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LEITURA, ANÁLISE, INTERPRETAÇÃO E SÍNTESE TEXTUAL (LEITURA)

Claudio Luz,
LEITURA, ANÁLISE, INTERPRETAÇÃO E SÍNTESE TEXTUAL (LEITURA)

INTRODUÇÃO

Os maiores obstáculos do estudo e da aprendizagem, em ciência e filosofia, estão diretamente relacionados com a correspondente dificuldade que o estudante encontra na exata compreensão dos textos teóricos. Habituados à abordagem de textos literários, os estudantes, ao se defrontarem com textos científicos ou filosóficos, encontram dificuldades logo julgadas insuperáveis e que reforçam uma atitude de desânimo e de desencanto, geralmente acompanhada de um juízo de valor depreciativo em relação ao pensamento teórico.
Na realidade, mesmo em se tratando de assuntos abstrato, para o leitor em condições de “seguir o fio da meada” a leitura torna-se fácil, agradável e, sobretudo, proveitosa. Por isso é preciso criar condições de abordagem e de inteligibilidade do texto, aplicando alguns recursos que, apesar de não substituírem a capacidade de intuição do leitor na apreensão da forma lógica dos raciocínios em jogo, ajudam muito na análise e interpretação dos textos.

O QUE É LER?

Você está lendo neste momento e também lê quando consulta a lista telefônica e verifica o preço dos produtos numa loja. Certamente você leu "as flores do mal", ou talvez "O capital". O que há de comum em todas essas atividades? Ler o que é isso? A leitura é um modo particular de aquisição de informações, os objetivos da leitura são a compreensão do texto escrito e/ou o alcance de uma impressão de beleza, porque quando lemos, estabelecemos freqüentemente associações, evocamos imagens, construímos raciocínios, às vezes até sonhamos acordados.
Texto, a obra, é a expressão do viver, participar; é o produto humano colocado no mundo. É a manifestação do que o homem produz nos vários campos das artes, da literatura e do saber. Expressa – se por meio dos mais variados meios simbólicos: peças de teatro, filmes, televisão, pinturas, esculturas, literatura, poesia, livros científicos, artigos de revistas, jornais.
Os textos teóricos requerem sempre o emprego da razão reflexiva, e isso pressupõe uma certa disciplina intelectual, um método de estudo. Método entendido como o caminho a ser percorrido, demarcado do começo ao fim, por fases ou etapas. O método serve de guia para o estudo sistemático do texto teórico: compreende-o e interpreta-lo.
A Importância da Leitura pode ser considerado um manual para principiantes em graduação, que através de uma linguagem clara e objetiva nos mostra que o ato de ler exige uma consciência crítica e sistemática, adquiridos através da prática. Afirma que a leitura não deve ser confundida com o simples ato de descodificar sinais gráficos, pelo contrário, é necessário passar pelos planos da intelecção, da interpretação para finalmente chegar a aplicação, podendo ser: icônica, gestual e sonora.
Pode-se partir da consideração de que a comunicação se dá quando da transmissão de uma mensagem entre um emissor e um receptor. O emissor transmite uma mensagem que é captada pelo receptor. Este é o esquema geral apresentado pela teoria da comunicação.
Ao escrever um texto, o autor (o emissor) codifica sua mensagem que, por sua vez, já tinha sido pensada, concebida e o leitor (o receptor), ao ler um texto, decodifica a mensagem do autor, para então pensá-la, assimila-la e personaliza-la e compreendendo-a.

LEITURA

Denomina-se leitura a compreensão de uma mensagem codificada em signos visuais (geralmente letras e cifras). O ensino e o incentivo da leitura representam, portanto, um objetivo básico de todo sistema educativo.
Normalmente existem duas espécies de leitura: uma praticada por cultura geral ou entretenimento desinteressado, que ocorre quando você lê uma revista ou um jornal; e outra que requer atenção especial e profunda concentração mental, realizada por necessidade de saber, como por exemplo, quando você lê um livro, um texto de estudo ou uma revista especializada.
Para que a leitura seja eficiente, eficaz e proveitosa, orienta-se dedicada atenção no que se está lendo, caso contrário a leitura será superficial e, portanto, pouco entendida. Além de atenção, há necessidade de velocidade na leitura. Pela orientação de Galliano (1986:70), ao ler um parágrafo, o leitor deve fazer uma leitura rápida, obedecendo as pausas que, com um bom treinamento, passam ser momentos de fixação.
Cada assunto requer uma velocidade própria de leitura, se o seu campo de visão for estreito, limitando somente a palavra que você está lendo naquele momento, a sua leitura se tornará lenta. Quando o comportamento ocorre desta maneira, sua percepção acaba ligando palavras sem sentido, devido às interrupções das pausas e o ritmo apropriado. Quanto mais lenta é a leitura, mais facilmente a atenção se dispersa.
A leitura, apesar da individualidade do ato realizado, é um ato social, pois existe um processo de comunicação e de interação entre o leitor e o autor do texto, ambos com objetivos estabelecidos anteriormente dentro do contexto de cada um. Apesar de, aparentemente simples e tão natural, o processo de leitura possui uma complexidade que está subjacente porque depende do processamento humano de informações e da cognição de quem lê.
Cada leitor deve preocupar-se com o texto que esta lendo, já que esse deve ser sistematizado e com o objetivo de fornecer informações para uma melhor assimilação, possibilitando uma leitura mais rica e proveitosa.
Em relação a dificuldade do leitor enquanto, texto x Leitor, a figura a seguir pode exemplificar:

Legenda: L: leitor; T: texto; C: contexto.
 Situação 1: o texto utilizado corresponde ao nível de habilidade do leitor,mas o contexto não é pertinente;
 Situação 2: o leitor é colocado num contexto favorável, mas o texto não é adequado às suas capacidades;
 Situação 3: nenhuma das variáveis se relaciona: o leitor lê um texto que não está no seu nível e o contexto da leitura não é adequado.

O conhecimento textual faz parte do conhecimento prévio do leitor, e é uma das condições para que haja compreensão de leitura, quanto mais habilidade e familiaridade o leitor possuir a respeito de tipologias e estruturas textuais, mais facilidade ele terá na busca por compreensão.

ESTUDO DO TEXTO

Para estudar um determinado texto, devemos fazê-lo como um todo até adquirir uma visão global, para que possamos dominar e entender a mensagem que o autor pretendia relatar quando escreveu. Os textos de estudos requerem reflexão por aqueles que os estudam e, portanto, a leitura dos mesmos exige um método de abordagem. Devemos compreender, analisar, interpretar e, para isso, temos que criar condições capazes de permitir a compreensão, a análise, a síntese e a interpretação de seu conteúdo.
Analisar – decompor um texto completo em suas partes para melhor estudá-las.
Sintetizar – reconstituir o texto decomposto pela análise.
Interpretar – tomar uma posição própria a respeito das idéias enunciadas no texto, isto é, dialogar com o autor.

ANÁLISE

Para analisamos um texto devemos fazer por etapas, possibilitando por fim, a construção de um raciocínio global, obedecendo a algumas etapas de análises:

 Análise Textual, que consiste em buscar informações a respeito do autor do texto, verificar o vocabulário, entre outros, podendo ser finalizada com uma esquematização do texto, tendo como finalidade apresentar uma visão de conjunto da unidade;
 Análise Temática procura ouvir o autor, apreender sem intervir, fazendo ao texto uma série de perguntas, onde as respostas fornecem o conteúdo da mensagem;
 Análise Interpretativa visa a interpretação, segundo situações das idéias do autor, faz-se uma leitura analítica, objetivando o amadurecimento intelectual;
 Problematização visa o levantamento do problema relevante, para a reflexão pessoal e discussão em grupo;
 Síntese Pessoal consiste na construção lógica de uma redação, baseada na problemática levantada pelo texto; E por fim conclui valorizando a leitura analítica como responsável no desenvolvimento de posturas lógicas na vida do estudante-leitor.

ANÁLISE TEXTUAL

Análise Textual é a leitura visando obter uma visão do todo, dirimindo todas as dúvidas possíveis, e um esquema do texto.
Para efetiva-la, inicialmente o leitor deve ler o texto do começo ao fim, com o objetivo de uma primeira apresentação do pensamento do autor. Não há necessidade dessa leitura ser profunda. Trata-se apenas dos primeiros contatos iniciais, quando se sugere que já sejam feitas anotações dos vocábulos desconhecidos, pontos não entendidos em um primeiro momento, e todas as dúvidas que impeçam a compreensão do pensamento do autor.
Após a leitura inicial, o leitor deve esclarecer as dúvidas assinaladas que, dirimidas, permitem que o leitor passe a uma nova leitura, visando a compreensão do todo. Nesta segunda leitura, com todas as dúvidas resolvidas, o leitor prepara um esquema provisório do que foi estudado, que facilitará a interpretação das idéias e/ou fenômenos, na tentativa de descobrir conclusões a que o autor chegou.
É necessário o leitor relembrar que análise significa estudar um todo, dividindo em partes, interpretando cada uma delas, para a compreensão do todo. Quando se faz análise de texto, penetramos na idéia e no pensamento do autor que originou o texto. Para que o estudo do texto seja completo, temos que decompô-lo em partes e, ao fazê-lo, estamos efetuando sua análise.


ANÁLISE TEMÁTICA

É o momento em que vamos nos perguntar se realmente compreendemos a mensagem do autor do texto é a compreensão e apreensão do texto, que inclui: idéias, problemas, processos de raciocínio e comparações Aqui devemos recuperar:
 O tema do texto;
 O problema que o autor se coloca;
 A idéia central e as secundárias do texto.
Normalmente isto é feito junto com o esquema do texto. Nele, você irá indicar cada um dos itens acima, reconstruindo o raciocínio do autor do texto; recuperando seu processo lógico.
É através do raciocínio que o autor expõe, passo a passo, seu pensamento e transmite a mensagem. O raciocínio, a argumentação, é o conjunto de idéias e proposições logicamente encadeadas, mediante as quais o autor demonstra sua posição ou tese. Estabelecer o raciocínio de uma unidade de leitura é o mesmo que reconstruir o processo lógico, segundo o qual o texto deve ter sido estruturado: com efeito, o raciocínio é a estrutura lógica do texto.
Finalmente, é com base na análise temática que se pode construir organograma lógico de uma unidade: a apresentação geometrizada de um raciocínio.


ANÁLISE INTERPRETATIVA

A análise interpretativa é a terceira abordagem do texto com vista à sua interpretação, mediante a situação das idéias do autor. A partir da compreensão objetiva da mensagem comunicada pelo texto, o que se tem em vista é a síntese das idéias do raciocínio e a compreensão profunda do texto não traria grandes benefícios.
Interpretar, em sentido restrito é tomar uma posição própria a respeito da idéias enunciadas, é superar a estrita mensagem do teto, é ler nas entrelinhas, é forçar o autor a dialogar, é explorar toda fecundidade das idéias expostas, enfim, dialogar com o autor.
No primeiro momento da interpretação, busca-se determinar até que ponto o autor conseguiu atingir, de modo lógico, os objetivos que se propusera alcançar; pergunta-se até que ponto o raciocínio foi eficaz na demonstração da tese proposta e até que ponto a conclusão a que chegou está realmente fundada numa argumentação sólida e sem falhas, coerente com as suas premissas e com árias tapas percorridas.
Num segundo ponto de vista, formula-se um juízo crítico sobre o raciocínio em questão: até que ponto o autor consegue uma colocação original, própria, pessoal, superando a pra retomada dos textos de outros autores, até que ponto o tratamento dispensado por ele ao tema é profundo e não superficial e meramente erudito; trata-se de se saber anda qual o alcance, ou seja, a relevância e a contribuição específica do texto para o estudo do tema abordado.

PROBLEMATIZAÇÃO

É a quarta abordagem com vistas ao levantamento dos problemas para a discussão do texto. Rever todo o texto para se ter elementos para reflexão pessoal e debate em grupo.
Os problemas podem situar-se no nível das três abordagens anteriores; desde problemas textuais, os mais objetivos e concretos, até mais difíceis problemas de interpretação, todos constituem elementos válidos para a reflexão individual ou em grupo. O debate e a reflexão são essenciais à própria filosófica científica.
Devemos, portanto:
 Ler atentamente o texto e questioná-lo, procurando encontrar as respostas para os questionamentos iniciais.Assinalar em uma folha de papel os termos, conceitos, idéias etc, que deverão ser pesquisados após a leitura inicial.
 Fazer a segunda leitura e, a partir daí, sublinhar a idéia principal, os pormenores mais significativos, enfim, os elementos básicos da unidade de leitura.
 A prática possibilitará que o leitor perceba que raramente será necessário sublinhar uma oração inteira. Quase sempre é uma palavra-chave que se apresenta como elemento essencial. Na realidade, a regra fundamental é sublinhar apenas o que é importante para o estudo realizado, e somente depois de estar seguro dessa importância. O correto é que, ao ler o sublinhado, seja possível obter claramente o conteúdo do que foi lido.
ANÁLISE PESSOAL

A discussão da problemática levantada pelo texto, bem como a reflexão a que ele conduz, devem levar o leitor a uma frase de elaboração pessoal ou de síntese. Trata-se de uma etapa ligada antes à construção lógica de uma redação do que à leitura como tal.
De qualquer modo, a leitura bem feita deve possibilitar ao estudioso progredir no desenvolvimento das idéias do autor, bem como daqueles elementos relacionados com elas. Ademais, o trabalho de síntese pessoal é sempre exigido no contexto das atividades didáticas, quer como tarefa específica, quer como parte de relatórios ou de roteiro de seminários. Significa também valioso exercício de raciocínio – garantia de amadurecimento intelectual. Como a problematização, esta etapa se apóia na retomada de pontos abordados em todas as etapas anteriores.

INTERPRETAÇÃO

Interpretar é tomar uma posição própria a respeito das idéias do autor, é ler nas entrelinhas, é forçar o autor a um diálogo, é explorar as idéias expostas, é ter capacidade de compreensão e crítica do texto. Interpretação é processo, num primeiro momento, de dizer o que o autor disse, parafraseando o texto, resumindo-o; é reproduzir as idéias do texto. Num segundo momento, entende-se interpretação como comentário, discussão das idéias do autor. A análise interpretativa conduz o leitor a atuar como crítico do que o autor escreveu.
Para que haja uma boa leitura é indispensável que o leitor domine a língua, sendo capaz de conhecer a língua padrão, conhecer as variantes da língua, gerar seqüências lingüísticas gramaticais, produzir e compreender textos, enfim, desenvolver suas habilidades e competência lingüística, podendo assim interagir no mundo da leitura da forma madura e produtiva.
Para realizar a análise interpretativa de um texto devemos realizar os seguintes procedimentos:
 Reler o texto, assinalando ou anotando palavras ou expressões desconhecidas, valendo-se de um dicionário para esclarecer seus significados;
 Não se deixe tomar pela subjetividade;
 Relacione as idéias do autor com o contexto filosófico e científico de sua época e de nossos dias;
 Faça a leitura das “entrelinhas” a fim de inferir o que não está explícito no texto;
 Adote uma posição crítica, a mais objetiva possível, com relação ao texto.Essa posição tem de estar fundamentada em argumentos válidos, lógicos e convincentes;
 Faça o resumo do que estudou;
 Discuta o resultado obtido no estudo.
É preciso observar que a concepção da compreensão na leitura ampliou-se, consideravelmente, nas últimas décadas no que diz respeito à participação do leitor. A atitude do leitor frente ao texto, anteriormente vista como recepção passiva de mensagens, passou a considerar o processamento mental de informação da compreensão e evoluiu para uma perspectiva de interação entre o leitor e o texto.
Ao finalizar a análise interpretativa, com certeza, o leitor terá adquirido conhecimento qualitativo e quantitativo sobre o tema estudado.

SÍNTESE TEXTUAL

A leitura analítica serve de base para o resumo ou síntese do texto ou livro. Entende – se que é a apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto.
Esta é uma etapa que você só pode fazer se já tiver um bom acúmulo de leituras sobre o tema, conhecendo bem o assunto, tendo lido outros autores sobre o que foi estudado e conhecendo as críticas que se fazem àquele autor e àquelas idéias, após essa análise você pode começar a problematizar o texto. Na prática, isso significa levantar e discutir problemas com relação à mensagem do autor.
















CONCLUSÃO

Embora se tenha consciência de que, nomeadamente nos textos literários, a experiência de leitura é conexa do reconhecimento da pluralidade de interpretações, é igualmente necessário sublinhar que o contexto de interpretação é validado por um conjunto de elementos textuais e socio-históricos que implicam que nem todo o ato interpretativo é por si mesmo legitimado. Isto significa que ler e interpretar são atos de percepção relacional e argumentativa, e que esta sua fundação não deve ser ignorada.
Não basta ser alfabetizado para realmente saber ler. Há leitores que deixam os olhos passarem pelas palavras, enquanto sua mente voa por lugares distantes. Esses lêem apenas com os olhos e só percebem que não leram quando chegam ao fim de uma página, um capítulo ou um livro. Então devem recomeçar tudo de novo porque de fato não aprenderam a ler. É preciso ler, mas, também é preciso saber ler. Não adianta orgulhar-se que leu um livro rapidamente em algumas dezenas de minutos, se ao terminar a leitura é incapaz de dizer sobre o que acabou de ler.


BIBLIOGRAFIA


Fonte: (informações extraídas do livro)

SILVA, Airton Marques da e MOURA, Epitácio Macário. Metodologia do trabalho científico. Fortaleza, 2000. 188p.

LOPES, Mariângela Spotti, Data Grama Zero – Revista de Ciência e Informação – V.S, nº 04/ago/04. Artigo 01.

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