Historicamente falando, o homem, coletivo ou individual, lutou contra os poderes que o dominavam, sendo eles políticos, religiosos ou econômicos, em prol de sua libertação. Foi com muito esforço que a sociedade conseguiu a liberdade de palavra, de imprensa e de informação. No século XIX, a imprensa se desenvolveu, provocando lutas contra as regalias de controles religiosos e reais visando a liberdade. Surgiram sucessivamente outros meios de comunicação de massa, e com eles as demasiadas propagandas. Isso gerou a necessidade de saber receber e difundir informações e idéias sem levar fronteiras em consideração. Na metade do século XIX, a imprensa se torna manipulável à medida que ela se comercializa. Nesta época um jornal evolui para um empreendimento capitalista, caindo no campo de interesse às empresas jornalísticas. O surgimento de novas mídias, limitou a indústria da imprensa à concentração econômica. O desenvolvimento da imprensa e das novas mídias se caracterizou da seguinte forma: 'de instituições privadas de um púbico de pessoas privadas passam a instituições públicas'. Com a necessidade de capital e com o poder jornalístico e publicitário bastante ameaçados, em muitos países, as novas mídias foram controladas pelo Estado. Porém na França, Inglaterra e Alemanha essas novas mídias foram organizados como instituições públicas, para que sua função pública e jornalística fosse protegida frente à função capitalista privada. Segundo Habermas (2003;220), de acordo com o modelo liberal de esfera pública, as instituições do público intelectualizado estavam garantidas frente a ataques *Estudante de Comunicação Social, hab. Publicidade e Propaganda, pela Faculdade Maurício de Nassau. do poder público por estarem nas mãos de pessoas privadas. Na era liberal, os meios de comunicação de massa se estenderam, expandindo assim a esfera pública. A separação entre as esfera pública da privada, implicava na regularização da concorrência dos interesses privados, onde ficaram de fora da disputa pública das opiniões. Naturalmente a comunicação se expande e a televisão comercial influencia a publicidade seja em anúncios no jornal ou na rádio em estações comerciais. As mídias pretendiam atingir camadas sociais mais elevadas, porém os anúncios e propagandas atingem as classes mais baixas, que procuram adequar o seu estilo de consumo para o alto. Com isso a indústria da publicidade se apossa dos órgãos publicitários existentes e cria seus próprios jornais, revistas e cadernos. Isso se acresce, inclusive os programas dos meios de comunicação de massa, que por sua vez fixam em alguns casos, um certo comportamento consumista. Assim, a perspectiva da sociedade de massa, deve ser vista a partir da noção acerca do desenvolvimento da razão; razão esta que resgata o panorama iluminista, que gera luz e liberdade ao homem. Porém, o desenvolvimento da sociedade moderna se apresentará com outro tipo de razão denominada de razão instrumental pelos Frankfurtianos. Após as revoluções industriais, ocorridas na Europa, o comércio cresceu e com isso o capitalismo se fortaleceu definitivamente, principalmente com as novas descobertas científicas e com o avanço tecnológico. O homem havia perdido sua autonomia. O domínio da razão humana, que no iluminismo era como uma doutrina, passou a dar lugar para o domínio da razão técnica. Os valores humanos tinham sido deixados de lado em troca do interesse econômico. Assim o que passou a reger a sociedade foi a lei do mercado. Nessa corrida pelo ter, nasce o individualismo, o que Adorno e Horkheimer chamam de frutos da industria cultural. Para Adorno (1985: 46), a teoria critica da sociedade deve partir do ataque à raiz da sociedade moderna, pelo desvio assumido no desenvolvimento iluminista, pela razão se transformando em instrumento do 'sistema'. Desta forma a indústria cultural constituída pelos mass media (rádio, cinema, publicidade, TV…) faz parte do desenvolvimento da razão degenerada e é um dos principais instrumentos para a funcionalidade da sociedade. Ou seja, a indústria cultural difunde um ambiente em que a técnica arremata poder sobre a sociedade reproduzindo e assumindo o poder econômico daqueles que já dominam a sociedade. Segundo Horkheimer (1985: 52) ' A racionalidade técnica hoje é a racionalidade do próprio domínio, é o caráter repressivo da sociedade que se auto-aliena'. Fica claro portanto, a intenção da industria cultural: obscurecer a percepção de todas as pessoas, principalmente daqueles que são formadores de opinião. Ela é a própria ideologia. Os valores passam a ser regidos por ela. Até mesmo a felicidade do individuo é influenciada e condicionada por essa cultura. A mídia pareceria entender, pois, um dos aspectos mais transparentes da iniciativa privada, ou seja, a mutabilidade constante do produto a ser vendido. Essa assertiva indicaria que os manejadores da mídia, dela conhecendo os caminhos por vezes escusos, podem ter passado por empresa as mais diferentes e participado do esforço do marketing visando ao lançamento de produtos, entendendo-se do creme dental a um trator. Contaminando, esse agente que manobra a mídia, ou dela integrante, incensará hoje um músico do 'povão', que será fatalmente substituído amanhã. (Martins,1993: 15) Atualmente vivemos num período de grandes avanços tecnológicos no mundo da informação e da comunicação, onde temos a internet como manifestação mais evidente, enquanto rede mundial de comunicação. Ou seja, acreditamos numa sociedade da informação e da comunicação como uma nova maneira de organização predominante do capitalismo, sendo antagônica a uma sociedade industrial em declínio. A questão da sociedade de massa, das novas mídias, da digitalização da informação nos dá expectativas de progresso da democracia da comunicação; nos fazendo refletir acerca do direito à comunicação, o qual trata-se de um direito social e fundamental ao individuo. Ainda não foi definido a idéia e o conteúdo pleno do direito à comunicação. Também não é um principio bem esclarecido, é preciso reconhecer a existência de um novo direito, o qual deveria ser adicionado aos direitos humanos já estabelecidos. Para isso seria necessário mais informações, retirada de uma pluralidade de fontes, não havendo a possibilidade de reciprocidade, não será democratizada a comunicação. Assim sendo, é fundamental reconhecer o direito à comunicação, entendendo que esta precisa ser vista essencialmente como uma política pública. Sabe-se que será difícil esse reconhecimento como política pública no capitalismo, porque a comunicação é entendida como a principal garantidora da liberdade de mercado. Desta forma toda ação do Estado sobre os meios de comunicação, passa a ser uma ação de censura, a qual ameaça todos os direitos e toda liberdade. Este dilema se agrava a partir do momento em que observamos o maior desafio na luta por um Estado democrático contemporâneo, que é resgatar o espaço público, que no capitalismo é constituído pelos meios de comunicação, como formador de políticas sociais. Ou seja, aferimos que se torna praticamente impossível tratar as políticas sociais democráticas no espaço público, principalmente as que se referem a comunicação, sem que acompanhem a democratização desse espaço. Resumindo, as questões anteriormente mencionadas, relacionado a imprensa, industria cultural, democratização da informação e o conceito das mídias de massa, destaco um trecho a respeito dessa transformação estrutural: O que singulariza a grande corporação da mídia é que ela realiza limpidamente a metamorfose da mercadoria em ideologia, do mercado em democracia, do consumismo em cidadania. Realiza limpidamente as principais implicações da indústria cultural, combinando a produção e a reprodução cultural com a produção e reprodução de capital; e operando decisivamente na forma de mentes e corações, em escala global. Daí ter recorrido à metáfora clássica de Maquiavel, encontrada também em Gramsci, para dizer que ' o príncipe eletrônico', para ele, as instituições capitalistas de comunicação (imprensa, rádio e televisão), ' é o arquiteto da ágora eletrônica, na qual todos estão representados, refletidos, defletidos ou figurados, sem o risco da convivência nem da experiência. Ai, as identidades, alteridades e diversidades não precisam desdobrar-se em desigualdades, tenções, contradições, transformações. Ai, tudo se especulariza e estetiza, de modo a recriar, dissolver, acentuar e transfigurar tudo o que pode ser inquietante, aflitivo. (Ianni apud Murilo César Ramos, 2000).