6 regras básicas para quem não quer ser um idiota

Na internet, as meias-verdades e as mentiras se espalham com facilidade, em grande parte, por preguiça nossa. É por isso que eu carrego comigo um manual básico de como não ser um idiota

Reprodução/ Dumb and Dumber/ Motion Picture Corporation of America

A semi-informação é um problema sério que precisa ser combatido. A tal da "pós-verdade" (nem gosto de usar esse termo) se espalha igualzinho a um câncer: começa com uma feridinha e daqui a pouco as células estão se multiplicando descontroladamente, cada uma contando uma versão do conto e acrescentando seu ponto.

Na internet, as meias-verdades e as mentiras se espalham com facilidade, em grande parte, por preguiça nossa. É fácil compartilhar uma história da qual ouvimos falar (ou lemos por aí). Mas procurar as fontes, dirimir as dúvida, esclarecer o que estiver obscuro também não é difícil.

É por isso que eu carrego comigo um manual básico de como não ser um idiota. É meu único instrumento de proteção nesse mundo louco que as pessoas têm construído com a ajuda da internet.

Compartilho aqui com quem se interessar:

1. Ouça as pessoas de quem você discorda

Eu sei que essa é uma tarefa difícil. Tendemos – talvez por instinto de defesa – nos agruparmos com as pessoas que pensam como nós. Tudo bem. Nos sentimos mais confortáveis e felizes assim. Mas isso vira um problema quando seus parças estão pensando e agindo mal. Você segue a boiada, mas nem sempre deveria. Por isso é importante ouvir o contraditório, ter sempre à mão a possibilidade de ouvir e ler quem pensa diferente de você. E, claro, refletir, senão não adianta. Colocar sempre em choque os dois lados da história é essencial. E discutir. Porque nada é melhor para praticar a crítica e a autocrítica que um bom debate. Você não precisa concordar com quem pensa diferente de você. Mas somente elas podem colocar em xeque aquilo em que você acredita. E por que isso é importante? Veja o ponto a seguir.

 

2. Aceite que, às vezes, você pode estar errado

Assumir que aquilo em que acreditamos não é verdade é outra tarefa difícil. Mas livrar-se de algumas crenças é essencial para evoluirmos na vida. E não estou falando aqui de religiosidade, porque nem tudo em que cremos é religioso. As tais das crenças limitantes, por exemplo, afundam carreiras. Aliás, afundam vidas. Em debates sobre assuntos polêmicos, vale a mesma regra. Você aprendeu algo. Absorveu aquilo como verdade absoluta. Nunca encontrou nada que confrontasse aquela crença. Então por que agora colocar em xeque? Por que algumas verdades não são absolutas para sempre. Durante muito tempo se acreditou que a Terra era o centro do universo e que o sol girava em torno de nós. E vocês não imaginam quão absurdo soou quando disseram que a história não era bem assim. Você vai achar absurdo deixar de acreditar em algumas coisas. Mas depois vai ver que estranho era continuar acreditando naquilo.

3. Não deixe nenhuma ideologia dominar você

Vejam só: eu não sou marxista. Mas se eu não tivesse lido Karl Marx não saberia o que ele pensava sobre ideologias: que são maneiras de falsear a verdade. Sim, é o que ele escreveu. Se transformaram seu pensamento em uma, aí já são outros quinhentos. Mais um exemplo: Lênin, um dos patriarcas da Revolução Russa, escreveu um livro que carrega um título sugestivo e que se dedica a apresentar respostas a uma pergunta intrigante: Qual a maior doença do comunismo? O esquerdismo, diz a obra. Se duvida, veja aqui. E, só para não ficar nos exemplos da esquerda, é importante que você saiba que o pensamento disseminado por páginas do Facebook e alguns youtubers conservadores também se encaixa na descrição de ideologia (se, ao ler isso, você já ficou um pouco irado, exercite mais um pouco o ponto 2).

4. Ouça os pensadores, mas não os transforme em mestres

Tanto na esquerda quanto na direita, tem muita gente que você deve ler e ouvir. São pessoas que estudam, pesquisam, debatem, refletem. E não me restrinjo aqui aos intelectuais, mas falo também daquelas pessoas que têm larga experiência prática em suas áreas e de vida, e que sempre têm algo a agregar. Escute-as, reflita sobre o que dizem, mantenha-nas em seu feed. Mas não se torne discípulo de ninguém. Ao fazer isso, você infringirá muito facilmente os pontos 1, 2 e 3 deste manual.

5. Use o Google, mas não ache que ele é um oráculo

Quando você se deparar com algo – principalmente se for polêmico – e lhe bater aquela vontadezinha de compartilhar, cheque antes de clicar. Esse processo não é complicado. Às vezes, uma simples pesquisa no Google já resolve. Mas tenha cuidado: as fontes de fake news estão cada vez mais elaboradas e algumas conseguem enganar até os robôs super-inteligentes do buscador. Depois de multiplicar suas fontes de informação, confronte-as, busque outras que as contradizem e, se possível, discuta com quem entende do assunto mais que você. Fazendo tudo isso, você ainda pode cometer um engano. Mas o risco fica bem menor.

6. Esteja sempre disposto a reconhecer seus erros e pedir desculpas

Todos estamos suscetíveis ao erro. Mas insistir estar certo, mesmo sabendo que não está, simplesmente para não dar o braço a torcer, é uma bela idiotice. Se errou, reconheça e peça desculpas se tiver prejudicado alguém. Essa é uma das atitudes mais nobres que podemos ter.

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