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Afetividade e Aprendizagem: Relação professor e aluno

Este estudo trata da afetividade e aprendizagem na relação professor/aluno, definindo como resultado imprescindível a atender os anseios dos alunos na sua aprendizagem. Afetividade é se preocupar com seus alunos é reconhecê-los como indivíduos autônomos em busca de sua identidade. Esta relação é uma condição do processo ensino/aprendizagem, ela dinamiza e dá sentido ao processo educativo.

Maria Célia,

RESUMO:

 

 

Este estudo trata da afetividade e aprendizagem na relação professor/aluno, definindo como resultado imprescindível a atender os anseios dos alunos na sua aprendizagem. Afetividade é se preocupar com seus alunos é reconhecê-los como indivíduos autônomos em busca de sua identidade. Esta relação é uma condição do processo ensino/aprendizagem, ela dinamiza e dá sentido ao processo educativo.

 

Palavras chave: afetividade, aprendizagem, professor, aluno.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO:

 

            A Esse estudo foi realizado no Ensino Fundamental, do primeiro ao quinto ano de escolaridade da Rede Pública de Ensino do Município de Paracambi. (faixa etária 9 e 12 anos). Os alunos desta fase necessitam de um maior envolvimento, pois estão no início de sua “construção” e acreditamos que o afeto motiva o comportamento e os levará a uma melhor aprendizagem. A importância desta relação para o sucesso do aluno em sua vida estudantil é fundamental, de forma que a predileção do estudante por algumas disciplinas, muitas vezes passa por gostar ou não de um determinado professor. Não podemos viver sem afetividade e a vivência desta alicerça o caráter do sujeito refletindo em toda a conduta humana.

            O mundo tem atravessado grandes transformações que afastam o homem de sua essência interferindo nas relações interpessoais no contexto ensino-aprendizagem- afetividade: relação professor-aluno.

             Considerando que a escola é um campo de vivência e cidadania é preciso que ela possa trazer no seu alicerce o ideal de proporcionar aos educandos momentos prazerosos de aprendizagem, por esta razão a grande importância do bom relacionamento afetivo entre docentes e discentes dentro da escola.

Sou professora da Rede Pública Municipal de Ensino e durante alguns anos inserida no contexto da  sala de aula, hoje atuo como diretora e observo que no dia a dia com o aluno e observando o  trabalho do professor muitas vezes podemos constatar entre ambos uma relação não compreendida. Há momentos em que o ambiente da sala de aula se transforma em uma pequena repressão, administrada sob o olhar atento do professor que se encarrega de ser o chefe. Este perfil  se dá por conta da falta de limites que o alunos traz consigo e das dificuldades do professor em  lidar com tais questões.

O processo de aprendizagem pode ser beneficiado quando professor e aluno  buscam conhecimentos mútuo de suas necessidades, tendo consciência de sua forma de relacionar-se, respeitando as diferenças. O professor em sala de aula deverá contribuir para desenvolver em seus alunos a auto-estima, a estabilidade, tranquilidade, capacidade de contemplação do belo, de perdoar, de fazer amigos e de socializar-se. Assim sendo, as instituições escolares não podem dispensar tais conceitos de seu currículo, devendo estimular uma rede mais generalizada de afetividade nas relações interpessoais, no âmbito escolar, e trabalhando intensivamente para gerar oportunidades de integrar o homem na sociedade.

É importante ressaltar neste estudo que a afetividade, por sua vez, tem uma concepção mais ampla e complexa, envolvendo uma gama de manifestações e sentimentos de origem psicológica e biológica.

            Com base nessas reflexões podemos situar a seguinte questão a ser estudada: Como a afetividade contribui para aprendizagem do aluno do primeiro segmento do ensino fundamental? Como hipótese   para a questão desse estudo podemos dizer que a concepção bancária pode ser a grande responsável, com suas diversas ações, pela falta de afeto entre professor e aluno levando-se em conta o professor com baixa remuneração que se deixa influenciar na relação afetiva  com o aluno.

             Henri Wallon, (2003) considera a pessoa como um todo. Afetividade, emoções, movimento e espaço físico que se encontram num mesmo plano. As emoções para o autor têm papel preponderante no desenvolvimento da pessoa.

            O objetivo deste estudo é refletir sobre a importância do relacionamento afetivo entre professor e aluno dentro das Instituições de Ensino, buscando fundamentação teórica que possibilite ao professor uma melhor compreensão da importância dessa relação, assim como de suas próprias relações interpessoais  que envolvem a escola e suas diretrizes e estudar as conexões entre o desenvolvimento da afetividade do aluno e o sentimento de responsabilidade social do sujeito.

Os procedimentos metodológicos nos fazem entender que o embasamento teórico é de fundamental importância para a pesquisa, pois oferece fundamento para o referido estudo.

Dividida em quatro capítulos, esta pesquisa oferece aos educadores informações e reflexões sobre a importância da afetividade no processo ensino-aprendizagem. O primeiro capítulo busca uma definição para o tema em questão fazendo uma abordagem sobre as teorias de alguns autores; o segundo capítulo busca questionamentos acerca da importância do relacionamento  interpessoal professor-aluno, enfocando a escola e a família como mediadores na relação afetiva, e expressa ainda a importância da formação do educador para a conquista da cidadania; o terceiro capítulo discute as ações implementadas utilizadas pelo professor, levando-o a refletir sobre suas prática pedagógica; o quarto capítulo trata do importante papel da psicopedagogia na aprendizagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


CAPÍTULO  I - AFETIVIDADE: ALGUNS PRESSUPOSTOS

 

1.1   – Conceito de Afetividade:

 

A afetividade pode ser definida segundo diferentes perspectivas, dentre outras, a filosófica, a psicológica e a pedagógica. Neste estudo a afetividade é abordada na perspectiva  pedagógica, tendo em vista a relação educativa que se estabelece  entre professor e aluno em sala de aula.

A palavra afeto vem do latim “affectur” (afetar, tocar)  e constitui o elemento básico da afetividade.

Segundo caracterização da Enciclopédia Larrousse Cultural. (1998), a afetividade  é o conjunto de fenômenos psíquicos em que se manifestam sentimentos, paixões, acompanhados sempre  da impressão de dor, insatisfação, agrado ou desagrado, alegria ou tristeza.( p, 156 )

O afeto é a parte de nosso psiquismo responsável pela maneira de sentir  e perceber a realidade. A afetividade é, então, a parte psíquica responsável pelo significado sentimental de tudo que vivemos. Se algo que vivenciamos está sendo agradável, prazeroso, sofrível, angustiante, causa medo ou pânico, ou nos dá satisfação, todos esses conceitos são atribuídos pela nossa afetividade. A afetividade é impulsionada pela expressão dos sentimentos, das emoções, e desenvolve-se por meio da formação do sujeito.

Podemos constatar que o amor, carinho, compreensão, respeito, amizade, afeto, solidariedade, atenção e companheirismo têm uma forte chance de constituir o núcleo central da representação da afetividade. A concepção de afetividade em relação professor/aluno evidencia que ela emerge como um sentimento, uma atitude, um estado  e uma ação. Enquanto sentimento, a afetividade aparece no discurso dos participantes de duas maneiras: primeiro  concebida com amor, carinho e afeição entre as pessoas, trata-se de um sentimento que nasce na interação entre os seres humanos na relação interpessoal. A afetividade é um estado de afinidade profunda entre os sujeitos. Assim, na interação afetiva com outro sujeito, cada sujeito intensifica sua relação consigo mesmo, observa seus limites e, ao mesmo tempo, aprende a respeitar os limites do outro. A afetividade é necessária na formação de pessoas felizes, éticas, seguras e capazes de conviver com o mundo que a cerca. No ambiente escolar afetividade é além de dar carinho, é aproximar-se do aluno, saber ouvi-lo, valorizá-lo e acreditar nele.

As psicólogas Cláudia Davis e Zilma de Oliveira em seus estudos retratam que,

 

A presença do adulto dá a criança condições de segurança física e emocional que a levam a explorar mais o ambiente e, portanto a aprender. Por outro lado, a interação humana envolve também a afetividade e a emoção como elemento básico. (1998:83:84).

 

 

De acordo com o exposto as emoções estão presentes quando estabelecemos relações com objetos físicos, concepções ou outros indivíduos. Afeto e cognição constituem aspectos inseparáveis, presentes em qualquer atividade. A afetividade se estrutura nas ações dos indivíduos. O afeto pode, assim, ser entendido como energia necessária para que a estrutura cognitiva possa operar. Ele influencia a velocidade com que se constrói o conhecimento, pois, quando as pessoas se sentem seguras, aprendem com mais facilidade.

Segundo Morales (1998:61) “a conduta do professor influi sobre a motivação, afetividade e a dedicação do aluno ao aprendizado”. Podemos reafirmar que o aluno se vê influenciado por sua percepção em relação ao professor. O professor deve sempre reforçar a autoconfiança dos alunos, manterem sempre uma atitude de cordialidade e de respeito.

 

 

 

1.2   – Afetividade segundo Henri Wallon

 

     Para Henri Wallon, a evolução afetiva está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento cognitivo, visto que difere sobremaneira entre uma criança e um adulto, supondo-se a partir disto que há uma incorporação de construções de inteligência por ela, seguindo a tendência que possui para racionalizar-se.

     Observamos, portanto, a inigualável importância dos aspectos afetivos para o desenvolvimento psicológico, é por meio das emoções que o aluno exterioriza seus desejos e vontades. Em geral são manifestações que expressam um universo importante e perceptível, mas pouco estimulado pelos módulos tradicionais de ensino. A emoção é altamente orgânica, altera a respiração e os batimentos cardíacos, causa impacto no outro e tende a propagar-se no meio social. A afetividade é um dos principais elementos do desenvolvimento humano. Conforme as idéias de Wallon (2003), a escola infelizmente insiste em imobilizar a criança numa carteira, limitando justamente a fluidez das emoções e do pensamento tão necessária para o desenvolvimento completo da pessoa.

     Falar de afetividade na relação professor/aluno é falar de emoções, disciplina, postura do conflito do eu e do outro. Isto é uma constante na vida da criança, em todo o meio do qual faça parte, seja a família, a escola ou outro ambiente que ela freqüente estas questões estão sempre presentes.

     Para o autor, as teorias sobre emoções têm base mecanicistas e difíceis de serem compreendidas. Primeiro ele as vê como reações incoerentes e tumultuadas, depois destaca o poder ativador que têm as emoções consideradas por ele positivas. O estudo da criança  exigiria o estudo do/ ou dos meios onde ela se desenvolve. O papel da afetividade no processo de mediação do professor direciona o olhar para a relação professor/aluno. Entretanto é possível supor que a afetividade também se expressa sob outras dimensões humanas.         

     Nesse sentido o autor quer dizer que a sociedade intervém no desenvolvimento psíquico da criança através de suas repetidas experiências e das dificuldades para ultrapassá-las, já que a criança, diferentemente  de outros seres vivos, depende por muito tempo de seus semelhantes “adultos”. A dimensão afetiva é de fundamental importância para Wallon, seja do ponto de vista da construção da pessoa ou do ponto de vista do conhecimento, sendo marcante para o desenvolvimento da espécie humana, que se manifesta a partir do nascimento e estende-se ao longo dos anos de vida de uma criança.

            Uma criança “normal,” quando já esta se relacionando afetivamente bem com o seu meio ambiente, principalmente com a mãe, sente necessidade de ser objeto de manifestações afetivas para que,  assim, seu desenvolvimento biológico  seja normal. É comum acontecerem reviravoltas nas condutas da criança e nas suas relações com o meio, o qual é de suma importância para a existência da criança. O autor acredita haver esta reviravolta desde o período fetal, prolongando-se além do nascimento. Aos três anos escolares iniciam-se os conflitos interpessoais, onde a criança opõe-se a tudo que julga diferente dela.  Verificamos que no cotidiano escolar a maneira de agir da criança vai corresponder a alguns princípios afirmados nas etapas anteriores, tal como descritas por Wallon. Princípios estes necessários para evitar crises penosas pelas quais a maturação da criança e o seu eu psicológico podem passar. É na escola que a criança começa a emancipar-se da vida familiar, nesse período é necessário disciplina, uma disciplina de ordem maternal.

     A escola na figura do professor precisa compreender o aluno e seu universo sócio-cultural. Conhecer esse universo é de grande eficácia para o trabalho do professor que atua no plano universal, cultural e pessoal. O professor tem que colocar acima de tudo sentimento de amor, carinho e respeito na sua relação com o aluno. Rangel nos faz refletir quando diz:

 

Acreditamos que a escola deve se ocupar com seriedade com a questão do “saber,” do “conhecimento”. Se um professor for competente, ele, através de seu compromisso de educar para o conhecimento, contribuirá com a formação da pessoa, podendo inclusive contribuir para a superação de desajustes emocionais ( 1992: 72 ).

 

            Assim sendo, a prática educativa na escola deve primar pelas relações de afeto e solidariedade, proporcionando situações que dê prazer ao aluno de construir conhecimentos e de crescer junto com o outro.  

 

1.3 – Afetividade segundo Vygotsky

 

     Para Vygotsky (1996:78), relação professor/aluno não deve ser uma relação de imposição, mas, sim de cooperação, de respeito e de crescimento. O aluno deve ser considerado como um ser interativo  e ativo no seu processo de construção do conhecimento.  O professor  por sua vez deverá assumir um papel fundamental nesse processo, como um sujeito mais experiente. Por essa razão cabe ao professor considerar o que o aluno já sabe, sua bagagem cultural é muito importante para a construção da aprendizagem. O professor é o mediador da aprendizagem facilitando-lhe o domínio e a apropriação dos diferentes instrumentos culturais.

     Segundo o autor, a construção do conhecimento se dá coletivamente, portanto, sem ignorar a ação intrapsíquica do sujeito. Assim o autor conceituou o desenvolvimento intelectual de cada pessoa em dois níveis: real e potencial. O real é aquele já adquirido e formado que determina o que a criança já é capaz de fazer por si própria já possui um conhecimento consolidado. A abordagem do autor é de fora para dentro, através da internalização, ele afirma que o conhecimento se dá dentro de um contexto, afirmando serem as influências sociais mais importantes que o contexto biológico. A aprendizagem acelera processos superiores internos que só são capazes de atuar quando a criança encontra-se interagida com o meio ambiente e com outras pessoas. É importante que esses processos sejam internalizados pela criança. A educação é um processo necessário. É importante que esses processos sejam internalizados pela criança. A educação é um processo necessário. É importante considerar o principal objetivo da educação - que é a autonomia moral e intelectual..

     Assim, os autores referendados neste estudo, Wallon e Vygotsky (2003), enfatizaram a íntima relação entre afeto e cognição, superando a visão  dualista do homem. Além  disso as idéias dos autores aproximam-se no que diz respeito ao papel das emoções na formação do caráter e da personalidade.

     Vygotsky buscou delinear um percurso histórico a respeito do tema afetividade. Sendo assim, procura explicar a transição das primeiras emoções elementares para as experiências emocionais superiores, especialmente no que se refere à questão dos adultos  terem uma vida emocional  mais refinada que as crianças. Ele defende que as emoções não deixam de existir, mas se transformam, afastando-se da sua origem biológica e construindo-se como fenômeno histórico cultural.

 

1.4 - O papel da afetividade no processo ensino/aprendizagem.

 

     O processo ensino aprendizagem só pode analisado como uma unidade.  O ensino/aprendizagem são faces de uma mesma moeda, nessa unidade, a relação professor/aluno é um fator determinante para aprendizagem do aluno. Para tornar esse processo mais produtivo e prazeroso o professor deverá orientar, propiciar e testar atividades adequadas aos alunos inseridos em sala de aula. O professor deverá planejar atividades que promovam entrosamentos mais produtivos entre as atividades aplicadas.

            Partindo da teoria de Wallon (2003), o desenvolvimento do sujeito se faz a partir da interação com grandes variedades de fatores ambientais. O foco da teoria é uma relação complementar entre os fatores orgânicos  e socioculturais.

            A aprendizagem é o processo através do qual a criança se apropria ativamente do conteúdo da experiência humana, daquilo que o seu grupo social conhece, e para que o sujeito o aprenda necessitará interagir com outros seres humanos, especialmente com os adultos, e com outras crianças mais maduras. Em geral o adulto ou outra criança fornece ajuda direta à criança, orientando-a e mostrando-lhe como proceder através de gestos e instruções verbais em situações interativas. Na interação professor/aluno gradativamente a fala social trazida pelo professor vai sendo internalizada pelo aluno e o seu comportamento passa a ser então, orientado por uma fala interna que planeja sua ação. O papel do professor nesse processo é fundamental, ele procura estruturar condições para ocorrência  de interações professor/aluno e objeto de estudo que leve a apropriação  do conhecimento.  Paralelo a esses fatores, podemos verificar como a criança chega ao adulto/professor), do ponto de vista afetivo:

            No primeiro estágio (0 a 1 ano), impulsivo/emocional, a criança expressa sua afetividade através de movimentos desordenados, respondendo à sensibilidades corporais, o processo ensino/aprendizagem exige respostas  corporais, contatos físicos, daí a importância de se ligar ao professor.

            No segundo estágio (1 a 3 anos), sensório/motor, quando já dispõe da fala, a criança está voltada para o mundo externo e para um contato interno com os objetos e há a indagação insistente do que são e como funcionam.

            No terceiro estágio (3 a 6 anos) há personalismo entre a criança e o outro. É a fase de se descobrir diferente das outras crianças e adultos.

            No quarto estágio (6 a 11 anos), categorial, ela tem compreensão mais nítida de si mesma. A aprendizagem se faz predominantemente pela descoberta de diferenças e semelhanças entre objetos imagens e idéias.

            No quinto estágio (11 anos em diante), há exploração de si mesmo na busca de uma identidade autônoma, mediante atividade de confronto, auto-afirmação e questionamentos. Neste estágio, o recurso principal de aprendizagem, do ponto de vista afetivo, volta a ser a oposição, que vai aprofundando e possibilitando a identificação das diferenças entre idéias, sentimentos e valores próprios.

            Mesmo reconhecendo a importância dos fatores emocionais e afetivos na aprendizagem, o objetivo da ação escolar não é resolver dificuldades nesta área e sim, propiciar a aquisição e reformulação dos conhecimentos elaborados por uma dada sociedade. Ainda que atenta aos aspectos emocionais, não é função da escola promover ajustamento afetivo, saúde mental ou mesmo a felicidade. Na verdade cabe à escola esforçar-se por propiciar um ambiente estável e seguro, onde os alunos sintam-se bem, pois nestas condições as atividades aplicadas são facilitadas.

            Convém ressaltar que a afetividade e a inteligência se estruturam nas ações dos indivíduos. O afeto pode, assim, ser entendido como energia necessária para que a estrutura cognitiva possa operar. Tanto a inteligência como a afetividade são mecanismos de adaptação permitindo ao indivíduo construir noções sobre os objetos, as pessoas e situações diversas, conferindo-lhes atributos, qualidades e valores. Assim, contribuem para a construção do próprio sujeito, sua identidade e sua visão de mundo.

 Inês Maria Gómez-Chacón em seu artigo nos faz refletir quando,

 

Destaca a importância dada à questão sempre presente dos afetos,  que atualmente é  assumida e aceita por professores cada vez mais dispostos a reconhecer neles elementos de indiscutível  valor e interesse no acompanhamento e na avaliação  do processo  ensino/aprendizagem. (2004: 52).

 

            Diante desta reflexão podemos afirmar que é necessário que se perceba  a ligação entre cognição e afeto. Quando o professor consegue trabalhar com essas dimensões ele pode interferir de maneira a conduzir positivamente as reações emocionais, favorecendo a formação e a solidificação de atitudes benéficas à aprendizagem. Segundo Augusto Cury (2003:72) “Ser um mestre inesquecível é formar seres humanos que farão a diferença no mundo.”  Como podemos concluir, o tempo pode passar e as dificuldades podem surgir, mas as sementes de um professor que marca a vida de seu aluno jamais serão destruídas.


CAPÍTULO II – RELAÇÃO INTERPESSOAL PROFESSOR/ALUNO E A FORMAÇÃO DO EDUCADOR

 

2.1 – A importância do relacionamento afetivo professor/aluno

 

            Nos dias de hoje, o professor não é apenas aquele que transmite conhecimentos, mas, sobretudo, aquele que subsidia o aluno no processo de construção do saber. Para tanto, é imprescindível ser um profissional que domine não apenas o conteúdo de seu campo específico, mas também a metodologia e a didática eficiente na missão de organizar o acesso ao saber dos alunos. E não apenas o saber de determinadas matérias, mas o saber da e para a vida; o saber ser gente com ética, dignidade, valorizando a vida, o meio ambiente, a cultura. Muito mais que transmitir conteúdos das matérias curriculares, organizadas e programadas para o desenvolvimento intelectual do sujeito, é preciso ensinar a ser cidadão, mostrar aos alunos seus direitos e seus deveres, subsidiando-os para que saibam defendê-los. É preciso mostrar que existem deveres e que as responsabilidades sociais devem ser cumpridas por cada um para que todos vivam com dignidade. Assim, é importante  que o professor trabalhe valores, fazendo seu aluno perceber  o outro; perceber quem está ao seu redor, formando alunos que saibam a importância de respeitar, ouvir, ajudar e amar o próximo.

Teles conclui que,

 

Ensinar implica humildade. Nenhum de nós é uma enciclopédia e detém todo o saber. Mesmo em nossa área, nosso conhecimento, por mais estudiosos que sejamos nunca pode ser completo. Assim esta posição de “donos do saber” é simplesmente ridícula. Somos eternos aprendizes em tudo e é preciso que os

alunos também aprendam esta verdade. (2004:40, 41).

 

 

            O educador deve sempre questionar o seu saber, pois este é sempre uma busca e não uma posse.

            Para o autor Paulo Freire (1993 p,71), “cabe ao professor observar a si próprio; olhar para o mundo, olhar para si e sugerir que os alunos façam o mesmo e não apenas ensinar regras, teorias e cálculos”. O professor deve ser um mediador de conhecimentos, utilizando sua situação privilegiada em sala de aula não apenas para instruções formais, mas para despertar os alunos para a curiosidade; ensiná-los a pensar, a ser persistentes a ter empatia e ser autores e não expectadores no palco da existência. O aluno tem que ter interesse em voltar à escola no dia seguinte reconhecendo que aquele momento é  mágico para sua vida.

            Sem dúvida o docente de hoje desempenha inúmeros papéis que são importantíssimos para o desenvolvimento das futuras gerações. Deve, portanto, encarar com muita seriedade sua profissão, trabalhar para esclarecer seus alunos e fazer com que eles reflitam sobre a realidade em que vivem. Como profissional em movimento o professor está em constante busca do saber, aperfeiçoando-se, qualificando-se para exercer de maneira cada vez melhor a profissão docente. O docente pode trazer situações de mundo para a sala de aula e explorá-las, enriquecê-las paralelamente com a matéria. Pode trabalhar questões difíceis de forma divertida, trocar experiências, trazer a família para dentro da escola, criar vínculos com a família mostrando que todos fazem parte de uma mesma sociedade, considerar a vivência do aluno, seu dia-a-dia, suas questões familiares, seu emprego, seu lazer. O professor deve acreditar que todos têm capacidade de aprender, cada um no seu próprio ritmo. O educador dispõe da oportunidade de mudar, disciplinar, criar, reconstruir, enriquecer a vida de seres humanos. Para tanto precisa superar sua onipotência, sua concepção de dono do saber, de quem se esconde atrás de avaliações dificílimas e se compraz a reprovar o aluno. Há que ter bem claro que se quisermos um adulto mais humano e consciente no futuro precisamos investir na formação da criança dos dias de hoje que chega na escola para possibilitar ao ensinante o desenvolvimento de um trabalho de construção do saber. Quando Paulo Freire (1996:77), diz: “me movo como educador, porque primeiro me movo como gente”.      Acreditamos que o professor pode levar os educandos a terem curiosidade de querer fazer e aprender, e que ainda está em tempo de desprendermos do tradicionalismo arcaico os quais muitos ainda vivem e praticam. Assim podemos afirmar que,

 

Os alunos não precisam de guias espirituais, nem de catequizadores. Eles se constroem encontrando pessoas confiáveis, que não se limitam a dar aulas, mas que se apresentam como seres humanos complexos e como atores sociais que encarnam interesses, paixões, dúvidas, falhas, contradições (...) atores que se debatem como todo mundo, com o sentido da vida e com as vicissitudes da condição humana. (Perrenoud, 2005:139).

 

 

 

            Diante do exposto, a expectativa que se tem do papel do professor é a de que ele intervenha de forma ativa junto ao corpo discente e consiga atingir a autoridade com autonomia e participação consciente  e responsável em sala de aula. Sua função hoje mudou de paradigma, não é mais aquele que dá aulas, mas, aquele capaz de assumir, face às exigências da vida, tarefas diferentes daquelas que tradicionalmente lhes eram atribuídas: transmitir o saber historicamente acumulado na sociedade. Essas questões nos levam a indagar novamente até que ponto a formação desse novo professor estará sendo trabalhada para além de ministrar aulas. O professor, assumindo-se como cidadão, tendo consciência da sua cidadania e dos pressupostos teóricos que fundamentam sua prática pedagógica, com certeza, irá colaborar na formação de seus alunos. Segundo Paulo Freire,

 

O bom educador é o que consegue enquanto fala trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim, um desafio e não uma cantiga de ninar. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas. (1996:96).

 

            Ainda segundo o autor “o educador autoritário, licencioso, sério, incompetente, irresponsável, mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum deles passam pelos alunos sem deixar sua marca.”

            A responsabilidade  e o respeito pelos sentimentos do outro  é um dos aspectos mais importantes na relação professor/aluno, pois, futuramente, irá se tornar responsabilidade social para a cidadania. Freire (1993:54), afirma que, “sem intervenção democrática do professor não há educação progressista.”

            Sabemos que não é fácil essa intervenção, mas tudo isso constitui uma grande luta de transformação profunda da sociedade brasileira. Os educadores progressistas precisam convencer-se de que não são puros ensinantes, puros especialistas da docência. O autor conclui ainda: “Que o saber tem tudo a ver com o crescer, tem. Mas é preciso, absolutamente preciso,  que o saber  de minorias dominantes não proíba, não asfixie, não castre o crescer das imensas maioria dominadas”. (1993: 127).

            Concluímos que a questão fundamental diante de uma educação de qualidade é que devemos estar bastante lúcidos e cada vez mais competentes naquilo em que estivermos dispostos a realizar que é a capacidade de ensinar. Partindo de uma postura de tomada de consciência do progresso educacional podemos observar que a lei 9394/96 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional promulgada em 20 de dezembro de 1996, traz bem explicitas, em seus artigos: 12, 13, 14 e 15  as normas a serem seguidas na legislação de uma escola democrática, que mostrará a importância da autonomia escolar  alternativa sem se desligar de seu caráter público(...). Um dos pontos altos da LDB é o reconhecimento da importância dos valores na educação escolar (p, 36).

            Freire afirma que, “a escola democrática de que precisamos não é aquela em que só o professor ensina em que só o aluno aprende e o diretor é o mandante poderoso”.(1993, 100).

            É nesse sentido que a escola deve organizar-se democraticamente com objetivos transformadores e articulados com os interesses dos grupos.

            Segundo Içami Tiba (1998:02), “o saber consiste em ensinar e aprender. E ninguém pode estimular ninguém, a saber, se não o pratica. “Pois o saber não é só acúmulo de informações, mas um conjunto de capacidades adquiridas e desenvolvidas na escola que tornam o jovem apto a enfrentar os desafios da vida profissional”

 

 2.2 – A família e a escola como mediadora na relação afetiva.

 

            A família é o primeiro grupo com o qual uma pessoa convive e seus membros são exemplos  para a vida. No que diz respeito a educação, se essas pessoas demonstrarem interesses em relação ao que acontece em sala de aula  e reforçarem a importância do que está  sendo aprendido, estarão dando uma enorme contribuição para o sucesso da aprendizagem do aluno. Pode parecer simples e é exatamente o que temos pedido aos responsáveis pelos estudantes de todos os níveis de ensino.

            A afetividade, a princípio centrada nos complexos familiares, amplia sua escala na proporção da multiplicação das relações sociais e os sentimentos morais, a princípio ligados a uma autoridade que evoluem no sentido de respeito mútuo e de reciprocidade. O segredo de uma boa relação familiar é saber ouvir, respeitar as culturas e trabalhar juntos. Para tanto, é preciso um trabalho de conquista. Só que é difícil haver aproximação quando só são marcados encontros para falar de problemas de disciplinas e/ou outro problema em relação ao aluno. Isso causa antipatia no familiar. O bom relacionamento deve começar na matrícula e se estender a todos os momentos da vida estudantil do aluno. Envolver os familiares na elaboração de projetos, eventos e de algumas propostas pedagógicas pode ser a meta principal de uma grande parceria.  Içami Tiba (1998:27) destaca: “a família cobra que a educação seja dada pela escola, enquanto esta diz que deve vir de berço.”

            A Constituição Federal Brasileira de 1988 em seu art. 227 sublima a política de proteção à criança e ao adolescente.

 

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, crueldade e opressão. ( p, 148 ).

 

            Diante do exposto notamos que há um grande desafio e perspectivas para alcançarmos verdadeiramente uma educação pautada na dimensão humana, uma educação que deve ter o alicerce na rocha do respeito. Respeito às inteligências múltiplas, às potencialidades humanas, ao crescimento social e intelectual dos que constroem o caminho real da educação.

Cláudia Davis e Zilma de Oliveira  após estudos e publicações no setor conclui,

 

O aluno não aprende apenas na escola, mas também através da família, dos amigos, de pessoas que ele considera significativas, dos meios de comunicação de massa, das experiências do cotidiano (...) a escola é a instituição social que se apresenta como responsável pela educação sistemática das crianças, jovens e até mesmo adultos. (1994:23).

 

 

 

     É nesse sentido que a escola deve organizar-se democraticamente com objetivos transformadores articulados com interesses dos grupos. A escola só poderá desempenhar um papel transformador se estiver junto com os interessados, ela deve estar atenta para atender aos interesses das camadas trabalhadoras. A participação da comunidade na escola é um caminho que se faz ao caminhar, o que não elimina a necessidade de se refletir previamente a respeito dos obstáculos e potencialidades que a realidade apresenta para ação. Segundo Ivone Boechat “a escola como agência de transformações sociais têm o compromisso de atender as expectativas que desperta pelo seu grandioso poder de atração e sedução”. (1998:27).

     A escola é voltada para a postura crítica  e nos diz que o conhecimento é dinâmico e transformador e nos propõe um fazer pedagógico capaz de criar  oportunidades valorizando talentos, repassando dinamismo, altruísmo e solidariedade. A escola não pode dispensar tais conceitos de seu currículo. Pois, há uma sede generalizada de mais afetividade nas relações, a partir de tais conceitos. O saber é poderosa arma de segurança e autonomia. Portanto, a escola busca junto da comunidade escolar recursos para trabalhar pelo fortalecimento da família  e condições básicas  para melhorias na qualidade de vida.

Paulo Freire afirma que,

 

A afetividade não se acha excluída da cognoscibilidade. O que não posso obviamente é permitir que minha afetividade  interfira no cumprimento  ético de meu dever de professor (...) não posso condicionar a avaliação do trabalho escolar de um aluno ao maior ou menor bem querer que tenha por ele. (1996: 160).

 

 

            A prática avaliativa deve estar coerente com a perspectiva da construção de conhecimentos, esta prática  exige do professor domínio e seriedade amplamente detalhada de sua disciplina. O professor deve atuar junto ao aluno de forma significativa para que ambos possam construir os resultados necessários à aprendizagem, assim, ele estará aferindo com seriedade a aprendizagem do aluno.

 

2.3 – Formação do Educador:

 

            O conceito de profissão à ocupação de professor ou educador apresenta várias dificuldades. Já a distinção entre professor e educador aparece para alguns como uma divisão:

Professor mero profissional/ensinante e o educador o mediador de saberes.

            Partindo dessa premissa encontramos várias dificuldades na formação desse profissional, principalmente do professor do ensino primário, pois o seu saber  ainda é muito pouco diante do que nossos alunos hoje buscam. Durante muito tempo a preparação do professor do ensino primário se dava em um período de tempo bastante reduzido sem exigir nenhuma preparação específica e os conteúdos não atingiam a necessidade do profissional. Segundo Candau (1996:67), “a formação do professor no antigo nível secundário atualmente enfrenta problemas sérios mal resolvidos, pois há uma insatisfação muito grande em relação ao curso de graduação.” para a autora ao iniciarem a graduação muitos apresentam uma série de dificuldades na aprendizagem dos conteúdos aplicados. É importante ressaltar que em certos casos o professor ao iniciar sua vida profissional recebe pouca ajuda vinda de uma relação direta, pessoal de um outro profissional. Muitas vezes o professor é lançado em sua prática isoladamente e assim, continua a exercer sua profissão muitos sem o contato direto com colegas ou com supervisores responsáveis  por sua iniciação profissional.

            Na tentativa de compreendermos melhor a formação do educador é relevante a contribuição de Candau quando esclarece,

 

A ocupação do educador tem passado por concepções bastante diversas ao longo da história (...), até os nossos dias, quando professores de pedagogia, respondendo a uma enquête sobre o educador, disseram que o professor   não é um profissional como os outros, ou seja, ele é muito mais; seu trabalho não pode ser reduzido a uma rotina, supõe criatividade, compromisso, doação(...). Que características deve ele possuir, que conteúdos dominar, que qualidades morais exibir?(1996:  69).

 

 

Diante do exposto e conforme esclarecimentos da referida autora, podemos argumentar que atualmente há um grande esforço para a reformulação do curso de pedagogia e a capacitação dos profissionais da educação. Nesse contexto é urgente refletirmos sobre a função e a formação do educador.

Maria Violeta C. Villas Boas nos faz refletir quando em seu estudo diz:

 

 

A função do educador não é mais apenas a de dar aulas, mas sim, um educador capaz de assumir face às exigências da vida contemporânea, tarefas diferentes daquelas que tradicionalmente lhes eram atribuídas: transmitir o saber historicamente acumulado na sociedade. (1998: 96).

 

 

 

Até que ponto a formação desse novo professor estará capacitando-o como ser pensante, esclarecido, maduro, sintonizado com o tempo real da sociedade em que atua. As mudanças cientificas  e tecnológicas implicam também alterações nas relações sociais, em particular nas relações de trabalho, exigindo desses profissionais um reaprender constante e um contínuo enfrentamento de incertezas e desafios.

Nesse contexto, vale referir-se à LDB n° 9394/96 que em seu artigo 62 trouxe a perspectiva de nível superior propondo que,

 

A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores  de educação, admitida como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal. ( p, 50 ).

 

 

 

Ainda no artigo 63, “resgata, todavia, um pouco da rota moderna, ao estabelecer a idéia de institutos superiores de educação, para formação de profissionais (...) além de outras finalidades mais gerais como programas de formação pedagógica e de educação continuada.” (p, 51 ).

Portanto, parece cada vez mais claro que a educação básica brasileira, para encontrar seu rumo, precisa dessa premissa inicial que é o da valorização do magistério com cursos, capacitações e plano de carreira resgatando o professor. Sem isso nada frutifica, pois se não buscarmos essa motivação o professor nem de longe irá contagiar sua clientela.

Segundo Demo (2001:52), “ninguém mais do que o educador, para manter-se profissional, precisa todo dia estudar.”

Há de ser repensada a formação do novo educador, criativo, aberto ao novo, atualizado em termos de conhecimentos e das novas formas de aquisição de conhecimentos. Que ele seja capaz de conduzir o aluno na busca de suas próprias respostas aos problemas que enfrenta no cotidiano, capaz de ajudá-lo na elaboração de um código de valores e respeitá-lo em sua individualidade e dignidade. Não basta investir na formação do professor e pagar-lhe bem. É necessário lembrar que ele é um trabalhador como outro qualquer, fará um tipo de trabalho especial, que envolve alma, gente, formação de personalidades, ideais e valores.

Segundo Hélio R. de Araújo, diretor da FEUC (2004:06) “é preciso destacar que, para que tenhamos uma educação de qualidade  precisamos investir e valorizar o professor. Talvez não exista profissão mais importante do que esta, sem o professor não há outra carreira.”

Diante do exposto o professor trabalha para atingir a mente. Cabe a ele formar as gerações futuras do país. De acordo com Araújo a docência apresenta diversos aspectos positivos. “O magistério tem um retorno rápido. Dificilmente se vê um professor desempregado (...), outro aspecto positivo é que o magistério não é uma carreira ameaçada pelos avanços tecnológicos”. Sob o ponto de vista da valorização do profissional é certo que hoje, com a internet, o acesso a informação é mais rápido e liberado, mas é preciso alguém para orientar o educando sendo ele criança, jovem ou adulto. E este é o papel do professor. Ele nunca será substituído pela máquina.

 

2.4 – Educação e Cidadania:

 

            A palavra cidadania vem do latim “Civita” que significa cidade. Esta palavra foi usada em Roma antiga para indicar a situação política e os direitos de um cidadão.

            Segundo caracterização da Enciclopédia Larrousse Cultura (1998:140), cidadania é a qualidade de cidadão, que possui em uma determinada comunidade política, o conjunto dos direitos civis e políticos. Para que haja cidadania é necessário que o cidadão participe seja ativo e faça valer seus direitos. 

Para Perrenoud em seus estudos sobre o assunto em questão nos diz:

 

Nossa sociedade atualmente não vai muito bem, pois a  encontramos em estado lastimável  a miséria, desnutrição, desigualdades, exclusões, crimes bárbaros  e regime totalitários em todos os cantos, guerras, tráficos de drogas e de armas em larga escala, comércio de mulheres e turismo sexual, poluição atmosférica e esgotamentos dos recursos naturais.(2005:09).

 

 

Ainda segundo o autor, “educar as novas gerações, torná-las responsáveis, dar-lhes o sentido da comunidade e da partilha, restaurar a proibição á violência nada disso aconteceria.”(2005:09). É preciso lembrar no  entanto, que a escola está na sociedade, é fruto dela, é de onde extrai seus recursos sejam eles para o bem ou para o mal. Não podemos exigir que ela preserve ou inculque valores que uma parte da sociedade despreze ou só respeita da boca para fora. Em nossa sociedade tão dividida, temos direito de incitar mais firmemente o sistema educacional e situar-se do lado da cidadania e da comunidade.

            Complementando a reflexão acima encontramos o ponto de vista de Pablo Gentilli ressaltando que:

A cidadania é reconhecida como o pertencimento a uma comunidade política no qual os indivíduos são portadores de direito. Os direitos configuram cidadania ao mesmo tempo em que tornam os indivíduos cidadãos, no contexto de um conjunto de instituições que garantam sua efetividade (...) sendo assim, educar para a cidadania significa transmitir a todos os direitos que formalmente lhes foram reconhecidos. (2003:69-71).

 

 

 

Diante do exposto, a educação para a cidadania pressupõe a todos os cidadãos ao acesso, a permanência e a aprendizagem  do conhecimento.

            Segundo a Constituição Federal (1988:28-68)) em seu artigo 22, XIII nos diz: “nacionalidade, cidadania e naturalização” e no art. 68, 1º,II confirma ainda a todos os cidadãos, “nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais.”

            O grande desafio colocados às instituições que visam contribuir para a formação de cidadãos conscientes possibilitando   o exercício da cidadania de contribuir significativamente para o exercício da democracia participativa. Conforme podemos registrar a função da escola é garantir a educação aos estudantes, contribuindo para que se tornem sujeitos, isto é, autores e senhores de suas vidas, criando oportunidades para que eles decidam, pensem, tornem-se livres e responsáveis, autônomos e emancipados. Por isso é indispensável que a escola reconheça, respeite e valorize o saber do educando, ela contribuirá para ampliar o conhecimento e intervir na formação de cada ser.

            Philippe Perrenoud, nos faz refletir sobre a questão em estudo  e afirma:

“Nossas sociedades não dominam nem o desenvolvimento urbano, nem o emprego, nem as desigualdades. Será que é por que não temos nenhum poder sobre esses fenômenos? Ou por que os ricos não querem pagar o preço de uma sociedade mais justa mais humana”. (2005:10).

            Para o autor “se pretendemos que a escola trabalhe para desenvolver a cidadania, se acreditamos que isso não é tão óbvio nem tão simples  temos que pensar nas conseqüências.” Por isso não se fará sem abrir mão de muitas coisas, sem levar em conta o conjunto de alavancas disponíveis como a relação com o saber, as relações pedagógicas, a avaliação, a participação dos alunos e o papel da família na escola que é muito importante para a construção de uma comunidade democrática e solidária.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO III – AÇÕES IMPLEMENTADORAS QUE O PROFESSOR DEVERÁ UTILIZAR.

 

3.1 – Estratégias de Ensino – recursos didáticos e pedagógicos:

 

            A aprendizagem deve ter sempre um sentido lúdico. E não importa se o educando é criança, adolescente ou adulto. Querer conhecer, saber, pesquisar, atuar e criar sobre tudo que esta a sua volta, são necessidades básicas de todo o ser humano e tudo isso lhe dá enorme prazer em serem satisfeitas. Mas não podemos deixar que essas necessidades possam ter o peso do “dever” para o aluno, pois quando as atividades passam a ser obrigatórias e repetitivas o aluno já não encontra nelas nenhuma satisfação. Segundo Costa (2000:35), “ao planejar o processo de ensino aprendizagem, além de estabelecer objetivos educacionais (...) o docente seleciona os procedimentos  e estratégias  adequadas à realidade do educando”.

            Pelo exposto concluímos  que as estratégias de ensino devem relacionar-se com os procedimentos didáticos e pedagógicos adotados pelos docentes com o objetivo de orientar a aprendizagem dos mesmos. Partindo do pressuposto de que educar é um processo contínuo, cabe ao educador programar ações diversificadas, criando um ambiente estimulador para que os alunos aprendam por si, favorecendo-os na construção de sua identidade.

            O educador precisa estar atento se sua proposta de trabalho está sendo claramente entendida por todos os educandos, isso ajudará na organização e nas realizações das atividades diárias. É importante esclarecer que os recursos  utilizados pelo educador deverá ser feito com base no desenvolvimento do aluno e no seu contexto social.

Segundo Sonia Kramer (1991), em seus estudos define que,

 

o planejamento, por sua vez, contém as estratégias, situações e as atividades que serão feitas no dia a dia. Os recursos didáticos  ( jogos, livros de histórias, materiais de sucata, técnicas de artes, papéis, giz, quadro etc); são essenciais no ensino/aprendizagem, sabendo usá-los adequadamente. (p,91,92).

 

 

 

                É importante notar que tais recursos servem apenas como guia, devendo ser introduzidas todas as motivações que se façam necessárias a fim de atender as necessidades da aprendizagem e às sucessivas descobertas da criança.

            Nesse sentido, a integração da equipe pedagógica - diretora, supervisora, orientadora e coordenadora - juntamente com a equipe docente é requisito básico para um ótimo trabalho. Essa integração pode ser viabilizada por: reuniões, quinzenais com os professores e pais e responsáveis, reuniões mensais com toda a equipe escolar para a realização e levantamento do trabalho desenvolvido e discutir eventuais  atividades pedagógicas extra-curricular.

            Ressaltamos ainda neste estudo, a difusão de novas tecnologias de informação e comunicação no ensino. Mas tudo isso não poderia ter êxito sem a criação de ferramentas pedagógicas adequadas nas atividades diárias com o educando. Os recursos  pedagógicos reflete as expectativas do Ministério da Educação Nacional (2004) que enfoca,

 

a informatização nas Instituições de ensino, por sua vez nos trouxe grandes benefícios dando a muitos alunos a oportunidade de conhecer a multimídia no ensino. Permitindo em especial a prática do tele/ensino,  trabalhos em grupos e principalmente a socialização com diferentes meios de recursos didáticos e pedagógicos.(p,45)

 

 

 

            A relação entre a pedagogia e a tecnologia  é que dá força ao programa da multimídia no ensino.  Hoje a  maioria das escolas apresentam esses recursos, facilitando a vida cotidiana do aluno permitindo-lhe que melhor se preparem para as exigências do mundo contemporâneo. Concluindo, podemos dizer que os avanços tecnológicos geram uma transformação qualitativa na área do conhecimento.

 

CAPÍTULO IV – OBJETO DE ESTUDO DA PSICOPEDAGOGIA

 

4.1 – Psicopedagogia – Breve Histórico:

           

            Os primeiros Centros Psicopedagógicos foram fundados na Europa, em 1946, por  Boutonier e George Mauco, com direção médica e pedagógica. Estes Centros uniam conhecimentos da área de Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, onde tentavam readaptar crianças com comportamentos socialmente inadequados na escola ou no lar e atender crianças com dificuldades de aprendizagem apesar de serem inteligentes.

Segundo Bossa (1994:28) “Esperava-se através da união Psicologia-Psicanálise-Pedagogia, conhecer a criança e o seu meio, para que fosse possível compreender o caso para determinar uma ação  reeducadora”

Para a autora,

 

A literatura francesa  influencia as ideias sobre psicopedagogia na Argentina (a qual, por sua vez, influencia a práxis brasileira) – encontra-se, entre outros, os trabalhos de Janine Mery, a psicopedagoga francesa que apresenta algumas considerações sobre o termo psicopedagogia e sobre a origem dessas idéias na Europa, e os trabalhos de George Mauco, fundador do primeiro centro médico psicopedagógico na França(...),  onde se percebeu as primeiras tentativas de articulação entre Medicina, Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, na solução dos problemas de comportamento e de aprendizagem (BOSSA, 1994, p. 28).

 

 

Esperava-se então conhecer através da união Psicologia-Psicanálise-Pedagogia, conhecer a criança e o seu meio, para que fosse possível compreender o caso para determinar uma ação reeducadora..

Diferenciar os que não aprendiam, apesar de serem inteligentes, daqueles que apresentavam alguma deficiência mental, física ou sensorial era uma das preocupações da época.

Observamos que a psicopedagogia teve uma trajetória significativa tendo inicialmente um caráter médico-pedagógico dos quais faziam parte da equipe do Centro Psicopedagógico: médicos, psicólogos, psicanalistas e pedagogos. Esta corrente européia influenciou significativamente a Argentina. Conforme a psicopedagoga Alicia Fernández (apud Bossa, 1994: 32), “a Psicopedagogia surgiu na Argentina há mais de 30 anos e foi em Buenos Aires, sua capital, a primeira cidade a oferecer o curso de Psicopedagogia”. Foi na década de 70 que surgiram, em Buenos Aires, os Centros de Saúde Mental, onde equipes de psicopedagogos atuavam fazendo diagnóstico e tratamento. Estes psicopedagogos perceberem um ano após o tratamento que os pacientes resolveram seus problemas de aprendizagem, mas desenvolveu distúrbios de personalidade como deslocamento de sintoma. Resolveu então incluir o olhar e a escuta clínica psicanalítica, perfil atual do psicopedagogo argentino.

“Como nas primeiras décadas deste século os psicólogos argentinos não tinham permissão de clinicar, a educação surgiu para eles como uma área efetiva de trabalho”. (BOSSA: 32). Segundo este aspecto toda dedicação quase exclusiva a educação, os levou a produzir uma metodologia sobre a chamada dificuldade de aprendizagem, dando origem à atual psicopedagogia. Alicia Fernandes afirma que Buenos Aires foi a primeira cidade Argentina a oferecer uma Faculdade de Psicopedagogia (Apud, Bossa, 1994:32). O curso passou por três momentos distintos devido a alterações nos seus planos de estudos. O primeiro correspondeu na formação filosófica e psicológica incluindo fundamentos de biologia. (...) e uma área específica que era a psicopedagógica. O segundo momento da psicopedagogia na Argentina foi constituído pelos planos que evidenciaram a influência da Psicologia Experimental na formação do psicopedagogo, procurando capacitá-lo na medição das funções cognitivas e afetivas. Essa alteração curricular se traduziu pela inclusão de matérias básicas que exigiram mais de  um ano de formação para obtenção do título de Psicopedagogo, cuja a duração passa de três para quatro anos.(...)Essa situação levou a reformulação do currículo. O terceiro momento do curso de Psicopedagogia foi a criação da licenciatura na matéria tal como existe atualmente, ou seja, uma carreira de graduação com duração de cinco anos. Para as educadoras argentinas, durante os trinta anos que se passou desde o seu estabelecimento, a Psicopedagogia tem ocupado um significativo espaço no âmbito da educação e da saúde.

Bossa (1994:33) “destaca um fato relevante que permitiu mudanças na abordagem da psicopedagogia: da reeducação à clínica.”

 

Na década de 70 criou-se em Buenos  Aires, os Centros de Saúde Mental, onde equipes de psicopedagogos atuavam fazendo diagnóstico e tratamento. Estes profissionais  observaram que, depois de  um ano de tratamento, quando retornavam para controle, haviam resolvido seus problemas de aprendizagem, mas desenvolveram distúrbios de personalidade: fobia e traços psicóticos.  Resolveu então incluir o olhar e a escuta clínica psicanalítica, perfil atual do psicopedagogo argentino. (1994:34)

 

 

 

Como vimos, na Argentina, a atuação psicopedagógica está ligada fundamentalmente, a duas áreas a educação e a saúde.

  A psicopedagogia chegou ao Brasil  na década de 70, época em que as dificuldades de aprendizagem eram associadas a uma disfunção neurológica, denominada de disfunção cerebral mínima (DCM), que virou moda neste período, servindo para camuflar problemas sociopedagógicos.  Inicialmente, os problemas de aprendizagem foram estudados e tratados por médicos na Europa no século XIX e no Brasil percebemos, ainda hoje, que na maioria das vezes a primeira atitude dos familiares é levar seus filhos a uma consulta médica. Na prática do psicopedagogo, ainda hoje é comum receber no consultório crianças que já foram examinadas por um médico, por indicação da escola ou mesmo por iniciativa da família, devido aos problemas que está apresentando na escola. A Psicopedagogia foi introduzida aqui no Brasil baseada nos modelos médicos de atuação e foi dentro desta concepção de problemas de aprendizagem que se iniciaram, a partir de 1970, cursos de formação de especialistas em Psicopedagogia na Clínica Médico-Pedagógica de Porto Alegre, com a duração de dois anos.

A Psicopedagogia foi inicialmente uma ação subsidiada da Medicina e da Psicologia, perfilando-se posteriormente como um conhecimento independente e complementar, possuída de um objeto de estudo, denominado processo de aprendizagem, e de recursos diagnósticos, corretores e preventivos próprios. Com esta visão de uma formação independente, porém complementar, destas duas áreas, o Brasil recebeu contribuições para o desenvolvimento da área psicopedagógica de profissionais argentinos tais como: Sara Paín, Jacob Feldmann, Ana Maria Muniz, Jorge Visca, dentre outros.

Temos o professor argentino Jorge Visca como um dos maiores contribuintes da difusão psicopedagógica no Brasil. Foi o criador da Epistemologia Convergente, linha teórica que propõe um trabalho com a aprendizagem utilizando-se da integração de três linhas da Psicologia: Escola de Genebra - Psicogenética de Piaget (já que ninguém pode aprender além do que sua estrutura cognitiva permite), Escola Psicanalítica - Freud ( já que dois sujeitos com igual nível cognitivo e distintos investimentos afetivos em relação a um objeto aprenderão de forma diferente) e a Escola de  Psicologia Social de Enrique Pichon Rivière. “Se ocorresse uma paridade do cognitivo e afetivo em dois sujeitos de distinta cultura, ainda assim suas aprendizagens em relação a um mesmo objeto seriam diferentes, devido às influências que sofreram por seus meios sócio-culturais”.  (VISCA, 1991: 66).

 Visca implantou CEPs no Rio de Janeiro, São Paulo, capital e Campinas, Salvador, e Curitiba. Deu aulas em Salvador, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Itajaí, Joinville, Maringá, Goiânia, Foz do Iguaçu e muitas outras.

Muitos outros cursos de Psicopedagogia foram surgindo ao longo deste período até os dias atuais e este crescimento não pára de acontecer o que indica uma grande procura por esta profissão. Entretanto, é importante ressaltar, esta demanda pode fazer proliferar cursos precários, distribuindo diplomas e certificados a profissionais inadequados. Devemos, portanto, escolher com muito cuidado a Instituição que desejamos fazer o curso de Psicopedagogia. Existe, em nosso país há 13 anos a Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp) que dá um norte a esta profissão. Ela é responsável pela organização de eventos, pela publicação de temas relacionados à Psicopedagogia e pelo cadastro dos profissionais.

 

4.2 - O fazer e o pensar do psicopedagogo

 

            Não é fácil para o professor  a decisão de encaminhar um aluno para atendimento psicopedagógico. Essa decisão requer uma análise cuidadosa  da situação e um preparo especial para lidar com a reação dos pais, que na maioria das vezes ficam insatisfeitos com o professor e até mesmo com a escola, achando que ambos agem  de forma errada, achando que seu filho não tem nada.

            Na verdade sabemos que essa insatisfação consiste num tipo de defesa dos pais que às vezes não aceita o trabalho do psicopedagogo. É comum, no meio escolar, professores serem acusados de se isentarem de sua culpa e de responsabilizarem o aluno ou a  família pelos problemas de aprendizagem.

            Segundo Nadia Bossa (2000:02) “Muitos professores quando encaminham o aluno ao psicopedagogo o fazem com intuito de melhor auxiliá-lo, e não desistindo dele.” Por isso a psicopedagogia é muito importante, é uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar, feita por um profissional, o que propõe uma visão abrangente para as soluções das dificuldades que alguns alunos enfrentam, analisando-a em diferentes perspectivas da sociedade, da escola e do aluno.

            A psicopedagogia se ocupa da aprendizagem humana, que adveio de uma demanda muito grande: “o problema de aprendizagem” colocando-o num espaço muito pouco explorado, situado além dos limites da psicologia e da própria pedagogia. Portanto, vemos que, a psicopedagogia estuda as características da aprendizagem humana: como se aprende, como a aprendizagem varia evolutivamente, como reconhecer problemas, como tratá-los e prevení-los.

Tais questionamentos adquirem características especificas a depender do trabalho clínico ou preventivo. No trabalho preventivo, a instituição, enquanto espaço físico  e psíquico da aprendizagem, é objeto de estudo da psicopedagogia.

            Nadia Bossa em seus estudos sobre o trabalho clínico expressa:

 

O trabalho clínico se dá na relação entre o sujeito com sua história pessoal e sua modalidadede aprendizagem, buscando compreender a mensagem do outro sujeito (...) nesse processo onde investigador e objeto - sujeito de estudo interagem constantemente, a própria alteração torna-se alvo de estudo da psicopedagogia, isto significa que, nesta  modalidade de trabalho, deve o profissional compreender o que o sujeito aprende, como aprende e por que, além de perceber a dimensão da relação entre psicopedagogo e sujeito de forma a favorecer a aprendizagem.(1994: 11,12).

 

 

 

            Enquanto que no preventivo a autora refere-se:

 

 

 

À atitude do profissional no sentido de adequar as condições de aprendizagem de forma a evitar comprometimentos. (...) Nesse processo o psicopedagogo elege a metodologia e/ou a forma de intervenção com objetivo de facilitar e /ou desobstruir tal processo, função primeira da psicopedagogia.(1994:11).

 

 

 

Conforme vimos, o trabalho psicopedagógico pode ser preventivo e clínico. Entretanto, ele é teórico na medida da necessidade de se refletir sobre uma prática. No trabalho preventivo podemos verificar diferentes níveis de prevenção. O psicopedagogo atua nos processos educativos com o objetivo de diminuir a freqüência dos problemas de aprendizagem, o trabalho incide nas questões didático–metodológicas. Focaliza as possibilidades do aprender, num sentido amplo. Não deve se restringir apenas a uma só agência como a escola, mas ir também à família e à comunidade bem como, na formação e orientação de professores.

No trabalho clínico, o objetivo é diminuir e tratar dos problemas de aprendizagem já instalados no aluno.

Para tanto, cria-se um plano diagnóstico da realidade institucional e elabora-se  planos de intervenção baseados nesse diagnóstico. É importante reiterar, neste estudo, que o trabalho clínico na psicopedagogia tem função preventiva na medida em que, ao tratar determinados problemas pode prevenir o aparecimento de outros.

A atuação do psicopedagogo é fundamental para que ele possa conhecer o aluno. Este profissional deve estar preparado para lidar com possíveis reações frente a algumas tarefas, tais como: resistências, bloqueios, raiva  e sentimentos. Ele não deve parar de buscar meios; conhecer, estudar para compreender de forma mais completa estas crianças e adolescentes já tão criticados por não corresponderem às expectativas dos pais e professores.

De acordo com Bossa, “o reconhecimento do caráter interdisciplinar, significa admitir sua especificidade, uma vez que a psicopedagogia, na busca de conhecimentos de outros campos, cria o seu próprio objeto de estudo”. (1994:5-6). Partindo dessa premissa temos que abandonar a idéia de tratar a psicopedagogia apenas como aplicação da psicologia à pedagogia, pois ainda que se tratasse de recorrer apenas à essas duas disciplinas na solução de problemas de aprendizagem, não seria como mera aplicação de uma à outra, mas sim, na constituição de uma nova área.

Ainda para  a autora,

 

A psicopedagogia como área de aplicação, antecede o status de área de estudos, a qual tem procurado um corpo teórico próprio, definir o seu objeto de estudo e delimitar o seu campo de atuação. para isso recorre à psicologia, psicanálise, lingüística, fonoaudiologia, medicina e pedagogia.(p,06)

 

 

 

É importante, no entanto, ressaltar que a interdisciplinaridade contribui para que a psicopedagogia se mantenha nessa caminhada junto às outras ciências. Ela é um campo de conhecimento relativamente novo que surgiu na fronteira entre psicologia e pedagogia.

A função do psicopedagogo na área educativa é cooperar para diminuir o fracasso, seja este na instituição escolar, seja do próprio sujeito ou, o que é mais freqüente, de ambos. E tudo isso deve ser feito através de assessoramento aos pais, professores e diretores, para que possam decidir e opinar na elaboração de planos metodológicos. Quanto à função do psicopedagogo clínico, ele trabalha em consultórios particulares e/ou instituição de saúde, hospitais públicos e particulares. Ele procura sistemáticamente, reconhecer as alterações na aprendizagem.

A psicopedagogia, como pode ver, tem o seu lugar na clínica e na instituição. Cada um desses espaços implica uma metodologia específica de trabalho. Em ambos, no entanto, devem ser consideradas as circunstâncias, ou seja, o contexto de vida do sujeito, da família, da escola e da comunidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

 

            O tema abordado neste estudo, acerca da afetividade e aprendizagem: relação professor/aluno é muito importante para que todos educadores reflitam no fazer como educador dentro de uma sala de aula.

            É importante que o professor entenda que o lugar que ele ocupa em relação aos seus alunos não é apenas daquele que ensina, mas sim daquele que deixa marcas.

            Para isso, é de fundamental importância que o professor esteja consciente de sua responsabilidade, tomando decisões de acordo com os valores morais e as relações sociais de sua prática, considerando ainda, as condições de vida familiar e social de seus alunos.

            Reiteramos ainda, a relação de afetividade professor/aluno enfatizando o respeito unilateral da criança pelo adulto sendo este  trabalhado em cooperação da convivência em grupo a partir da experiência histórica de cada uma e de seu próprio nível de desenvolvimento.

            Enfim, fica evidente a importância de  todos nós educadores na vida do aluno  acreditando que o professor faz a diferença.

            Não podemos deixar de reconhecer que a escola, portanto, deve voltar-se para a qualidade de suas ações e relações, valorizando o desenvolvimento afetivo, social e não apenas o cognitivo, como elementos fundamentais no desenvolvimento do aluno para como um todo.

 

 

 

 

 

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_________.educacaoonline.pro.br; cessado em 27/03/2006

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ANEXOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Recordações de uma sala de aula

 

 

Mesmo tendo passado um bom tempo nunca esqueci quando  entrei na sala de aula  no ano de 1989, era uma sala de aula de um bairro rural  que ficava 9 km afastado do município onde eu residia. Era uma turma de 4ª série do ensino fundamental com um total de 28 alunos com faixa etária entre 10 e 14 anos. Todos oriundos de famílias muito carentes onde muitos passavam necessidades. Os pais eram trabalhadores rurais  e sitiantes. Lembro-me que cada fato ajuda a compor a história daquela turma, das expectativas   depositada por eles e pela família que tinha a escola e os professores como o seguindo lar.                                                     Naquele momento senti como eu seria importante para aqueles alunos, lembro-me não somente do nome de cada aluno, mas também da fisionomia de cada um de seus hábitos excentricidade, do modo como me tratavam de maneira compreensiva e singela. Alguns eram até agressivos  e sérios talvez pelas circunstâncias  da vida que levavam. Mas todos nós professores, diretora e demais funcionários respeitávamos cada um. Tínhamos que dar limites mas, carinho acima de tudo.

Durante o período que lecionei para aquela turma percebi que o nível de conhecimento era muito fraco em se tratando é claro de conhecimentos específico, porém de mundo tinham muito e como tinham!

Muitas vezes a turma que era composta por 28 alunos só apareciam 8 ou 10, ou até menos, pois a maioria tinha que ajudar o pai no trabalho do campo, plantavam e colhiam para revender nos municípios vizinho. Eles não tinham motivação não gostavam de trabalhos em grupo, não se expressavam bem enfim, eram crianças com muitas dificuldades de aprendizagem e afetivas.

 

“Se o professor estimula a criança a se expressar o que sente vemos mudanças significativas no seu comportamento”. Foi o que aconteceu com o aluno Cristiano 12 anos  este, tinha dificuldade em fazer amigo e agia de forma bastante agressiva, com muita paciência  e conversa consegui  a confiança dele, que passou a contar-me as suas dificuldades em casa. Aos poucos descobri que ele sentia falta do pai  e que o mesmo havia morrido de forma trágica quando ele ainda tinha 7 anos. A mãe ficou sozinha com outros 4 filhos. Cristiano era o mais velho. Estudava na parte da manhã e ao chegar a casa tinha que ajudar a mãe no serviço da roça. Era uma vida difícil dizia o menino: por isso às vezes não sinto vontade de estudar, mas, eu até gosto porque aqui tem lanche, merenda e as professoras são boas para mim.

Era fácil entender porque aquele garoto de apenas 12 anos não era alegre, não tinha amigos, xingava e batia nos colegas.Simplesmente não tinha afeto, amor, compreensão e comida.

 

No final daquele ano prestei um novo concurso  e fui remanejada para uma outra escola, pois o horário não coincidia para dupla regência, porém nunca esqueci aquela turma e em especial aquele aluno  que me cativou e ficou para sempre na minha lembrança.

No ano de 2004 encontrei com a mãe de Cristiano dona Rosa ela me reconheceu e logo percebi de quem se tratava, pois com aquele jeitinho carinhoso ela me chamou: Oi, professora lembra  de mim?

Conversamos por alguns minutos e foi o suficiente para eu reviver alguns momentos da vida do meu querido aluno Cristiano. Ele vive agora em Minas Gerais e trabalha como supervisor em um Supermercado.

 

 

Entrevista com cinco professores da Rede pública de Paracambi, acerca da importância e da afetividade entre professor e aluno.

 

1)-  O que caberia a escola fazer com relação ao desenvolvimento afetivo dos alunos?

 

Professora – Maria   da 1ª série - 1° Ano

Resp: Procurar respeitar a individualidade de cada um.

 

2)- Qual a importância das ligações afetivas no desenvolvimento ensino/aprendizagem?

 

Professora – Eliane   2ª série – 3° Ano

 

Resp: Um dos trabalhos mais importantes a serem desenvolvidos  é motivá-los, buscando meios para que o processo da aprendizagem seja mais fácil e levantar a auto-estima de cada um.

 

3)- Tanto a inteligência como a afetividade são mecanismo de adaptação. Por quê?

 

Professora: Rosa 3ª série – 4° Ano

 

Resp: Porque permite aos alunos construir noções de objetos e de pessoas que estão a sua volta. Com isso eles  podem construir uma visão de mundo.

 

4)- Como aperfeiçoar a interação professor/aluno?

 

Resp: Professora Ângela  4ª série -5° Ano

 

Procurar conhecer, compreender e ajudar os alunos a elaborar os conceitos de valores, pois muitos ainda não têm este conceito e o professor é um elo maior para fazer isso. Alguns passam a ser referência de vida para os seus alunos, daí a grande importância da figura do professor.

 

5) – Quais as relações entre afetividade e cognição?

 

Professor: Leandra de Souza 4ª série – 5º Ano

 

Resp: O afeto pode ser entendido como necessidade para a estrutura cognitiva e passa  a operar s necessidades dos alunos.

Quando o aluno sente-se seguro e gostam do professor eles aprendem com mais facilidade.

 

 

 

 

 

Os nomes apresentados neste texto são fictícios.

 

 

           

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Tags: afetividade atendimento e comprometimento satisfação do aluno

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