A insatisfação profissional

Uma das premissas básicas para ser feliz profissionalmente é: aprender amar o que se faz ou buscar fazer o que se ama

Tem sido comumente andar pelos corredores de algumas grandes empresas e se deparar com o olhar de funcionários insatisfeitos, desacreditados e sem uma fagulha se quer de esperança, de um futuro melhor. 

Quando somos contratados, um mar de esperança invade nossos corações. Sonhamos em construir uma carreira de sucesso, aprender novas rotinas de trabalho, fazer novos amigos e acima de tudo trazer resultados para a organização que creditou em nossas habilidades. 

Com o passar do tempo um colcha de retalhados nos envolve, a chamada zona de conforto vai se instalando pouco a pouco. Ao mesmo tempo que nos sentimos seguros em nossa rotina de trabalho, nos sentimos também frustrados. A esperança que outrora inundou nosso coração, passa a dar lugar ao tédio. 

Ao contrário do que muito se pensa ou se fala, o antônimo de felicidade não é tristeza (em minha opinião) mas sim, tédio. Quer ver um exemplo? Tristeza tem a ver com lágrimas e prantos, porém somos também capazes de chorar de felicidade. O tédio é capaz de roubar o seu sorriso, por isso buscamos preencher todas as lacunas do nosso tempo, para não ser anestesiado com esse tipo de situação.

Estamos a todo momento tentando ocupar nosso tempo com atividades que nos trazem satisfação ou que de certa forma amenize o nosso estado tedioso. Se você na maioria das vezes esta entediado com sua função ou carreira, é hora de rever seus conceitos, pois é um sério sinal de insatisfação profissional.

Através de políticas meritocráticas, ganhos sobre produtividade, comissões, participação nos lucros, 14 salário ou qualquer outra medida paliativa, empresários e administradores, tentam a todo custo combater essa anomalia (por assim dizer) a qual se instalou no âmago de muitos negócios. 

Lutamos com o inimigo oculto. Não sabemos ao certo o que nos leva a insatisfação pessoal. Como bem falei acima, o dinheiro pode até lhe dar um certo prazer momentâneo, porém ele não compra sua felicidade profissional. 

Conheço inúmeros empregados com ganhos muito acima da média e que se encontram em um estágio de letargia profissional. Tentam a todo momento alcançar novas metas mas, acabam estacionando no mesmo lugar. 

Podemos nos motivar por um certo tempo com um aumento de salário, mas o fato é que se não nos sentirmos parte do negócio, dificilmente teremos o chamado sangue no olho ou quem sabe hungry for change (tradução literal - fome de mudança).

Vejo que boa parte da demostivação profissional provêm da falta de autonomia. Biil Gates certa vez disse o seguinte:

" A visão é realmente sobre delegar poderes aos funcionários, dando-lhes toda a informação sobre o que está acontecendo, de modo que eles possam fazer mais do que faziam no passado ". 

Em suma e reitero o que foi dito acima, tome como exemplo a história de uma grande amiga minha, a qual saiu do funcionalismo público (ganhando seus 15 mil reais por mês e sem muitas responsabilidades) firmou sociedade com seu marido para fundar uma empresa de doces para festas infantis. Atualmente ela fatura mensalmente menos que do que ganhava em sua carreira pública.

Se você quer conhecer seus funcionários, dê a eles poder. Dessa forma você poderá entender melhor o que eles almejam dentro do seu negócio. 

Reconheço que a insatisfação profissional é algo relativo. Se por ventura você procura estabilidade, dificilmente será feliz em um emprego instável ou com alta rotatividade.

Para sermos felizes profissionalmente é necessário fazermos uma introspecção, buscar entender os nossos anseios e o que almejamos para nossa vida corporativa. Procure gostar do que você faz ou rompa a barreira do medo, saia do comodismo e busque fazer o que se ama. 

Por fim e sem mais, deixo aqui uma dica para você que busca alcançar sua satisfação no ambiente de trabalho: Não trabalhe somente pelo dinheiro, pois quem trabalha somente pelo dinheiro, jamais encontrará sua paz profissional.

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