Da mesma forma que a literatura Pop em administração apresenta-se como instrumento de alienação e dominação, também pode ser percebido ou proposto de maneira contrária. Essa ambiguidade é tipíca da abordagem interprativa das ciências da cultura, ou holismo metodológico, na qual o mesmo objeto pode ter tantas interpretações quantos forem os valores e os fins aos quais estiverem relacionados. A diferença básica será analítica, uma vez que diferentes perspectivas valorativas ou de finalidades acarretarão diferentes abordagens. O que no caso da literatura Pop Management deve ser entendido como uma alteração em seu modelo e apresentação.
A literatura Pop pode apresentar-se como uma hipotética superação de uma organização e produção de conhecimento equivocada e anacrônica. Hodiernamente, observa-se, em todo o mundo, um debate acerca do papel da Universidade e da Ciência no terceiro milênio. Na própria UFRJ, onde estudo, debates acerca da reforma da instituição desenrolam-se desde a década de 90. A essência da crise universitária contemporânea está no seu distanciamento social. Quero dizer com isso que a universidade perdeu, ou pelo menos viu limitada, sua capacidade de organização da cultura, e de prover conhecimento, qualificação e a formação do ser alinhado eticamente com o seu tempo, disposto e qualificado para realizar obras convergentes ao desenvolvimento econômico-social de seu ambiente.
E isto deve-se essencialmente não apenas ao excesso de especialização em algumas áreas do conhecimento como a medicina e a economia, e ao exclusivismo de sua comunicação/ produção científica à compreensão de iniciados na área do saber em questão, mas, principalmente, por sua inorganicidade, ignorando os desejos e necessidades de sua coletividade . A universidade e sua produção tornam-se um fim restrito aos seus iniciados. O vulgo, cada vez mais, não percebe benefícios do financiamento da educação superior e os agentes econômicos interessam-se cada vez mais pelo potêncial utilitário da universidade.
Perdida entre dois extremos: orientar-se para o mercado ou fechar-se em torno de si mesma, a produção de conhecimento cada vez menos é capaz de promover tanto a transformação social, t como a promoção da trancendência humana. Ou seja, suas possibilidades mais adequadas no que se refere ao seu papel como fim em si mesmo e no seu papel como fim útil como meio para outro fim, não estão sendo devidamente exploradas, perdendo-se em uma estrutura anacrônica onde a produção de conhecimento perde esse significado para tornar-se viabilizante de privilégios estamentais e dogmáticos.
A resposta a esse diagnóstico têm sido a defesa da maior democratização do conhecimento, da promoção da interdisciplinaridade na produção de conhecimento e na transdisciplinaridade, em sua comunicação. A literatura Pop pode ordenar-se para viabilizar duas dessas propostas: Pode ampliar o acesso ao conhecimento produzido pelos pesquisadores em todo o mundo; pode efetivar a transdiciplaridade.
Para alcançá-lo, essa literatura precisa redefinir seus métodos e certezas, rompendo com o paradigma predominante. Ela precisa ser capaz de comunicar o conhecimento de maneira simples, mas que preserve seu conteúdo, respeite a inteligência do leitor e incentive sua reflexão crítica e autônoma. Dessa forma, teremos uma grande contribuição rumo à aproximação entre a academia e a sociedade, dentro de sua vocação revolucionária. Teremos a recuperação de sua relevância e incomodaremos bastantes os “doutores” protegidos por sua preguiça, seus títulos e sua tautologia.
A relevância do Pop Management
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