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Como aprendi a parar de procrastinar e amar o desapego

Abandone falsas necessidades prejudiciais ao seu dia a dia e perceba uma melhora completa na sua vida

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"Procrastinar me fez perder prazos, muitas e muitas vezes. Isso me estressava. Meu trabalho estava abaixo do esperado quando eu fazia no último minuto"

“As pessoas têm dificuldade de abandonar seus sofrimentos. Por medo do desconhecido, elas preferem sofrer com o que é familiar” (Thich Nhat Hanh)

O fim da procrastinação é a arte do despego. Fui um procrastinador desde que nasci, ao menos até os últimos anos. Eu colocava as coisas em espera até o prazo final, porque sabia que podia fazer. Passei em provas depois de estudar tudo no último minuto, conclui artigos no prazo final depois de esperar até a última hora. Eu conseguia fazer as coisas. Até que não consegui.

Acabou que procrastinar me fez perder prazos, muitas e muitas vezes. Isso me estressava. Meu trabalho estava abaixo do esperado quando eu fazia no último minuto. Lentamente, comecei a perceber que a procrastinação não estava me fazendo nenhum favor. Na verdade, estava me causando um monte de lamentos.

Mas eu não conseguia parar. Tentei muitas coisas. Tentei estabelecer um horário para cada atividade, estabelecer alguns objetivos, prestação de contas, a Técnica Pomodoro e Getting Things Done. Todos são ótimos métodos, mas eles duram apenas um tempo. Nada realmente funcionou em longo prazo.

Isso porque eu não estava indo à raiz do problema. Não tinha percebido qual era a habilidade que me salvaria da procrastinação. Até que aprendi sobre o desapego.

O desapego primeiramente apareceu para mim quando eu estava parando de fumar. Tinha que abandonar a “necessidade” de fumar, o uso dos cigarros como muletas para lidar com o estresse e problemas.

Então aprendi que precisava abandonar outras falsas necessidades que estavam me causando problemas: açúcar, comida não saudável, carne, comprar, cerveja, posses. Não estou dizendo que nunca vou fazer essas coisas outra vez depois que abandoná-las, mas me desapeguei da ideia de que elas são realmente necessárias. Abandonei o prejudicial desapego dessas coisas.

Então aprendi que distrações e a falsa necessidade de checar meu e-mail, as notícias e outras coisas online estavam me causando problemas. Elas estavam causando minha procrastinação.
E aí aprendi a me desapegar dessas coisas também.

Aqui está o processo que usei para me desapegar das distrações e falsas necessidades que causam procrastinação:

1. Prestei atenção à dor que elas me causavam, em vez de unicamente olhar para o temporário conforto/prazer que elas me davam imediatamente.
2. Pensei na pessoa que queria ser, na vida que queria viver. Defini minhas intenções para fazer o bom trabalho que eu achava que deveria fazer.
3. Observei meus impulsos para verificar as coisas, para ir ao conforto das distrações. Vi que queria escapar do desconforto de algo difícil e ir para o conforto de algo familiar e fácil.
4. Percebi que não necessitava do conforto. Eu poderia estar em desconforto e nada ruim aconteceria. De fato, as melhores coisas acontecem quando estou em desconforto.

E então sorrio, respiro e desapego. E, um passo de cada vez, me torno a pessoa que quero ser.

“Você só pode perder coisas às quais você se agarra” (Buddha)

Tradução: Lívia Pereira

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