Faço parte de um grupo literário em Fortaleza há mais de seis anos, e também faço parte de um grupo virtual que já tem quase 10 anos. O que me reuniu nesses grupos, a princípio, foi o amor pelos livros, a paixão por cinema e gostar muito de seriados. Hoje o que nos reúne é, além de tudo, uma grande amizade. Quase todas as minhas amigas de ambos os grupos se tornaram blogueiras, algumas escrevem ou escreveram e já tiveram publicados 'seus bebês' (seus livros) e essa proximidade com a literatura fez com acabasse me tornando blogueira também. Há anos penso em escrever artigos, e começar a navegar por esse mar desconhecido. Pesquisei muito sobre o assunto, estudei diversas regras pela internet e por livros de metodologia científica, analisei diversos modelos que me foram apresentados por amigos e por universidades afora, conversei com colegas de trabalho e com amigos da área sobre como produzir artigos, e possuo uma curiosidade, talvez até incompreensível, de saber como as outras pessoas começaram essa vida de escritor (a). Toda essa preocupação e detalhe nada mais são do que medo de errar, de não ter tempo pra escrever, de não ter tempo pra revisar o que escrevi, de não acertar o discurso, e se tornar uma escritora chata e muito séria, onde as pessoas não têm interesse em terminar de ler o que escrevi. Achei que minha experiência como blogueira me ajudasse a escrever melhor, a não temer a exposição, mas não é que o aconteceu. #) rsrs Tem sido uma jornada bem estressante essa de tentar achar o momento mais adequado pra escrever. E sempre que pensava a respeito uma sensação de pânico tomava conta de mim, meu coração acelerava, meu estômago doía e fazia com que ficasse impaciente, e me detestava por isso. Desde que retornei à Fortaleza tenho diminuído o ritmo das minhas atividades, mudado meus hábitos e tentado esperar. Algo transformador vem acontecendo desde então. Nessa última semana li dois artigos no Administradores.com, 'Você já pensou em escrever artigos?' de Leandro Vieira, e 'Eu também quero escrever!' de Débora Martins, que fizeram com que refletisse sobre porque eu não começo a escrever de uma vez. Logo em seguida escolhi, ao acaso, o livro 'O poder da paciência – como diminuir a pressa e ter mais felicidade, sucesso e paz no seu dia-a-dia' de M. J. Ryan e descobri como tem sido importante manter minha tranqüilidade apesar do estresse diário. Parecia que enfim tinha encontrado o caminhocerto, que as respostas estavam vindo naturalmente, e a inspiração tinha chegado. Mas escrever sobre o quê? Talvez justamente sobre isso: sobre a paciência de esperar a hora certa, de decidir ter paciência de esperar a hora certa. 'A paciência de esperar é possivelmente a maior sabedoria de todas: a sabedoria de plantar uma semente e esperar a árvore dar frutos.', já dizia John Macenulty.[1] Mas será essa a hora certa? Estou preparada pras críticas que virão? Estou preparada se não houver nenhuma crítica? Nesse mesmo livro li uma estória sobre o encontro entre dois líderes. Nesse encontro, o empregado do líder Número Um irrompe no local, berrando e gesticulando violentamente. O líder Número Um diz: 'Queira ter a gentileza de se lembrar da regra número seis'. O homem se recompõe, pede desculpas e se retira. Isso acontece outras vezes. O líder Número Dois não se contém e pergunta: 'Qual é a regra número seis?'. 'Não se leve muito a sério', responde o Número Um. 'Esta é uma regra muito boa. Quais são as outras?', pergunta o Número Dois. 'Iguais a esta', diz o Número Um.[2] Escrever então é justamente isso, não se levar tão a sério. Deixar correr as palavras quase da mesma forma como correm meus pensamentos. Estou descobrindo que tenho todo o tempo que preciso e que não ter medo aumenta e muito a minha eficiência. Thomas Edison[3], inventor da lâmpada, dizia, enquanto lutava para chegar a um resultado: 'Eu não fracassei setecentas vezes. Eu não fracassei nem uma única vez. Eu consegui provar que essas setecentas maneiras não funcionam. Quando tiver eliminado todas as maneiras que não funcionam, descobrirei a que funcionará.'. Esse pode não ser o começo de algo grandioso, mas pode ser justamente o melhor início possível dessa desconhecida jornada. A paciência nos desperta pra alguns dons[4]: gera excelência; nos coloca em harmonia com os ciclos da natureza; nos ajuda a tomar decisões melhores; nos conecta com a esperança; nos ajuda a viver vida mais longas e livres de estresse; nos ajuda a desperdiçar menos tempo, menos energia e menos dinheiro; nos ajuda a conseguir aquilo que queremos; nos protege contra a raiva; nos dá maior tolerância e empatia; nos ajuda a ter relacionamentos amorosos mais felizes; nos torna pais melhores; ensina o poder da receptividade; é a essência da civilidade; e faz nossas almas crescerem. A paciência não é algo que temos ou não temos. Ela é uma decisão que tomamos, uma opção que fazemos todos os dias. O que seu coração deseja? Será que o que ele quer vale a pena? Nem tudo pode ser obtido através da força de vontade – às vezes, o que precisamos é de um pouco do poder da espera. 'A espera intensifica o desejo. Na realidade, ela nos ajuda a reconhecer quais são nossos verdadeiros desejos. Ela separa nossos entusiasmos passageiros de nossos verdadeiros anseios.'.[5] Viver é, pelo menos em parte, esperar. Talvez esperar muito, mas 'Longo tempo não significa para sempre.'[6], só parece ser. [1] John Macenultyfoi maestro e diretor executivo da Filarmônica de Belleville, quando sua carreira foi interrompida por um câncer. Depois dessa experiência de quase morte começou um período de busca espiritual e meditação, trazendo grande mudança de valores a sua vida. [2] ZANDER, Rosamund Stone; ZANDER, Benjamim. A Arte da Possibilidade. Rio de Janeiro: Elsevier/Campus, 2001. [3] Thomas Alva Edison foi um inventor, cientista e empresário dos Estados Unidos que desenvolveu muitos dispositivos importantes de grande interesse industrial, sendo o mais conhecido a lâmpada elétrica. [4] RYAN, M. J. O poder da paciência – como diminuir a pressa e ter mais felicidade, sucesso e paz no seu dia-a-dia. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. [5] David Runcorn é escritor, palestrante, padre, professor e consultor espiritual com formação profissional em desenvolvimento espiritual. [6]Provérbio alemão.