Capital intelectual

Na atual conjuntura da economia mundial, com o advento de novas tecnologias desenvolvidas principalmente nas áreas de comunicação e informática, os setores produtivos e administrativos das empresas foram submetidos a acentuadas adaptações nas estruturas organizacionais.

Letícia Oliveira,
LETÍCIA OLIVEIRA SANTOS
MBA EM GESTÃO DE NEGÓCIOS
SALVADOR 2009

CAPITAL INTELECTUAL

 

RESUMO

 

 

Na atual conjuntura da economia mundial, com o advento de novas tecnologias desenvolvidas principalmente nas áreas de comunicação e informática, os setores produtivos e administrativos das empresas foram submetidos a acentuadas adaptações nas estruturas organizacionais, na forma de lidar com os clientes para que pudessem acompanhar a agilidade dos processos, das necessidades e solicitações do mercado. O diferencial entre as empresas não são mais as máquinas utilizadas no processo produtivo da era industrial, mas sim o somatório do conhecimento coletivo gerado e adquirido, as habilidades criativas e inventivas, os valores, atitudes e motivação das pessoas que as integram, o grau de satisfação dos clientes, a quantidade de informação gerada e disseminada, dividida. O mundo vivencia uma nova era: “a era do conhecimento”.

 

O conhecimento é mais valioso e poderoso do que os recursos naturais, grandes indústrias ou contas bancárias recheadas. As empresas de sucesso são as que detêm as melhores informações e que saibam controlá-las de forma mais eficaz. O capital intelectual é intangível, mais valioso que ativos físicos ou financeiros, ele significa a soma do conhecimento de todos dentro de uma organização, o que lhe proporciona vantagem competitiva. O treinamento, a intuição, o know-how, rede eletrônica, cooperação, aprendizado compartilhado entre empresas, funcionários e clientes é a receita que leva a eficácia.

 

O capital intelectual constitui a matéria intelectual utilizada para gerar riqueza, que é o produto do conhecimento. É difícil identificá-lo, distribuí-lo de forma eficaz. Na economia atual compramos e vendemos conhecimento, não são mais os produtos e serviços, puros e simples, nem mesmo os recursos naturais os frutos de renda da economia, mas sim a inteligência, a capacidade mental utilizada para desenvolvê-los. A força muscular, o poder das máquinas e da eletricidade está sendo constantemente substituídos pelo poder do cérebro. O conhecimento pode ser medido e gerenciado para melhorar o desempenho e revelar como gerentes e trabalhadores podem prosperar na era do conhecimento. Todos precisam saber o que fazer com essa nova economia do conhecimento, para tanto gerenciar o capital intelectual dentro das empresas será a porta para o sucesso.

 

 

CAPITAL INTELECTUAL

 

Thomas A. Stewart

 

 

A ERA DA INFORMAÇÃO

 

A ciência tomou formas para reduzir o uso de matéria-prima aumentando o uso do conhecimento. A informação e o conhecimento são, hoje, considerados produtos econômicos. Surge a economia da nova era da informação. A revolução da informação vem sendo seguida de transformações como a globalização, informatização, desintermediação econômica e intangibilização, o que levou ao fim da era industrial. Algo novo estava por vir ao mundo.

 

O conhecimento se apresenta de várias formas, por esse motivo se torna difícil enxergar como ele modifica a economia, é preciso definir a importância do mesmo dentro da organização e qual o papel dele na economia como um todo e não apenas no setor de informação. O mesmo tornou-se principal ingrediente do que produzimos, fazemos, compramos e vendemos por esse motivo administrá-lo de forma inteligente tornou-se a tarefa econômica mais importante dos indivíduos, das empresas e dos países. O conteúdo de conhecimento inserido nos componentes que mais utilizamos hoje em dia, como pen drives, computadores, aumenta a cada diminuição do tamanho físico dos mesmos. Estamos vivendo uma era de desmaterialização da indústria o que vem forçando uma reconceitualização do significado dos termos produção e produto. A informação é a matéria-prima mais importante para realização do trabalho, tornando-se junto com a capacidade mental de cada um a medida de cálculo para o pagamento da remuneração salarial, as pessoas hoje em dia, que não fazem parte do grupo dos trabalhadores do conhecimento não são remuneradas mais como antes. As indústrias que transportam informação vêm crescendo a frente das que transportam mercadorias. Até o dinheiro se desmaterializou. Valores altos, hoje, são negociados sem que assumam uma forma tangível e sim eletrônica.

 

Na nova era da informação, a economia baseada no conhecimento depende de novas habilidades, novos tipos de organizações e gerenciamento, muito investimento em educação, treinamento, pesquisa e inovação, P&D. Fumio Kodama citou:

 

“Se os investimentos em P&D começarem a ultrapassar os investimentos em capital, pode-se dizer que a empresa está começando a deixar de ser um local onde se produz para se transformar em um local onde se pensa.”

 

A informação precisa, em tempo real tem como maior vantagem a capacidade de eliminar estoques. As empresas vão eliminando investimentos em ativos físicos a partir do momento que começa investir em tecnologia da informação, daí os ativos que passam a ser mais importantes são os intelectuais. O principal executivo da CUC Internacional, que utiliza de catálogo virtual, Walter Forbes, diz:

 

“Trata-se de estoque em realidade virtual. Não estocamos nada, mas vendemos tudo.”

 

Hoje o ativo mais importante e valioso nas empresas chama-se capital intelectual. Na era do conhecimento, as habilidades deixaram de ser manuais para torna-se intelectuais, isso em qualquer setor. O aumento do percentual de pessoas que trabalham utilizando a mente, a capacidade intelectual, dados e informação tem crescido bastante, na proporção que seus salários também aumentam, o que continuou acentuando a desigualdade de renda.

 

O trabalhador do conhecimento está mais para um profissional liberal. A explosão do conhecimento, a rápida difusão e o poder crescente e veloz da tecnologia da informação, a participação cada vez maior do conhecimento no valor agregado da empresa, a ascensão do trabalhador do conhecimento, todos esse fatores trabalham juntos para impor novos tipos, modelo organizacional e novos métodos de gerência.

 

Atualmente, as empresas têm feito grande uso da tecnologia da informação como instrumento gerencial. Estas informações são utilizadas para repor estoques, abastecer depósitos e outros ativos físicos, economizando tempo e dinheiro. Administrar o conhecimento como faturas, mensagens, patentes, processos, habilidade dos funcionários, conhecimento dos clientes, fazendo uso intensivo de máquinas, computadores, para tal, determina o sucesso ou fracasso da empresa nos tempos de hoje.

 

O conhecimento é a base principal de valorização nas organizações de hoje. Um dos principais problemas para aqueles que desejam adotá-lo é que, assim como na era industrial ainda se vê as pessoas como custos e não como receitas. Quando uma empresa é comprada por um valor superior ao seu valor contábil, essa diferença normalmente consiste em ativos intelectuais – previsões de receitas de patentes, relacionamento com o cliente, valor da marca e etc., além de um prêmio para obtenção do controle gerencial. O conhecimento, material intelectual bruto, transforma-se em capital intelectual, a partir do momento que passa a agregar valor aos produtos/serviços. E esse capital é, em alguns casos, mais valioso do que o próprio capital econômico.

 

A gestão do conhecimento desenvolve sistemas e processos que visam adquirir e partilhar ativos intelectuais. Reporta inevitavelmente ao uso pleno do conhecimento, direcionando-o como diferencial estratégico competitivo de sucesso. Aumenta a geração de informações que sejam úteis e significativas e promovam atividades, enquanto procura aumentar o aprendizado individual e grupal. Além disso, ela pode maximizar o valor da base de conhecimento da organização em funções diversas e localizações diferentes.

 

Com o enfoque da gestão do conhecimento começa-se a rever a empresa, suas estratégias, sua estrutura e sua cultura. Isso se dá num ambiente competitivo, onde a rápida globalização da economia e as melhorias nos transportes e comunicações dão aos consumidores uma gama de opções sem precedentes. Pressões sobre os preços não deixam margem para ineficiência. O ciclo de desenvolvimento de novos produtos é cada vez mais curto. As empresas precisam de qualidade, valor agregado, serviço, inovação, flexibilidade, agilidade e velocidade de forma cada vez mais crítica. As empresas tendem a se diferenciar pelo que elas sabem e pela forma como conseguem usar esse conhecimento.

 

Para STEWART, o capital intelectual corresponde ao conjunto de conhecimentos e informações, encontrados nas organizações, que agrega valor ao produto e/ou serviços, mediante a aplicação da inteligência e não do capital monetário, ao empreendimento.

 

 

Já para EDVINSSON e MALONE5 (1988, p.19), “é um capital não financeiro que representa a lacuna oculta entre o valor de mercado e o valor contábil. Sendo, portanto, a soma do Capital Humano e do Capital Estrutural”. É imprescindível que as empresas reconheçam, identifiquem, invistam, e mensurem a importância do homem, da sua capacidade e do uso da informação dentro da organização.

 

O termo capital intelectual teve sua origem na propriedade intelectual; os componentes de conhecimentos de uma empresa, reunidos e legalmente protegidos. É um conjunto de benefícios intangíveis que agregam valor às empresas. Ideias economicamente valiosas não têm que ser eruditas ou complicadas, tampouco de alta tecnologia. Paul M. Romer, principal defensor do valor das ideias, afirma: “as ideias são as instruções que nos permitem combinar recursos limitados em arranjos ainda mais valiosos”.

 

Para Stewart (1998) os ativos intelectuais de uma corporação, são geralmente três ou quatro vezes mais valiosos que os tangíveis que constam nos livros e diz que os passos para administrá-lo são:

 

- definir a importância do investimento intelectual para o desenvolvimento de novos produtos;

 

- avaliar a estratégia dos componentes e o ativo do conhecimento;

 

- classificar o seu portfolio: o que você tem, o que você usa, onde eles estão alocados;

 

- analisar e avaliar o valor do portfolio: quanto eles custam, o que pode ser feito para maximizar o valor deles, se deve mantê-los, vendê-los ou abandoná-los;

 

- investir baseado no que se apreendeu nos passos anteriores, identificar espaços que devem ser preenchidos para explorar conhecimento, defender-se da concorrência, direcionar a ação da empresa ou avançar na tecnologia; e

 

- reunir o seu novo portfolio de conhecimento e repetir a operação ad infinitum.

 

Encontra-se em desvantagem em relação às demais, as empresas que ainda não se deram conta do seu Capital Intelectual, pois não encontraram a importância do mesmo dentro do seu patrimônio. O primeiro passo para o gerenciamento deste capital é identificá-lo, para depois mensurá-lo. Toda organização possui valiosos materiais intelectuais sob a forma de ativos e recursos, perspectivas e capacidade tácitas e explícitas, dados, informação, conhecimento e talvez sabedoria.

 

Stewart diz que “o capital intelectual pode ser dividido em três grandes capitais. O capital humano, o capital estrutural e o capital do cliente. Todos são intangíveis, mas descrevem coisas tangíveis para os executivos. É o intercâmbio entre eles que cria o Capital Intelectual.”

 

Capital Humano – A Mina na Empresa

 

É a fonte de inovação e renovação. As pessoas geram capital para a empresa através de sua competência, sua atitude e sua capacidade para inovar. As competências incluem as habilidade e a educação e a atitude se refere às condutas. Porém é finalmente a capacidade de inovar, a que pode gerar mais valor para uma companhia. Tudo isto constitui o que chamamos de capital humano.

 

Constitui o capital humano o conhecimento acumulado, a habilidade e experiências dos funcionários para realizar as tarefas do dia-a-dia, os valores, a cultura, a filosofia da empresa, e diversos ativos intangíveis, ou seja, as pessoas que são os ativos humanos da empresa. A principal estratégia da empresa será de atrair, reter, desenvolver e aproveitar o máximo o talento humano, que será cada vez mais, a principal vantagem competitiva.

 

A gestão do capital humano passa pelo levantamento do potencial humano, pela identificação das potencialidades estratégicas a desenvolver e pela capacitação necessária. O capital humano, portanto, configurando-se como um grande referencial de sucesso no meio empresarial, é o que vai determinar o futuro da companhia, o ponto é como adquirir volume suficiente de capital humano que possa ser usado para gerar lucro. Sem um gerenciamento adequado deste requisito, nenhuma empresa terá sucesso com suas metas e objetivos e, conseqüentemente, não alcançará os resultados esperados. Muito menos poderá pretender manter-se competitiva no mercado.

 

Segundo Stewart “trabalhadores inteligentes trabalham de forma mais inteligente. As empresas gerenciam o capital intelectual de forma aleatória e o principal motivo é a dificuldade de diferenciar o custo de se remunerar os funcionários do valor de investir neles”. “O trabalho rotineiro, que exige pouca habilidade, mesmo quando feito manualmente, não gera nem emprega capital humano para a organização. Pessoa contratada – mente contratada”.

 

A relação entre o aprendizado individual e o capital humano da empresa – não apenas seu estoque de conhecimento, mas sua capacidade de inovar – envolve ainda mais grupos do que indivíduos. Um ativo empresarial tem origem social, o aprendizado é uma atividade social.

 

Para usar mais o que as pessoas sabem, as empresas precisam criar oportunidades de tornar público o conhecimento privado. O capital humano se dissipa com facilidade, é preciso concentrá-lo. Para fazer diferença o capital humano precisa de seus irmãos, o capital estrutural e o capital do cliente. Kathryn Rudie e Gaurav Dalmia dizem:

 

“Os trabalhadores do conhecimento... provavelmente dividirão sua lealdade entre sua profissão e seus pares, por um lado, e a organização empregadora, por outro. Eles permanecem comprometidos com empresas específicas desde que estas lhe forneçam os recursos necessários para trabalhar em projetos interessantes. Se isso não ocorrer os trabalhadores do conhecimento precisam ter laços com a empresa empregadora.”

 

Capital ESTRUTURAL

 

Compreende os ativos intangíveis relacionados com a estrutura e os processos de funcionamento interno e externo da organização que apóiam o capital humano, ou, tudo o que permanece na empresa quando os empregados vão para casa. O capital estrutural pertence à empresa como um todo, pode ser reproduzido e dividido. Tecnologias, invenções, dados, publicações.

 

Peter Druker, afirma: “somente a organização pode oferecer a continuidade básica de que os trabalhadores do conhecimento precisam para ser eficazes. Apenas a organização pode transformar o conhecimento especializado do trabalhador do conhecimento em desempenho”.

 

Para gerenciar o capital estrutural, é preciso uma rápida distribuição do conhecimento, o aumento do conhecimento coletivo menor tempos de espera e profissionais mais produtivos. A função da gerência da empresa é utilizar corretamente o capital estrutural, para que o mesmo aumente o valor para os acionistas. Pode-se gerenciar o conhecimento acumulado de funcionários individuais a fim de transformá-lo em um ativo da empresa.

 

Uma rápida distribuição do conhecimento, o aumento do conhecimento coletivo, menores tempos de espera, profissionais mais produtivos – esses são os motivos para se gerenciar o capital estrutural. O cliente de hoje exige um padrão de expertise muito alto.

 

Tipos de capitais adequados aos bancos de dados de conhecimento: uma das melhores formas de aumentar o capital estrutural é acumular lições aprendidas, checklists do que deu certo e do que deu errado junto com diretrizes. Inteligência do concorrente; acelerar os fluxos do conhecimento.

 

O sucesso da gerência do capital estrutural depende da liderança. Se deixar claro que valoriza o compartilhamento do conhecimento da empresa, ele será compartilhado. O capital estrutural pega o que eu sei e entrega aos meus clientes. Organiza os recursos da empresa para ampliar e apoiar minhas ideias e meu trabalho. Pode também convidar os burocratas da empresa a se calarem. Pode me fornecer informações que me ajudem a realizar um trabalho melhor. Mas pode também me destruir com informações triviais.

 

Existem dois objetivos aos quais o capital estrutural deve servir: codificar arcabouços de conhecimento que podem ser transferidos a fim de preservar as receitas que, do contrário, poderiam se perder. Ligar as pessoas a dados, especialistas e expertise – incluindo conjuntos de conhecimentos – em uma base Just-in-time.

 

CAPITAL DO CLIENTE

 

É definido como o valor de sua franquia, seus relacionamentos contínuos com pessoas e organizações para as quais vende. Para Stewart, toda empresa com clientes possui capital do cliente, entre as três grandes categorias de ativos intelectuais – capital humano, estrutural e do cliente – os clientes são os mais valiosos, eles pagam as contas.

 

Na era da informação o capital do cliente não pode ser capturado ao acaso. O conhecimento sendo o que compramos e o que vendemos é o principal ingrediente do capital do cliente. Um dos princípios da gerência do capital intelectual é o fato de que quando a informação é poder, o poder flui na direção do cliente. Não há motivo para que a informação tenha que se acumular no lado do cliente.

 

Uma empresa pode descobrir que deveria alterar as atividades físicas que realiza para tirar vantagem do fluxo de atividades intelectuais, mover-se para onde estão os maiores e melhores clientes. Em uma época de sistemas abertos e redes cliente-servidor dispersas, criou-se uma nova fonte de valor agregado, os clientes não querem apenas computadores, eles também querem configuração. A informação-chave é saber como combinar os sistemas para os clientes.

 

É vital que os negócios gerenciem o relacionamento com os clientes de novas formas. Eles devem investir em seus clientes da mesma forma que investem em pessoal e em estruturas. O capital do cliente é muito semelhante ao capital humano: não se pode possuir os clientes, da mesma forma como não se pode possuir pessoas.

 

Inove com os clientes, a inovação bem-sucedida sempre foi uma defesa excepcional contra redução das margens de lucro, ela também tem um componente de capital do cliente. Invista seus clientes de empowerment, buscando economias de custo e intimidade ao mesmo tempo, fornecedores e clientes navegam nos computadores uns dos outros, fazendo pedidos diretamente, verificando os níveis de estoque e o andamento das expedições.

 

Para construir o capital do cliente, a participação do próprio é uma estratégia melhor do que a participação no mercado: é mais vantajoso persuadir seus melhores clientes a lhe darem mais de seus negócios. Divida os ganhos com seus clientes, o capital do cliente é riqueza acumulada quando o produtor e o cliente não lutam pelo excedente que criaram juntos, mas concordam em possuí-los juntos. Quanto maior for a parceria entre comprador e vendedor, maior o excedente pode ser. Aprenda o negócio de seu cliente e lhe ensine o seu quanto mais você souber sobre o negócio do cliente melhor poderá servi-lo. Torne-se indispensável, use a informação que você tem para fornecer um serviço vital para o cliente, dificultando a escolha de outro fornecedor.

 

A NOVA ECONOMIA DA INFORMAÇÃO

 

Segundo Stewart, a economia é o terreno pelo qual a estratégia se expande e o conhecimento é um bem público, pode ser usado sem ser consumido, independe do espaço, pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Algumas características do conhecimento: possui algumas formas que são sensíveis ao tempo; é abundante; estrutura de custo diferenciada. O valor do capital intelectual não está necessariamente relacionado ao custo de sua aquisição, o que impossibilita o uso de alguma medida do que você faz como um meio de revelar como você está se saindo.

 

Essa nova economia deixou um marco no que tange a empregabilidade: a segurança no emprego chegou ao fim, talvez definitivamente. As carreiras serão definidas cada vez menos pelas empresas e mais pelas profissões. Quanto maiores os riscos, maiores as recompensas. As pessoas serão avaliadas pela competência, deixando de lado aquele padrão de verticalização de cargos e utilizando-se da flexibilidade. Some profissionais liberais e técnicos, subtraia supervisores e chefes, cada vez mais o que importa é o que você faz e não para quem você faz. Daniel Burnham, assinala:

 

“Os sinais de progresso na carreira são a riqueza de conteúdo do seu trabalho e seu impacto na organização”.

 

 

COMENTÁRIOS E IDEAÇÃO:

 

A era o conhecimento está se tornando uma era de inovações, de novos modelos de gestão de pessoas, serviços e produtos. Sua importância é fundamental em todas as atividades econômicas, como seu principal ingrediente, principalmente para as organizações cujas atividades estão voltadas para a geração de conhecimentos. O grande desafio esta em mensurar esse capital intelectual, saber como identificar e distribuir o conhecimento gerado pelas pessoas dentro das organizações, para que garanta uma trajetória de sucesso, crescimento e desenvolvimento as empresas.

 

Os estudos, definições, formas de utilização ainda devem continuar para tornar o Capital Intelectual uma ferramenta gerencial cada vez mais eficiente. A nova tendência de gestão do conhecimento nas empresas possui características marcantes e poderosas, capazes de promover no ambiente interno das empresas, nos mercados nos quais elas participam, e na sociedade na qual interferem, cenários racionais de aproveitamento da força do trabalho, criando oportunidades efetivas de desenvolvimento individual e corporativo.

 

O fundamental é que a administração cuide para que os funcionários considerados como Capital Intelectual do departamento não mudem para outras áreas (ou empresas) e mesmo que permaneçam, não deixar a motivação de lado para a busca constante de aperfeiçoamento.

 

A rapidez com a qual a globalização e a competitividade acirrada entre as empresas têm chegado, fez da informação e do conhecimento humano, peças importantes e imprescindíveis de geração de riquezas, nesse quebra-cabeça que é a era da informação. A gestão do conhecimento e do capital intelectual numa empresa voltada para o conhecimento só consegue prosperar efetivamente a partir do momento que começamos a montar essas peças enxergando a gestão do conhecimento como um todo. O estágio atual para o futuro só é possível preparando as pessoas, educando-as, treinando-as, desenvolvendo-as, enfim, investimento em quem, de fato vai fazer essa transformação.

 

O momento atual é de reflexão sobre o que as empresas realmente são. Ser é diferente de Ter. O Ser envolve valores, respeito ao profissional, força de união e ação, conhecimento. Com toda a certeza, o que ela vir a Ter, será conseqüência da forma de como conseguir administrar estas características. Dessa forma, o momento é de busca das melhores práticas e definições, o saber como se encaixar nessa nova era da informação, para obter resultados positivos e evoluir conjuntamente com todas essas mudanças que vem acontecendo.

 

A expectativa com relação ao futuro é grande e dependerá de planejamentos e desenvolvimentos, é hora de inserir no planejamento estratégico das empresas metas de desenvolvimento profissional para manter o capital intelectual valorizado: ter gente pensando mais, criando mais, agindo mais. O Capital Intelectual não se enquadra nos modelos tradicionais. Para avaliar adequadamente as empresas, da sociedade do conhecimento, é necessário reavaliar muitos princípios, conceitos e normas.

 

“Na nova organização o poder vem da expertise e não da posição”.

 

“O capital intelectual é a fonte de riqueza tanto para os indivíduos quanto para as organizações – e é de propriedade tanto de um quanto de outra”.

 

 

 

 

INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA

 

 

STEWART, Thomas. Capital Intelectual: a nova vantagem competitiva das empresas, 17ª edição. Rio de Janeiro, Elsevier Editora, 1998.

 

EDVINSSON, Leif, e Malone, Michel S. Capital intelectual. Tradução de Roberto Galma; revisão técnica de Petros Katalifós. São Paulo: Makron Books, 1998.

 

SVEIBY, K. E. A nova riqueza das organizações: gerenciando e avaliando patrimônio de conhecimento. 5ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 1998.

 

PONTES, R. M. SARDENBERG, D.P. Capital intelectual: ativo intangível. www.uol.com.br/cultvox.

 

EDVINSSON, Leif; MALONE, Michael S.. Capital Intelectual: Descobrindo o valor real de sua empresa pela identificação de seus valores internos. São Paulo: Makron Books, 1998.

 

 

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Tags: capital conhecimento informação