Sancionada no final de 2012 pela Presidente Dilma Rousseff, a lei que cria o vale-cultura está sendo regulamentada e deve estar pronta para iniciar o repasse de benefícios até a metade de 2013. O vale-cultura, para os desavisados, é a nova 'bolsa' do governo brasileiro que agora visa a garantir o acesso dos trabalhadores à cultura e ao entretenimento. O vale deve ser pago por empresas que aderirem à iniciativa aos trabalhadores que tiverem interesse em receber o benefício. O valor de 50 reais (por trabalhador) pode ser debatido do Imposto de Renda das empresas e gasto apenas com produtos e em atrações que estejam cadastradas no programa do vale-cultura. Segundo a maior defensora do vale-cultura, a Ministra da Cultura Marta Suplicy, o vale-cultura poderá injetar mais de 11 bilhões de reais na cadeia produtiva da cultura do entretenimento, um montante de recursos nunca antes disponível para o consumo direcionado a este ramo. Visto isso, é importante que o administrador e gestor de empresas e organizações que vendem cultura e entretenimento compreendam o que o vale-cultura significa para o país e para o setor em questão. Se confirmada a injeção da cifra bilionária referida, os setores que estão habilitados para se beneficiarem do vale-cultura terão uma possibilidade de ganhos que supera em mais de três vezes o orçamento de 2013 do Ministério da Cultura (MinC) – 3 bilhões de reais. Em termos empresariais, os recursos disponíveis para o gasto com cultura apresentarão um novo cenário para as empresas e organizações deste ramo. Nunca, na história do Brasil, existiu uma injeção tão massiva de dinheiro neste setor. Além disso, deve-se observar que os recursos virão de um grupo de consumidores com perfil e gostos específicos, restando para as empresas o papel de conseguir ofertar produtos culturais adequados a essa nova leva de consumidores habilitados. Ainda assim, como uma moeda, o vale-cultura possui dois lados. Por mais que possa significar uma injeção recorde de recursos no setor em questão, não se pode ignorar o fato de que esse instrumento de repasse de dinheiro, por acontecer através de renúncia fiscal do governo, deveria ser realizado juntamente com uma diminuição equivalente dos gastos do governo, visto que esses valores não mais estarão disponíveis para o gasto. Além disso, por direcionar o consumo de uma parcela da população, o governo 'escolhe' o setor que é beneficiado e que receberá os recursos, em detrimento de outros. É, assim, uma medida dirigista que coloca o governo em uma posição de poder escolher o que a população deve consumir.