Administradores.com - Entrevistas http://www.administradores.com.br/ Últimas entrevistas do Administradores.com pt-br Copyright 2018 Tue, 15 Apr 2014 15:51:40 -0300 Marco Civil: consumidor é o maior beneficiado, diz advogado //www.administradores.com.br/entrevistas/cotidiano/marco-civil-consumidor-e-o-maior-beneficiado-diz-advogado/135/ //www.administradores.com.br/entrevistas/cotidiano/marco-civil-consumidor-e-o-maior-beneficiado-diz-advogado/135/ Tue, 15 Apr 2014 15:51:40 -0300 Eber Freitas Marco Civil: consumidor é o maior beneficiado, diz advogado

Projeto representa um fortalecimento da democracia e "inova em alguns pontos importantes, principalmente no que diz respeito aos princípios da internet", afirma

Aprovado recentemente após quase seis meses trancando a pauta na Câmara dos Deputados, o projeto de lei 2126/11 (atualmente PLC 21/2014), conhecido como marco civil da internet, provocou um amplo debate. Também recebeu inúmeras críticas e só foi aprovado após o escândalo de espionagem envolvendo a presidente Dilma Roussef.

Mas você sabe realmente o que é o Marco Civil, e o que ele representa para a internet brasileira? Para tirar algumas dúvidas, conversamos com o advogado Rodrigo de Souza Leite, do escritório especializado em direito digital Mendes Barreto e Souza Leite Advogados. Para ele, o Marco representa um fortalecimento da democracia e "inova em alguns pontos importantes, principalmente no que diz respeito aos princípios da internet".

Leia a entrevista abaixo e deixe sua opinião sobre o assunto ao final do texto.

O que o Marco Civil representa para a internet e para a democracia brasileira, já que foi um projeto criado a partir da mobilização da sociedade civil?

Eu acho que esse projeto de lei representa um avanço para a democracia brasileira na medida em que durante o processo de aprovação houve uma série de discussões envolvendo os diversos setores da sociedade: os cidadãos, advogados -- pessoalmente ou por meio das entidades de classe --, os órgãos reguladores -- como o Comitê Gestor da Internet --, a Anatel e os políticos. Acredito que ele representa um fortalecimento da democracia. Essa é a minha visão com relação à questão democrática. Quanto à questão legal, acho que o Marco Civil inova em alguns pontos importantes, principalmente no que diz respeito aos princípios da internet.

Quais princípios?

Tem o reconhecimento da escala mundial da rede, a pluralidade e a diversidade, a livre iniciativa, livre concorrência, proteção à privacidade, neutralidade da rede e proteção aos dados pessoais. Muitas pessoas se referem ao projeto como a "Constituição da Internet". A semelhança é que ambos são normas programáticas, ou seja, são normas que determinam princípios gerais que devem nortear a criação de leis e regulamentos futuros, a conduta daqueles que participam desse processo de conexão na internet, seja fornecedor, seja a empresa de telecom que provê a conexão, seja o próprio usuário.

Muitos usuários se preocupam em relação à censura, já que o Projeto prevê a guarda de logs, afirmando que isso é uma forma de interferir na liberdade individual do cidadão. Você acha que essa preocupação é fundamentada?

Não acho que há qualquer menção à censura, seja direta seja indireta. Ao contrário, um dos princípios reconhecidos pelo Marco Civil segundo o artigo 2º, é o respeito à liberdade de expressão. Esse é um pilar fundamental do Marco Civil e, portanto, ele vai servir como norte para todas as condutas promovidas no âmbito da internet. O que existe aqui, e é uma preocupação muito válida para que as autoridades constituídas possam encontrar o autor de uma determinada violação. O que se busca no Marco Civil é isso: que se possa identificar o autor daquela interação -- pode ser um post, pode ser uma foto, pode ser um vídeo. Não vejo nenhum espaço que possa ser identificado como censura.

Nesse sentido, você acredita que o Marco Civil dá mais segurança jurídica para crimes na internet?

Na verdade a gente não pode falar em crime aqui, porque ele é um marco civil. Isso significa dizer que nesse texto, nenhuma conduta é classificada como crime. O Marco Civil não trata da parte criminal, apenas da parte civil. Isso vai permitir que o autor da infração seja encontrado e responsabilizado civilmente -- o que significa dizer que ele deve indenizar perdas e danos materiais ou morais. A questão criminal fica a cargo do Código Penal.

A interferência das teles durante o processo de aprovação do projeto foi prejudicial para o Marco Civil ou o texto se manteve fiel à sua proposta original?

Na minha opinião eu não vejo que houve uma alteração substancial capaz de invalidar o Marco Civil. Claro que em alguns pontos houve alguma flexibilização, mas tudo isso faz parte do jogo democrático, de todos os setores juntos defendendo seus respectivos interesses. No meu entendimento a atuação das teles não representou uma diminuição dos direitos do cidadão usuário da internet.

Qual a importância de o Brasil consolidar o princípio da neutralidade da rede, que foi um dos pontos mais polêmicos durante as discussões?

Esse ponto é muito interessante. A neutralidade vai assegurar que, dentro de um determinado pacote de serviços, o provedor de acessos não privilegie um determinado conteúdo em detrimento de outro. Se não houvesse esse princípio da neutralidade da rede, haveria o risco de um provedor de acessos diminuir a velocidade quando um internauta acessasse determinado serviço, principalmente aqueles que utilizam uma banda muito grande, como por exemplo músicas ou filmes online e abriria banda para serviços que consomem menos tráfego. O que poderia haver também era uma lesão ao direito de livre concorrência, porque um determinado provedor de acessos poderia reduzir a velocidade quando o internauta acessasse um serviço concorrente. Aliás, essa é uma preocupação que o Marco Civil traz de forma expressa, não pode haver limitação do direito de concorrência. Por outro lado, os provedores de internet poderão oferecer pacotes diferenciados e, dentro desses pacotes, poderão conceder acessos mais rápidos a determinados serviços. Isso quer dizer que dentro de um determinado pacote, o usuário poderá ter um acesso de melhor qualidade a um determinado tipo de conteúdo. Isso não fere a neutralidade da rede, porque o consumidor vai estar sabendo e adquirindo um pacote específico para aquele serviço que ele mais utiliza.

Como você acha que será a internet depois do Marco Civil? Ela vai continuar como é hoje ou algo deverá mudar?

O que pode haver num primeiro momento é um aumento de preocupação das teles com relação ao cumprimento do que consta no Marco Civil. Imagino que algumas empresas terão que fazer certos investimentos para atender às normas. Imagino também que os consumidores dos serviços vão se sentir com mais direitos, então pode ser que haja um aumento no número de reclamações contra as empresas provedoras de acesso e contra determinados conteúdos em sites, portais sites de relacionamento, etc. Mas eu não vejo o Marco Civil como um entrave ou algo que tire a dinamicidade da rede. Pelo contrário, eu acho que a rede continua cada vez mais dinâmica, e o Marco Civil vem apenas resguardar o direito dos usuários.

E as empresas startups, serão de alguma maneira prejudicadas pelo Marco Civil?

Pelo contrário, quem sai beneficiado é o consumidor. E a empresa que é preocupada com a regularidade das suas operações ela sabe o quanto o log é importante para que ela mesma se defenda. Precisamos lembrar que o Código de Defesa do Consumidor estabelece a inversão do ônus da prova. Ou seja, quando o consumidor faz uma reclamação ou move uma ação no Procon ou no juizado especial cível, quem tem que provar que aquilo não aconteceu é o fornecedor. Então o log, o registro dos acessos, é muito importante para a empresa como prova. Não deve ser algo que vai impactar.

]]>
Por que um pouco mais de liderança poderia resolver muitos problemas do mundo //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/por-que-um-pouco-mais-de-lideranca-poderia-resolver-muitos-problemas-do-mundo/134/ //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/por-que-um-pouco-mais-de-lideranca-poderia-resolver-muitos-problemas-do-mundo/134/ Tue, 25 Mar 2014 13:24:11 -0300 Redação Por que um pouco mais de liderança poderia resolver muitos problemas do mundo

Em entrevista ao Administradores.com, Artur Coutinho, vice-presidente de operações da Embraer, fala sobre o assunto

Artur Coutinho tem propriedade como poucos para falar sobre liderança. Vice-presidente de operações da Embraer, ele comanda uma das áreas mais vitais da companhia, que está entre as quatro maiores do mundo em seu segmento. Coordenar o trabalho de equipes, traçar planos e executar estratégias são coisas que fazem parte do seu dia a dia, com experiências que o levaram a escrever o livro “Vivências sobre liderança”, publicado neste ano pela Qualitymark.

Para Coutinho, a liderança é algo que deveria estar presente em todas as situações, pois é o fator que considera fundamental que tudo ocorra da maneira mais eficiente possível. Em entrevista ao Administradores.com, ele destaca também a importância de o líder formar novas lideranças e seu papel na manutenção de um bom clima organizacional.

Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Deve fazer parte das competências de um bom líder a criação de novas lideranças? Por quê? 

Seguramente uma importante responsabilidade dos líderes é desenvolver novos líderes. Cada vez mais, as empresas estruturadas consideram o quadro de líderes como um patrimônio intangível de grande relevância para a sustentabilidade e longevidade dos negócios, e portanto trabalham para a implementação de um mapa sucessório que extrapola a substituição na própria área e se aplica à empresa como um todo, permitindo que a progressão na carreira dos líderes seja vertical, diagonal ou mesmo horizontal. Líderes que desenvolvem líderes são fundamentais para que o mapa sucessório seja povoado com indivíduos competentes. 

Em seu livro você faz muitas comparações e referências a coisas do dia a dia para falar de liderança. Na prática, todos nós precisamos ser um pouco líderes em nossas vidas. O que podemos aprender no cotidiano, por exemplo, sobre liderança em situações de crise? 

Os conceitos de liderança se aplicam também fora do ambiente empresarial. Em inúmeras situações nos deparamos com a necessidade de utilizarmos estes conceitos e muitas vezes conseguiríamos resultados melhores se os utilizássemos de maneira consciente. Um professor em sala de aula deveria ser um líder, uma reunião de um condomínio se desenvolve melhor se bem liderada, um atropelamento na rua requer a liderança de alguém para acelerar o socorro, um incêndio requer alguém com liderança para o primeiro combate, criar filhos requer algo de liderança e assim por diante. Uma das maneiras de despertarmos em nós a percepção de que temos uma centelha de líder é exatamente a exposição a uma situação de crise. Nas crises se forjam líderes. A capacidade do líder em desenvolver uma visão, em comunicá-la aos que podem atuar como equipe e em promover a implantação de processos e ações que ancorem esta visão e transformem a realidade faz parte de nosso dia a dia. Se adquirirmos esta consciência e se usarmos estes e outros atributos de líderes, viveremos melhor. 

O clima organizacional é um fator determinante para o sucesso ou fracasso de uma empresa. Qual o papel do líder para manter um clima positivo? 

O clima organizacional depende muito da liderança. Todos nas equipes querem ajudar na execução de algo bom e que leve a bons resultados, os resultados elevam o moral da equipe e contribuem para a melhoria do clima. Todos querem crescer minimamente enquanto seres humanos e cabe ao líder promover as oportunidades para este crescimento e estimulá-lo. Isto faz a equipe se sentir bem e ajuda no desenvolvimento de um clima adequado. Todos precisam de uma visão otimista e de uma causa que os leve a um futuro melhor. Isto tem que se originar no líder e promove a adesão de todos aos objetivos da empresa, aumentando o senso de pertencer e melhorando o clima. Todos precisam de algum poder para se autorrealizarem. Cabe ao líder repartir o poder e ajudar todos a se motivarem. 
O líder é o catalisador de tudo o que acontece na empresa. Portanto, ele é determinante na qualidade do clima organizacional.   



Incentivar posturas de liderança dentro da empresa, entre toda a equipe, pode ser uma maneira de estimular a proatividade, a iniciativa. Mas se todos resolverem querer ser líderes, podem ser gerados conflitos difíceis de serem resolvidos e que podem atrapalhar a empresa? Como lidar com essas situações? 

A empresa precisa de homens de pensamento e homens de ação e deve estabelecer mecanismos que valorizem estes pontos fortes em todos os seus integrantes. Homens de pensamento ou de ação executam trabalhos e geram resultados através deste seu próprio trabalho. Um engenheiro fazendo o dimensionamento de uma estrutura está no papel de um homem de pensamento. Muitas empresas desenvolvem a ideia de carreira em Y, exatamente para valorizarem os homens de pensamento em sua carreira, equiparando-os a líderes e evitando que todos queiram seguir pela carreira de liderança. 


Um operário produzindo uma peça pode ser um exemplo de homem de ação (o que não o exime do pensar). Neste caso, ele também vai precisar de mecanismos de reconhecimento. Os cuidados no trato, a comunicação adequada, o reconhecimento do trabalho bem feito, a celebração dos resultados atingidos e o poder de participar da definição da melhor forma de fazer o seu trabalho ajudam os operários a sentirem que estão participando e são valorizados em seu trabalho. A eles também deve ser dada a oportunidade para crescer para um homem de pensamento ou para um homem de ação liderando outros homens. 


Os líderes são homens de ação que geram resultados através de outros homens. Cabe ao líder, através do estímulo para a  disponibilização do melhor potencial dos homens de pensamento e dos homens de ação de sua equipe, gerar os melhores resultados para sua equipe e para a empresa como um todo.  Uso a palavra homem aqui por uma facilidade de colocação, é importante destacar. Este "homem" é assexuado e os termos pensamento e ação definem atitudes preponderantes nos indivíduos, não se caracterizando com características mutuamente excludentes.     

 

]]>
Humor na internet: até que ponto as marcas podem utilizá-lo? //www.administradores.com.br/entrevistas/marketing/humor-na-internet-ate-que-ponto-as-marcas-podem-utiliza-lo/133/ //www.administradores.com.br/entrevistas/marketing/humor-na-internet-ate-que-ponto-as-marcas-podem-utiliza-lo/133/ Thu, 13 Mar 2014 11:49:54 -0300 Mayara Chaves Humor na internet: até que ponto as marcas podem utilizá-lo?

Sobre esse assunto, conversamos com Susan Liesenberg, pesquisadora de celebrificação e humor na internet e mestre em informação, redes sociais, tecnologias pela UFRGS

Cada vez mais vivo na internet, o humor é a chave para o sucesso de muitas ações de empresas na internet. Vídeos, campanhas e imagens com brincadeiras que caem no gosto dos usuários, trazem resultados que, às vezes, superam as expectativas das marcas envolvidas.

No entanto, o estouro na web pode não ser uma coisa boa quando o humor não é bem utilizado. Nesse caso, a repercussão se transforma numa bomba prester a destruir campanhas e a credibilidade das empresas.

Sobre esse assunto, conversamos com Susan Liesenberg, pesquisadora de celebrificação e humor na internet e mestre em informação, redes sociais, tecnologias pela UFRGS. A estudiosa fala sobre o uso de piadas como estratégia de marketing pelas empresas, além de citar cases de empresas que utilizaram brincadeiras em suas ações. Confira: 

É cada vez mais comum as empresas criarem ações virais, como brincadeiras e piadas na internet, para promover um produto ou serviço. No entanto, até que ponto essa prática é benéfica para a empresa?


Muitas empresas adotam tal estratégia pensando no buzz, em toda a mobilização que a ação pode gerar pelo apelo do humor, de piadas ou brincadeiras. A energização do humor na internet resulta em grande repercussão e número de compartilhamentos, comentários e acessos por este apelo.

Este é o grande trunfo do humor, esse seu magnetismo e essa sua força comunicacional. No entanto, somente este resultado “numérico” ou de reverberação não basta para auferir este sucesso. Deve-se considerar que obter sucesso na internet não se sustenta pelo número de views, citações e compartilhamentos, simplesmente. Tal prática só se torna benéfica se os targets da empresa, seus objetivos na promoção de sua imagem e de promoção de seu produto, negócio ou daquilo que pretende promover, atinge o objetivo pretendido com esta ação. Nem sempre um post com muitos cliques significa que ele tenha atingido isso. Muitas vezes, é justamente o contrário.

Os “pôneis malditos”, da montadora Nissan, embora não se trate de uma campanha produzida para a internet, tiveram na rede imensa repercussão, mas negativa. A vinculação de um bichinho cativo à memória afetiva infantil, o brinquedo Querido Pônei, a algo “maldito”, ainda que num evidente contexto irônico, uma paródia, teve um resultado desastroso. Por um lado, “promoveu” o nome da montadora, que foi amplamente citada. Por outro, foi uma promoção negativa pela repercussão que teve na rede, onde pipocaram as críticas à campanha.

Já houve também um caso contrário, em que uma propaganda produzida para a televisão rendeu uma repercussão de proporções gigantescas na internet, e muito positiva. É o caso da “menos a Luiza, que está no Canadá”. O pai da garota, empresário, foi convidado a divulgar um empreendimento imobiliário, o lançamento de um condomínio, mas a filha estava viajando em intercâmbio.

Como se tratava de uma família conhecida, que apareceria no comercial, o redator colocou a justificativa no texto do empresário, dizendo que toda a família se sentia à vontade no tal empreendimento “menos a Luiza, que está no Canadá”, pois pareceria estranho mostrar todos familiares, menos a garota, de quem a ausência seria notada. Pronto! Prato cheio para a internet, onde “menos a Luiza, que está no Canadá” bombou, rendendo um marketing gratuito inimaginável para a construtora anunciante. É preciso notar neste processo que inclusive campanhas de empresas que não foram produzidas para a internet têm na rede repercussão. As empresas têm de estar atentas a isso. Todo material que produzem, divulgam, encontram na rede este canal de repercussão imediata. Negativa ou positiva.


Existe um limite para a utilização do humor enquanto estratégia de marketing?


O limite do humor é um desafio. Ele é tão fascinante, desafiador e enigmático quanto o segredo do sucesso (a grande graça dele, aliás. Sucessos são sempre surpresas e, se alguém pudesse prevê-los, certamente venderia sua receita a preço de ouro). Como o humor se trata de algo subjetivo na interpretação, a piada pode parecer grosseira ou além do limite para um, mas pode ser entendida como apenas uma brincadeira para outro. Na dúvida, não entrar em polêmicas, tratar de temas espinhosos ou dar chance a algum equívoco é um caminho seguro para estar dentro de uma zona segura para evitar passar deste limite. E nunca, nunca tentar parecer engraçado. Não há nada pior do que piada forçada. Parece aquele primo ou tio que chega querendo ser engraçadão, se equivoca tremendamente no tom e acaba ele virando uma piada. E sem graça.

Qualquer empresa pode usar esse recurso? Por quê?


A algumas instituições, pela função corporativa que têm ou pelos serviços e produtos que oferecem, vincular sua imagem com algo humorado pode não ser uma boa escolha. Ainda que a intenção seja das melhores, simpática e inteligente, pode dar uma impressão de irreverência demais e, com isso, ter justamente a credibilidade posta em dúvida. O humor, de modo geral, está vinculado a algo solto, descontraído, irreverente. Apostar no humor como recurso tem de ser algo muito bem pensado, articulado, de modo a não ser algo que deponha justamente contra essa credibilidade construída para o seu negócio e área de atuação.

]]>
O que é preciso para ser um empreendedor? //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/o-que-e-preciso-para-ser-um-empreendedor/132/ //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/o-que-e-preciso-para-ser-um-empreendedor/132/ Thu, 06 Mar 2014 08:50:51 -0300 Eber Freitas O que é preciso para ser um empreendedor?

"O que se nota em empreendedores de sucesso é um conjunto de fatores comuns", afirma escritor e especialista José Dornelas

Empreendedorismo é um conceito excessivamente abordado nos últimos anos. Entretanto, geralmente de forma superficial ou até mesmo oportunista. Em meio à moda, poucas vezes são propostos métodos, teorias ou ferramentas consistentes que forneçam ao empresário um meio de garantir a sobrevivência de seu negócio. A mortalidade de empresas no Brasil com menos de dois anos de atividade ainda é de 24%, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) -- baixa em relação a outros países, mas que muitas vezes ocorrem por falta de competência ou planejamento.

José Dornelas, autor do livro "Empreendedorismo para visionários", tenta suprir essa lacuna, sem dispensar questões cotidianas do empreendedor. Além disso, ele categoriza vários tipos de empreendedor, inclusive em setores antes desprezados -- como o serviço público. "Historicamente, rotulou-se de empreendedor aquele que cria um negócio próprio. Porém, o comportamento empreendedor pode e deve ser praticado por todo aquele que queira fazer a diferença e gerar valor para a sociedade", afirma, em entrevista ao Administradores.com. Confira a entrevista completa abaixo.

Nos últimos anos, têm sido publicados dezenas de livros sobre empreendedorismo e startups. Qual a inovação trazida por "Empreendedorismo para visionários"?


Empreendedorismo para visionários apresenta uma abordagem contemporânea do empreendedorismo do próprio negocio, valendo-se do conhecimento acadêmico gerado ao longo dos últimos anos sobre a prática do processo empreendedor, assim como da sistematização de experiências vividas pelos principais protagonistas quando o assunto é o empreendedorismo: os empreendedores inovadores, que buscam de maneira incessante realizar seus sonhos.

O livro é composto de capítulos estruturados em uma sequência lógica, mas que podem ser lidos separadamente, pois cada tema abordado não necessariamente depende da leitura dos capítulos anteriores. Inicia-se com a apresentação de uma visão acerca do que é o empreendedorismo nos dias atuais, comparando a experiência empreendedora contemporânea com o que se apregoava sobre o tema no passado. Assuntos relevantes são apresentados de maneira objetiva, tais como a importância da inovação para o sucesso de iniciativas empreendedoras; a globalização e seu impacto no empreendedorismo local e regional; a sustentabilidade como premissa para os novos negócios; a crescente participação das mulheres na criação e gestão de novas empresas; as oportunidades e desafios advindos do rápido desenvolvimento tecnológico atual; e o dilema que permeia a vida de muitos empreendedores em potencial: a tomada de decisão de empreender agora ou no futuro.

Cabe ressaltar que neste livro buscou-se ainda uma abordagem inovadora para estimular a interatividade e a discussão de dilemas comumente vivenciados pelos leitores, sejam eles estudantes, empreendedores em potencial ou empreendedores já estabelecidos. Questões e exercícios foram propostos não só ao final dos capítulos, mas ao longo da apresentação dos conceitos chave, de maneira a proporcionar uma troca rica de experiências entre os leitores no site do autor.

No livro, você destaca as qualidades presentes nos empreendedores. No entanto, "Visão" e "Paixão" aparecem muito à frente de qualidades importantes como "Lealdade" e "Dedicação à qualidade". Esse comportamento pode estimular um empreendedorismo de fachada, sem consistência? Como o empreendedor pode evitar isso?


Quando de destacam as qualidades ou características empreendedoras não há como ranquear o que é mais ou menos importante. O que se nota em empreendedores de sucesso é um conjunto de fatores comuns, já que o todo é mais importante que apenas alguns traços que possam indicar algo de empreendedor na pessoa. Por isso, o empreendedor deve sempre pensar em seu Plano Empreendedor Pessoal, um instrumento que apresentamos no livro e que auxilia todo empreendedor no desenvolvimento de suas habilidades empreendedoras.

Entre os tipos de empreendedor você citou um que eu acho particularmente interessante: o empreendedor público. Empregados do setor público sempre carregaram a pecha de "conformados" ou coisas piores. Você acha que isso mudou nos últimos anos? Ou os empreendedores públicos sempre estiveram lá, mas não eram muito vistos?


Há pessoas com comportamento empreendedor em todos os setores da economia. Historicamente, rotulou-se de empreendedor aquele que cria um negócio próprio. De fato, os exemplos mais difundidos de empreendedorismo relacionam-se ao dono da própria empresa. Porém, o comportamento empreendedor pode e deve ser praticado por todo aquele que queira fazer a diferença e gerar valor para a sociedade. E o empreendedor público não só existe, como é um agente de extrema importância para que a máquina pública funcione. Eu particularmente conheço vários empreendedores públicos que são pessoas admiráveis e que têm consciência do relevante papel que prestam à sociedade.

Você também destaca outros tipos de empreendedores (cooperado, social) que têm como objetivo o "lucro social", digamos assim. Por que se tornou necessária essa dilatação do conceito de empreendedorismo? Esses empreendedores são tão necessários quanto os "Steve Jobs" e "Sergey Brins" da vida?

Como mencionado anteriormente, o comportamento empreendedor pode e deve ser praticado em todos os setores da sociedade. Não basta apenas existirem os empreendedores do próprio negócio, caso contrário o equilíbrio deixará de existir. Lembrando que o lema do empreendedor contemporâneo, como destaco no livro, deve ser o de gerar valor para a sociedade e não só para si.

Nos últimos anos surgiu a figura do empreendedor como o cara desenrolado, que realiza grandes projetos e pensa alto. Todos aqueles que não têm essas características são classificados como os fracassados. Fiquei mais confortável quando vi no livro que qualquer pessoa com qualquer temperamento pode ser um empreendedor em sua realidade, sem que isso signifique necessariamente o topo do mundo. Você acha que todas as pessoas deveriam ser empreendedoras nesse sentido?

O Brasil se destaca como um país com um contingente significativo de sua população economicamente ativa envolvida com o próprio negócio. Mas a maioria dos brasileiros cria negócios simples, pouco inovadores, e não deixam de ser empreendedores por isso. Há espaço para todos os empreendedores e para todo tipo de empreendedor (não só os do próprio negócio). Porém, os países que mais se desenvolvem e, por consequência, permitem que sua população tenha mais qualidade de vida, são aqueles que têm a inovação como mantra na prática dos negócios. O Brasil precisa necessariamente seguir o mesmo caminho, caso contrário seremos um país empreendedor que não cria condições mínimas de qualidade de vida e oportunidade de desenvolvimento para sua população. Isso é tratado no livro quando se fala do empreendedorismo inovador e da necessidade de termos mais empreendedores que pensam grande, que queiram internacionalizar seus negócios, gerar mais empregos, faturar mais e, assim, pagar mais impostos e retribuir gerando mais valor à sociedade.

Tenho notado que empreendedores que criam serviços para melhorar de fato a vida das pessoas (como o Colab.re) têm mais destaque, são mais bem vistos e conquistam mais clientes do que aqueles que conseguem um aporte milionário de um fundo de capital de risco. Essa mudança cultural é recente no Brasil? Você considera importante?

Há espaço para todo tipo de empreendedor. O sistema capitalista ainda é o que move o mundo e todo negócio precisa de dinheiro (seu combustível) para se desenvolver. Os modelos de negócios mais recentes, que visam à cooperação e o envolvimento dos usuários no processo (os clientes ajudam no desenvolvimento do negócio) são extremamente bem vindos e refletem uma demanda da sociedade moderna, principalmente dos mais jovens. Mas ainda é cedo para dizer se essa tendência se tornará o principal mote dos negócios. Por enquanto, podem ser considerados modelos inovadores que têm feito a diferença em alguns setores. E isso reflete a natureza eclética e transformadora do empreendedorismo, como trato no livro Empreendedorismo, transformando ideias em negócios.

]]>
As lições sobre Administração de quem ficou perdido 44 horas em uma caverna //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/as-licoes-sobre-administracao-de-quem-ficou-perdido-44-horas-em-uma-caverna/131/ //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/as-licoes-sobre-administracao-de-quem-ficou-perdido-44-horas-em-uma-caverna/131/ Tue, 25 Feb 2014 08:16:20 -0300 Fábio Bandeira de Mello As lições sobre Administração de quem ficou perdido 44 horas em uma caverna

Maurício Louzada conta como foi a experiência de ter ficado preso tanto tempo em uma caverna e todos os aprendizados que adquiriu dessa situação

Era maio de 1998. Mais precisamente, domingo de Dia das Mães. Maurício resolveu, junto com cinco amigos, fazer um passeio atípico para a maioria: explorar cavernas. O objetivo era fazer uma rápida visita em uma no interior de São Paulo. Inicialmente, a ideia do grupo era apenas explorar alguns salões, mas a empolgação foi tomando conta e eles resolveram ir a trechos mais distantes, que não eram abertos ao público.

O que era para ser um belo passeio virou um pesadelo. Em pouco tempo perceberam que estavam perdidos. Como tinham pouca iluminação, comida e não avisaram a ninguém que estavam ali, a única alternativa era procurar o caminho de volta.

Depois desta intensa vivência que durou 44 horas entre a chegada e a busca pela saída da caverna, Maurício Louzada decidiu mudar o modo de lidar com muitas situações, sejam elas na vida ou na própria carreira. E mais do que isso, encontrou nessa experiência uma forma de repassar lições para outras pessoas sobre pontos refletidos que podem ser aplicados até no ambiente corporativo. Essa analogia, inclusive, entre o que viveu na Caverna, a vida e o ambiente corporativo virou o livro “Pra Valer”.

O Administradores.com conversou com o Maurício que compartilhou alguns dos momentos vividos na caverna e essa relação com a Administração. Confira:

Chamou bastante atenção você ter uma experiência negativa em uma caverna e extrair lições para o mundo dos negócios. Você pode, primeiro, nos contar mais detalhes do que aconteceu na caverna?

Na época eu tinha 24 anos e fazia seis anos que eu já praticava espeleologia, exploração de caverna. Mas naquele dia, 10 de maio, meu grupo e eu resolvemos ir a uma área restrita das cavernas. Só podia visitar com uma orientação, um guia e a gente não tinha essa orientação. Ainda sim, resolveu visitar. Então fomos para essa área restrita, em um salão específico que queríamos chegar e descobrimos que havia uma continuação. Quando fomos para essa segunda área de continuação, essa parte era praticamente um labirinto, ela é até conhecida como queijo suíço. Nos embrenhamos por lá e começamos a explorar, porém, quando voltávamos, percebíamos que toda hora nós passávamos pelo mesmo lugar e nunca encontrávamos o caminho para sair dessa caverna. Ali começamos a ter os primeiros aprendizados – e que hoje eu trago para um mundo corporativo.

Por exemplo?

Buscar a culpa quando alguma coisa dá errado. Nós gastamos muita energia procurando o culpado. Depois fomos verificando que não havia um planejamento para essa situação. Houve várias situações que uma corda ajudaria bastante a acharmos à direção da saída. Tinha hora, por exemplo, que encontrávamos penhascos de 30 metros, que sabíamos que nos levaria mais próximo do rio e onde seria o caminho para a saída. Mas não tínhamos uma corda para descer em nosso equipamento, pois não houve planejamento.

Enfim, nós ficamos nessa área por um tempo grande e inúmeras vezes nos deparamos com túneis sem saída, com abismos que não poderiam ser vencidos. Só quando percebemos que das cinco pessoas que estavam ali, cada uma possuía especialidades que poderiam ser usadas pelo grupo, nós descobrimos caminhos que poderiam ser mais viáveis para a nossa saída.

Quais eram essas especialidades?

Por exemplo, nós tínhamos um geólogo no grupo e antes não estávamos usando o conhecimento dele no que diz respeito à direção da brisa, umidade do solo. Não estávamos sintonizados com uma equipe. E quando cada um começou a assumir o seu papel no grupo, com suas melhores características, começamos a traçar um plano para sair daquela situação. A estratégia básica que utilizamos era a seguinte: nós estávamos em uma parte superior da caverna e do outro lado tinha um rio. Então, o que pensamos: ‘se nós chegarmos ao rio, basta seguir o curso da água, que essa água chegará na boca da caverna’.

E realmente encontramos o rio, mas para seguir era preciso entrar nele. Porém, água de caverna é muito fria e pensamos o seguinte: “se nós entrarmos no rio estaremos acionando uma bomba relógio”. Porque se não saíssemos da caverna em 10h/12h após a entrada no rio, o risco de entrar em um processo de hipotermia e morrer com isso seria muito grande. Então, tivemos que fazer uma análise desse risco, medir esse risco e concluímos que valia a pena entrar nessa água. Porém, o pior estava por vir.

Andando nessa água nós percebemos em um determinado momento que havia trechos sanfonados. Ou seja, o teto baixou, encostou na água e formou um túnel. Para continuar só tinha um jeito: mergulhar nele, sem ar para respirar, sem nenhuma lanterna – já que não acendia de baixo da água -, e sem a certeza do tamanho do túnel. Nós passamos por essa experiência, atravessamos o túnel. Do outro lado, as lanternas acabaram e ficamos duas horas na escuridão total, com a sorte de estar tão próximo da boca, que quando o sol nasceu vimos à direção da saída. E assim, conseguimos sair. Esse é um rápido resumo das 44 horas que passamos.

Você citou o geólogo e a ajuda dele. O trabalho em equipe, então, foi fundamental?

Foi fundamental. Uma coisa que acabo dizendo muito nas palestras que faço é o seguinte: “muitas vezes, as empresas têm as pessoas certas, mas as pessoas certas não estão nos lugares certos. Ou muitas vezes o conhecimento das pessoas certas não é utilizado de maneira adequada”. Cabe a uma pessoa que comanda uma equipe, que consiga gerenciar as potencialidades das pessoas e colocá-las nos lugares certos.

Às vezes é descobrir, com o passar do tempo, que essas pessoas têm potencialidades que muitas vezes nem elas conhecem. E a gente enquanto administrador tem que ter essa visão: de colocar as pessoas e descobrir as potencialidades dela. Então, o trabalho de equipe foi fundamental. Chegou em um momento lá que ninguém falava com ninguém, todo mundo estressado um com o outro. E só quando a gente descobriu que poderia somar as diversas características de cada um, começamos a ter uma estratégia para sair da caverna.

Você acabou de citar um ponto que gostaria de perguntar: a motivação. Como vocês lidaram com isso? Afinal é normal bater uma angústia nesse momento.

Dentro de uma caverna o seu instinto de sobrevivência faz você agir. Você precisa fazer alguma coisa senão você vai morrer ali. Quando eu conto essa narrativa, as pessoas não tem noção de quanto é desesperador você não ter a certeza que verá a luz do sol. Então, o instinto de sobrevivência é uma forte motivação. Porém, no dia a dia, a gente pode escolher parar.

Por exemplo: depois de andar 27 horas na caverna, nós voltamos para o mesmo ponto onde nós tínhamos chegado quando percebemos que estávamos perdidos. Ou seja, 27 horas andando e você nota que está no mesmo lugar. Dentro de uma caverna você não pode dizer: “Ah, agora vou parar”. Mas na vida muitas vezes as pessoas podem. E buscar essa motivação de dizer: “olha, é mais fácil parar, mas eu vou continuar” é uma coisa que tem que vir de dentro. Você tem que ter um objetivo claro. É preciso ter uma missão declarada, uma missão pessoal.

Para a gente, lá, era muito claro a nossa missão: sair da caverna para sobreviver. Mas às vezes uma pessoa trabalha uma vida inteira e não sabe o porque está trabalhando. Acredito que a motivação começa por aí, em responder essa pergunta: “por que eu saio da minha cama às seis da manhã e fico trabalhando o dia inteiro?”. Porque você tem que ter alguma coisa para estar construindo. Buscar esse objetivo, que na nossa analogia era a saída da caverna, é essencial para essa motivação.

E quando surgiu esse start para contar essa história e envolver o mundo corporativo?

Eu comecei a fazer palestra para outros exploradores de cavernas para que eles não cometessem os meus erros que cometemos. Porém, eu comecei a perceber que existiam vários elementos que poderiam ser aplicados em pessoas que não exploravam cavernas. Por exemplo, a própria questão do trabalho em equipe. E aí, uma vez, um amigo convidou para eu contar essa história na empresa do pai dele. E quando fiz isso, eu comecei a perceber o quanto isso tinha de aplicação e comecei a fazer essas analogias.

O que você destaca como maior aprendizado dessa experiência?

Que todos nós vamos passar por situações difíceis, seja na vida, numa caverna, em uma empresa. A gente vai ter desafios para enfrentar e a forma como vamos encarar essas dificuldades é o que vai determinar se no final do processo a gente sairá com um aprendizado ou não.

Das cinco pessoas que estavam nessa experiência, eu posso garantir que duas tiveram um aprendizado forte e aplicaram isso na vida. As outras três viram isso como uma catástrofe. O que eu quero dizer com isso é que todos nós vamos passar por dificuldades, um empresário terá momentos que dirá como está difícil, mas aprender com isso, e pegar essas experiências para que ela lhe impulsione para o futuro é o que vai fazer a diferença.

E você já voltou a uma caverna depois de tudo isso?

Voltei.

E como foi?

Eu voltei várias vezes em outras cavernas. Para essa mesma caverna eu fui novamente uma única vez. É claro que visitar essa caverna foi um pouco traumático, pois a gente acaba revivendo tudo isso, mas por outro lado, eu sempre digo: “aquilo que lhe amedronta é aquilo que você deve enfrentar”. Então, você tem que encarar seus medos para se tornar maior do que eles. Quando a gente tem um receio e viramos as costas para esse medo, a tendência é que ele fique maior. Visitamos outras cavernas, claro, com muito mais cuidado.

E planejamento maior...

Exato, e planejamento. Essa questão do planejamento eu acho fundamental. No fundo, se tivéssemos um pequeno planejamento, por menor que ele fosse, poderíamos ter saído daquela situação muito antes das 44 horas. Muita gente até pergunta para mim: “Maurício, mas por que vocês não estavam de corda?”. Pois a gente ia para uma área que não precisava de corda. A questão é que a gente esquece de planejar o imprevisível. E o imprevisível, de alguma forma, pode ser planejado. Seja através de um plano B ou plano C.

]]>
Como pensa - e investe - um anjo? //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/como-pensa-e-investe-um-anjo/130/ //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/como-pensa-e-investe-um-anjo/130/ Fri, 21 Feb 2014 08:47:23 -0300 Fábio Bandeira de Mello Como pensa - e investe - um anjo?

O Administradores conversou com Maria Rita Spina Bueno, sócia fundadora do Anjos do Brasil, uma das principais organizações brasileiras de investidores-anjo, para entender quais os fatores que fazem esse investidores apostarem em um negócio

Eles são vistos como os verdadeiros salvadores da pátria para diversas startups e, de fato, para muitas delas, realmente são. Mas não é ter uma ideia mirabolante que o empreendedor conseguirá um caminhão recheado de dinheiro dos investidores-anjos. Há todo um critério para que um negócio receba um suporte ao invés de outro pronto.

Para entendermos quais os fatores que fazem um investidor-anjo apostar em um negócio, além de entender um pouco mais do perfil desse tipo de empreendedor, conversamos com Maria Rita Spina, sócia fundadora do Anjos do Brasil - uma iniciativa sem fins lucrativos que fomenta o investimento anjo. Confira abaixo:

Administradores.com | Você pode falar um pouco do trabalho que a Anjos do Brasil realiza?

Maria Rita Spina | Temos três vertentes de trabalho. A primeira linha de atuação é que nós somos uma rede de investimento anjo. Investimento anjo é sobre conexão, relacionamento entre investidor, troca de boas práticas, recepção de bons projetos. Também atuamos em uma linha vertical que é a criação de uma cultura de difusão de conhecimento. A gente percebe que para que tudo aconteça, nós precisamos ter uma cultura de empreender muito mais inovadora, muito mais colaborativa. E precisamos ainda colaborar explicando o que é investimento anjo e estimulando esse tipo de empreendimento.

E o terceiro foco de atuação é com políticas públicas. A gente tem conversado com uma série de redes internacionais e todas elas nos dizem que nos países onde existe um reconhecimento da importância dos investimentos- anjos, isso cresce muito. Isso é uma pauta de longo prazo, mas é uma pauta que nós atuamos. E fazemos tudo isso através de uma extensa rede de parceiros. Só vai existir um ecossistema forte de empreendedorismo e inovação no país se muitos agentes diferentes agirem com sinergia, de forma que tenhamos condições para que isso aconteça.


Houve um aumento desse tipo de investidor. Qual justificativa você daria para esse crescimento?

O que percebemos é que existe uma enorme necessidade nesse tipo de investimento no Brasil. Estamos em um momento muito oportuno e interessante. Onde o empreendedor mudou bastante. As pesquisas mostram que se há 10 anos o empreendedor empreendia por necessidade, hoje, existem uma geração de pessoas que empreendem por oportunidade.

Eles vêm um problema real, encontram uma ação relevante e querem empreender. E nesse cenário, o investimento-anjo tem um papel muito especial. Porque o investimento-anjo não é só o capital. Quem está começando um negócio também precisa de apoio, precisa de uma visão mais experiente, precisam de networking. E o anjo pode oferecer isso.

Qual é o perfil dos investidores-anjos no Brasil?

Ele é tipicamente homem, empresários ou executivos que fizeram uma carreira corporativa. Agora, está surgindo muitos profissionais liberais. Eles têm algum capital para fazer um investimento de risco e todo um conhecimento agregado de networking e de relacionamento. Há também a iniciativa do MIA – Mulheres Investidoras Anjo, um movimento de fomento ao investimento anjo feminino, que estamos desenvolvendo.

Quais são os principais modelos de negócios investidos? Quais os setores?

Tem muita coisa sobre tecnologia. Claro, é um setor muito interessante, mas não é só isso. Você vê investimentos, por exemplo, em setores de educação, saúde e energia. Muitas vezes são projetos de tecnologia aplicados a esses setores. E são áreas que despertam muito interesse por terem problemas reais, terem um mercado amplo e serem escaláveis.

Onde estão concentrados os maiores investimentos?

Hoje ainda, você pode dizer que a maior parte dos investimentos está concentrado na região Sudeste, em especial, no eixo São Paulo - Rio de Janeiro. Mas isso vem sendo modificado. Então há investimento-anjo pelo Brasil inteiro. No Nordeste vem surgindo muitas coisas. O que acontece quando você fala a nível Brasil é que existe muita gente que faz o investimento-anjo, mas não sabe que está fazendo um. No caso, ele geralmente é feito de uma maneira esporádica. Que é o empresário que conhece um rapaz mais jovem e investe no projeto dessa pessoa, colocando capital e orienta de diferentes frentes. Isso é ser investimento-anjo. O que a gente quer incentivar é investidores que façam isso de maneira sistemática. E assim terem uma carteira de investimento anjo.

Muitos empreendedores resolvem abrir uma startup visando o dinheiro rápido. O que você poderia dizer para esse empreendedor?

Quando o foco é ganhar dinheiro, muito difícil você fazer um projeto de longo prazo e sustentável. O dinheiro é consequência de você ver um problema real e encontrar uma solução. O que a gente sempre percebe quando olhamos empresas inovadoras – e que no final acabam valendo muito – são empresas cuja motivação inicial não é fazer dinheiro, mas sim dar uma solução relevante para um problema real. O caminho tem que ser esse. O dinheiro é consequência, não pode ser o foco.

Para quem deseja começar uma startup ou virar um empreendedor, o que você considera como fundamental aos olhos de um anjo?

Tem um dito que é muito comum para o investimento-anjo, que acredito que você já tenha ouvido, que fala: “invista no jockey e não no cavalo”. Então, o fundamental é esse empreendedor cultivar dentro dele as características do empreendedor. Cultivar a capacidade de realização, fazer acontecer, ser resiliente e encontrar um problema real e dar uma solução relevante.

Empreender não é fácil, ainda mais de maneira inovadora. Você vai ter que está preparado para tudo isso, para ser flexível e isso é o fundamental. É o que a gente mais olha. Muito empreendedor acha que só é a ideia que importa, tem uma ideia e pronto. Não. A ideia vai mudar ao longo do tempo porque os projetos mudam, o mercado lhe dar respostas diferentes do que você originalmente imaginou e você tem que ser flexível para escutar esse mercado e entender o que é importante. É isso que todo investidor-anjo procura.

]]>
Flávio Augusto da Silva: da WiseUp ao Orlando City //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/flavio-augusto-da-silva-da-wiseup-ao-orlando-city/129/ //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/flavio-augusto-da-silva-da-wiseup-ao-orlando-city/129/ Wed, 18 Dec 2013 19:57:22 -0200 Leandro Vieira Flávio Augusto da Silva: da WiseUp ao Orlando City

Em conversa exclusiva com o Administradores.com, o empresário fala sobre o processo de venda do Ometz Group para a Abril Educação e seus novos planos no Brasil e no exterior

Numa entrevista exclusiva para o Administradores.com, o empresário Flávio Augusto da Silva, fundador da WiseUp, do projeto Geração de Valor e proprietário do Orlando City Soccer Club, time de futebol profissional da MLS - Major League Soccer, elite do futebol na América do Norte, abre o jogo sobre o seu ano de 2013, quando foi protagonista de uma das maiores aquisições na história do setor de educação brasileiro. Em um bate papo muito franco com Leandro Vieira, diretor executivo do Administradores.com, Flávio falou sobre os seus desafios para vender a empresa que fundou quando tinha apenas 23 anos de idade, sobre a passagem de bastão para a Abril Educação e sobre como vai desenvolver novos negócios a partir de 2014. A conversa é um desdobramento do bate papo com ele publicado na última edição da revista Administradores.

1. Que retrospectiva você faz do seu ano de 2013?

2013 para mim tem sido a conclusão de um ciclo que iniciou em 2012. Em maio do ano passado, recebi em Orlando a visita do Manoel Amorim, presidente da Abril Educação, acompanhado de um diretor do Banco BTG Pactual. Esse almoço cordial e agradável tinha um objetivo muito bem definido: manifestar o interesse da Abril Educação na compra do Ometz Group, empresa que fundei em 1995 ao inaugurar, no Centro do Rio de Janeiro, a primeira escola da WiseUp. Durante o restante de 2012 tive que me dividir entre gerir o negócio presente em seis países e, ao mesmo tempo, atender a enorme demanda de um complexo processo de M&A (Merger and Acquisition, ou "fusão e aquisição", em português), que contou com mais de 100 profissionais envolvidos nesse processo, trabalhando na auditoria contábil e nas diligências a fim de compreender o modelo de negócios que o grupo praticava e que determinou o crescimento de nossos empreendimentos. Essa etapa foi concluída em fevereiro de 2013, ocasião da assinatura do contrato de venda do Ometz Group, dando início a uma nova fase: a transição de comando do Ometz Group, que se encerra no final de 2013.

2. Por que você decidiu vender o Ometz Group?

Costumo dizer que o ponto mais alto de um empreendedor ocorre quando o mercado enxerga valor em seu projeto, em sua marca e produto, a ponto de desejar adquiri-los. Em meu caso, desde 2008, quando recebi a primeira proposta de aquisição, imediatamente compartilhei com todos os meus parceiros. De lá para cá, foram dezenas de propostas feitas por instituições nacionais e internacionais, entre estratégicos e fundos de investimentos, interessados em investir ou comprar a nossa companhia. Em 2012, escolhi criteriosamente o candidato com o qual me sentiria seguro e que seria o melhor sucessor para assumir o controle do projeto que ajudei a desenvolver nos últimos 18 anos. Considero-me um construtor, criador de modelos de negócios e desenvolvedor de projetos. O Ometz Group cresceu bastante e precisava de uma gestão mais corporativa e profissional. Além disso, eu me considerava preparado para novos desafios. Com essa convicção e absolutamente seguro com a escolha da Abril Educação, passei o bastão com muita tranquilidade, segurança e a sensação de missão cumprida.

3. Foi uma decisão difícil?

Não foi fácil, em especial porque, em 18 anos, construí relações sólidas com muitas pessoas por quem tenho até hoje muito respeito e carinho, mas eu estava muito seguro de que o comprador seria capaz de dar seguimento ao histórico de crescimento com o qual a nossa empresa estava acostumada. A propósito, em 18 anos, foram muitos desafios vencidos, e no DNA da Abril pude observar o mesmo histórico e todo o preparo necessário para novos capítulos de sucesso. No entanto, não fui poupado de alguns momentos de estresse e desgastes emocionais até que o processo fosse finalizado exatamente no dia 7 de fevereiro de 2013, no exato dia do meu aniversário.

4. Como está sendo o período de transição de comando do Ometz Group?

Aprendi muito neste ano, período que consideramos necessário para esta transição. Estou bastante satisfeito por ver um caminho muito positivo para o futuro do Ometz. No início deste período, toda a rede sentiu-se um pouco insegura, o que considero uma insegurança natural em aquisições deste porte. Essa instabilidade foi refletida nos resultados do primeiro semestre. No entanto, no segundo semestre, com a contratação do novo CEO, Júlio de Angeli, e a aproximação do presidente da Abril Educação, Manoel Amorim, da operação, houve uma reação imediata, criando novamente um ambiente estável na rede e com perspectivas muito promissoras para 2014. A conferência anual, a Ometz Conference, que acontece no início de janeiro em São Paulo, promete ser marcante. Na realidade, será a maior de todos os tempos, e irá dar as boas vindas a 2014, o ano da Copa do Mundo da FIFA, da qual a WiseUp é uma das empresas patrocinadoras, o que vai gerar uma grande exposição para a marca.

5. Qual a sua opinião sobre o trabalho da Abril Educação até o presente momento à frente do Ometz Group?

Durante o processo de M&A, admirei muito como todo o processo foi conduzido pela Abril, mas confesso que estou bastante surpreso positivamente com a forma que a Abril tem liderado a empresa durante essa transição. O Manoel, além de contar com amplo conhecimento técnico, é um líder hábil e com grande visão estratégica. Rapidamente conquistou a confiança dos franqueados e tem todos os ingredientes nas mãos para realizar um ano de 2014 incrível. Somado a isso, Édio Alberti, Mário Magalhães, Sérgio Santanna e Sérgio Barreto, principais executivos de minha gestão, e retidos com muito prestígio pela Abril Educação, estão completamente alinhados com a nova liderança do Grupo.

6. Qual é o seu envolvimento com o Ometz atualmente?

Tenho muitos amigos dentro do grupo, mas de dois meses pra cá, ao finalizar o período de transição com a qual estive comprometido, o meu envolvimento tem sido muito pequeno. A transição está praticamente concluída e, a partir de 2014, pretendo acompanhar os resultados apenas através dos relatórios divulgados aos investidores. Como segundo maior acionista da Abril Educação e pelo carinho e consideração que tenho por todos que são parte de minha história, tenho razões e interesses suficientes para desejar que a companhia continue crescendo como sempre cresceu em todo a sua história. Confio plenamente na equipe que está à frente do Ometz e suas marcas, e estou muito confortável com o comando executivo da Abril Educação.

7. Há quem diga que o Ometz jamais será o mesmo. Você concorda?

Sim, concordo 100%. Francamente, tenho apostado as minhas fichas que o Ometz será muito melhor nesta nova fase, vai crescer mais e será ainda mais respeitado através de todas as suas marcas. Os franqueados que aproveitarem as novas oportunidades oriundas da sinergia com a Abril vão crescer como nunca, e os que forem resistentes ao novo momento vão correr o enorme risco de ficar para trás. Assim, naturalmente a rede será renovada, como normalmente acontece no mercado. Acredito que não será diferente nesta nova fase do Ometz Group sob um comando mais profissional e transparente. Eu cumpri a minha parte e entreguei uma empresa que vi nascer e crescer para uma gigante do setor de educação que saberá muito bem o que fazer para colocá-la num patamar mais elevado. Confio nas sementes que plantei nos últimos 18 anos, assim como num futuro ainda mais brilhante para esta empresa sob uma nova liderança.

8. Há um mês, o Orlando City entrou no seleto grupo da MLS, elite do futebol nos EUA. Como você conseguiu isso em apenas sete meses, desde que comprou o clube?

 A MLS é a liga de futebol profissional que mais cresce no mundo na atualidade. Comprei o clube com esta finalidade, pois a sua torcida crescia a cada ano, os resultados em campo eram visíveis e eles precisavam muito de um projeto que enchesse os olhos da MLS para serem aceitos na liga, além da construção de um novo estádio, afinal, a concorrência é muito grande. A minha entrada não apenas garantiu o aporte de capital necessário para a construção do estádio em parceria com o Governo da Flórida e as prefeituras de Orlando e do Orange County, como também garantiu a fundamentação de um projeto que conectasse a liga americana com o mercado brasileiro, responsável pelo aquecimento da economia de Orlando. O turista brasileiro é o que mais consome na região e é responsável por 70% do consumo dos outlets da cidade. Tanto a MLS quanto os governos locais que aderiram ao projeto ficaram muito interessados neste novo ingrediente, que acabou sendo o principal fator que carimbou o nosso passaporte, destino à principal liga de futebol profissional do país, uma espécie de NBA do futebol nos EUA e Canadá. Curti muito essa nova conquista numa festa inesquecível, quando experimentei grandes emoções no palco, durante o momento do grande anúncio, diante de mais de 4.000 torcedores e toda a imprensa esportiva americana.

9.Como será a sua atuação em seus novos projetos?

Em todos os meus novos projetos, no Brasil ou fora, não vou ocupar mais uma posição executiva. Todos eles terão o seu próprio CEO que vai tocar a operação no dia a dia. Isso inclui o Orlando City e o Geração de Valor, que já têm os seus comandantes que vão me prestar conta dos resultados mensalmente e em video-conferências semanais. A cada dia, quero me posicionar como idealizador e mentor de meus próprios projetos e com o foco de encorajar novos empreendedores a construírem a sua própria história. Nesta nova fase, também vou me dedicar muito à minha família, em especial aos meus três meninos, viajar, escrever alguns livros e curtir um pouco a vida com a Luciana, com quem completo 21 anos de casado daqui a alguns dias.

10. O que o mercado pode esperar de seus novos empreendimentos?

Vou usar a minha principal expertise que é o desenvolvimento de modelos de negócios inovadores para criar produtos que tenham escala e alta rentabilidade. A partir de um certo ponto, vou dar acesso a um grupo seleto de investidores a fim de elevar todos esses projetos a um novo patamar. Quero, com o talento de criar negócios e liderar pessoas que desenvolvi nos últimos 18 anos, gerar valor através de produtos e projetos que produzam riquezas para os seus acionistas e gerem benefícios para a sociedade, em especial para as novas gerações, revelando novos talentos e novos empreendedores. Se eu consegui chegar tão longe, muitos outros jovens também são capazes. Nada me convence do contrário.

 

]]>
Gerald Zaltman - Desvendando a mente do consumidor //www.administradores.com.br/entrevistas/marketing/gerald-zaltman-desvendando-a-mente-do-consumidor/128/ //www.administradores.com.br/entrevistas/marketing/gerald-zaltman-desvendando-a-mente-do-consumidor/128/ Fri, 13 Dec 2013 10:09:23 -0200 Deborah Rosa Gerald Zaltman - Desvendando a mente do consumidor

Pesquisas que analisam a mente humana estão revolucionando a maneira de se fazer Marketing. Estudos científicos na área estão revelando a chave para o entendimento da lógica de consumo. E um dos responsáveis por agitar novas descobertas nessa área é o professor Zaltman

O sonho de todo profissional da área de marketing é descobrir tudo que se passa na cabeça do consumidor: suas necessidades, preferências, opiniões... Só que isso pode ser impossível até para o próprio consumidor. Isso mesmo! Uma vez que 95% de todos os nossos pensamentos e emoções ocorrem no inconsciente, às vezes nem nós sabemos conscientemente a razão pela qual escolhemos algum produto. Isso levou o professor Gerald Zaltman a criar seu próprio método de pesquisa em marketing, o ZMET (Zaltman Metaphor Elicitation Technique), técnica focada nas metáforas e nas formas não-verbais de comunicação.

Professor da Harvard Business School, sócio da firma de consultoria Olson Zaltman Associates e autor de 14 livros, Zaltman é hoje considerado um dos maiores especialistas no comportamento do consumidor e uma das cinco personalidades mais relevantes do marketing.

Em entrevista à Administradores, Zaltman comenta a relação atual entre os consumidores e os profissionais de marketing e explica como as metáforas profundas estão presentes no mercado.

Quando o assunto é marketing, quem manda mais: o consumidor ou os profissionais de marketing?

Na minha opinião, é um erro achar que um está contra o outro. Por exemplo, o que os consumidores pensam e como eles se comportam vai influenciar nas atitudes dos profissionais de marketing. E, ao mesmo tempo, aquilo que os profissionais dizem e fazem também influencia os consumidores. Então, eu tento olhar para a ideia de um mercado, no caso o marketing, como um resultado conjunto da interação dos profissionais e consumidores. Eles podem até interagir de forma direta ou indireta, mas, independentemente disso, eles têm de estar sempre relacionados um com o outro.

Mas sempre foi assim?

Sempre foi assim. Eu acho que, na verdade, até hoje em dia, os profissionais de marketing pensam nos consumidores como uma audiência passiva, então, eles tentam manipulá-los ou tentam introduzir ideias neles. Já os consumidores, eu tenho a impressão de que eles pensam que os profissionais não refletem muito sobre eles, sobre o que eles querem e precisam.

Imagem: divulgação


E por que você acha que isso acontece?

Existe uma tendência do ser humano de apenas prestar atenção ao que acontece do seu próprio lado, sem tentar interpretar a outra parte que influencia. Então, os profissionais de marketing dão uma atenção desproporcional ao que eles acham que conhecem sobre o mercado e a mente do consumidor e não dão atenção suficiente ao que os consumidores realmente pensam de seus produtos.

E com a web. Na medida em que mais pessoas se conectam à internet todos os dias, não há dúvida que o mundo está mudando. Como você analisa o comportamento do consumidor nessa era digital?

Eu estava lendo um artigo interessante da universidade de Chicago que debatia o quão profundo é o impacto da internet, é há pessoas que pensam que o impacto é exagerado, mas, mesmo assim, é de conhecimento geral que a internet é muito importante. Nela as pessoas podem comprar mais facilmente, podem ter mais escolhas, se estiverem dispostas a investir mais tempo na busca, e, obviamente, elas acabam tendo a oportunidade de trocar informações com outros usuários e sobre avaliação de produtos.

Em relação ao conceito das metáforas profundas que você traz no livro "Metaphoria Marketing", poderia nos explicar exatamente como a metáfora é trabalhada na mente dos consumidores?

É evidente que pensamos naturalmente através das metáforas. Inclusive, alguns filósofos defendem em um livro recente que você só está ciente de algo de uma maneira real se você conseguir explicá-lo usando uma metáfora. Então, o jeito que a nossa mente é estruturada para trabalhar é fazendo utilização de metáforas e analogias de forma mais ampla. Portanto, é muito importante usar metáforas como um meio para tentar entender o que as pessoas estão realmente pensando e por que elas têm certas atitudes.

Como aplicar essas metáforas nas estratégias de marketing?

Quando falamos das metáforas no marketing, podemos dizer que todas as publicidades são uma metáfora, uma representação do produto, esteja ele simulado ou não. Além disso, as metáforas são usadas para construir ideias sobre um serviço ou produto, e essas metáforas às vezes são tão óbvias que nós não as percebemos, não temos consciência delas, mas elas estão presentes. E quando nós não as percebemos, é aí que elas se tornam mais poderosas. Um produto ou um serviço é uma metáfora para representar de uma forma diferente aquilo que os consumidores precisam, pois são metáforas para o que os consumidores procuram para resolver seus problemas.

Então, nós podemos dizer que a publicidade, a cor, o formato e todos os elementos que um produto contém são metáforas?

Sim. Elas são representações que contêm significados além da cor literal. Nós podemos dizer que existem diversos significados presentes no design de um produto, no seu formato, embalagem...

Você conseguiu desenvolver uma boa base de seu estudo através do Zaltman Metaphor Elicitation Technique, ou ZMET. Como esse método funciona?

Como a mente trabalha através de metáforas, nós pedimos para as pessoas encontrarem fotos, objetos, e até mesmo sons que representam seus pensamentos e sentimentos sobre uma marca, produto ou serviço... Uma instituição bancária, por exemplo. Então pedimos que elas façam isso três ou quatro dias antes da entrevista, para que suas mentes tenham a oportunidade de processar inconscientemente as ideias na imagem e, com isso, trazer à tona seus pensamentos e sentimentos acerca da instituição bancária em questão. Após isso, é feita uma entrevista individual de duas horas de duração que usa uma variedade de técnicas de projeção para descobrir sentimentos que estariam sendo “escondidos” pelos entrevistados, pois, inconscientemente eles sabem que existem essas ideias sobre a instituição, mas conscientemente não percebem que sabem.

E como funciona com as marcas bem conhecidas? Coca-Cola, McDonald’s e Apple, por exemplo, têm mais eficiência na percepção e na memória inconsciente do consumidor?

O que quer que as pessoas achem que sabem sobre essas marcas é só a ponta do iceberg. Elas sabem muito mais e têm muito mais pensamentos e sentimentos sobre esses produtos do que elas têm consciência. Então, simplesmente perguntar diretamente para uma pessoa o que ela acha sobre uma bebida ou restaurante não irá dar muita informação em relação ao que realmente se passa em sua cabeça.

Para encerrarmos, qual dica você daria para os brasileiros que querem usar estratégias de marketing mais eficientes em seus negócios?

Bom, eu acho que o conselho em geral seria fazer mais uso dos desenvolvimentos recentes ocorridos na ciência do comportamento. Nos últimos dez ou 20 anos, diversas áreas vêm desenvolvendo uma quantidade enorme de estudos sobre o comportamento humano, como, por exemplo, a neurociência, psicologia, sociologia e a antropologia também. Eu não sei no Brasil, mas nos países que eu tenho maior familiaridade, a maioria das práticas de marketing é baseada na ciência do comportamento humano dos anos 1960 e 1970. Algumas delas estão certas, outras erradas, mas a certeza é que elas são incompletas. Eu acho que as estratégias de marketing, como eu venho chamando, a nova ciência do marketing, e suas práticas, devem ser baseadas no conhecimento atual sobre o comportamento humano.

]]>
O empreendedor que faz da internet um lugar melhor para você //www.administradores.com.br/entrevistas/tecnologia/o-empreendedor-que-faz-da-internet-um-lugar-melhor-para-voce/127/ //www.administradores.com.br/entrevistas/tecnologia/o-empreendedor-que-faz-da-internet-um-lugar-melhor-para-voce/127/ Thu, 05 Dec 2013 13:15:08 -0200 Agatha Justino O empreendedor que faz da internet um lugar melhor para você

Você provavelmente nunca ouviu falar de Luis Von Ahn, mas com certeza está familiarizado com seu trabalho. Da busca de imagens do Google àquelas letrinhas que você tem que digitar como confirmação em formulários, muita coisa tem a mão dele

Professor de Ciências da Computação na Universidade de Carnegie Mellon, Luis Von Ahn ainda é o responsável por melhorar o sistema de busca de imagens do Google e ajudar a digitalização de livros por meio do Captcha. Sempre buscando soluções a partir do crowdsourcing, o novo desafio de Ahn é traduzir toda a internet, ao mesmo tempo em que ensina às pessoas, de graça, um novo idioma.

Por que você decidiu traduzir a internet e como o Duolingo está ajudando nessa empreitada?

Existem aproximadamente 1,2 bilhões de pessoas no mundo aprendendo uma língua hoje. A maioria dessas pessoas, cerca de 800 milhões, está aprendendo inglês e pertence a uma classe social mais baixa. Entretanto, aprender outro idioma exige bastante dinheiro, pois são cursos caros. Eu quis inventar uma forma de ensinar outras línguas às pessoas, de graça. E pensei: deve existir uma maneira de financiar isto.

Mas se não vamos cobrar dos usuários, como vamos fazer? Foi quando nós percebemos que poderíamos traduzir a internet ao mesmo tempo em que ensinamos um novo idioma. A ideia do Duolingo é que, em vez de cobrar dos alunos com dinheiro, o que fazemos é inserir exercícios de tradução, que são páginas da internet. É um método bom para todos! O aluno exercita o que aprende e nós conseguimos lucrar a partir da venda dessas traduções.

Então, se alguém, por exemplo, um jornal ou portal de notícias, deseja traduzir seu conteúdo do inglês para o português, nós podemos fazer o serviço para eles e cobramos por isso. Mas seriam os estudantes traduzindo, ao mesmo tempo em que aprendem. Então essa era a ideia inicial e o objetivo do Duolingo.

A plataforma é capaz de substituir o ensino tradicional? O estudante aprende a escrever, a ler e a falar com fluência no Duolingo?

Nem tudo o que as pessoas fazem no Duolingo é tradução, apenas alguns exercícios são. A plataforma é completa e pode ensinar tudo. O sistema conversa com o aluno e consegue avaliar se o que ele diz está correto, assim como o estudante precisa entender o que ele diz. O método é semelhante ao de um jogo.

Existe um plano de expansão do Duolingo?

Sim, nós estamos focando bastante na América Latina, especialmente, porque eu nasci na Guatemala. Outro projeto para os próximos dois meses é implementar provas e certificados de proficiência. Veja, exames como o TOEFL são extremamente caros e não existe motivo para isso, além do fato das empresas quererem lucrar. O custo de uma prova como essa é de cinco dólares por candidato e eles cobram 200 dólares, isso não é bom. Nós queremos fazer uma versão mais barata desses testes e aumentar o acesso das pessoas a provas como essas.

Você pode nos contar um pouco sobre o seu projeto chamado “Games with a purpose”?

Sim, esse foi um projeto desenvolvido há alguns anos, que foi vendido ao Google. Era um jogo chamado ESP Game, que posteriormente se transformou no Google Image Labeler. A ideia era que, enquanto as pessoas jogavam, elas também estavam ajudando a melhorar o sistema de busca por imagens. Ao mesmo tempo em que se divertiam, elas diziam ao Google quais eram os melhores resultados na busca de imagens e quais eram ruins.

Um dos seus projetos mais conhecidos é o Captcha. Você poderia nos contar como ele se tornou o ReCaptcha?

O Captcha original, que ajudei a inventar, em 2000, era apenas um mecanismo de segurança para a internet. O sistema funciona porque as pessoas são capazes de ler esses caracteres, que computadores não conseguem. Então, por exemplo, no caso do Facebook, a razão pela qual você precisa digitar um Captcha quando cria uma conta é para garantir que uma pessoa esteja fazendo isto e não um programa de computador criado para obter dados de milhares de outras contas.

Esse é o Captcha original. Em um dado momento, percebi que 200 milhões de Captchas eram digitados todos os dias por pessoas ao redor do mundo. No princípio, fiquei muito orgulhoso do impacto que a minha pesquisa teve, porém me senti mal pelo desperdício de tempo que é. Cada pessoa leva 10 segundos para digitar um Captcha, se multiplicarmos por 200 milhões, chegamos a um desperdício de tempo de aproximadamente 500 mil horas por dia.

Então, comecei a pensar em maneiras de reutilizar esse esforço. Seria possível fazer outro trabalho durante esses 10 segundos? E a resposta é sim. Com o ReCaptcha, quando você digita as palavras, você não está apenas provando que é uma pessoa, mas também está nos ajudando a digitalizar livros.

E como o ReCaptcha funciona?

Bem, a ideia é transformar obras físicas em digitais, para disponibilizá-las na internet. Durante o processo, o livro é scaneado, página por página. Isto nos dá imagens de todas as palavras, que são encaminhadas para um leitor óptico (OCR) que deve decifrar o que está escrito ali. O problema é que quando o livro é um pouco antigo e a tinta está apagada, o computador não consegue entender algumas letras. Então, o que nós fazemos é pegar todas as palavras que o computador não consegue ler e as colocamos em Captchas, para que as pessoas resolvam. Então, os Captchas que você digita hoje são aqueles que o computador não conseguiu reconhecer e que vão ajudar a digitalizar um livro.

Você acredita que o crowdsourcing promoverá um impacto no modelo tradicional de negócios?
Eu acredito que existem algumas formas de impacto. Nós estamos vendo diversos negócios sendo executados de maneira semelhante ao crowdsourcing. Por exemplo, existe o website 99designs.

Se antes você precisava contratar um designer em algum lugar, hoje você só precisa escrever o que precisa e várias pessoas farão esse trabalho, para que você escolha o melhor. Existem milhares de exemplos de serviços como esse, onde o crowdsourcing está substituindo o processo natural dos negócios, o modelo tradicional. Não funciona para tudo, mas ajuda em algumas coisas.

Eu usaria como exemplo a Wikipedia, que é simplesmente melhor que todas as enciclopédias, não existe mais competição. Eu acredito que a Britannica saiu do mundo dos negócios por causa da Wikipedia, que é alimentada por crowdsourcing.

Você tem vendido suas ideias para grandes empresas desde cedo e consegue atrair diversos investidores. Como você convence as pessoas a acreditarem no seu negócio?

Eu acredito que o mais importante foi sempre ter um produto que funciona. Antes de tentar convencer qualquer pessoa, eu trabalhei no produto. Quando os outros viam meu trabalho, podiam atestar que realmente estava pronto e funcionava. Demonstrar é muito mais fácil do que falar. É o mesmo com o Duolingo, uma plataforma que é eficiente. Existe hoje sete milhões de usuários, então seu sucesso é inquestionável. A chave é fazer primeiro.

]]>
Lego: a brincadeira que virou um grande negócio //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/lego-a-brincadeira-que-virou-um-grande-negocio/126/ //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/lego-a-brincadeira-que-virou-um-grande-negocio/126/ Wed, 04 Dec 2013 19:27:42 -0200 Fábio Bandeira de Mello Lego: a brincadeira que virou um grande negócio

Robério Esteves, principal executivo da marca no Brasil, conta detalhes de como a marca Lego virou sinônimo de uma categoria; qual é a grande magia para conquistar consumidores de todas as idades e como ela deixou de ser uma empresa familiar para se tornar a segunda maior companhia de brinquedos do mundo

Tudo começou quando um carpinteiro começou a fazer brinquedos de madeira na Dinamarca. Hoje são mais de 10 mil funcionários, presença em 140 países e 400 milhões de crianças alcançadas. Os números da Lego realmente impressionam e exemplificam a solidez de uma marca que ultrapassou 80 anos de história.

Para nos contar um pouco dos segredos que fazem da Lego uma das líderes mundiais na categoria de brinquedos, conversamos com Robério Esteves, diretor de operações e principal executivo da marca no Brasil. Ele falou sobre as estratégias adotadas no marketing, na inovação e na comunicação com os consumidores. Além disso, destacou que muitos pontos do sucesso da marca estão “ligados diretamente à Administração do negócio”.

A primeira pergunta que temos é, provavelmente, uma curiosidade que muita gente também deve ter. O que significa Lego?

A palavra Lego, na verdade, foi criada a partir de outras duas palavras dinamarquesas que são leg e godt, que significam “brincar bem”. A fusão acabou gerando o nome.

A Lego surgiu na década de 30 como uma empresa familiar e hoje o grupo possui mais de 10 mil funcionários em cerca de 140 países. Sem dúvida, é um grande case no mundo dos negócios. Você pode nos contar um pouco dessa evolução?

No início, a empresa produzia apenas brinquedos de madeira. O fundador, na época, era um carpinteiro. Foi apenas na década de 1940 que surgiu a ideia de confecção de uma peça plástica que tinha a forma de um tijolinho, mas a peça Lego como conhecemos hoje foi patenteada em 1958. Inicialmente eram apenas as peças básicas, que têm formas mais quadradas. A partir da década de 1960 começaram a surgir outros elementos, o que chamamos de “elementos especiais”, como os personagens, portas, janelas e outros tipos. 

Um dos motivos que impulsionaram a evolução da marca e fez o brinquedo se tornar tão famoso está nas infinitas possibilidades de construção que ele permite. Isso é um fato inerente ao ser humano: de montar e desmontar. Então, esse conceito, que possibilita a criança construir o que a imaginação mandar, fez com que o brinquedo Lego fosse difundido entre diversos mercados. Então, de lá pra cá, a empresa vem tendo um crescimento no número de consumidores, mesmo com todos os produtos tecnológicos. Nós estimamos que atualmente 400 milhões de crianças brinquem com Lego em todo o mundo.

Fizemos recentemente uma matéria na Administradores sobre storytelling, que é a arte de criar histórias para engajar e motivar. Você acredita que as mil e uma possibilidades de interação com os quebra-cabeças da Lego e de fazer e refazer diferentes histórias cria uma identificação das pessoas com a marca? Quando você diz “construir e reconstruir”, você diz nesse quesito de história também?

Claro. No ato de construir e reconstruir você pode agregar histórias a isso. Nós proporcionamos a ferramenta e a matéria prima. A partir daí, vai da imaginação da criança. Claro que existe também a nossa sugestão de histórias já pré-formatadas para a brincadeira. Mas é interessante que existe a possibilidade de criar e montar outros temas diferentes com as mesmas peças. Ao todo já foram lançadas 22 mil linhas de produtos.

Falamos de um bom motivo do sucesso da Lego, mas existem alguns outros atributos para isso?

Eu diria que isso se deve a muitos pontos que estão ligados diretamente à administração do negócio. Um deles é você oferecer ao consumidor sempre novidades o tempo todo. Então, todos os anos nós inovamos a linha de produtos em aproximadamente 80%. Isso é um índice bastante alto, talvez seja o mais alto, até para o mercado de brinquedos. Isso faz com que todos os meses nós tenhamos novidades nas prateleiras e nas lojas. O segundo fator importante está no brinquedo Lego ser colecionável, então existe essa oportunidade que atrai mais aqueles que já gostam dos produtos. Fora isso, a própria qualidade do brinquedo é um diferencial. Nós temos aqui um lema interno: “only the best is good enough”, ou seja, “somente o melhor é bom o suficiente”.

Você falou da constante inovação da linha de produtos da marca. Quantos produtos vocês devem colocar no mercado?

Para este ano temos programado o surgimento de mais de 299 itens. Deste total, 237 são lançamentos que vão sendo colocados no mercado até novembro. 

Em relação ao marketing disso tudo, principalmente no Brasil, como vocês trabalham com tantos produtos e buscam reforçar a imagem da marca?

Bom, o primeiro caminho é mostrar a marca Lego sendo reconhecida como brinquedo de montar. Felizmente já temos esse posicionamento e viramos sinônimos de categoria, como já acontece com outras marcas como Gillette e Bombril. As pessoas chamam qualquer outra peça de montar de Lego. 

A partir daí, buscamos diferentes formas nos comunicarmos com nosso público. Para isso, utilizamos a mídia eletrônica, a TV a cabo, algumas vezes a mídia impressa, mas, principalmente, ações no ponto de venda. Então, o merchandising no ponto de venda significa você sinalizar o espaço Lego dentro da loja. Ela pode ser uma sinalização aérea, de piso, da própria gôndola, decoração de uma vitrine ou até de uma oficina de criação ou campeonatos com criação dos produtos Lego.

Vocês também tem uma proximidade incomum com seus consumidores, transformando eles em fãs devotos. Existe até o LUG (Grupo de Usuários de Lego) em que é buscada a aproximação direta. Você poderia contar um pouco como funciona o contato com esses grupos?

Surgiram naturalmente grupos de fãs adultos. Então, por conta disso, do surgimento desses fanáticos por Lego, a empresa resolveu conhecer essas pessoas e formou-se o LUG. Esses grupos estão em diferentes países. No Brasil também existem, e são pessoas muito respeitadas por toda a Lego, principalmente por representarem uma manifestação espontânea. Assim, ouvimos sugestões e dialogamos para melhorarmos ainda mais o que oferecemos.

O submarino Shinkai 6500 (criado e divulgado por fãs de Lego) é um exemplo dessa produção colaborativa? Você acredita que a tendência pode aumentar?

Bem lembrado. Esse submarino faz parte de um projeto onde os fãs têm que criar um brinquedo Lego e ele é colocado para uma avaliação popular. Se o produto sugerido pelo colecionador receber um número x de votos, existe a grande possibilidade de ele ser produzido em grande escala. Caso isso aconteça, o criador também recebe uma comissão pela criação do brinquedo.

Para os empreendedores que estão lendo essa entrevista, qual dica ou lição você, através da experiência da Lego, daria sobre “o que podemos aprender com os nossos consumidores”?

Eu diria que a maior lição é você aprender a ouvir e entender qual é o momento do seu consumidor. Através disso, do que ouviu, você deve adaptar o seu produto ou serviço para ele. Eu diria que isso é essencial para manter-se no mercado.

A Lego fechou parceria com diversas instituições de ensino no mundo, desde a pré-escola até a universidade. Você pode nos contar detalhes de como conseguem estar presente no dia a dia de públicos tão distintos?

Nós temos uma divisão dentro do grupo que é Lego Education. Ela busca proporcionar produtos ou kits específicos para as escolas, sendo que esses kits são acompanhados de todo um treinamento e informação didática voltados para o educador. O objetivo é proporcionar atividades dinâmicas, normalmente em grupo.

Vou dar um exemplo prático: a sala é divida em integrantes de quatro pessoas. Para eles é colocado um desafio como a falta de água em uma fazenda. Então, qual é a solução? Puxar água através de um poço. Para isso, é construída uma maquete e um poço com peças Lego. Então, existe todo um mecanismo para ser construído, até que chegue ao produto final. Cada criança tem uma função nesse desafio. Na aula seguinte, as crianças mudam de função.

No caso, além de buscarem resolver um problema, existe um aproveitamento muito maior da aula pela interação e dinâmica que as peças permitem. Isso é colocado em diferentes estágios da educação - do ensino fundamental às universidades, com peças básicas até aulas de robótica mais sofisticadas.

As crianças estão cada vez mais antenadas em novas tecnologias, na internet, em tablets. Enfim, muitas estão preferindo brincar mais no mundo virtual do que no real. Como você vê este cenário?

Isso é fato, as tecnologias estão aí. As crianças, hoje, cada vez mais cedo têm acesso aos produtos de tecnologia. Claro que isso tem um lado muito positivo, de interação e diversidade, mas também desperta nos pais a preocupação para o meio não ser usado em excesso. Até porque sabemos que a criança precisa se desenvolver de outras maneiras. Ela precisa desenvolver a coordenação motora, o raciocínio lógico e etc. Nesse sentido, principalmente a criança urbana, que não pode mais brincar na rua sozinha e não tem mais a chance de construir o seu próprio brinquedo, acaba tendo menos possibilidades. A questão é evitar o excesso.

A Lego possui também produtos no meio dos games. Em algum momento, isso criou um dilema à companhia por ter em seu negócio brinquedos mais voltados ao espaço virtual? Ou foi uma tendência natural de mercado e uma possibilidade de crescimento?

Não houve dilema, pois a empresa não está se voltando para esse lado, apenas agregando o que existe de tecnologia. O core business, negócio principal da empresa, continua sendo o de produzir brinquedos de montar. Agora, paralelamente, a partir do momento que a tecnologia esta aí e as crianças também estão voltadas para esse meio virtual, encontrou-se mais uma maneira de se comunicar com ela. Então, a criança pode brincar com todos os personagens nesse espaço, sendo sempre usado o conceito da construção.

]]>
A criatividade como chave para sustentar as vendas durante a crise //www.administradores.com.br/entrevistas/marketing/a-criatividade-como-chave-para-sustentar-as-vendas-durante-a-crise/125/ //www.administradores.com.br/entrevistas/marketing/a-criatividade-como-chave-para-sustentar-as-vendas-durante-a-crise/125/ Tue, 01 Oct 2013 13:18:10 -0300 Eber Freitas A criatividade como chave para sustentar as vendas durante a crise

Em entrevista ao Administradores.com, organizadoras do Festival Iberoamericano de Criatividade e Estratégia (FICE) destacam o protagonismo da publicidade brasileira; evento acontece entre os dias 4 e 6 de novembro

Entrevistadas:
Amanda Muguet
, diretora de Produção e Criação

Jaqueline Aquino, diretora de Atendimento e Relacionamento do FICE Brasil

A criatividade da publicidade brasileira foi destaque este ano: no Festival de Cannes, espécie de "Oscar" da propaganda, levamos 112 Leões. O país também será palco dos dois maiores eventos esportivos do mundo nos próximos anos. É nesse cenário que será realizado, entre os dias 4 e 6 de novembro, o V Festival Iberoamericano de Criatividade e Estratégia (FICE).

Essa é a primeira edição que será realizada no Brasil. No evento, serão abordados temas como interatividade, criatividade e estratégia. "Elaboramos um conteúdo com profissionais conceituados que falarão de forma clara e descontraída de todos os temas essenciais utilizados pelos publicitários", afirma Jaqueline Aquino, diretora de Atendimento e Relacionamento
do FICE Brasil.

Para ela, a criatividade pode ser uma arma eficaz contra o arrefecimento da economia nacional. "Temos como um grande exemplo a utilização do humor na publicidade brasileira e acreditamos que funciona pelo fato do brasileiro ser criativo em saber contornar qualquer situação de crise com alegria e descontração", explica. Veja abaixo a entrevista completa.

Qual a importância de um evento como o FICE para o cenário publicitário brasileiro?

Atualmente, o cenário publicitário brasileiro vem se mantendo como um dos mais premiados no mundo. Consequentemente, temos os profissionais mais renomados mundialmente, que inclusive acabam por atuar no mercado exterior pelos seus potenciais. Todo esse reconhecimento nos gratifica e motiva para que façamos um evento histórico para o mercado publicitário.

Nosso maior interesse é levar conhecimento aos estudantes aproximando-os ao meio em que irão atuar e como serem profissionais de sucesso. Influenciando de alguma maneira a carreira dos futuros profissionais para que possamos nos manter como principais e mais premiados.

Em sua quinta edição, esta é a primeira vez que o evento é realizado no Brasil, sendo a Colômbia sede por três edições. Por que só agora o Brasil irá sediar o evento?

A escolha do Brasil como sede do evento se dá por sermos a maior potência Latino americana de publicidade e criatividade. Sendo assim, iremos atingir uma proporção mundial e concluir o objetivo de estar em todos os países da América do Sul. A escolha por 2013 também se resultou devido à visibilidade em que o Brasil se encontra por conta de eventos como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Quais serão os principais temas abordados e qual a sua relevância para a publicidade brasileira e latino-americana?

O FICE é o único Festival de Publicidade que reúne protagonistas de todos os temas habitualmente abordados em Congressos: Interatividade, Criatividade, Estratégia e Digital. Elaboramos um conteúdo com profissionais conceituados que falarão de forma clara e descontraídos de todos os temas essenciais utilizados pelos publicitários.

A publicidade brasileira é uma das mais criativas do mundo, com 112 Leões em Cannes só neste ano. Esse cenário ainda pode melhorar? Como?

Certamente. Acreditamos muito no potencial dos profissionais brasileiros, eles são mais que referências para todo o mundo. Atuar no Brasil em meio a toda essa cultura e belos locais facilita ser criativo, buscar inspirações, ter novas ideias e projetá-las em criações maravilhosas. Recebemos muita influência de outros países. A união de tudo isso surte em grandes prêmios que recebemos e vamos continuar a receber.

O Brasil vive um momento de desaceleração da economia e arrefecimento do consumo, o que deve atingir de alguma maneira o mercado da publicidade. Como a criatividade pode se sobressair nesse contexto?

A publicidade no Brasil sempre esteve muito bem preparada para esse tipo de momento na economia. Acreditamos que isso não afeta a questão “criatividade”, pelo contrário, isso só estimula a utilizarmos como guia o cotidiano e a vivência da população em ações. Temos como um grande exemplo a utilização do humor na publicidade brasileira e acreditamos que funciona pelo fato do brasileiro ser criativo em saber contornar qualquer situação de crise com alegria e descontração. Em meio ao caos da economia, o brasileiro precisa rir até para comprar (risos).

]]>
Da garagem ao céu: o crescimento explosivo do Hotel Urbano //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/da-garagem-ao-ceu-o-crescimento-explosivo-do-hotel-urbano/124/ //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/da-garagem-ao-ceu-o-crescimento-explosivo-do-hotel-urbano/124/ Tue, 13 Aug 2013 15:51:12 -0300 Redação Administradores Da garagem ao céu: o crescimento explosivo do Hotel Urbano

O site vendeu 1,6 milhão de diárias no ano passado, ou pouco mais de uma diária a cada vinte segundos

Em entrevista ao podcast Rio Bravo, transcrito aqui com exclusividade para o Administradores.com, João Ricardo Mendes, co-fundador do Hotel Urbano, conta como ele e o irmão tiveram a ideia de começar o negócio e fala sobre os planos de internacionalizar a companhia. Ele também discute as vantagens competitivas do Hotel Urbano e prevê um IPO para 2016. O faturamento empresa saltou de R$ 90 milhões em 2011 para R$ 280 milhões no ano passado e deve chegar a R$ 500 milhões em 2013. O site vendeu 1,6 milhão de diárias no ano passado, ou pouco mais de uma diária a cada vinte segundos. 

-  Como é que você foi o início do Hotel Urbano? Você foi pra Europa ensinar jiu jitsu e voltou empreendedor?

Na verdade, eu passei um tempo fora. A minha faculdade tinha um convênio com uma faculdade de lá e a gente estava no início da expansão internacional da Amazon.com e o e-commerce no Brasil era bem embrionário. Na época tinha o B2W, que era uma empresa que foi a junção da Americanas, Submarino e Shoptime e tinha outros players que são grandes offliners entrando no mercado online. A gente começou a estudar muito o mercado de internet, viu que era um nicho muito legal, a penetração da internet no Brasil ainda era muito baixa e a gente resolveu entrar de cabeça nesse nicho, nesse mercado.

- Antes do Hotel Urbano, você já foi empreendedor com outra empresa?

Quando eu voltei da Inglaterra em 2006, a gente montou um e-commerce eu e meu irmão. Foi literalmente do nada. Literalmente mesmo. O Bruno já viu fotos na garagem lá na casa da minha mãe. No início a gente viu que nos Estados Unidos se olhasse o mercado, qual era a tendência lá? Mercado de nicho. A gente podia ter feito lá em 2005, 2006 um site focado em algum nicho. Você vê, a Netshoes já existia. A Sacks já existia, estava nascendo. Só que o mercado era muito menor do que é hoje. Se a gente escolhesse determinados nichos, a gente ia estar focando em um nicho do tamanho de uma azeitona. O cara vender sapato em um mercado americano em 2006 era uma coisa. No Brasil, é outra completamente diferente. É um mercado infinitamente menor. A gente montou uma loja de departamento que vendia de tudo. Era uma mini Americanas.com.

- Como chamava?

Apetrexo.com. É um modelo muito difícil. Eu até brinco que a melhor faculdade que eu pude ter. Eu tranquei faculdade de Direito e eu não podia ter faculdade melhor. Você está falando de um país, na época taxa de juros 2 dígitos, bem acima de 2 dígitos, 13,5%, 14%, não lembro... um modelo que você parcela em 12 vezes a uma margem bruta de 20%, 25%, guerra fiscal entre estados e municípios... e você ter que otimizar isso tudo, escalar e fazer a conta fechar é bem complicado. E naquela época não tinha esse movimento que aconteceu em 2009, 2010, no Brasil, dos venture capital entrarem firme aqui. Naquela época era banco mesmo. Real parcelado. Era começando com o crédito universitário dos estudantes. E 2009 a gente saiu da operação, os outros dois sócios assumiram. A gente começou a analisar muito, estudar muito o mercado de travel. Era um mercado curioso porque você tinha um player que já estava há 14 anos, se eu não me engano, quase isso operando na América Latina, que era o Decolar.com. Esse player ficou 14 anos focando em aéreo. Quase 100% do faturamento dos caras era aéreo. Que é um mercado um pouco complicado. Um mercado muito concentrado em poucas companhias. É diferente do mercado hoteleiro, que é mais pulverizado. Se você for analisar Estados Unidos, Europa, esses players grandes de fora, quem venceu? Priceline. O que a Priceline tem? Booking.com. O que o Booking.com é? É um site global com foco em um mercado europeu, que é um mercado onde as pessoas tiram 2, 3 férias ao ano. É um mercado no qual as pessoas estão acostumadas a viajar. Existem suas low costs, essas companhias mais baratas que te possibilitam viajar. Eu mesmo quando morava lá não tinha muita condição de viajar e chegava na sexta via a passagem mais barata, às vezes era 19 euros para Barcelona, para algum lugar desses, e acabava viajando. A Priceline via a aquisição do Booking.com, ela se tornou o maior player do mundo. É uma empresa que hoje tem 46 ou 47 bilhões de dólares de marketing cap. E quem perdeu lá fora? Orbitz.com, que era um gigante há 10 atrás e hoje é uma empresa que vale menos de 40 vezes o que a Priceline vale. O que elas fizeram diferente da outra? A Priceline focou em hotel através da aquisição da Booking e o Orbitz.com continuou dando murro em ponta de faca em aéreo, onde as margens foram desaparecendo, as companhias foram parando de pagar o fee para o OTA , os consumidores foram acordando e vendo que se eles forem até o final de uma compra, o site da companhia aérea quase sempre vai ter um preço melhor que o da agência de viagem online e a gente viu um nicho absurdo. É claro que tinha aquela dúvida do tipo “cara, o Decolar.com teve o Merril Lynch por trás, a Tiger Global por trás”. Os caras já tiveram 150, 250, 300 milhões de dólares de investimento. Não sei como a gente vai entrar. Mal comparando, é como o Eike quando fez a MMX deve ter pensado na Vale. Quando fez a OGX deve ter pensado na Petrobras. Mas a gente acreditou, a gente entrou em um ano que foi muito bom para o e-commerce, que foi um ano que estava aquela euforia com o Brasil. A gente entrou com uma agência de viagens online com foco em hotel e com foco em pacotes. Dessa forma, a gente consegue ter uma margem quase 4 vezes superior a uma operadora, a uma OTA que foque em aéreo.

- OTA é Online Travel Agency.

Isso. Uma agência de viagem online que foca em aéreo. E a gente consegue, enfim, ter mais fôlego para investir em marketing e crescimento. Esse foi o primeiro passo nosso: escolher um modelo, ver o tamanho do mercado, que era, de fato, um mercado gigante no Brasil e aí veio nossa estratégia, que foi totalmente diferente, não sei se você quer abordar isso mais para frente.

Agora, hoje você tem dois concorrentes principais. O próprio Decolar.com, que está em aéreo e está em hotéis, e a CVC, que é uma agência com lojas físicas e a maior do Brasil. Qual é o seu posicionamento em relação a esses dois concorrentes? O que eles fazem certo? O que eles fazem errado?

O Decolar.com é uma empresa que construiu uma marca vendendo aéreo. Mudar o posicionamento de uma marca talvez seja mais difícil do que construir uma marca nova. Eles estão há dois anos, dois anos e meio investindo valores altíssimos em todos os tipos de mídia para tentar mudar um pouquinho esse posicionamento.

- Para dizer que não são só aéreo.

Para dizer que não são só aéreo, para aumentar o share de hotel, que não é um movimento fácil. É uma empresa diferente do Hotel Urbano. É uma empresa que hoje tem controle de fundos de investimentos. Os fundadores não têm mais o controle da empresa. Eles têm uma participação bem minoritária da empresa. Esse movimento é nítido. Eles estão "vamos fazer comercial da novela das oito, vamos investir 20, 30 milhões de reais em mídia, vamos mudar o nosso posicionamento". E vamos ver no que vai dar. Acho que é uma empresa que tem tudo para abrir capital. Acho que uma saída deles é a abertura de capital. E a CVC é uma empresa um pouco diferente do Decolar, aliás, bem diferente. É uma empresa offline. A gente admira muito a CVC. A CVC tem um significado meio que  a gente chama aqui muito legal. É uma empresa de 40 anos que criou destinos turísticos no Brasil. A gente admira muito a CVC nesse sentido. Porto Seguro não existia antes da CVC. Ninguém sabia o que era Gramado antes da CVC. O Guilherme Paullus, o time da CVC, eles fomentaram o turismo no Brasil. Eles mostraram que, de fato, dava para viajar. E o Hotel Urbano tenta fazer isso na Internet. A gente tenta criar uma demanda por turismo inexistente. Acho que o nosso modelo é um modelo parecido com a CVC, mas 100% online. O modelo deles é um modelo de franquia. É a segunda maior franqueadora do Brasil, só fica atrás do Boticário. A CVC tem mais de 800 franquias e eles estão lá no offline, a gente focado no online. Claro que eles têm o braço deles no online, mas vamos ver. Eu vejo uma penetração muito grande no mercado online no Brasil. É um mercado até hoje em travel, em turismo, é um mercado embrionário. A gente tem 15%, talvez 16% de penetração em online no mercado de turismo. Se você for quanto é nos EUA, é quase 80% contra na Europa é quase 60%. 

- Você diz 15%, 16% dos bookings estão sendo feitos online e a grande maioria está sendo feita offline.

E se você for ver mercados não tão emergentes, os EUA 80%, mas vamos lá, não vamos nem usar EUA. Europa, 60%. China está em 40%. A gente tem um aumento dessa penetração online. Acho que conforme a penetração online aumenta, em qualquer mercado você vê as coisas ficando um pouquinho mais difícil para o segmento offline.

- Essa escola de pensamento de que tudo vai convergir para o online e que o offline vai perder relevância, acho que hoje ela é majoritária, mas e a tese de que no offline você consegue prestar uma consultoria melhor ou o atendimento pode ser mais personalizado? Tem o human touch ali.

Tem. Acho que nenhum mercado offline vai desaparecer. Acho que hoje o que se fala é muito em Omni Channel, que é o multicanal. O Hotel Urbano tem lojas-conceito que a gente tenta entender a necessidade dos clientes e entregar da forma online. Existem alguns cases de empresas. Teve o último da Travelocity, que é uma agência de viagem muito grande dos Estados Unidos, online. Apesar de eles serem online, eles têm operações offline. Eles têm aquele cara no aeroporto ajudando, eles têm aquele cara no hotel. Acho que isso vai ter um peso decisório daqui para frente. O pós-venda. Mas acho que é muito mais cômodo para qualquer um comprar uma viagem online do que offline. Se você for ver a idade média dos consumidores do Hotel Urbano com certeza é uma idade média menor que a dos consumidores de um mercado offline.

Quais são os seus benchmarks entre as agências de viagem online no mundo todo?  O que você admira neles?

O benchmark do Hotel Urbano, falando globalmente, ainda é irrelevante. O benchmark do Brasil em travel na Internet é irrelevante. A gente está falando de um mercado muito inferior. Só o Booking.com faz mais bookings online do que a América Latina inteira faz.

- João, mas o que eu estava pensado em termos de benchmark, quem você segue lá fora? Quem você admira?

Ah, desculpa, entendi market-share. Benchmark. O nosso foco é a Booking.com por vários motivos. Diversos motivos, desde experiência de usuário, user experience, em navegabilidade... expansão global. A nossa meta, a nossa estratégia de expansão global é muito parecida com a do Booking.com: manter um centro de inteligência em um lugar só. O Booking.com está até hoje na Holanda, em Amsterdã, o marketing dos caras é lá, o desenvolvimento é lá e eles têm escritórios locais que são mais comercial, sales etc. E principalmente em relação à marketing. O Booking tem um marketing muito acertivo. O Booking.com é o maior investidor de links patrocinados do Google no mundo.E o Hotel Urbano busca isso. A gente teve nos primeiros meses do Hotel Urbano a visita do Kees, o fundador do Booking.com. Na época era o CEO, hoje já não é mais o CEO. Assumiu o Darren, eu acho, que é ex-Microsoft. E a gente conversando com o Kees. Já era uma empresa que hoje vale 46 bi, a Priceline. 95% disso é Booking.com. Na época valia, não lembro, 20, 25, que seja, e o Kees falou que nunca tinha investido 1 dólar no offline e que só ia investir no offline no dia que desse para você tocar e comprar pela televisão. Hoje o Booking, você vê, está entrando nos Estados Unidos bem forte, está investindo no offline, mas o Kees saiu. Na gestão dele ele montou uma empresa de dezenas de bilhões de dólares focando no marketing online e a gente foca muito nisso. No Brasil fala-se muito em customer service. Você vê a B2W sendo massacrada em atendimento ao cliente. A própria Decolar... Customer service para a gente, atendimento ao cliente, é o básico do básico do básico. O nosso foco... costumer service é obrigação nossa. O nosso foco, que a gente faz diferente, que a gente tenta seguir o Booking nisso, é customer centricity. É centricidade de cliente. É você entender o seu cliente. Vou dar um exemplo meu. Quando eu trabalhava com e-commerce a gente tinha um benefício fiscal de ICMS em Palmas. Eu viajava para Palmas quase toda semana. A passagem para Palmas é cara para caramba, quase um Rio-Miami. Vamos arredondar, 1000 reais. Eu gastava no Decolar 1000 reais por semana. Fazendo a conta de papel, eu gastava 50.000 reais por ano. Ou seja, eu era um excelente cliente para eles. E eles não sabem nada de mim. Eu sou nameless, faceless... Não sabem o que eu gosto...

- Mas eles não sabem por quê? Eles não têm a tecnologia para fazer o Data Mining?

Eles não focam nisso, no data mining. E você montar uma operação, um banco de dados, sem focar em data mining você tem que praticamente construir outro para ter essa inteligência. No Hotel Urbano, a gente tenta... a gente é hoje a maior página do mundo do Facebook em turismo e a quarta maior do Brasil no total, só perde para a Coca-Cola, Guaraná e Skol. A gente tenta entender o que cada fã nosso quer ou pode vir a querer. O que ele está curtindo, o que ele está compartilhando. Na nossa base, a gente tenta entender o que a nossa base está fazendo na Internet, o que eles estão visitando, o que eles estão digitando. Eles estão dando busca, em quê? E a gente acaba antecipando uma demanda. A gente tem um lifetime value, que é o valor do cliente, muito inferior, depois eu desenho para você...

- Se você desenhar o ouvinte não vai ver.

É... mas a gente tem um lifetime value muito superior ao nosso benchmark. A gente tem uma repeat purchase taxa de recompra, muito alta. Taxa de recompra é sinônimo de lealdade? Não. O que é sinônimo de lealdade? A gente tem uma pesquisa, que eu esqueci quais são as siglas, que é uma pergunta do que é o sinônimo de lealdade de um cliente. Claro que compras repetidas é um ótimo indicador. Isso daí é o passo para a lucratividade, o passo para você ter uma operação saudável. Mas qual é o principal indicador para mostrar lealdade? É "Você indicaria o Hotel Urbano para um amigo?". Essa é a principal pergunta. Não tem aquelas pesquisas de 30 perguntas. A pergunta é "Você indicaria o Hotel Urbano para algum amigo seu?" e a gente faz bastante dessa pesquisa, que é uma pergunta, e o índice é muito acima do mercado.

Para ouvir a íntegra da entrevista, acesse o podcast.

]]>
Mantega: inflação está sendo superada //www.administradores.com.br/entrevistas/economia-e-financas/mantega-inflacao-esta-sendo-superada/123/ //www.administradores.com.br/entrevistas/economia-e-financas/mantega-inflacao-esta-sendo-superada/123/ Fri, 19 Jul 2013 15:18:16 -0300 Luciana Otoni e Alonso Soto Mantega: inflação está sendo superada

O ministro deixa aberta a possibilidade de recompor alguns tributos e ampliar a atual previsão de 45 bilhões de reais em abatimento da meta em 2013

BRASÍLIA, 19 Jul (Reuters) - A economia brasileira pode crescer entre 2,5 e 3 por cento em 2013, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista à Reuters, diante de um cenário de instabilidade que abateu os mercados recentemente e depois das manifestações populares que eclodiram em todo o país. Até então, as contas dele apontavam para expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 3 por cento neste ano.

A volatilidade mundial no câmbio originada pela comunicação inicial "não organizada" do Federal Reserve --banco central norte-americano-- e os protestos por aqui afetaram a atividade doméstica no segundo trimestre, cujo crescimento tende a ficar próximo ou um pouco acima da alta de 0,6 por cento ocorrida no primeiro trimestre, segundo Mantega.

Mantendo seu conhecido bom humor e à vontade na véspera de concluir os novos cortes de gasto público, Mantega disse que o objetivo é formar um colchão de reserva para cobrir eventual descumprimento por Estados e municípios da meta de superávit primário --a economia feita pelo governo para pagamento dos juros da dívida pública.

O ministro deixa aberta a possibilidade de recompor alguns tributos e ampliar a atual previsão de 45 bilhões de reais em abatimento da meta em 2013, por investimentos e desonerações.

Mentor financeiro do programa de concessões de infraestrutura, tido pelo governo como essencial na recuperação econômica, Mantega defendeu ainda que as taxas de retorno fixadas para os principais empreendimentos representam uma "belíssima" oportunidade de negócio, sinalizando que os percentuais não serão alterados.

Veja os principais trechos da entrevista, concedida na noite de quinta-feira.

REUTERS - Ministro, o sr. vai entregar o primário de 2,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano ou esse percentual ainda pode ser ajustado?

MANTEGA - O governo brasileiro tem entregue resultado excepcional em todos esses anos de modo que as contas brasileiras estão cada vez melhores, porque medimos as contas públicas pela dívida do país, que vem caindo, temos feito superávits primários maiores que a maioria dos países. Acho engraçado colocarem em dúvida nossa solidez fiscal. É claro que temos que permanecer vigilantes e termos resultado cada vez melhor dentro das circunstâncias. Em períodos de crise como esse dos últimos quatros anos e meio, é feito um resultado menor porque o Brasil usa política anticíclica. Nesse período boa parte dos países aumentou endividamento. No Brasil, estamos com déficit nominal controlado, que neste deverá ficar torno de 2,4, 2,3 por cento do PIB.

O economista Delfim Netto e outros economistas dizem que governo poderia adotar metas de primário de curtíssimo prazo. O senhor tem avaliado isso?

Trabalhamos todo ano com metas, a meta máxima e os descontos que podemos fazer. Nossa meta também é reduzir o déficit nominal, que tem sido conseguida. Agora, num momento de crise, em que se faz anticíclico, é muito difícil falar em déficit nominal zero.

Por que a meta cheia de superávit primário de 3,1 por cento do PIB não será cumprida este ano?

Esse ano vamos ter crescimento maior que o de 2012 (que foi de 0,9 por cento), mas ainda não será crescimento que fará a arrecadação crescer como deveria, como entre 2006 e 2008. Estão vigorando desonerações que adotamos no ano passado e retrasado, como desoneração da folha. A arrecadação não é tão forte e fizemos desoneração, não é por causa do gasto (que a meta cheia não será cumprida). Teremos resultado que manterá a dívida em queda. A questão fiscal é permanente, o governo tem que buscar reduzir despesa de custeio.

Haverá mais desonerações?

Não tenho margem para cortar impostos.

Vai haver aumento de tributos para melhorar a arrecadação?

As desonerações gerarão resultados na economia neste e nos próximos anos porque reduzem custos. E uma parte dessas desonerações, como folha e PIS/Cofins, não voltará (a ser como antes). As desonerações que podem voltar são o IOF e o IPI, que são tributos regulatórios.

Quando o sr. diz ´voltar´, está dizendo que desonerações como a do IPI da linha branca não serão prorrogadas?

Não vou falar especificamente porque essas questões mexem com o mercado. Estamos numa linha de recompor impostos sobre o consumo e isso já está acontecendo.

Quando o senhor fala de IOF, é o que incide sobre o crédito?

O IOF incide sobre várias coisas, inclusive sobre o crédito... Estava dizendo quais são os tributos que podem ser recompostos, mas eu não vou antecipar porque isso interfere no mercado. No caso do IPI, já tem uma programação.

Então, para os outros tributos também pode ter uma programação...

O IOF também é muito usado como regulador. Por exemplo, nós baixamos o IOF agora para aplicações em renda fixa, aplicações em renda variável e tomada de crédito lá fora para nos adaptarmos às condições.

O novo corte no Orçamento que o governo pode ficar próximo de 10 bilhões de reais?

Não vou falar o dado, mesmo porque não temos o número final, mas será o corte que pode ser feito nessas circunstâncias e que vai fortalecendo o resultado primário. Com as condições de hoje, temos garantido o primário do governo central.

Então qual o objetivo desse novo corte de gastos?

O objetivo é criar um colchão, uma reserva de primário para caso os Estados e municípios não venham a fazer sua parte... Até agora, já fizemos mais da metade da meta que temos que cumprir. Os governos estaduais estão um pouco abaixo, fizeram menos da metade, mas têm a chance de fazer até o fim do ano.

O senhor pode aumentar para acima de 45 bilhões de reais o desconto na meta de primário neste ano? O governo tem essa margem porque a lei prevê até 65,2 bilhões de reais...

A lei permite e nós trabalhamos com uma perspectiva de 45 bilhões de reais, foi montado assim. Agora, depende do desempenho dos governos estaduais. Se eles cumprirem a parte deles, está fechado nessa base. Mas, por via das dúvidas, como poderão frustrar uma parte, é por isso que faremos corte.

O corte de gasto pelo governo pode ser um problema para o crescimento?

Não acredito, porque não vamos cortar investimento, vamos cortar gastos de custeio menos essenciais, que são funcionamento das máquinas. Em compensação, acreditamos que com essa conduta haverá confiança maior do mercado para fazer investimentos.

Haverá corte das emendas parlamentares?

Não está previsto corte nas emendas.

No lado da receita, o sr. espera um bom resultado da receita de concessões de infraestrutura previstas para os próximos meses?

Sim.

O último decreto possuía a previsão de receita para o governo de 15 bilhões de reais com as concessões?

O último relatório de despesa e receita não estava com clareza o campo (de petróleo) de Libra. Não vou falar em números, mas posso dizer que o número do relatório era inferior ao valor do campo de Libra, que foi definido recentemente.

Então vai entrar uma receita adicional e que ajudará nas contas?

Claro que ajuda.

A Petrobras tem de entrar com o mínimo de 30 por cento de participação nos lotes do leilão do campo de Libra. Então, no mínimo, ela responderá por 30 por cento do bônus. A Petrobras vai pagar isso com caixa próprio ou o Tesouro ajudará a compor esse capital?

Não tem nada a ver Tesouro com Petrobras e não estou falando como presidente do Conselho da Petrobras e não posso revelar nenhuma intenção da companhia, o que vai fazer ou deixar de fazer. O que sabemos é que a lei diz que a Petrobras pode exercer 30 por cento e é a operadora do campo, então a Petrobras viabilizará isso do jeito que puder.

O governo está tentando recuperar a confiança dos agentes do mercado?

Vamos colocar as coisas em seus devidos termos. O que abalou a confiança dos mercados ultimamente foi a ação do Federal Reserve, que criou um estresse financeiro na economia mundial quando começou, de forma não muito organizada, a anunciar que iria desativar os estímulos monetários. Aqui (no Brasil) não faltava confiança.

E essa mudança na política do Fed é um problema?

O problema não é da mudança em si, que é positiva. Acho positivo que os Estados Unidos diminuam sua injeção de dólares no mercado. A questão é que essa transição para um estímulo menor tem que ser bem administrada. E, felizmente, o Ben Bernanke (chairman do Fed) fez boas declarações, dando maior clareza sobre como isso ocorreria.

O discurso do Fed não tem sido bem compreendido?

O mercado sempre exagera e se antecipa. Quer adivinhar o que vai acontecer para lucrar e quem sai na frente é quem lucra mais, e essa é a regra do mercado. No início, o Fed foi pouco claro na trajetória, muitos diretores falaram ao mesmo tempo às vezes em direções confusas e contraditórias, mesmo a ata do Fed não era clara, dava margem a várias interpretações.

O que aconteceu nesse período?

Isso paralisou os negócios financeiros, paralisou IPOs (ofertas iniciais de ações), causou problemas, incertezas num cenário em que a economia mundial não está bem.

Isso mudou nos últimos dias?

Na quarta-feira, Bernanke fez pronunciamento mais claro dizendo que não iria necessariamente diminuir estímulos no curto prazo... Com isso os mercados se acalmaram. Porque quando há volatilidade no câmbio, isso atrapalha todos os negócios.

O sr. acha que isso levará a uma menor volatilidade?

Essa semana já tivemos menos volatilidade. Não sei se a volatilidade vai terminar, porque isso depende das próximas declarações e do que os mercados entenderam. Acho que deu uma acalmada.

E qual será a consequência para o Brasil?

Quando acalmar, teremos a volta de aplicações financeiras para o Brasil em renda fixa e para a bolsa, porque quando do dólar se valoriza, a aplicação externa pode perder recursos no Brasil.

Isso acontecerá ainda em 2013?

Acontecerá em algumas semanas. Sinto que podemos estar no início de uma superação dessa turbulência. Não tenho certeza, mas os sinais são positivos.

O que ocorrerá com o câmbio nas economias emergentes?

Os câmbios dos países emergentes não voltarão aos patamares anteriores, ficará todo mundo com um câmbio um pouco mais desvalorizado do que estava antes do início dessa turbulência e teremos competitividade maior para exportamos para os EUA.

O Brasil fica em situação melhor?

Sim, nossas exportações vão ficar mais baratas.

O dólar ficou hoje (quinta-feira) em torno de 2,22 reais. É um patamar bom para a indústria ou há muitos riscos?

Diria que os empreendedores brasileiros tem hedge. Não tivemos o problema de derivativos que tivemos em 2008, dessa vez não houve nenhum problema. Nós oferecemos liquidez, o Banco Central fez swap e fez também leilão de linha de crédito em dólar.

Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC apontou que o dólar valorizado pressiona a inflação. Como o sr. vê isso?

Por definição, quando se desvaloriza o câmbio, pressiona a inflação. Não sabemos qual ´pass trough´ disso. Como estamos com economia mundial com crescimento baixo e esse movimento dos EUA diminui aplicações em commodities e aí caem um pouco, então a tendência no mundo é desinflacionária. Por enquanto, estamos com um mês de elevação do câmbio e até agora a inflação está caindo.

A inflação foi uma das causas do abalo na confiança no país?

Sim. A inflação causa temor, dificulta planejamento das empresas, causa perturbação da economia e, por isso, tem que ser combatida... Foi talvez o maior problema que enfrentamos no primeiro semestre, felizmente isso está sendo superado.

O fato de o BC ter sido mais agressivo do que parte do mercado esperava é uma das reações com efeito nas expectativas?

O BC fez o que tinha que fazer e isso também ajuda a recompor as expectativas. É preciso combater a inflação mesmo a custa de sacrifícios e juros altos. Isso foi feito. A inflação está sob controle, sempre esteve sob controle, teve um surto e as pessoas só acreditam depois que cai mesmo.

Se o BC subir os juros no ritmo que está sendo feito, há a preocupação de esfriar a economia?

Estamos hoje com os juros reais mais baixos da história do país. Para frear a economia, causar recessão, é preciso uma taxa muito elevada e não sei se eles vão fazer, pergunte a eles.

O que o sr. espera do crescimento para o segundo trimestre?

O crescimento começou bem no ano, fizemos 0,6 por cento no primeiro trimestre. O segundo trimestre ia bem, porém tivemos esse evento do Fed e também tivemos as mobilizações sociais. Isso segurou um pouco o crescimento. A trajetória foi alterada, era mais positiva. Temos que esperar o segundo semestre, que terá muitos fatos positivos.

Quais são esses fatores positivos?

A inflação para baixo, as concessões, a produção da Petrobras aumentará. A queda da inflação tem influência sobre o consumo, porque quando sobe, o consumo cai. Depois os dissídios salariais recompõem o poder de compra, haverá recomposição (da renda) e o consumidor voltará a ter capacidade de consumo.

Qual é a previsão do sr. para o PIB do segundo trimestre?

Não arrisco uma previsão porque houve perturbação inesperada, não sei qual o resultado econômico de junho, só tenho dados até maio. Mas não deve ser muito diferente do resultado do primeiro trimestre, pode ser um pouco melhor.

O governo tem esperança de que o segundo semestre vai ser melhor. Mas no lado fiscal não há mais espaço para estímulos. É isso?

Não temos (espaço para mais estímulos). Agora, nós demos os estímulos e eles estão presentes, como o custo da energia elétrica reduzido... O cenário só não é mais favorável porque a economia internacional não deixa, porque o comércio internacional está parado.

Parece que o governo não tem mais armas para dar estímulos à economia...

Nós usamos as armas e estão surtindo efeito. Não é que não temos mais armas.... Mesmo em um cenário internacional adverso temos chances de crescer um pouco mais. Não estou achando que vamos crescer uma fábula, 6 , 8 por cento. A economia internacional nos tira 1,5 por cento do crescimento potencial que teríamos.

O PIB potencial do Brasil é 3 por cento?

Diria que hoje nosso PIB potencial é 4 por cento em média, embora este ano nós não cresceremos 4 por cento. Mas teremos um potencial para isso.

Se o sr. vê o PIB potencial em 4 por cento e se a economia mundial tira 1,5 por cento desse crescimento, estamos falando de um crescimento de 2,5 por cento este ano?

Os dados não são precisos, mas pode ser entre 2,5 e 3 por cento, pode ser.

O governo pode aumentar a taxa de retorno das concessões em infraestrutura que está preparando?

Para rodovias, há uma belíssima taxa de retorno e negociei isso. Sentamos na mesa com todas as concessionárias, discutimos e todos disseram que é atraente do jeito que está... O primeiro lote de ferrovia, cuja licitação vai sair mais rápido, fixamos em 8,5 por cento a taxa de retorno do projeto, a do investidor é em torno de 15 por cento. É uma excelente taxa de retorno... Estamos oferecendo condições de financiamento muito favoráveis.

A situação internacional pode afetar o financiamento desses projetos?

Afeta um pouco, porque não vamos conseguir fazer todas essas concessões só com capital nacional, precisaremos de capital externo... e neste momento o mercado internacional está um pouco estressado. Mas a tendência é que o mercado internacional se normalize e tenhamos investidores, porque o negócio é bom e rentável.

]]>
A Inteligência Emocional aplicada aos negócios //www.administradores.com.br/entrevistas/carreira/a-inteligencia-emocional-aplicada-aos-negocios/122/ //www.administradores.com.br/entrevistas/carreira/a-inteligencia-emocional-aplicada-aos-negocios/122/ Wed, 10 Jul 2013 11:20:03 -0300 Eber Freitas e Jandiara Soares A Inteligência Emocional aplicada aos negócios

Autor do best-seller Inteligência emocional e de mais de 10 livros sobre psicologia, educação, ciência e liderança, Daniel Goleman fala sobre a inteligência emocional no ambiente de trabalho

Testes de QI sempre foram tomados como parâmetros de mensuração da inteligência individual e, por tabela, ainda são um meio de um sujeito dizer que é mais inteligente do que os outros à sua volta. Mas o que as organizações, governos e a sociedade precisam é de líderes sensíveis, que saibam desenvolver uma empatia social com a sua equipe; essa competência é vital no frontdas crises, seja quais forem as suas proporções. Aqui entra o psicólogo Daniel Goleman e sua teoria da Inteligência Emocional.

A trilha acadêmica de Goleman é extensa, e o relato de sua experiência mais ainda. Começando pelo meio, ele concluiu os seus estudos de doutorado e pós-doutorado por Harvard após várias viagens pela Ásia estudando métodos ancestrais de psicologia, como a meditação. O trabalho resultou em seu primeiro livro, A mente meditativa, o primeiro de uma dezena. Mas o verdadeiro sucesso editorial veio com Inteligência emocional, concluído em 1995: cinco milhões de cópias vendidas, traduzido para mais de 40 línguas. Ele também é professor, consultor e jornalista científico, com 12 anos de contribuição para o The New York Times.

A teoria da inteligência emocional é um verdadeiro mantra da liderança, especialmente para os leitores corporativos. A forma como lidamos com as nossas emoções, atitudes e relacionamentos é capaz de dizer mais precisamente como agimos diante das situações profissionais, e isso importa muito mais do que testes padronizados. Como exemplo, o psicólogo cita a empatia social, a habilidade de compreender o ponto de vista ou perspectiva de outra pessoa, e assim sentir o que ela está sentindo. Confira a entrevista que ele concedeu com exclusividade à Administradores.

RA: Você diria que é possível motivar ou desenvolver empatia a partir de uma motivação puramente interna, ou é necessária uma força externa?
DG: Na verdade, a melhor motivação para desenvolver força mental e inteligência emocional é interna; você tem que ter o desejo de melhorar. Por exemplo, a empatia social, sua habilidade de compreender o ponto de vista ou perspectiva de outra pessoa e assim sentir o que ela está sentindo. Você pode receber mensagens sutis do mundo externo dizendo que você não é tão bom nisso quanto precisa, mas então só depende de você decidir o quanto se importa e o quanto está disposto a fazer para melhorar nesse aspecto. Somente motivado você pode desenvolver intencionalmente a sua força mental e a inteligência emocional.

Como podemos desenvolver a nossa inteligência emocional?
Existem cinco passos. Primeiro você tem que se perguntar: "Isso é realmente importante para mim?". Você tem que estar motivado, tem que visualizar seus objetivos, analisar seus valores e aonde você quer chegar na vida e na carreira. Se você responder a essa primeira pergunta, parta para o segundo passo: uma análise de 360 graus, como o ESCI (sigla em inglês para Inventário de Competências Emocionais e Sociais), assim conseguindo uma avaliação honesta.

Quando nos avaliamos, nossa visão pode ser distorcida pelos nossos pontos cegos. Mas em um 360º você recolhe confidencialmente e anonimamente as opiniões de pessoas que você respeita, chegando a uma média. O terceiro passo é olhar para esses resultados e identificar as suas habilidades de inteligência emocional e autoconsciência: a maneira que você se administra, como você empatiza com as pessoas, como você forma relações, sua persuasão, cooperação e capacidade de trabalho de equipe.

Onde quer que seja, identifique a área na qual você acredita que vale a pena o seu tempo e esforço para melhorar. Aí você estabelece um plano de mudança, um contrato consigo mesmo sobre um comportamento específico que você tentará mudar, como parar e ouvir atentamente o que está sendo dito, compreender completamente o que você está pensando antes de falar. Em um diálogo, isso melhora bastante a sua empatia. O quinto passo é tentar seguir este comportamento em todas as oportunidades que se apresentarem. Se você fizer isso durante três e seis meses, verá que as pessoas começarão a reagir e notará a sua melhora.

Existe algum tipo de teste usado para medir a inteligência emocional ou ela só pode ser identificada em situações práticas?
Acredito que todos podemos sentir a inteligência emocional de uma pessoa sempre que interagimos com ela. Temos meio que um radar natural para isso. Com algumas pessoas você sente essa atração, uma química, uma simpatia. Esse é um sinal claro de uma inteligência emocional desenvolvida; já com outras pessoasvocê não consegue estabelecer uma ligação, elas são um pouco diferentes. É um sinal de que precisam de ajuda com a sua inteligência emocional. Então, por um lado, todos nós temos um senso inato para isso, por outro, existem atualmente vários testes direcionados à inteligência emocional. Alguns não são muito bons, e outros são muito bons para propósitos específicos.

Se falarmos na esfera empresarial, no campo dos negócios, há testes assim?
No campo dos negócios existem testes que auxiliam na seleção para contratação e testes que facilitam notar aqueles que merecem ser promovidos a posições de liderança. Eu fui co-criador de um processo em 360 graus para desenvolver a inteligência emocional de líderes chamado ESCI. Ele foi criado para que tanto o indivíduo se autoanalise, como também para que aqueles que o conhecem bem o avaliem. Então você pode decidir em que área precisa de ajuda para desenvolver-se e pode usar o programa como um motivador para o seu próprio crescimento.

Em seu trabalho você discorre sobre cinco tipos de inteligência emocional: autoconhecimento emocional, o controle emocional, auto-motivação, o reconhecimento de emoções em outras pessoas e a habilidade de manter um relacionamento interpessoal. Cada um desses tipos serve como requisito para o outro? Para trabalhar essas inteligências emocionais, deve-se trabalhar os estágios anteriores?
Penso que a parte mais fundamental da inteligência emocional é a primeira, o autoconhecimento. A maneira como administramos a nós mesmos é a segunda parte. A terceira depende completamente do quanto nos conhecemos, assim como a nossa capacidade de estabelecer relacionamentos com os outros depende da habilidade de empatizar com eles. Cada uma das partes usa as anteriores como base.

Você mencionou anteriormente que as pessoas precisam descobrir o que querem para manterem-se motivadas. Como você propõe que façamos isso?
Para conhecer os seus próprios valores você precisa de autoconhecimento. Precisa saber o que importa para você, e trabalhar um senso próprio do que é certo e errado.

Em sua opinião, aqueles que têm uma vida mais saudável e feliz, marcadas por vários relacionamentos e vidas sociais mais intensas, são melhores em seu trabalho?
Diria que as pessoas geralmente mais positivas, extrovertidas e bem conectadas com outras nas suas vidas sociais podem trazer isso para o trabalho, tornando-se bons colaboradores, trabalhadores em equipe e possivelmente ótimos líderes. Então sim, com certeza.

Apesar do conceito de inteligência emocional ser algo recente, você acredita que ele já era familiar aos grandes líderes e filósofos da antiguidade?
Acredito que os elementos básicos da inteligência emocional sempre formaram líderes excepcionais desde a antiguidade até os tempos modernos. A diferença é que hoje nós entendemos a base cerebral, e temos maneiras de medir isso nas pessoas e de ajudá-las a desenvolver esses traços. Essa é uma prática antiga, mas um conhecimento completamente novo.

Assim como os arquétipos da morte e do herói estão presentes no inconsciente humano, a imagem do líder também figura no nosso imaginário. Você diria que essa imagem pode ser considerada um arquétipo?
Penso que a imagem de um líder é o que poderia ser chamada de um arquétipo fundamental, construído durante milhões de anos de evolução na mente inconsciente humana. O líder é como um pai em um sentido bastante primitivo: alguém em que nós procuramos segurança em tempos de crise, incerteza e estresse, assim como uma criança procura um pai.

Um bom líder não apenas é bom em delegar funções, ele precisa ser capaz de transmitir emoções. Qual a importância dessa função do líder?
O trabalho emocional de um líder é extremamente importante e consiste em ajudar as pessoas a chegar a um estado emocional ideal, em que elas consigam trabalhar melhor, e mantê-las nesse estado. Sinceramente, acredito que essa é a função mais importante de um líder.

Em várias situações o líder formal não é necessariamente o líder emocional de um grupo e isso pode criar vários problemas. Como resolver esses conflitos em uma empresa?A situação ideal é aquela onde aquela pessoa com o título de líder (o chefe, CEO, presidente etc.) é também a pessoa que desempenha o papel de líder emocional. Essa é a situação que você deseja. Quando esses dois papéis são ocupados por pessoas diferentes, você tem dificuldades sérias, porque as pessoas têm muita consideração pelo líder emocional, e se o suposto líder não tem o mesmo respeito ou a mesma importância, ele será bem menos eficiente do que deveria.

É difícil não comparar o conceito de inteligência emocional com o de inteligências múltiplas proposto por Howard Gardner. Existe alguma similaridade ou afinidade entre essas duas teorias?
Eu construí o meu próprio modelo. No trabalho de Howard Gardner ele fala de vários tipos de inteligência, duas das quais são chamadas intrapessoal e interpessoal. Intrapessoal é o autoconhecimento e interpessoal são nossas habilidades de estabelecer e manter relações pessoas. A inteligência emocional é uma maneira de examinar esse objeto de maneira mais detalhada, especialmente de uma forma que seja útil para o ambiente de trabalho e liderança.

E qual é a sua relação com Gardner? Vocês já trabalharam juntos?
Nós não trabalhamos juntos. Nós nos graduamos na Universidade juntos, nos conhecemos há bastante tempo e eu respeito profundamente o seu trabalho. Nós somos bons amigos, mas não fazemos pesquisas juntos.

Você lançou recentemente o livro O cérebro e a inteligência emocional (The brain and emotional intelligence, ainda sem versão em português). O que pode nos falar sobre esse trabalho?
Bem, quando eu escrevi o livro Inteligência emocionale vários outros, tentei sempre me manter o mais atualizado possível, especialmente no campo da pesquisa cerebral. Mas fazia vários anos desde a última vez que eu tinha escrito algo sobre liderança ou inteligência emocional, então achei que era um bom momento para analisar as descobertas mais recentes sobre o cérebro e o que elas significam para a pesquisa de inteligência emocional. Por isso que eu escrevi O cérebro e a inteligência emocional, e lá eu falo sobre criatividade e como um administrador pode criar condições que encorajem pensamento inovador.

Baseado em pesquisas recentes, pude descrever maneiras pelas quais os líderes podem criar circunstâncias que possibilitem às pessoas trabalharem melhor. Essa área de análise de performance deve muito a uma compreensão recente do relacionamento entre as emoções e o resto do cérebro. Assim, pude descrever várias situações importantes para o ambiente de trabalho e ver como a nova pesquisa cerebral pode nos ajudar.

Para encerrar, quais os resultados em uma empresa que cria esse ambiente harmônico e encoraja o desenvolvimento da inteligência emocional?
Melhores resultados financeiros, melhor nível de satisfação dos empregados, melhor motivação e uma maior retenção de talento, evitando que as pessoas mais importantes deixem a companhia.

]]>
Afinal, quais são os segredos de sucesso do Waze? //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/afinal-quais-sao-os-segredos-de-sucesso-do-waze/121/ //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/afinal-quais-sao-os-segredos-de-sucesso-do-waze/121/ Tue, 11 Jun 2013 19:33:12 -0300 Por Agatha Justino Afinal, quais são os segredos de sucesso do Waze?

Imagina consultar um dispositivo e descobrir rotas para se livrar (em partes) daquele imenso trânsito de sua cidade? Um grupo de amigos criou um aplicativo assim, que vem conquistando milhares de motoristas em todo o mundo. Conversamos com o Uri Levine, presidente do Waze, que revelou os motivos para tanto sucesso

Criar um produto inovador que possa facilitar a vida de um grande número de pessoas; saber onde está concentrado o trânsito e encontrar uma alternativa para não precisar encará-lo; criar um sistema de interação entre motoristas para que possam compartilhar informações sobre o tráfego em tempo real.  Essas são apenas algumas das propostas de um aplicativo que tem se espalhado entre os usuários de smartphones pelo mundo, o Waze.  

Desde que foi lançado nos EUA, em 2009, o Waze angariou mais de 20 milhões de usuários no mundo (1,4 milhão no Brasil) e foi eleito o “aplicativo do ano para iPhone” pela Apple, sendo destacado pela empresa como uma das alternativas ao fracassado Apple Maps. Entretanto, o sucesso do Waze é cercado por polêmicas, já que ele também é utilizado por motoristas que comunicam a outros onde estariam montadas as blitz da Lei Seca. A Administradores conversou com o israelense Uri Levine, um dos cofundadores e presidente do Waze, para saber todos os detalhes deste negócio.  

Como surgiu a ideia de criar uma rede social voltada essencialmente para motoristas, como o Waze?

Na verdade tudo começou com a ajuda de Ehud Shabtai, engenheiro de software. Ele estava brincando com um aparelho de navegação e queria adicionar mais conteúdos. Foi então que percebeu que para fazer isso ele precisaria de um mapa. Esse mapa deveria ser digital, para poder ser editado e expandido. Shabtai também percebeu que se ele estava planejando desenvolver algo voltado para o uso da comunidade, então a mesma também deveria estar habilitada para mapear a área. Foi assim que surgiu a primeira versão do aplicativo, que se chamava Free Map. 

O Free Map era capaz de fazer navegação, mas não disponibilizava as informações em tempo real e estava sempre colhendo informações dos usuários para construir o mapa.  Em 2007, nós nos juntamos - Eu, Ehub e Amir Shinar - ao aplicativo e raciocinamos o seguinte: muitas vezes, quando viajamos e queremos voltar para casa, existem várias opções de estradas disponíveis e nós sempre queremos saber qual se encontra menos engarrafada. E o fato de que existem outros motoristas que saíram antes de você e estão dirigindo na sua frente é a maneira mais eficaz de descobrir qual o melhor caminho. Então nós decidimos converter essa ideia em um aplicativo para smartphones e assim saber onde estão os engarrafamentos, em tempo real. 

Qual a principal diferença entre o Waze e os outros mapas, como o Google Maps ou o GPS comum?

Existem alguns fatores que podem explicar a diferença. A primeira é o poder do crowdsourcing: toda informação disponibilizada pelo Waze foi gerada pelos usuários; foi criada pelos motoristas e para os motoristas, é como a Wikipedia deles. Doze anos atrás, não existia Wikipedia, mas hoje, quem não existe é a enciclopédia Brittanica. 

O segundo fator é o que chamamos de “mapa ao vivo”, ou seja, uma plataforma que sofre transformações todos os dias. Se você viaja para um novo lugar, ele será adicionado no outro dia ao aplicativo e estará disponível para todo mundo.   A comunidade agora está habilitada a se amparar. As pessoas que estão sofrendo paradas no trânsito podem se ajudar. A principal diferença entre o que nós estamos fazendo e o que os outros estão fazendo não está na navegação, e sim na interação entre quem está dirigindo. 

Aqui no Brasil algumas autoridades afirmam que as redes sociais e aplicativos como o Waze estão ajudando pessoas que bebem e dirigem a fugir das blitz organizadas pela polícia. O que você diria sobre isso?

Não apoio quem bebe e decide pegar no volante, mas não acredito que uma pessoa bêbada consiga utilizar o Waze. Na realidade, não sei de pessoas que utilizam o aplicativo com essa finalidade. Mas tenho conhecimento de motoristas que utilizam o Waze para fugir dos radares de velocidade. Mas esse comportamento está dentro dos nossos objetivos: que os motoristas saibam onde estão os radares e diminuam a velocidade. Queremos que as pessoas dirijam devagar e com segurança.

Ano passado, Tim Cook sugeriu o Waze como um bom aplicativo para quem precisa de mapas. E depois, algumas publicações especularam sobre uma parceria entre a Apple e o Waze. Você acredita que essa parceria possa acontecer?

Nós do Waze não gostamos de comentar acerca de rumores, mas acreditamos sim em parcerias. Inclusive, nós temos um grande parceiro no Brasil, a Multispectral, com quem trocamos muitas informações. 

No Brasil, o Waze atingiu a marca de mais um milhão de usuários em um curto período. O que você acha que pode mudar no trânsito com a ajuda do crowdsourcing?

Eu acredito que temos hoje um milhão e meio de usuários brasileiros participando do Waze. Nós estamos crescendo aproximadamente 2.500 usuários por mês. E, no geral, estimulamos a interação entre os motoristas, para que eles comecem a se ajudar, fornecendo as informações necessárias para que os outros escolham o melhor caminho sem se preocupar com o trânsito. Em termos práticos, nós economizamos 15% do tempo do motorista. Uma pessoa que passa 100 horas por mês na estrada tem a possibilidade de economizar 15 horas com o uso do Waze.  É um tempo significante, não é simplesmente evitar polícia, é conhecer o que está acontecendo nas ruas, quanto tempo é necessário para se chegar a um determinado lugar. 

Acredito que os motoristas no Brasil percebem e valorizam este fator. Há um mercado enorme no país, veja a quantidade de veículos em São Paulo. É interessante perceber que sempre que vou a uma metrópole diferente, os cidadãos do lugar acreditam que o seu trânsito é o mais engarrafado do mundo.

E qual é a cidade que você acredita ter os maiores engarrafamentos do mundo?

Na realidade, o que nós medimos é a velocidade média na hora do rush. Esse número reflete o quão devagar ou rápido as pessoas andam.  Em São Paulo, temos 20 km por hora; em Jacarta, na Indonésia temos 17 km; Já em Lagos, na África, são 14 km por hora.

Você poderia explicar como funciona o sistema de mapeamento e medição de tráfego?

Essencialmente, quando você dirige com o aplicativo, nós coletamos dados de rastreamento do GPS que está no smartphone. Com base nisso, nós podemos dizer exatamente onde você está e a velocidade com que está dirigindo. Dessa maneira, calculamos a média de cada motorista e encontramos uma média para cada pedaço da rodovia. É assim que obtemos a velocidade e o tempo médio do tráfego no sistema, utilizando os dados de rastreamento do GPS que está no seu aparelho. 

Nós conectamos todos os pontos - o sistema faz isso automaticamente. Além disso, nós damos oportunidade para que a comunidade possa participar desse processo. Com as ferramentas de edição do mapa, é possível adicionar informações como os nomes de ruas. Nós demos aos motoristas dois mecanismos: o automático e o manual, para que eles possam escrever aquilo que acham necessário. É um processo 80% automático e 20% manual, com a ajuda da população. 


]]>
Como iniciar um negócio em 54 horas //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/como-iniciar-um-negocio-em-54-horas/120/ //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/como-iniciar-um-negocio-em-54-horas/120/ Mon, 03 Jun 2013 17:12:02 -0300 Fábio Bandeira de Mello Como iniciar um negócio em 54 horas

Conversamos com Marc Nager, coautor do livro Startup Weekend sobre como levar uma empresa do conceito à criação em tão pouco tempo

É praticamente um senso comum achar que é necessário muito tempo, planejamento e paciência para fazer um negócio ser bem sucedido. E, de fato, isso acontece na maioria das vezes. No entanto, três americanos estão fomentando um novo modelo de se pensar a gestão, que baseia em ir da ideia até colocá-la em prática em apenas 54 horas.

Seria possível? O Administradores conversou com um dos defensores dessa tese, Marc Nager sobre o que ele apresenta como Startup Weekend: instituição sem fins lucrativos com a missão de educar empreendedores e incentivar a criação de startups. O projeto é relativamente novo, iniciou em 2007, e o objetivo é que em um fim de semana intenso os participantes desse encontro mergulhem de cabeça na cultura empresarial e transformem uma boa ideia de negócio em uma startup viável.

Os eventos do Startup Weekend, inclusive, adquiriram status global, com mais de 600 apresentações e presença em 100 países. O sucesso foi tanto que virou até um livro com o mesmo nome e editado no Brasil pela Alta Books. Confira a entrevista que fizemos com Marc Nager, CEO e codiretor do Startup Weekend, abaixo:

Vocês resolveram transformar em livro o que ensinam em eventos que duram um fim de semana, totalizando 54 horas. Você poderia nos explicar, então, como funcionam esses eventos?

Nossos programas possuem as simulações mais fieis do começo de uma empresa. Junto a outros empreendedores da mesma comunidade, ambiciosos e com uma mentalidade parecida com a sua, você pode enfrentar os verdadeiros desafios de erguer uma start-up começando do zero, e durante o processo, você pode encontrar um co-fundador ou começar sua própria companhia.

 Quais são as principais lições que vocês buscam transmitir no livro e no curso?

O livro é um resumo da nossa história, sobre a organização e nossos valores fundamentais. A principal lição está nos impactos culturais e transformativos que o empreendedorismo possui em todas as comunidades. Startup Weekend é um modelo incrível e eficaz para criar densidade e força nas comunidades para lançar negócios.

“Começar a empreender em 54 horas? Isso é possível mesmo? Em tão pouco tempo?”. Você provavelmente já escutou esses tipos de questionamentos. O que você diria para essas pessoas?

Na maioria dos casos, não. Aproximadamente um em cada 10 times que começam na Startup Weekend continuam vivos após 12 meses. Startup Weekend visa aprender sobre a experiência e o processo de validação da sua ideia e seu time. Assim como atletas esportivos precisam praticar, empreendedores também e a Startup Weekend é uma experiência incrível que vai te ajudar a se preparar para construir algo real ou avançar com o seu próprio negócio.

Quando falamos em empreendedorismo, muitas vezes a palavra “planejamento” vem na cola. Ele é realmente fundamental em um negócio?

Empreendedorismo é sobre agir. Planos de negócios são uma maneira antiquada de começar uma companhia. Modelos de negócios são muito mais eficazes e dinâmicos. Consciência e intencionalidade são importantes, mas você deve entender o risco de planejar o futuro, que é imprevisível. Em vez disso, foque em construir uma base forte de valores, saber exatamente quem são os seus clientes e quais os problemas que você está resolvendo, como você pode lucrar e se está disposto a se manter envolvido. 

O que você considera como o principal vilão para iniciar um novo negócio?

Não ter um time certo. Estatisticamente e informalmente, o time é o aspecto mais importante de uma startup. Geralmente, as pessoas se prendem a uma ideia. Esqueça a ideia, foque no problema e tenha certeza que você possui o time certo, que você pode ser incrível e eficaz junto.

E quais as características que um empreendedor bem-sucedido deve possuir?

Paixão, ser implacável, bom vendedor, ter inteligência social, habilidade para dizer “não” e uma tendência voltada para ação.


]]>
“Todos podem ser líderes no seu espaço de trabalho”, afirma Peter Senge //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/todos-podem-ser-lideres-no-seu-espaco-de-trabalho-afirma-peter-senge/119/ //www.administradores.com.br/entrevistas/negocios/todos-podem-ser-lideres-no-seu-espaco-de-trabalho-afirma-peter-senge/119/ Thu, 09 May 2013 10:26:12 -0300 Simão Mairins “Todos podem ser líderes no seu espaço de trabalho”, afirma Peter Senge

Para o autor de A quinta disciplina, é possível que todos os níveis de uma organização trabalhem com o mesmo grau de engajamento, desde que os administradores estejam comprometidos com isso

Expressões como “vantagem competitiva”, “domínio pessoal” e “visão compartilhada” são cotidiana e exaustivamente repetidas nas organizações, seja pelos diretores e gerentes, seja pelos empenhados colaboradores. Compreendê-las na prática, entretanto, é o que de fato faz a grande diferença. Pelo menos é o que pensa o norte-americano Peter Senge. PhD em Management pelo MIT – Massachusetts Institute of Technology, ele é autor do prestigiado livro A quinta disciplina, em que apresenta as cinco competências que considera fundamentais para o sucesso de um modelo administrativo, sendo a última delas – “visão ampla” ou “raciocínio sistêmico” – a mais importante.

Para o estudioso, o administrador precisa compreender o mundo como um grande corpo do qual ele e a organização que dirige fazem parte. “Tenho que entender como eu quero que minha empresa contribua para esse mundo mais amplo”, afirma Senge, para quem o desempenho de um negócio está diretamente relacionado a essa capacidade de percepção sistêmica daqueles que o comandam.

Senge destaca ainda que a liderança, dentro das organizações, não precisa estar restrita aos diretores e gerentes. Para ele, na verdade, a possibilidade de cada profissional agir como líder no exercício do seu trabalho é um dos fatores que podem garantir que todos atuem com o mesmo grau de engajamento, colocando em prática outra das suas disciplinas, a “visão compartilhada”. E faz uma importante observação: nem todos os líderes comandam alguma coisa. 

Você costuma dizer que os líderes devem ser “idealistas pragmáticos”. Na prática, o que isso significa? 

Em primeiro lugar, quando diz líderes, você se refere aos chefes? 

Sim, a eles, principalmente. 

É sempre bom tentar esclarecer isso, porque há muitos tipos de líderes. E muitos deles não são chefes de ninguém. Se estamos falando sobre negócios, é importante você estar atento ao desempenho da empresa. Mas você tem que prestar atenção também a um mundo mais amplo. E o que acontece nesse mundo? Qual é a minha visão pessoal? Tenho que entender como eu quero que minha empresa, minha organização, contribua para esse mundo mais amplo. É bastante simples.

Você é reconhecido no mundo todo como um dos principais nomes do pensamento estratégico, pela relevância dos seus estudos e a aplicabilidade de suas teorias. Entretanto, colocar em prática – por exemplo – a sua quinta disciplina é algo ainda um tanto difícil para algumas empresas, principalmente em mercados menores, onde o pragmatismo fala mais alto. Como você avalia o nível de aprendizado das empresas hoje, principalmente nos mercados emergentes?

Eu não passo muito tempo em países como o Brasil. Então não tenho tanta experiência para falar sobre eles. Eu acho que há mais oportunidades em mercados emergentes, porque há muito espaço para experimentação. Uma das empresas que eu conheço bastante no Brasil é a Natura, uma empresa grande hoje. Mas há 20 anos não era tão grande. E eles tinham uma visão muito clara do impacto social que desejavam ter, vendendo com uma rede grande de pessoas que, talvez, seriam muito pobres se não tivessem esse emprego de consultoras da Natura. E buscando comprar produtos que fossem realmente naturais e que fossem consumidos de uma forma sustentável. Então acabou surgindo um espaço muito grande para a inovação. 

Confira o Leadership Especial com Daniel Goleman e Peter Senge

Em primeiro lugar, eu não acho que a quinta disciplina seja tanto uma teoria, é mais prática, uma prática que nós aprendemos das outras empresas. Uma empresa como a Natura tem descoberto, sozinha, uma série desses princípios básicos, olhando o sistema mais amplo do qual eles fazem parte, uma visão forte daquilo que eles querem criar e tendo um compromisso com o desenvolvimento pessoal dos seus funcionários. Embora esses movimentos sejam naturais, não significa que sejam fáceis. Tudo que aprendemos, aprendemos de empresas que aplicaram esses conceitos de forma bem sucedida numa inovação de longo prazo.

Acerca das iniciativas da chamada wikieconomia ou economia colaborativa, elas podem ser consideradas como um instrumento de aprendizado contínuo entre empresas?

Quando você tem uma economia, creio eu, que requer colaboração, essa é a circunstância ideal para analisar como todos funcionam juntos. Por exemplo, se você olhar comunidades rurais tradicionais ou estruturas tribais mais antigas, lá as pessoas têm que trabalhar juntas. Quando há crescimento, as empresas estão se desenvolvendo, muita gente acaba lutando individualmente. Mas aprender a ter eficácia na colaboração é fundamental para a sobrevivência das economias de hoje. Isso pode ser tão simples quanto, por exemplo, você trabalhar com seus fornecedores chave. 

Que tipo de relação queremos criar? Confiança é uma coisa complicada. Por que, por um lado, pode parecer que basta parecer simpático com o outro. Mas quando há uma relação de confiança real, nós podemos questionar um ao outro e levá-lo a aprender. Então, na verdade, as relações baseadas em colaboração mútua e na confiança são relações básicas para o desenvolvimento das pessoas. Em momentos econômicos difíceis é ainda mais importante desenvolver essas competências em colaboração.

Sobre a sua disciplina que trata do aprendizado nas empresas, é importante que os colaboradores entendam que aprender coletivamente é a melhor maneira de todos, inclusive a companhia, crescerem. Como as empresas podem provar aos seus funcionários que isso será de fato bom para todos? Como atestar que o todo pode ser maior que a soma das partes?

Eu acho que as pessoas têm que provar para elas mesmas. Não é função da empresa convencer ninguém. Os bons gestores criam espaço e oportunidades para que as pessoas trabalhem juntas de forma eficaz. E aí as pessoas descobrem sozinhas. O que é muito importante aqui é perceber o seguinte: isso faz parte da natureza humana. Os seres humanos são seres sociais. Naturalmente, somos indivíduos também. Mas todo mundo tem a percepção de que o seu bem estar depende das suas redes e da colaboração. Se você perguntar o que é mais importante para as pessoas no ambiente de trabalho, a maioria dirá que gosta de fazer parte de equipes onde possa aprender, onde o trabalho seja realmente interessante, que tenha um significado, que faça sentido, e que permita estavelecer relações de importância real. Então os gestores não têm que convencer as pessoas disso, eles só têm que parar de dificultar essas relações.

Outra das cinco disciplinas que você elenca em seus estudos sobre aprendizado nas empresas é a visão compartilhada, que na prática significa justamente conseguir das equipes compromisso e engajamento em vez de mera aceitação do trabalho. Você não acha um tanto utópico querer o mesmo nível de engajamento em todos os níveis de um sistema hierárquico onde cada parte desfruta de forma diferenciada dos resultados?

Não acho que seja utópico, acho que é uma visão. Depende do que você quer dizer com utópico. Muitas vezes, utópico pode querer dizer “não impossível”. Eu vi isso acontecer muitas vezes. Eu vejo que isso não é impossível, mas requer um certo comprometimento por parte dos gestores, no sentido de criar oportunidades para as pessoas descobrirem seus próprios compromissos. Voltando àquilo de que estávamos falando antes, você tem que acreditar que as pessoas, independente do trabalho ou da função que exercem, prefeririam estar comprometidas com o seu trabalho. Essa é uma premissa muito importante. Se você não tem essa premissa, tudo isso não serve para nada. Você precisa realmente acreditar que há algo desejado pelas pessoas, e deve ser um gestor que crie essas condições. Eu acho que é bem diferente da forma como a maioria das empresas funcionaram historicamente. 

E qual é essa diferença?

Elas crescem e os gestores acham que o trabalho deles é simplesmente dar ordens para as pessoas, e não ouvir, tratar todos como líderes. No exército norte-americano eles dizem que o seu primeiro dia como líder é o primeiro dia no trabalho. Então o interessante é acreditar que todos podem ser líderes no seu espaço de trabalho. Eu uso esse exemplo porque o exército é um arquétipo claro do que é a hierarquia. Então essa disciplina é perfeitamente compatível com a hierarquia, se os gestores realmente estiverem comprometidos com isso. Então, não acho que seja algo utópico. Pelo contrário, acredito que seja muito prático. Porém difícil.

]]>
Liderança e RH: quais são as novas tendências para o mercado? //www.administradores.com.br/entrevistas/carreira/lideranca-e-rh-quais-sao-as-novas-tendencias-para-o-mercado/118/ //www.administradores.com.br/entrevistas/carreira/lideranca-e-rh-quais-sao-as-novas-tendencias-para-o-mercado/118/ Tue, 09 Apr 2013 18:57:26 -0300 Fábio Bandeira de Mello Liderança e RH: quais são as novas tendências para o mercado?

Em entrevista ao Administradores.com, o belga-suíço Didier Marlier, especialista em gestão e liderança, falou como o estilo de liderança e a gestão têm que evoluir para que as empresas sobrevivam à ruptura da economia

“O mundo não para”. A frase não poderia ser a mais clichê, mas, sem dúvida, é uma das mais verdadeiras. E se “o mundo não para”, os elementos presentes nele também não. Através dessa evolução e constante mudança, a nossa vida é diretamente afetada em diversas áreas. As rotinas de trabalho, a sua carreira, o dia-a-dia das empresas, todos eles estão inseridos nesse contingente que está à mercê de mutações. Ficar parado no tempo e não se adaptar a essas transformações pode ser um caminho - sem volta – rumo ao fracasso.  

O belga-suíço Didier Marlier, especialista em gestão/liderança e coautor do best-seller "Engaging Leadership", esteve no Brasil recentemente, em palestra na ESPM, para falar, justamente, sobre como o mundo corporativo vem sofrendo alterações significativas. O Administradores.com conversou com o especialista sobre algumas dessas profundas mudanças que afetam a liderança, os setores de recursos humanos, a economia e até a própria forma de administrar as empresas. Confira abaixo:

O termo liderança virou moda. Todo mundo hoje quer ser ou ter características de um líder. Até que ponto isso é positivo e negativo dentro de uma organização?

Essa é uma das características de um mundo em plena mudança. Antigamente, o conhecimento era a arma do poder entre as mãos dos “chefes”. Hoje em dia o conhecimento está na ponta dos dedos de qualquer um que tem acesso à internet. As grandes escolas (Harvard, M.I.T. etc.) colocam seus cursos de graça nos seus websites e grandes ONG estão espalhando aulas para todos. Recentemente, um dos estrategistas da Cisco viu que uma das 5 maiores revoluções do próximo futuro ia ser a democratização do ensino... Espero que ele tenha razão. Mas isso faz que a “arma do conhecimento” caia das mãos dos líderes e que todos hoje se sintam mais capazes a tomar decisões e liderar.

Vou estabelecer um paralelo aqui: está sendo estimado que o cérebro humano recebe e processa 11 bilhões de bits de informações por segundo! E sobre esses 11 bilhões, o cérebro “consciente” apenas consegue tratar entre 50 e 70... A comparação que faço é que, numa empresa, a diretoria faz o papel deste cérebro consciente. O problema e o perigo são que, hoje em dia, com o aumento da complexidade, dos riscos de caos, das oportunidades e ameaças de rupturas (tecnológicas, sociais, políticas etc...) esse cérebro consciente deveria ter capacidade de processar muito mais que 50 e 70 de informação a cada segundo.

A boa notícia está que, muitos (não todos) liderados estão dispostos e capazes de fornecer esta matéria cerebral extra que falta para a diretoria. As boas intenções estão lá, as competências também. Os liderados estão se disponibilizando para assumir mais tarefas e papel de liderança.

Então, muito mais pessoas estão se disponibilizando a assumir um papel de liderança e esta é uma coisa excelente por si. Agora, seguindo a metáfora, temos que ter certeza que eles ajudam de verdade essa diretoria, dando mais capacidade de processar informações.

Em sua palestra no Brasil você destacou: "empresas que acham que só a diretoria faz estratégias são dinossauros". Isso quer dizer que as empresas devem colocar os funcionários no processo de decisão da companhia? A ideia seria estimular a inovação em todas as áreas?

Numa empresa, muitas pessoas não estão interessadas ou não tem a competência, a curiosidade para estabelecer estratégias. Então não adianta “forçar” eles a co-criar a estratégia. O que estou dizendo é o seguinte: Sim, continuará sendo o papel da diretoria de “adivinhar o futuro” para os cinco próximos anos. Essa diretoria criará um maravilhoso PowerPoint, estabelecerá planos e roadmaps. Isso é a moda antiga de fazer e que funcionava nos tempos “simples e complicados”.

Em ambientes “complexos e caóticos” essa estratégia de dinossauros não é suficiente. Teremos que passar do conceito de estratégia, como um documento estabelecido por uma elite (diretoria) e planejar os próximos anos (e não só a diretoria) para qualquer futuro que seja, em vez de adivinha-lo.

O processo de estratégias tenta de: 1) criar uma organização inteligente (em vez de manter a inteligência ao nível elitista da Diretoria), aproveitando essa onda de pessoas formadas e competentes, querendo jogar mais um papel de líder; 2) desenvolver a organização e os liderados: o processo de estratégia, a fim de evitar ao que me referi como “câncer” (uma multiplicação desordenada de iniciativas, ordens e contraordens); 3) acrescentar a motivação dentro da empresa. Se me sinto fazendo parte do processo estratégico da empresa, vou “vestir muito mais a camisa” do que se me considero um simples peão pago para minha presença horaria.

Setores de recursos humanos, da maioria das organizações, ainda são pouco inovadoras. Qual o motivo disso e como quebrar essa barreira nessa área especificamente?

Não conheço suficientemente bem o Brasil para emitir uma opinião certa no assunto, mas devo admitir que o sentimento que tenho em geral é de uma função RH bastante conservadora e que não joga suficientemente seu papel de provocadora e “sparing partner” (termo de luta para descrever os lutadores que treinam o campeão) da Diretoria.

Vejo um motivo histórico para isso: a função foi considerada como um “mal necessário” durante muito tempo e relegada a processos jurídicos, de pagamento e controle em vez de ser realmente uma parte dos processo estratégico cuidando e desenvolvendo o ativo mais importante: as pessoas.

A função RH no Brasil sofre do peso de uma burocracia incrível e que até agora não vejo em nenhum outro país. É uma coisa grave porque absorve muitos recursos para execução de tarefas desnecessárias. Quando comparo o peso em cima dos ombros de um oficial de RH no Brasil ao que existe num país realmente liberal-capitalista como a Suíça, imagino que o RH Brasileiro está sofrendo de uma desvantagem competitiva gravíssima em termos de padrões internacionais.

Isso falado esta sendo de fato importante que a função se sinta responsável dessa gigantesca transformação que espera as empresas em termos de:

- Passar do conceito único de estratégia ao processo de estratégia;

- Passar de uma organização piramidal e hierárquica a um organismo conectado;

- Passar de um estilo de liderança “Senioridade = Superioridade” a um estilo Liderança engajadora.

Que empresas, hoje, você destacaria que estão realizando esse processo de co-criar com seus funcionários?

Sob o comando de líderes visionarios e “ligados” diria que várias empresas a níveis diferentes estão “à caminho”. Mas por exemplo, durante uma recente visita a “Vagas.com” do Mario Kaphan me impressionou bastante: Todos os funcionários estão convidados a participar do processo de elaboração da estratégia, não tem hierarquia, etc... É uma empresa que vou continuar a estudar. Mas posso mencionar também a Nextel (quando era liderada pelo Sergio Chaia), a Elekeiroz do Marcos Demarchi, a Dow do Pedro Suarez, por exemplo.

Esses lideres estão convencidos que tem que criar empresas inteligentes, alinhadas atrás de um propósito superior e comum, onde a informação flui rapidamente e as pessoas, cada pessoa se sente “dono do negócio” e autorizada a pensar estrategicamente.

Você citou também na palestra também que estamos vivendo a "economia de rupturas". O que exatamente seria isso e qual a relação dela nesse modelo de liderança e do RH buscar a co-criação?

A “economia de rupturas” é precisamente o motivo dessas mudanças profundas e necessárias em termos de estratégia, organização e liderança. Antigamente, seus competidores estavam identificados e sua empresa tinha tempo e recursos para reagir contra os movimentos deles. Isso foi até um passado recente. Lembro-me da quais obsessão, da fixação que os concorrentes da Apple na área, por exemplo, de telefones, tinham sobre o provável próximo passo da empresa do Steve Jobs. Ele tinha conseguido “fixar” as mentes e as energias delas sobre o que ele ia ou não ia fazer, impedindo lhes de estar realmente criativos.

Hoje seu concorrente pode surgir de qualquer lugar, estar um total desconhecido na sua área e até lhe destruir sem mesmo querer. Outro dia, pegando um taxi em São Paulo, vi que o taxista usava o mesmo Samsung Galaxy que o meu. Mas ele o usava com um app destinado a conectar motoristas com cliente diretamente. A vantagem estava clara: um custo incomparável, uma quantidade de clientes superior e corridas sempre cheias. Para os clientes, menos tempo de espera, a escolha garantida do taxi mais próximo e mais segurança. Esse esquema deveria acabar com os rádios taxis em pouco tempo (a melhor prova é que eles estão tentando atacar legalmente este software...).

O software foi criado em Nova York por um cliente frustrado de esperar para o motoboy encarregado de livrar a Pizza dele. Ele montou uma empresa onde os clientes registrados podiam seguir o caminho das suas pizzas porque cada moto ou bicicleta tinha um GPS. Esse sistema foi usado para taxis e aqui estamos. A Nokia provavelmente matou a Kodak sem querer, no dia que decidiu colocar câmeras “de graça” na maioria dos fones que vendia, imitada pelos outros.

A Google poderia acabar com empreses de telefone móveis se sua iniciativa O.3.B. der certo. As O.3.B. deveria lançar satélites dando acesso de graça a telefonia para vários países da África. Se isso funciona, nada os impediria de generalizar para o mundo. Se um dia a Google quiser pedir a cada um para ter esse livre acesso a telefonia móvel por satélite de abrir uma conta num banco de varejo virtual, a “Google Bank” poderia se tornar o maior banco de varejo.

Vivemos hoje num mundo onde as rupturas tecnológicas, mas também de meio-ambiente, sociedade, geopolítica e de valores estão acelerando e saindo dos confortáveis padrões que conhecemos ate agora.

Um livro chamado Wikinomics lançou o conceito do que o fenômeno de fonte aberta (open source) ia desafiar o modelo do capitalismo tradicional, a crise de 2008 faz vacilar o “capitalismo financeiro” e emergem gritos para um “Capitalismo Autentico” até nas escolas de Wharton e Harvard que nunca foram exemplo de vanguarda e socialismo... Hoje, meu colega e amigo, o futurólogo Gerd Leonhard e eu falamos de Economia de Rupturas porque essas estão acontecendo e podem estar vistas como ameaças ou oportunidades, dependendo do seu nível de preparo.

Como uma empresa pode se dar bem nessa “economia de rupturas?”

A Economia de Ruptura terá três consequências maiores sobre as empresas e as desafiará em três níveis:

1) Estratégia: no momento a estratégia é o privilegio da diretoria. Inconscientemente, trata-se de “adivinhar o futuro”. A estratégia acaba sendo um documento, acompanhado de planos de ações e “roadmaps” para que essa “aposta no futuro” se realize. Esse documento, feito em isolação do resto dos funcionários, terá que ser “vendido” para eles depois pela Diretoria.

A Economia de Ruptura com suas oportunidades pega “na hora” e suas ameaças “imediatas” requerem uma proatividade superior e, caso essa tenha falhado gera uma reação muita mais rápida. A solução está em criar uma “organização inteligente”.

Assim como o cérebro humano, do qual a capacidade analítica consciente esta limitada a 50/70 bits/second quando o cérebro recebe cerca de 11 bilhões de bits/second, a Diretoria não esta mais capaz de analisar todos os dados que recebe e deveria estar conectando no seu universo competitivo. Criar uma organização inteligente é um pouco como se o corpo humano parasse para ajudar o cérebro consciente, em que equipa os milhões de sensores da nossa pele a fim que cada um possa analisar, refletir e tomar decisões.

Para criar uma organização inteligente, a Diretoria tem que compartilhar o propósito estratégico da empresa. Ela tem que “capacitar” os funcionários para entender, analisar e decidir ao seu nível. Uma organização inteligente é mais ágil, inovadora, empreendedora que uma organização tradicional.

Em relação ao modelo antigo, as vantagens seriam...

Ela tem várias vantagens sobre o modelo tradicional:

- Um nível de desenvolvimento dos funcionários superior: todos entendem o propósito estratégico da empresa e cada um pode, ao seu nível, pensar o que fazer para criar, impedir uma ruptura.

- Ela tem dezenas de pessoas “escaneando a periferia” no sentido que, muito motivadas e capacitadas, as pessoas que trabalham para essa empresa se sentem “donos do negócio”. Eles se acham autorizados e até responsáveis de pensar, no dia a dia, sobre as oportunidades/ameaças de rupturas. Elas estão captadores de noticias que podem impactar a empresa.

- Elas estão muito mais preparadas a mudanças porque cada um entendo o como e o porque elas estão necessárias.

A segunda consequência, então, seria?

A organização. Uma organização de tipo piramidal e hierárquica não apoia a mudança de estratégia para o processo de estratégias. Ela continuará exigir a seguir a linha de comando hierárquica, impedindo iniciativas e atrasando o tempo de reação.

As organizações mais capazes de se adaptar na Economia de Rupturas serão mais “orgânicas”. Elas terão um forte propósito estratégico compartilhado (continuando a metáfora do corpo humano, seria “nos manter vivos”), menos hierárquica e burocracia. As pessoas estarão encorajadas a conectar mais entre elas. Uma Google vem obviamente na mente.

A terceira consequência será Liderança. E nada disso acontecerá se permanecemos com os dois “pecados mortais” da liderança brasileira:

- A distância do Poder: onde tanto os liderados e seus lideres mantêm uma distância formal e informal entre eles, criando desconfiança, controle, burocracia e medo. Isso esta totalmente retro guarda e não cabe dentro do esquema organizacional de uma empresa de ruptura.

- Medo do conflito e evitando feedback: o conflito criativo será necessário para criar rupturas ou se defender contra elas. Evitar, tentar de adivinhar a resposta que o chefe quer ouvir são comportamentos herdados dos tempos da escravidão e não estão mais toleráveis nas empresas do futuro.


]]>
O futuro da internet e da comunicação sob a ótica de Pierre Lévy //www.administradores.com.br/entrevistas/academico/o-futuro-da-internet-e-da-comunicacao-sob-a-otica-de-pierre-levy/117/ //www.administradores.com.br/entrevistas/academico/o-futuro-da-internet-e-da-comunicacao-sob-a-otica-de-pierre-levy/117/ Fri, 22 Mar 2013 10:13:39 -0300 Fábio Bandeira de Mello e Simão Mairins O futuro da internet e da comunicação sob a ótica de Pierre Lévy

Reverenciado como um dos principais filósofos dos últimos tempos, o francês Pierre Lévy é, sem dúvida, um otimista sobre o futuro da sociedade. Conversamos com o estudioso e questionamos alguns desses pontos. O resultado está a seguir

Através de conceitos como “espaços de conhecimento” e “cosmopédia”, ele já prenunciava o surgimento da Wikipédia e a eficácia da disseminação das redes de comunicação digital. Há algumas décadas, aborda as implicações da tecnologia na sociedade, o que culminou em teorias mundialmente conhecidas como a cibercultura e a inteligência coletiva. 

Esse é Pierre Lévy, filósofo francês que não esconde seu posicionamento positivo sobre os ganhos da internet e da comunicação para a sociedade. Em um papo sem rodeios, a Administradores conversou com o estudioso e trouxe alguns contrapontos para o filósofo responder em uma verdadeira troca de ideias.

O mundo está passando por um momento de reconfiguração de suas estruturas políticas, econômicas e, portanto, sociais. Qual o papel da internet nisso tudo?


Um papel extremamente importante. A infraestrutura da comunicação se remodelou, e nós ainda não vimos todas as consequências políticas, econômicas e culturais dessa revolução. Nós deveríamos compará-la à invenção da escrita.

Quando conceitua o virtual, você o define como tudo aquilo que tem potência para ser, embora ainda não o seja. Como você analisa, sob a luz dessa concepção, o contexto das mobilizações virtuais atualmente?

Em relação ao “poder de se tornar”, eu diria que a internet abre um novo espaço para a liberdade de expressão, porque todos podem publicar, editar e colher informações – mesmo que não tenha nenhum poder econômico. Duas forças se opõem à atualização deste novo poder: governos ditatoriais, que tentarão ao máximo limitar a expressão do povo, e a falta de alfabetização e educação, para usar ao máximo esse ambiente de comunicação.

Você é bastante otimista ao tratar das possibilidades do ciberespaço em favor da democracia em todos os âmbitos. Como você enxerga as restrições que grupos de poder vêm buscando impor à internet? A rede é mesmo livre e incontrolável?


Eu já comentei sobre governos ditatoriais que tentam limitar a liberdade de expressão. Em relação a grandes empresas da internet como Facebook, Google, Twitter, Amazon e afins, talvez seja bom que elas estejam competindo. As barreiras como a falta de transparência e de interoperabilidade são passageiras. Você não pode esperar que tudo seja perfeito agora. Nós devemos medir e apreciar o progresso a partir dos últimos 10 anos e trabalhar para melhorar futuramente.

Você defende que a internet abre possibilidades para o surgimento de uma "inteligência coletiva". O mau uso das ferramentas, o excesso de exposição e a banalidade dos temas repetidos e compartilhados à exaustão, por outro lado, não estariam pondo abaixo essa tese?

Apesar de ser contra a censura, não condenarei a estupidez e a banalidade, que são parte da natureza humana e que existem de qualquer forma na mídia tradicional. Meu esforço é para mostrar como nós podemos explorar as novas possibilidades da comunicação a serviço da inteligência coletiva e do desenvolvimento humano.

Com a multiplicação de gadgets, estamos todos cada vez mais virtualmente conectados. Trabalhamos com um computador, saímos conectados com o smartphone, que substituímos pelo tablet quando estamos em casa. O cibernético não estaria matando o orgânico?

Isto é um absurdo, nós sempre usaremos o nosso corpo. O tablet é apenas muito mais prático e poderoso que uma folha de papel estática. A tecnologia é uma extensão do homem, não um substitutivo.

O fato de os serviços necessários à existência da internet estarem vinculados - na maior parte das vezes - a interesses empresariais pode trazer de volta a velha lógica "massificadora" da comunicação e minimizar a importância da informação compartilhada? Em outras palavras: existe futuro para o princípio da neutralidade da rede?

Interesses empresariais não são um mal em si. Negócios oferecem serviços e criam valores. Se você observar a espiral da comunicação, testemunhará que a massificação foi precisamente o efeito da mídia tradicional, e que a diversificação e personalização é o principal efeito do novo ambiente de comunicação. Vá ao Twitter e à blogosfera e veja você mesmo!

]]>
A atuação feminina no mercado de Administração no Brasil //www.administradores.com.br/entrevistas/carreira/a-atuacao-feminina-no-mercado-de-administracao-no-brasil/116/ //www.administradores.com.br/entrevistas/carreira/a-atuacao-feminina-no-mercado-de-administracao-no-brasil/116/ Fri, 08 Mar 2013 11:55:10 -0300 Redação com Assessoria do CRA-SP A atuação feminina no mercado de Administração no Brasil

O presidente do CRA-SP, Walter Sigollo, fala sobre a atuação feminina na área

O mercado de trabalho cada vez mais conta com a participação e a diferenciação de mulheres em suas profissões. Com um histórico de conquistas, elas têm sido atuantes de maneira crescente na carreira de Administração.

E para falar sobre a atuação feminina na área, Walter Sigollo, presidente do Conselho Regional de Administração – CRA-SP, nos concedeu uma entrevista exclusiva. Confira:

Como tem sido a ascensão das administradoras no mercado de trabalho?

O crescimento é significativo no mercado de trabalho da Administração. Segundo a “Pesquisa Nacional 2011 – Perfil, Formação, Atuação e Oportunidades de Trabalho do Administrador”, realizada pelo Conselho Federal de Administração(CFA), o número de administradoras no Brasil cresceu 67% de 1994 a 2011.

É um número significativo que acompanha a própria expansão da presença feminina no mercado de trabalho e os dados do Censo 2010 publicados pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, segundo os quais as mulheres têm um nível de instrução maior do que o dos homens. Enquanto em 2010, o percentual de homens com pelo menos o superior de graduação completo foi de 11,5% entre a população que trabalha, o das mulheres ocupadas chegou a 19,2%.

Outra pesquisa, a Global Entrepreneurship Monitor, realizada pelo Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, também aponta o crescimento de mulheres que comandam os novos negócios brasileiros: 49,6% dos que iniciam a carreira empresarial são do sexo feminino.

Que atributos das mulheres administradoras contribuem para a gestão das empresas?

O estilo de liderança feminina possui aspectos que vão ao encontro do que as empresas mais valorizam e preconizam: empatia, autoconhecimento, capacidade de lidar com muitas e diferentes tarefas e resiliência. Com essas qualidades, não será por acaso se, em pouco tempo, a sociedade chegar ao ponto de equilíbrio em itens ainda a serem superados, como é o caso da equiparação da remuneração.

O que falta para as mulheres alcançarem mais cargos de liderança nas empresas?

Pessoalmente, acho que essa conquista vem acontecendo, talvez não no ritmo que a sociedade e, particularmente, as mulheres desejem, mas vem acontecendo. Acho que as empresas devem continuar nesse caminho de dar mais condições para que as mulheres possam equilibrar a ascensão profissional com a maternidade, a exemplo das organizações que, por conta própria, aumentam o período de licença-maternidade e oferecem creches para as funcionárias. Não creio que seja necessário implementar um regime de cotas obrigatório, por exemplo.

Como o CRA-SP reconhece as mulheres administradoras?

Atualmente, 34% dos administradores registrados no CRA-SP são do sexo feminino. É um número crescente e significativo, sem dúvida. Por isso, sempre procuramos reconhecer o sucesso profissional das administradoras em todo o Estado.

Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza, Andrea Figueiredo Alvares, presidente da divisão de bebidas da Pepsico, e Karla Bertocco Trindade, diretora geral da Artesp, são exemplos de administradoras quejá foram homenageadas pelo Conselho em razão do trabalho que têm feito em prol do aprimoramento da profissão no Brasil e do desenvolvimento da sociedade.

]]>