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Administração e Era da Informação

Karine C,
Introdução

A informação tem se apresentado nesse novo milênio como um recurso indispensável para as organizações que almejam a própria sustentabilidade. Assim como as matérias-primas, os insumos produtivos, as pessoas e a tecnologia, a informação tornou-se um recurso essencial em todos as empresas.

Com a crescente concorrência global, as empresas estão buscando cada vez mais as informações como uma fonte para o sucesso de seus negócios. A qualidade da informação deve ser uma preocupação constante para aqueles que tomam decisões baseadas nessas informações. Informações errôneas certamente irão gerar resultados desfavoráveis e desagradáveis.

Um sistema de informação integrado e eficiente nessa Era da Informação não é luxo nas organizações, mas uma questão de sobrevivência.

Histórico

O sociólogo estadunidense Daniel Bell (nasceu nos Estados Unidos em 1919) determina que a Era da Informação tem seu marco primordial uma década depois, em 1956, quando o número de ´´colarinhos brancos´´ ultrapassou o de operários no seu país. Ao perceber isso ele advertiu: ´´Que poder operário que nada! A sociedade caminha em direção à predominância do setor de serviços.´´ Ou seja, o poder se direcionava àqueles que possuíam algum tipo de conhecimento que interessava a outros.

Vivemos realmente em um momento de muitas transformações, não há como negar que estamos em outra Era. O trabalho atual se parece muito pouco com a forma mecânica adotada na Era Industrial.

Vivemos em um mundo extremamente dinâmico onde cada vez mais o conhecimento será valorizado. Podemos prever que o acúmulo de informação, muito em breve, terá o mesmo valor que tinha o acumulo de patrimônio há pouco tempo atrás. Algumas tendências já podem ser determinadas:

1. O aprendizado contínuo se torna imprescindível. Aprender como aprender é a mais importante lição que podemos desenvolver em nossos dias.


2. É preciso especializar-se, unindo conhecimento teórico ao pragmatismo. Quando os agricultores e funcionários domésticos passaram a trabalhar na indústria eles não precisaram de nenhum conhecimento específico. Afinal, apertar parafusos era mais simples que as atividades que eles já faziam. Hoje o operário que queira migrar para o trabalho do conhecimento necessita adquirir um tipo de informação específica que lhe valha seu salário. Cada vez mais as instituições de ensino devem deixar de lado o conhecimento por si só e ensinar aquilo que poderá ser aplicado no campo de trabalho que a pessoa deseja atuar.

3. As empresas devem esquecer a premissa de conquistar resultados com baixos salários. Uma crença generalizada, em especial por parte dos líderes sindicais, é que a queda do trabalhador industrial nos países desenvolvidos deveu-se totalmente à passagem da produção para o exterior, para países de abundância de mão-de-obra barata. Isso não é verdade.


Para exemplificar, nos anos 90 uma parte insignificante dos bens manufaturados importados pelos Estados Unidos foi produzida no exterior devido aos baixos custos de mão-de-obra. Enquanto o total de importações em 1990 representou cerca de 12 % de renda bruta americana, as importações de países com baixos salários representavam menos de 3% e apenas 1,5% eram manufaturados. Isso não explica porque esse país tinha de 30 a 35% dos empregos nessa área e hoje tem apenas de 15 a 18%. Além do mais, a principal concorrência para a manufatura americana vem de automóveis, aço e máquinas e que vêm do Japão e Alemanha, países que têm salários até mais altos que os estadunidenses.

A vantagem hoje está na boa aplicação do conhecimento. Alemanha e Japão têm ganhado a concorrência dos EUA, pois estão sabendo aplicar melhor o conhecimento nesses setores do que seus concorrentes. Vemos isso ocorrendo nos processos como o just in time e o toyotismo. Que tornam a produção mais eficaz reduzindo o custo da produção. Nestes processos há uma enorme troca de informações entre os trabalhadores e essa metodologia tem como premissa o aperfeiçoamento contínuo. Aprendizado contínuo que é característica da Era da Informação.

O toyotismo mostra nitidamente a diferença entre a Era Industrial, que tinha o modelo fordista, e o atual. Antigamente não havia aprimoramento da base para o topo. Os gerentes não aprendiam com os seus subordinados, apenas lhe davam ordens. As orientações vinham de cima e o funcionário as seguia. No modelo atual o conhecimento técnico, além de ser imprescindível, recebe estimulo ao desenvolvimento. Aprimorando-se sempre e tornando o processo cada vez melhor.

4. O poder está na mão das pessoas com conhecimento. Mais uma premissa de Marx que não se concretizou é que o operário não possui e nem poderá possuir as ferramentas de produção, portanto ele é ´´alienado´´ e o capitalismo sempre o dominará. Hoje, as ferramentas são os conhecimentos que cada trabalhador especializado possui. O conhecimento não possui mais uma escala de valores, cada situação precisará de um tipo de know-how específico. Se o paciente chega ao hospital com a unha encravada, de nada adianta um neurocirurgião atendê-lo. Embora esse médico tenha estudado mais de 15 anos sua especialidade, naquele momento seu conhecimento não tem valor algum. Quem deve fazer o trabalho é a pessoa que tem aquele tipo de habilidade. Essas ferramentas estão acessíveis a todos. Nunca foi tão barato obter informações e ao mesmo tempo, nenhuma época as atribuiu tanto valor.

De nada adianta uma linda sala de cirurgia se o profissional é mal pago e não possui conhecimento suficiente a ponto de fazer a operação a contento. Hoje, as empresas dependem muito mais dos funcionários do que eles delas, o maior valor agregado das companhias está na cabeça de seus colaboradores. O mau desempenho não pode mais ser atribuído a fatores como a pobreza ou conspirações comerciais. Ele só pode vir de ignorância na aplicação de conhecimento.

5. A Era da Informação está sendo mais do que uma mudança social. Ela é uma mudança na condição humana. Na nossa época, quantidade de esforço não significa mais resultado. Mãos calejadas não são mais sinônimo de trabalho honesto. Será a capacidade criativa e pensante, que sempre nos diferenciou dos demais animais, que determinará o sucesso das pessoas na economia mundial.

Peter Drucker, renomado consultor de empresas e autor de dezenas de livros sobre o assunto, foi a primeira pessoa a chamar o momento que estamos vivendo de Era da Informação. É dele também o livro Administração em tempos de grandes mudanças, que expõe claramente esse novo paradigma social. Este livro demonstra que podemos determinar o início da Era da informação a partir da atitude dos soldados americanos que, após voltar da II Guerra Mundial, tinham como uma das principais exigências as suas colocações imediatas em alguma universidade. Hoje isso pode parecer óbvio, mas na época foi muito marcante visto que aqueles que voltaram da I Guerra aspiravam apenas por um emprego seguro. Neste momento, por volta de 1946, o conhecimento já estava sendo mais valorizado do que o trabalho simplesmente operacional.

Na era industrial era preciso trabalhar em sincronia total com os outros. Na era do conhecimento, cada um poderá encontrar o seu padrão de produtividade. Não se pode exigir que um trabalhador da era do conhecimento tenha suas melhores idéias das 9 às 18 horas. O segredo não é trabalhar muitas horas por dia, mas saber se o que estamos fazendo agrega valor para nós e para a empresa. Em inglês há uma expressão ótima para isso: work smart. No Brasil, a era industrial e a da informação coexistem - e isso representa grandes desafios gerenciais

Administrador e a era da Informação

É papel fundamental da alta administração valorizar o aprendizado individual e coletivo, estimular o compartilhamento do conhecimento e manter o foco no cliente. O grande desafio é preservar a coerência entre o discurso e a prática nas várias dimensões da gestão do conhecimento. O investimento em ferramentas de informática também deve fazer parte dessa estratégia. Gerir o conhecimento significa, cada vez mais, gerir a própria empresa, e isso afeta todas as suas áreas.

O economista José Cláudio Terra fez uma pesquisa realizada com cerca de 600 gerentes e diretores de médias e grandes empresas que estão no Brasil. As organizações que são capazes de gerir conhecimento atuam nas seguintes dimensões:

1 Estratégia - há um consenso sobre os pontos fortes e as áreas de conhecimento a ser melhoradas. Além disso, todos os níveis organizacionais conhecem a estratégia da empresa.

2 Cultura organizacional - o aprendizado constante, os riscos calculados e o compartilhamento de informações são altamente valorizados.

3 Estrutura organizacional - cargos são menos importantes do que as competências individuais. A estrutura básica da empresa é formada por equipes de trabalho.

4 Gestão de RH - os processos de seleção são muito mais rigorosos do que em outras empresas do mesmo setor, o investimento em treinamento é alto e os salários estão mais vinculados às competências do que aos cargos.

5 Sistemas de informação - o foco da organização de dados não é o controle, mas o compartilhamento das informações.

6 Mensuração de resultados - as realizações são medidas sob várias perspectivas (financeira, operacional e estratégica) e amplamente divulgadas entre os funcionários.

7 Aprendizado com o ambiente - empresas líderes aprendem constantemente com os clientes e buscam fontes alternativas de conhecimento, como as universidades e os institutos de pesquisa.

Era da Informação na Empresa

As relações no ambiente de trabalho passaram por diversas mudanças nos últimos anos, acentuadas principalmente na década de 80 graças ao amplo desenvolvimento da tecnologia. Essa reforma refletiu diretamente na atuação dos recursos humanos, que ficaram frente a frente com o desafio imposto pela nova realidade: abandonar a postura focada em processos burocráticos e de controle, como por exemplo a pagadoria ou o controle rígido de freqüência, para alavancar o crescimento da maior riqueza das organizações, as pessoas.

O primeiro caminho trilhado pelas companhias foi, portanto, investir nos processos para garantir os resultados. Mas, na conta do capital intelectual, os valores realmente produtivos - as pessoas - ficaram em segundo plano. Ainda hoje, grande parte das empresas têm um perfil que dá pouca importância à gestão dos seres humanos

Aqueles que viram as pessoas como diferencial competitivo fizeram do RH a área integradora das estruturas internas e externas da empresa e tornaram-se exceções, destacando-se no noticiário. Eles sabem que a chave do sucesso é pensar globalmente e agir localmente.

Existe uma tendência cada vez mais acentuada de adoção das tecnologias de informação e comunicação não apenas pelas escolas, mas por empresas de diversas áreas, sobretudo com a disseminação dos aparelhos digitais no cotidiano contemporâneo.

Num ambiente corporativo, onde um grupo de pessoas percorre objetivos comuns, a necessidade de comunicação aumenta consideravelmente. Em uma corporação, existem barreiras culturais, sociais, tecnológicas, geográficas, temporais, dentre outras, que dificultam às pessoas se comunicarem, portanto um dos desafios de uma corporação é transpor essas barreiras.

Conclusão

A Era da Informação e do Conhecimento que vivemos nos mostra um mundo novo, onde o trabalho humano é feito pelas máquinas, cabendo ao homem a tarefa para a qual é insubstituível: ser criativo, ter boas idéias. Há algumas décadas, a era da informação vem sendo superada pela onda do conhecimento. Já que o aumento de informação disponibilizada pelos meios informatizados vem crescendo bastante, a questão agora está centrada em como gerir esse mundo



Referencias Bibliográficas

NASCIMENTO, Marcos. A era da informação disponível em: <http://www.scribd.com/doc/265370/A-ERA-DA-INFORMACAO > acesso em: 26/11/2008




RH Portal, Gestão de pessoas na era da informação. artigo disponível em: <http://www.rhportal.com.br/artigos/wmview.php?idc_cad= _3jeiccib > acesso em: 26/11/2008




ROCHA, Marcio. Administre suas idéias, artigo disponível em: < http://vocesa.abril.com.br/edi35/entrevista.shl > acessado em: 26/11/2008




Wikipédia. Era da Informação, disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Era_da_Informa%C3%A7%C3%A3o > acesso em: 26/11/2008

 
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Tags: da era informacao

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