
Luiz Gustavo Negro Vaz
artigo de
16/01/2013 6 min leituraResumo
INTRODUÇÃO
A iniciativa de Planejamento Estratégico para
minimizar o impacto econômico e social causado pela descoberta das reservas do
pré-sal no país, evitando assim a “maldição do ouro negro”, foi à temática
proposta pelo programa de Educação a Distância, do curso de Administração
Pública, como tarefa da Unidade IV.
A “maldição do ouro negro” nos faz lembrar que os
sonhos de prosperidade brotaram com a mesma força do petróleo que jorrou dos
terrenos pantanosos do delta do Níger, em 1956. O mercado mundial viciou-se nas
ramas brutas do delta, um líquido “suave”, com baixo teor de enxofre,
denominado Bonny Light, com capacidade para ser facilmente refinado em gasolina
e gasóleo.
O que presenciamos, com horror, no Sul da Nigéria,
que o petróleo corrompe tudo. Envenena o solo e a água. Mancha as mãos de
políticos e generais. Contamina as ambições dos jovens, que tentam açambarcar
uma fatia do ouro líquido. Originalmente, porém, a Nigéria tinha os requisitos
para escrever uma história de sucesso: era um país pobre, subitamente abençoado
por uma fortuna.
Mas existe uma ironia ainda mais cruel nesta
situação: nem meio século de extração de petróleo no delta conseguiu melhorar
as vidas dos cidadãos. Pelo contrário, os nigerianos encontram-se atualmente
ainda mais pobres e sem esperança.
Este trabalho foi elaborado no período de estudos,
basicamente com o objetivo de descrever o processo de planejamento, com a
definição de objetivos e estratégias, conforme foi destaque na Unidade IV do
livro de apoio acadêmico, na dinâmica de construção e implementação do
planejamento estratégico como tal.
Primeiramente, veremos o histórico da construção
do Planejamento Estratégico e faremos um alinhamento de alguns dos conceitos
mais importantes para a compreensão deste trabalho.
Em seguida, será apresentada a linha estratégica
adotado pelo Programa para a elaboração da sua estratégia. Analisaremos a sua
Visão de Futuro, seus Objetivos Estratégicos, Resultados Esperados, e por fim o
Planejamento Estratégico, Tático e Operacional do Programa.
CONCEITOS
As organizações estão procurando cada vez mais se
adaptar às constantes mudanças ambientais e das incertezas. Dentro dessa ótica,
o planejamento estratégico representa uma ferramenta indispensável na gestão
das organizações a fim de precaverem-se das incertezas com técnicas e processos
administrativos que permitam o planejamento de seu futuro, a elaboração de
objetivos, estratégias, métodos e ações (ANSOFF e McDONNELL, 1993; BETHLEM,
1998; DRUCKER, 1993; STONER e FREEMAN, 1999).
Nesse sentido, o planejamento estratégico
significa o ponto de partida na administração estratégica das organizações,
independentemente de seus tamanhos e tipos. Esse planejamento tem como
propósito adotar medidas decisivas e resultados na condução de atitudes
pró-ativas na gestão das organizações. (MINTZBERG, 1994; GOMES, 2003).
Para Megginson et al. (1998), o planejamento pode serdefinido como o processo de estabelecer
objetivos ou metas,determinando a melhor maneira de atingi-las. O
processo deplanejamento é a ferramenta para administrar as relações com ofuturo, afirma Maximiano (2006a).
Planejamento
é uma ferramenta para analisar o ambiente externo e interno, reafirmar a missão
da Organização, coletar dados e os transformar em informações e definir os
planos de ação.
Observa-se, portanto, que o tema conquista espaço
e significado nos meios acadêmicos e profissionais, principalmente quando se
trata do futuro das organizações. A ênfase dada ao assunto deve-se à
instabilidade ambiental e à questão da competitividade.
Estudos
realizados por Alfred Chandler, entre o final da década de 1940 e início dos
anos 1960, definiram três níveis administrativos – estratégico, tático e
operacional. Assim, os planos também passaram a ser classificados de acordo com
os níveis principais e abrangência da organização.
Como a temática do trabalho é
especifica quanto à elaboração do planejamento estratégico, tático e
operacional, destacamos duas concepções quanto ao planejamento estratégico:
(…)
atividade que envolve a definição da missão da organização, o estabelecimento
de seus objetivos e o desenvolvimento de estratégias que possibilitem o sucesso
das operações no seu ambiente (MEGGINSON et al. 1998); e
(…)
processo de elaboração da estratégia – a relação pretendida da organização com
seu ambiente, compreendendo a tomada de decisões sobre o padrão de
comportamento (ou cursos de ação) que a Organização pretende seguir: produtos e
serviços que pretende oferecer e mercados e clientes que pretende atingir
(MAXIMIANO, 2006a).
Nos estudos que desenvolvemos identificamos que o
planejamento pode ser condensado em quatro passos básicos e adaptado a todas as
suas atividades e aos níveis organizacionais, bem como permeia no seu processo
sistemático, conforme compreendido em:
·
Definição da missão, valores e visão: a missão organizacional, segundo Megginson et
al. (1998), refere-se ao propósito fundamental e único que a organização
tenta seguir e identificar seus produtos ou serviços e clientes. Assim, a
missão identifica a razão de ser da organização – ou seja, ela descreve suas
atividades, o mercado-alvo, os produtos e serviços básicos e seus valores.
Tanto as organizações lucrativas como as não-lucrativas precisam especificar
com muita clareza sua missão.
·
Análise da situação atual: ao planejarmos precisamos saber qual a situação
da empresa em termos mercadológicos, financeiros, operacionais, tecnológicos,
colaboradores. Para tanto devemos perguntar: Onde a empresa está? Como chegou a
esse ponto?
·
Análise do ambiente externo (político/legal, econômico, sócio-cultural,
competitivo, natural e tecnológico). Quais as ameaças e oportunidades do
ambiente no presente e no futuro?
·
Análise do ambiente interno: como administradores, nós precisamos analisar
nossa marca, nível de lealdade do cliente, lançamentos de produtos,
rotatividade de pessoal, tecnologia e custos. Quais os pontos fortes e fracos
de nossa organização?Sobre a análise do ambiente, Biaggio e Batocchio
(2005, p. 33) ressaltam que “essa análise, efetuada de forma sistemática,
permite à empresa direcionar o futuro do mercado, elaborar as metas e os
objetivos que atendam às variações do mercado”.
Ou seja, fazer um plano estratégico consiste em
definir: para onde ir? O que se deve fazer para chegar lá? Quanto vai custar?
Até quando deve-se conseguir? Ao darmos respostas para estas questões estaremos
respondendo os objetivos centrais da função planejamento. E após delimitarmos
os objetivos, definimos as metas, políticas, diretrizes, programas e
estratégias a serem aplicadas.
O PLANO ESTRATÉGICO
Para apresentar o Plano Estratégico do programa
PRÉ-SAL BRASIL, passaremos por três momentos. Primeiro analisaremos a Visão de
Futuro; depois, passaremos pelas prioridades, objetivos estratégicos e
resultados esperados do Planejamento.
VISÃO
DE FUTURO
Para OLIVEIRA (2001, p. 88), “a visão pode
ser conceituada como os limites que os proprietários e principais executivos da
empresa conseguem enxergar dentro de um período de tempo mais longo e uma
abordagem mais ampla”. Nesse
contexto, a visão proporciona


