Bloodsucking Bastards: o verdadeiro chefe-sanguessuga

O filme não é nenhum exemplo de brilhantismo cinematográfico, mas a crítica ao corporativismo é feita de maneira inteligente e surpreendentemente adulta

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Olá pessoal. Depois de minha estreia na coluna de cinema aqui do Portal Administradores, em que falei do neo-clássico O Lobo de Wall Street, decidi dar uma alternada no tom, pegar mais leve no texto de hoje e falar sobre uma comédia. O mundo corporativo, aliado ao humor, sempre rendeu maravilhas no cinema e na TV. Filmes como o ótimo Como Enlouquecer seu Chefe (Office Space, 1999) e o engraçado Quero Matar meu Chefe (Horrible Bosses, 2011), além da antológica série The Office, são exemplos desta divertida vertente da boa comédia. Minha intenção aqui no Portal Administradores é falar sobre todos estes filmes acima e muito mais, fique ligado!

Outra produção deste subgênero é esta recente e bem acima da média Bloodsucking Bastards (EUA, 2015), que, além de mesclar com inteligência o humor e os clichês do canibalizado mundo corporativo, ainda agrega à mistura elementos do horror, transformando a produção em um “Terrir” de primeira categoria.

O filme mostra a rotina de um escritório de uma empresa qualquer, mais precisamente, do departamento de vendas da empresa, onde ninguém quer saber de nada. Os funcionários passam o dia conversando ou navegando na internet, enquanto os números da empresa vão caindo drasticamente. Até que entra em cena o novo gerente de vendas, o misterioso Max (Pedro Pascal, da série Game of Thrones e da sci-fi Prospect), que promete revolucionar o ambiente de trabalho e a performance dos funcionários, digamos que de uma maneira um tanto inusitada: Max quer transformar todos no escritório em vampiros.

Agora, cabe aos amigos Evan (Fran Kranz, de O Segredo da Cabana), seu amigo Tim (Joey Kern, de Cabana do Inferno) e a namorada de Evan, Amanda (Emma Fitzpatrick, de A Rede Social), lutarem para que o escritório onde trabalham não se transforme em um verdadeiro covil de forças malignas.

Dirigido com ótimo timing pelo desconhecido Brian James O’Connell (Angry White Men, 2011), Bloodsucking Bastards faz rir de maneira esperta, graças à trama bem bolada e ao seu competente elenco, tanto protagonistas quanto coadjuvantes. O roteiro, escrito pelo grupo de comediantes Dr. God, em parceria com o estreante Ryan Mitts, até traz algumas situações bem bobinhas, mas a grande quantidade de ótimas gags espalhadas pelo filme divertem e fazem rir um bocado, especialmente em seu terço final, onde se destacam Joey Kern e seu cínico personagem, e também com a entrada em cena do segurança do local, um ex-militar quebra-tudo interpretado por um ótimo e desconhecido Marshall Givens.

O filme, é claro, não é nenhum exemplo de brilhantismo cinematográfico. Mas nem faz questão de ser um. Várias sequências parecem transcorrer no improviso, sem falar nos efeitos-especiais propositalmente ruins. No entanto, a crítica ao corporativismo é feita de maneira inteligente e surpreendentemente adulta, onde só a analogia do termo “sugador de sangue” ou “sanguessuga”, já funciona de maneira genial para as duas vertentes da produção. Sem falar na questão que é o cerne do filme: a produtividade. Afinal, imaginem um cenário onde os funcionários de uma empresa não precisem se engajar em nenhuma outra atividade (nem mesmo dormir) a não ser trabalhar (e beber um sangue de vez em quando)...

Bloodsucking Bastards é entretenimento garantido, sem compromisso mas muito engraçado e surpreendentemente apropriado aos dias de tresloucada rotina corporativa dos dias de hoje. Aproveite um sábado à noite, junte os amigos (especialmente seus colegas de escritório), e boa diversão.

Bloodsucking Bastards está disponível em sistemas de streaming e VOD.

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