Neymar vale tudo isso?

Ou: o capitalismo e o socialismo no futebol

Reprodução/ Instagram Paris Saint German

Nessa semana, ‪duas notícias bombásticas brotaram do mundo do empreendedorismo no futebol:

‪1. PSG pagou 821 Milhões de reais pela transferência do Neymar‬ (contrato de 5 anos).

‪2. A ADIDAS renovou o seu patrocínio na MLS - principal liga de futebol nos EUA - dessa vez, pelo valor de 2.2 Bilhões de reais‬ (contrato de 6 anos).

Nada mal, hein!

Qual é o sentido de valores tão altos nessas transações? É mais simples do que parece.

No caso Neymar, há um proprietário no PSG que tem ambições de performance com sua equipe. Além do clube, este proprietário também possui outras empresas que são alavancadas nesta operação e ainda, com a aproximação da copa no Catar, origem das empresas do proprietário do PSG, há uma série de elementos intangíveis que são favorecidos com este investimento. A conta fecha e por isso, alguém vai lá e paga com vontade.

No caso da Adidas, advinha em qual país do mundo a Adidas e sua concorrente Nike -grande interessada em entrar na MLS -vendem mais chuteiras? Sim, nos EUA...

O futebol explodiu na Terra do Tio Sam. Disse isso há 3 anos, quando comprei o Orlando City e nada disso era público e notório.

Agora, empresas, investidores e imprensa começaram a perceber o que, de fato, começou há cerca de 20 anos e cresce de forma consistente ano a ano, sem artimanhas ou intervenções estatais. É puro fenômeno mercadológico, ou seja, interesse legítimo do consumidor, aliado ao interesse legítimo de donos de clubes e estádios que colocaram o seu próprio dinheiro, assumindo riscos, acreditando no crescimento do futebol nos EUA a longo prazo.

Nessas horas, alguns me perguntam: e o futebol na China?

Eu sempre respondo assim:

Na China, ainda não existe mercado. Existe o governo, através de uma espécie de "Lei Rouanet", que injeta dinheiro no futebol. Ou seja, você tem um dose cavalar de estímulo ao consumidor com a contratação de grandes nomes de forma repentina, aliado a um interesse de donos de grandes indústrias em serem favorecidos com benefícios fiscais através dos times, operando clubes de futebol sem assumirem grandes riscos com o seu próprio dinheiro.

Recentemente, os clubes chineses pararam de pagar salários de seus jogadores. O motivo que se especula é que a "Lei Rouanet" teria sido limitada pelo governo pra tentar frear um pouco as contratações malucas que eles andaram fazendo. Consequência: alguns clubes correm o risco de fecharem suas portas.

Ou seja, o suposto incentivo à cultura ou ao esporte, na prática, produz nada mais do que o interesse no ganho fiscal e não no ganho genuíno através da pratica viável e autossustentável do objeto incentivado.

Em meio às duas notícias bombásticas no mundo do empreendedorismo no esporte, o futebol na China corre o risco de minguar. E o motivo também é mais simples do que parece:

Não existem atalhos no mercado. As transações precisam ser voluntárias tanto por parte de quem tá comprando quanto por parte de quem assumiu riscos e investiu o seu próprio dinheiro em busca do lucro. Esta dinâmica leva tempo e não se consolida de maneira artificial da noite para o dia. Ela é resultado da desenvolvimento de uma cultura de consumo que favorece a criação de riquezas através do surgimento orgânico de um ecossistema empreendedor.

Por outro lado, intervenções estatais com o dinheiro dos pagadores de impostos, além de terem um custo social alto, produzem uma movimentação artificial no mercado, ilhas de trocas de favores e desvios de finalidade. Não é espontâneo, não é mercado, não se sustenta e quase sempre, em algum momento se torna um fracasso retumbante.

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