Nos últimos anos, o termo sustentabilidade tem sido ampla e constantemente abordado em congressos, artigos, estudos e pesquisas pertinentes ao contexto organizacional e ao ambiente de negócios em amplitude global. De forma praticamente unânime, a sustentabilidade na realidade empresarial acaba sendo direcionada única e exclusivamente à perspectiva sócio-ambiental, o que gera intermináveis discussões acerca das responsabilidades das organizações perante o meio-ambiente e as comunidades das quais fazem parte. Diversos acadêmicos famosos propõem, constantemente, novos modelos de comportamento sócio-ambiental aplicáveis a todos os tipos de organização. Gestores buscam alternativas passíveis de operacionalização para tornar os negócios menos impactantes e mais humanizados. Empresários usam toda a criatividade para desenvolver e implantar modelos de negócios sustentáveis e, simultaneamente, rentáveis. Autoridades competentes regulamentam e monitoram as variáveis da sustentabilidade no contexto empresarial. Por fim, o público consumidor acompanha todo esse extenuante movimento com maior ou menor atenção, de longe ou de perto e de forma consciente ou displicente. Apesar de toda a complexidade que cerca as discussões sobre a sustentabilidade voltada para a humanidade e o meio ambiente, é importante que as organizações consigam perceber que não são propriamente necessárias profundas transformações, contribuições revolucionárias ou enormes campanhas filantrópicas. Aspectos praticáveis e relativamente elementares, como a redução de desperdícios e o desenvolvimento de processos produtivos de baixo impacto ambiental, além da oferta de boas condições de trabalho aos funcionários, remunerações dignas e produtos de qualidade que ajudem as pessoas em suas necessidades já contribuem e muito como as diretrizes da sustentabilidade sócio-ambiental contemporânea. Evidentemente, a preocupação com o futuro do planeta e com o desenvolvimento da população de atuais sete bilhões de pessoas mostra-se absolutamente louvável em qualquer perspectiva de análise, independentemente de eventuais interesses comerciais e financeiros envolvidos ou dos meios utilizados para a demonstração de compromisso com um mundo melhor. Nesse sentido, não poder ser negado o fato de que muitas companhias utilizam, majoritária e indiscriminadamente, o apelo ecológico e a “humanização” dos negócios como simples mecanismos de publicidade, buscando com isso um melhor (e muitas vezes artificial, diga-se de passagem) posicionamento em seus respectivos mercados de atuação. Apesar disso, o mais importante é que a postura responsável e sustentável saia do papel e se traduza em operações, processos, produtos e serviços cada vez menos prejudiciais à qualidade de vida e ao futuro da humanidade, não sendo tão relevantes as motivações “perversas” que mobilizam as iniciativas corporativas em prol da sustentabilidade. No entanto, sendo deixado de lado todo esse burburinho, existe uma abordagem acerca do termo sustentabilidade que apresenta um cunho mais prático e direcionado ao cotidiano das operações de uma organização. Essa abordagem trata da perpetuidade empresarial, ou seja, a sobrevivência de um negócio ao longo do tempo, a despeito de eventuais adversidades, riscos e ameaças das mais variadas naturezas, os quais têm amplos poderes para encurtar o ciclo de vida de um empreendimento e eliminá-lo do mercado. Pela lógica dessa abordagem prática, as empresas devem se preocupar com a sua própria sustentabilidade antes de voltarem suas atenções para problemas que ameacem a humanidade e o meio-ambiente, como formalmente estabelecem os padrões de responsabilidade sócio-ambiental do século XXI. No atual contexto do ambiente de negócios a nível global, essa idéia de sustentabilidade organizacional pressupõe, basicamente, que os negócios sejam suficientemente estruturados, bem administrados, viáveis em todos os aspectos, resilientes, rentáveis e inovadores. Por mais lógica que essa constatação possa parecer, a realidade aponta para uma enorme deficiência no que se refere à condução sustentável de empresas ao redor de todo o mundo, em especial dentre aquelas que apresentam baixos níveis de governança e metodologias de gestão pouco eficazes e ultrapassadas. Na prática, muitas companhias se preocupam com o futuro sem prestar atenção ao presente, não percebendo que a sua própria sobrevivência encontra-se ameaçada não pela forte concorrência, alto dinamismo de mercados, rupturas tecnológicas ou outras forças incontroláveis, mas sim pela própria incompetência. Será que vale a pena fomentar um ideal de mundo melhor correndo-se o risco de não poder participar dele? Preparar a festa e não poder comparecer? Publicidades e jogadas de marketing à parte, certamente não.