A Quarta Revolução Industrial

"Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes", diz o autor do livro "A Quarta Revolução Industrial", o engenheiro e economista alemão Klaus Martin Schwab, que é também, diretor executivo do Fórum Econômico Mundial.

O que é?

É automatização de processos, utilização de robôs, implementação da Internet das coisas e aumento considerável da mobilidade, tendo "a velocidade, o alcance e o impacto nos sistemas".
Segundo o alemão, "A quarta revolução industrial não é definida por um conjunto de tecnologias emergentes em si mesmas, mas a transição em direção a novos sistemas que foram construídos sobre a infraestrutura da revolução digital (anterior)".
"Há três razões pelas quais as transformações atuais não representam uma extensão da terceira revolução industrial, mas a chegada de uma diferente: a velocidade, o alcance e o impacto nos sistemas. A velocidade dos avanços atuais não tem precedentes na história e está interferindo quase todas as indústrias de todos os países", diz o Fórum Econômico Mundial.

Características:

As principais características da Quarta Revolução Industrial, ou Indústria 4.0, são: hiperconexão, muito por conta do surgimento da internet das coisas; o amplo uso de inteligência artificial (que está fortemente atrelado à utilização de robôs nos processos de fabricação); que, com isso, gera uma forte mudança nos sistemas de produção e consumo (por conta, também, do forte uso de impressoras 3D e da realidade aumentada); e o desenvolvimento de formas de energia que não degradam o meio ambiente, ou, ao menos, que possuam um índice mínimo de degradação. Entretanto, as duas principais característica são: primeira, a junção de todas as demais, ou seja, ao mesmo tempo, haver uma implementação de robôs, de internet das coisas, de novas formas de energia etc; segunda, o forte surgimento de negócios disruptivos, como Facebook, Uber e Airbnb.

Benefícios da Quarta Revolução Industrial para as Organizações!

Uma das principais características do modelo Fordista, no século passado, era a rigidez na produção. No entanto, principalmente, com a crise ocorrida na década de setenta, as indústrias começaram a implantar a flexibilidade produtiva, iniciando, principalmente, pela fábrica da Toyota, no Japão.
Desde então, sempre se buscou ter uma maior flexibilidade dentro das organizações. E o advento da Indústria 4.0 possibilitará um incremento ainda maior nessa flexibilidade.
Com isso, as organizações poderão oferecer, cada vez mais, produtos personalizados; dispor ainda mais de colaboradores Home Office; trabalhar com equipes multidepartamentais; realizar reuniões via videoconferência; controlar os equipamentos remotamente; e acompanhar todo o processo de fabricação de qualquer lugar do mundo.
As empresas poderão obter cada vez mais, e mais rapidamente, insights de seus stakeholders através da utilização do Big Data (que possui 5 V's: Variedade, Velocidade, Veracidade, Volume e Valor).
Com o aumento do número de máquinas realizando os trabalhos repetitivos, as indústrias irão reduzir os acidentes, aumentará o padrão de qualidade e o número de funcionários pensantes, já que reduzirá a necessidade de operários robotizados (ainda existe em algumas empresas), que foi uma das características do período fordista.
Com o uso crescente de drones, várias empresas adotarão essa tecnologia como meio de realizar as entregas de seus produtos; a JD.com, da China, realiza o transporte de produtos, em algumas áreas rurais, até um funcionário da empresa no local de destino. Com isso, reduzirá o tempo de entrega, os custos e a dependência de distribuidoras, por parte de algumas empresas, ou seja, beneficiará os sistemas de logística.
Através da realidade aumentada, a experiência na compra de produtos será elevada a um novo nível, assim como nas campanhas de marketing. Ano passado, por exemplo, a Rede Iguatemi realizou uma campanha de marketing natalina com a utilização da realidade aumentada.
Pode-se dizer que a Indústria 4.0 irá beneficiar os 3 P's das empresas (Pessoas, Processos e Produtos). Pois as pessoas terão maior flexibilidade para exercer suas funções, melhores equipamentos disponíveis para trabalhar e maior poder de capacitação; as organizações terão mais acesso a informações acerca de todos os stakeholders, maquinário mais conectado e eficaz; e poderão, consequentemente, desenvolver produtos mais atrativos e com melhores margens de lucro.

Vantagens:

As empresas terão que se reinventar sempre, se quiserem continuar existindo, o que irá beneficiar os, cada vez mais exigentes, consumidores; será reduzido o trabalho braçal e aumentado aqueles que necessitam do intelecto; os processos serão ainda mais acelerados; os fabricantes poderão realizar ainda mais testes, com menores gastos proporcionais e em menor tempo, de seus produtos, através da utilização de impressoras 3D.

Desvantagens:

"Sem uma atuação urgente e focada a partir de agora para gerir esta transição a médio prazo e criar uma mão-de-obra com competências para o futuro, os governos vão enfrentar um desemprego crescente constante e desigualdades", diz Klaus Schwab.
Segundo outro estudo do Fórum Econômico Mundial, "O peso da perda de empregos, como consequência da automatização e da desintermediação da quarta revolução industrial, vai ter um impacto relativamente equitativo entre homens e mulheres, já que 52% dos 5,1 milhões de empregos perdidos nos próximos cinco anos afetarão os homens e 48% as mulheres".

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