Atualmente o papel do pedagogo tem sido tema de grande discussão no campo acadêmico. Até duas décadas atrás, o campo de trabalho do pedagogo se restringia à educação infantil e fundamental, e ainda hoje encontramos profissionais, formandos e formadores que acreditam e aceitam somente esta área de atuação do pedagogo. Considerando que pedagogia é a ciência cujo objetivo é a reflexão, ordenação, sistematização e crítica do processo educativo, visá-la apenas na formação de professores é sem dúvida um ato reducionista. A pedagogia é, então, uma área de estudo da prática educativa como componente integrante da atividade humana, não se referindo apenas às práticas escolares, mas a um enorme conjunto de outras práticas. O objetivo principal deste artigo é ampliar o conhecimento a cerca da atuação do pedagogo em ambientes não escolares, discutindo neste caso, seu papel como assessor na difusão cultural e na comunicação de massa. Difusão cultural é a movimentação de características culturais e idéias de uma sociedade à outra, ou seja, a troca mútua de costumes, práticas e ações sociais. Essa difusão pode ocorrer de diversas formas, porém discutiremos aqui como principal via a comunicação de massa como jornais, revistas, televisão, internet, etc. No Brasil, temos como pioneira nesse trabalho de difusão cultural no âmbito educacional a TV Cultura, inaugurada em junho de 1969. Juntamente com a TV Globo produziu Vila Sésamo, programa infanto-juvenil que durou de 1972 a 1977, passando a ser especialista em programas infantis educativos como Bambalalão, Ra-Tim-Bum, Castelo Ra-Tim-Bum, X-Tudo, Glub-Glub e Cocoricó. Fundou ainda em 2003, a TV Ra-Tim-Bum, canal brasileiro dedicado apenas ao público infantil. Outra grande referência nesse trabalho é a TV Globo com a série Telecurso, Ação, Globo Ciência, Globo Ecologia, Globo Educação, Globo Universidade e TV Globinho, este último também dedicado ao público infantil. Devo citar ainda os cadernos infantis comercializados juntamente aos jornais, revistas educativas como as da Editora Abril S/A, além da importação de canais de grande importância neste segmento como Discovery Channel, The History Channel, National Geographic, Discovery Kids, Nickelodeon, Cartoon Network e Disney Channel. Apesar de se tratar da área de comunicação, a preocupação com produções educativas de qualidade abriu um notável espaço para educadores, em especial pedagogos. Com o avanço tecnológico, este campo cresceu mais ainda com a criação de canais educativos e interativos na internet, que permitem e incentivam ao estudo e à pesquisa, sendo a maioria elaborados e ou orientados por pedagogos. Podemos perceber, ao ler estas informações que o papel do pedagogo é amplo e talvez pouco explorado, uma vez que a grande maioria dos profissionais se dedica à escola. Na escola, podemos perceber que muitas vezes o processo escolar está à parte da vida cotidiana de seus educandos. Essa separação dos conteúdos escolares da vida dos alunos empobrece o processo educativo uma vez que, para o educando, o aprendizado deve apresentar sentido e significado. O professor deve então buscar e ou criar relações no processo escolar e na vida cotidiana dos educandos, afinal, essas relações traz incertezas dos alunos, tendo a preocupação de questionar a realidade. Além do mais, os valores e cultura presente nos meios de comunicação são altamente significativos e presentes na vida do educando, e trazer esses valores e culturas para a sala de aula pode resultar num melhor aprendizado aproveitando a experiência que os alunos têm. Devido a essa separação, que até pouco tempo atrás existia em todos os métodos pedagógicos, foram surgindo novos caminhos e oportunidades de atuação do pedagogo nos meios de comunicação, a fim de conquistar esse público e seus familiares garantindo grandes ganhos no setor. Nasce assim a chamada Pedagogia da Comunicação, que é a elaboração de estratégias, atividades e instrumentos que permitam o aprendizado através dos meios de comunicação. Porém, deve-se ser cauteloso quando se trabalha nessa área, pois crianças e adolescentes são muito influenciados por esses meios de comunicação, e tendem a reproduzir aquilo que não pertence à subjetividade. O pedagogo vive nessa situação um verdadeiro dilema, tendo de um lado a lógica do mercado que cria e reproduz a ideologia dominante e do outro a responsabilidade de promover a aprendizagem a seus “interlocutores” imparcialmente, ou seja, mostrar problemas sociais, certezas e incertezas, que impulsionam o questionamento da realidade independente da ideologia dominante. Mas, qual lado pesa mais nesse dilema? Uma pergunta difícil de responder. Quando se adentra o campo da Ética torna-se complicado fugir de dilemas, quanto mais éticos somos mais dilemas temos que enfrentar. Devemos sempre lembrar que nós temos autonomia, livre arbítrio e opções de escolha, porém não temos soberania, somos responsáveis pelo próximo e nossa convivência. Hoje tudo tem valor mercadológico, e neste caso, a aprendizagem deve ser vista e tratada dentro da conduta ética e profissional, tendo como objetivo principal a boa qualidade da informação e formação, suprindo as necessidades de consumo de seus “clientes”, proporcionando a eles um senso crítico perante a realidade. É essencial que o profissional da área reflita sobre a importância da comunicação no mundo atual e qual seu papel na construção do mundo e do Ser, afinal a escolha é sua, mas a conseqüência pode afetar muitas outras pessoas influenciando, deturpando sua visão de mundo. Num mundo globalizado e cada vez mais competitivo, onde as informações circulam gratuita e rapidamente, as empresas necessitam de profissionais éticos, conscientes de seu papel na sociedade, compromissados com o desenvolvimento humano e abertos a valores de dignidade, preservação, respeito e amor. E os pedagogos têm apresentado grande diferencial no ramo empresarial, conduzindo e desenvolvendo pessoas, transformando e iluminando conceitos a fim de promover uma organização, uma sociedade mais participativa, com seriedade e responsabilidade.