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Os Impactos da Globalização

Jóile Bagetti,
UNIJUI- Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul
DEAd- Departamento de Estudos da Administração
Curso de Administração

Os Impactos da Globalização

Autoria: Jóile Bagetti

Resumo
Este artigo apresenta alguns aspectos relacionados à Globalização, segundo Bauman,1999 a “Globalização” está na ordem do dia; uma palavra da moda que se transforma rapidamente em um lema, uma encantação mágica, uma senha capaz de abrir as portas de todos os mistérios presentes e futuros.
Para alguns Globalização é o que devemos fazer se quisermos ser felizes; para outros é a causa, da nossa infelicidade. Para todos, porém, Globalização é o destino irremediável do mundo, um processo irreversível; é também um processo que nos afeta, a todos na mesma medida e da mesma maneira.
Estamos diante de uma nova versão de guerra, de que o modo de produção capitalista está lançando mão. Uma guerra em busca de maior efetividade, maior lucro e menor custo. Esta é a guerra do sistema Global. Esta é a nova bandeira, a nova racionalidade. Á esta ordem não importam equívocos, sofrimentos e misérias. E isso porque o núcleo essencial deste paradigma está protegido e nutrido pelos mesmos objetivos econômicos e financeiros que nutrem e coordenam todo o sistema transnacional. Essa ordem e essa racionalidade só tem um objetivo: a eficácia e a efetividade econômicas, sem importar-se com as conseqüências.

1. Introdução
O mundo começou a ficar globalizado no início dos anos 80, quando a tecnologia de informática se associava a tecnologia de telecomunicações e com a queda das barreiras comerciais. Existe uma interligação acelerada dos mercados internacionais, possibilitando movimentar grandes quantias de valores em segundos, é o que chamamos de Terceira Revolução Tecnológica, ou seja, processamento, difusão e transmissão de informações.
As forças das mudanças atuam nas empresas de forma única e em bloco, não diferenciando os setores econômicos em que a empresa está envolvida. Tudo acontece ao mesmo tempo, como um vírus que se auto-alimenta. Nenhuma atividade econômica, em qualquer país de economia desenvolvida ou em desenvolvimento, pode escapar à regra.
As forças de mudança são as variáveis ambientais, tais como, economia, clima político e legal, tendências socioculturais, tecnologia, demografia, concorrência. Enquanto estas atuam em cada setor da economia de maneira distinta, as forças de mudanças estão atuando e influenciando diretamente as variáveis ambientais sem distinção de setores da economia. Não considerar as forças de mudança, no mundo competitivo da economia, é como desenvolver um planejamento estratégico empresarial sem elaborar cenários ou fazer um planejamento de marketing sem considerar o planejamento estratégico da empresa como um todo.
A globalização é um fenômeno com ramificações industriais, de prestação de serviços, comerciais ou financeiras, graças à queda do custo da comunicação e as novas tecnologias de troca de dados. A rapidez, o barateamento e a confiabilidade caracterizam a globalização do ponto de vista tecnológico. A Velocidade da informação pelo mundo é a característica atual da globalização. A globalização não beneficia a todos de maneira uniforme. Uns ganham muito, outros ganham menos, outros perdem. Exigem-se menores custos de produção e maior tecnologia. A mão-de-obra menos qualificada é descartada.

2. Referencial Teórico
Globalização
Existem diversas definições, variando do ponto de vista de cada um.
Segundo alguns, a explicação mais didática está no teorema do economista Eduardo Gianetti da Fonseca: “ O fenômeno da globalização resulta da conjunção de três forças poderosas: 1) a terceira revolução tecnológica (tecnologia ligada à busca, processamento, difusão e transmissão de informações; inteligência artificial; engenharia genética); 2) a formação de áreas de livre comércio e blocos econômicos integrados (como o Mercosul, a União Européia e o Nafta); 3) a crescente interligação e interdependência dos mercados físicos e financeiros, em escala planetária”.
O jornal francês “Le Monde” discorda. Usando o termo “mundialização”, ele define globalização como sendo “ a mundialização é bem mais que uma fase suplementar no processo de internacionalização do capital industrial em curso desde faz mais de um século”. E lembra que “o comércio entre nações é velho como o mundo, os transportes intercontinentais rápidos existem a vários decênios, as empresas multinacionais prosperam já faz meio século, os movimentos de capitais não são uma invenção dos anos 90, assim como a televisão, os satélites, a informática”. O que “Le Monde” chama de “novidade” é “a desaparição do único grande sistema que concorria com o capitalismo, o comunismo soviético”. O fim do comunismo permite globalizar o capitalismo, com todas as implicações decorrentes: aumento no fluxo de comércio, de informação e de expansão das empresas multinacionais em mercados antes fechados.
O especialista Anthony McGrew lista três tendências nos analistas da globalização: 1) os hiperglobalizantes – os que acham que a globalização define uma nova época na história da humanidade; 2) os céticos – os que entendem que os fluxos atuais de comércio, investimento e mão-de-obra não são superiores aos séculos passado; 3) os transformalistas – admitem que os processos contemporâneos de globalização não têm precedentes. Têm uma visão intermediária. Apontam um novo padrão de inclusão e exclusão social na economia globalizada.
Não há uma definição que seja aceita por todos. Ela está definitivamente na moda e designa muitas coisas ao mesmo tempo, define uma nova era da história humana.
Em decorrência do avanço das telecomunicações,do intercâmbio dos negócios por meio de viagens,da troca de informação e de ideologias,da difusão da língua inglesa e do desmoronamento do bloco soviético,o mudo foi-se integrando e tornando-se cada vez menor,apesar de o fosso entre ricos e pobres não ter diminuído.Pelo contrario,quando países tecnologicamente avançados investem em economias mais frágeis,alarga-se o abismo econômico entre os que têm e os que não têm.
A globalização,no entanto,faz parte de nossa realidade.Não há como negá-la.Tanto é que os conselhos de administração das grandes empresas estão ficando cada vez mais parecidas com assembléias da ONU: representantes internacionais estão cada vez mais presentes nos negócios.As fusões e aquisições,sobretudo no setor de serviços como energia e telecomunicação,fazem com que as empresas passem da condição de multinacionais para a de globais.
Esse novo mundo global passa a exigir dos gerentes muito mais agilidade e cultura em termos globais.Além de entender de taxas de câmbio,os homens de negócio precisam ter a capacidade de elaborar e checar estratégias globais.Precisam compreender o movimento tecnológico transfonteira,possui sagacidade política em países diferentes e estar cientes das questões do comércio global e motivação subjacentes a clientes de todo o planeta.Com a globalização,os gerentes precisam dispor não apenas de habilidades interpessoais,mas também interculturais.
Uma empresa que procura criar capacidade organizacional global precisa,pois,indagar em que medida seus recursos humanos estão preparados para atender a esse desafio.Quantos de seus gerentes possuem essas competências globais.Quantos são sensíveis à cultura e peculiaridade de cada mercado.Quantos são capazes de representar adequadamente os interesses da empresa para uma platéia global.Que percentual poderia ficar à vontade em um jantar com clientes importantes de outros países.Que sistemas de incentivo podem estimular os funcionários a motivar-se pelo mando e compartilhar as idéias em nível mundial.Como a empresa pode criar uma mentalidade que respeite as condições locais e ao mesmo tempo promova o pensamento global.
Ao contrario do que muitos possam imaginar,a globalização não produz “receitas globais” que podem ser prescritas às organizações interessadas em se inserir nessa nova ordem.A marca registrada de uma empresa global,de acordo com Keegan e Green (1999),é a capacidade de formular e implementar estratégias globais que alavanquem o conhecimento mundial,respondam plenamente às necessidades locais e façam uso do talento e energia de cada membro da organização.Essa é,pois,uma tarefa heróica,que exige visão global e sensibilidade para as necessidades locais.Não há dúvida,portanto,de que as organizações serão cada vez mais solicitadas a capacitar seus membros para que possam desenvolver a contento essas tarefas.
Globalização e o Mercado Financeiro
O mercado financeiro internacional tem poder, adquirido pelos fatores da desregulamentação dos anos 80 e o avanço tecnológico nas comunicações, fazendo com que capitais percorram o mundo expressivamente.
Acabaram-se os controles sobre movimentação de capital, ao mesmo tempo em que mudou a face do mercado financeiro. A hegemonia dos bancos, como geradores de empréstimos, acabou. Subiu o mercado de títulos, emitidos por instituições financeiras e empresas, como os títulos comprados por diversos investidores ao redor do mundo, especialmente por meio de fundos de pensão e fundos de investimento, que tiveram um crescimento vertiginoso.
O avanço das comunicações e a liberdade de fluxos de capitais uniram os mercados. Hoje, muitas instituições financeiras operam 24 horas por dia. Abrem o dia na Ásia, começam a operar na Europa quando já é janta na Ásia e abrem os negócios na América quando os Europeus estão terminando de jantar. Por esta razão, qualquer choque sobre o mercado tende a se propagar sem paradas.
Outro componente que torna o mercado financeiro internacional assustador é o volume do dinheiro movimentado por negociações derivadas de alguma outra. Negocia-se no mercado futuro uma operação financeira de compra e venda que tem como referência a variação do preço de um ativo. Esta montanha de papéis e diversos investidores são capazes de reagir, em questão de segundos, a boas e más notícias.
A globalização dos mercados financeiros torna esses movimentos rápidos, violentos e mortais. Uma inconsistência macroeconômica poderia se arrastar por muitos anos e provocar uma lenta desvalorização na economia de um país em questão de semanas. O risco da globalização financeira existe e a multiplicação do volume de papéis financeiros em relação à produção real pode acabar.
Existe uma lógica no movimento de capitais. Um princípio continua válido: para países que mantêm políticas econômicas consistentes, a globalização financeira pode ser mais uma oportunidade do que um risco.
Globalização de Mercados
A criatividade e a inovação retroalimentam-se através do sistema de informação e informática, tornando o processo de aprendizado ágil, a uma velocidade imensurável (recurso tempo). Os investimentos em telecomunicações (espaço e tempo) estão crescendo em todo o mundo, e os satélites já fazem parte do cenário de vários países e empresas diminuindo a distância entre as culturas do Ocidente e Oriente.
O que é consumido por populações do leste pode ser também desejado, em tempo real, pelos povos do oeste e vice-versa.
A informática, com programas de 1ª geração de CAD/CAM e computadores de alta resolução para criação de designs e decisões para projetos de engenharia, têm dinamizado e contribuído significativamente para a inovativa e rápida tecnologia de fabricação de produtos auxiliada por robôs autoprogramáveis.
Em sua grande maioria, os produtos, cujos ciclos de vida antes atingiam as quatro fases: introdução, crescimento, maturidade e declínio, hoje já podem nascer obsoletos ou com ciclos de vida muito curtos.
Portanto, o bom profissional executivo de marketing deve visualizar suas ações estratégicas de modo diferente da forma pela qual o fazia no passado, concentrando-se em: Minimizar o risco da rápida obsolescência dos produtos (recurso tempo); Tirar proveito das vantagens que o processo de comunicação via satélite oferece, antecipando as necessidades das pessoas (recursos espaço e não-matéria serviço), em vez de pesquisar as necessidades atuais; Obter o retorno do capital investido no produto ou serviço o mais rápido possível, distribuindo-o amplamente nos países com potencial de compra (recurso tempo); Oferecer um produto cujos atributos, de acordo com as necessidade, vale o preço que o cliente ou consumidor quer pagar, antes que o concorrente o faça com um produto melhor e com maior valor agregado (recurso não-matéria serviço); Planejar a melhoria contínua do produto/serviço ou sua obsolescência . Ou, então, lançar sempre o melhor produto no mercado (recurso não-matéria serviço).
Dessa forma,a globalização de mercados demanda as seguintes ações nas estratégias da organização:
- Diminuir o ciclo de vida dos produtos. Lançar continuamente novos produtos, programando sua obsolescência e canibalização.
- Enfatizar o processo de desenvolvimento de produtos com base na identificação do core competence.
- Concentrar-se na melhoria e no aperfeiçoamento contínuos da tecnologia dos processos organizacionais.
- Investir continuamente em P&D ou formar alianças, cooperações e fusões internacionais, a fim de agregar maior competitividade entre empresas aliadas nos esforços de globalização dos mercados.
- Enfatizar o padrão de qualidade dos produtos de classe internacional. Usar continuamente o benchmark mudial. (FILHO,2000, pg 12 a 14).
Tecnologia na Globalização
O mundo passou por uma integração comercial importante, mas não podia trocar informações na velocidade e na quantidade de hoje. O preço da chamada telefônica caiu 90% entre os anos 70 e hoje, e a Internet pode barateá-la ainda mais. A comunicação global ainda não foi democratizada: A África tem menos de uma linha para cada 100 habitantes enquanto na América do Norte, Oceania e Europa a taxa supera 25 para 100 habitantes. Fusões de empresas da área da informática, telefonia e comunicação mudam o mercado da informação. Avanço tecnológico andou lado a lado com o fortalecimento do mercado financeiro.
A indústria da telecomunicação vive uma explosão sem precedentes, somada ao barateamento e à popularidade da informática. Paralelamente, começa a se esboçar uma convergência entre a infra-estrutura de comunicação e a indústria da mídia, à medida que ambas se digitalizam. É essa conjunção que torna possível um mundo globalizado nos moldes de hoje.
Três fatores vão derrubar ainda mais os custos de telecomunicação: 1) avanços técnicos que reduzem o custo da infra-estrutura; 2) o excesso de capacidade de transmissão internacional – que acaba transbordando para ligações de longa distância nacionais; 3) desregulamentação e erosão das margens de lucro. A queda dos monopólios de comunicação e a revisão dos acordos tarifários internacionais devem reduzir as altíssimas margens de lucro das empresas telefônicas.
Embora as empresas não tenham chegado a achar um caminho para a convergência, a infra-estrutura se aproxima dela. Até pouco tempo havia uma distinção clara entre redes de telefonia, de dados e de broadcast (TV e rádio).
A tendência é que telecomunicações, difusão de rádio e TV e transmissão de dados passem a circular indiferentemente por fibras óticas e satélites. Apesar das barreiras políticas e econômicas à integração das comunicações, do ponto de vista tecnológico os avanços nunca foram tão rápidos. Apontam para uma comunicação mais ubíqua, rápida e barata.
Propagação Mundial da Tecnologia da Infomação e Informática
A propagação da tecnologia da informação tem um papel importante na tomada de decisões das empresas e nas mudanças organizacionais. Com o auxílio de satélites artificiais, computadores, tecnologia celular, fax modem, internet, equipamentos multimídia e outros, os executivos não precisam mais se deslocar da matriz para outras unidades da empresa (recurso tempo). Bastam vídeos, telas e teclas, e o processo de tomada de decisão é estabelecido em tempo real (recurso tempo e espaço).
Podemos, portanto, ter também uma idéia do nível de transformação que vêm sofrendo os setores mundiais de logística, comunicação dentre muitos outros. Imaginemos toda essa tecnologia transformada em facilidades, conveniência, entretenimento, lazer, educação e em informações sobre produtos ou serviços produzidos por empresas de vários países, com uma quantidade adequada e variada de atributos de serviços (recurso não-matéria). Cada produto é melhor do que o outro, e isso dificulta cada vez mais o julgamento e a análise de seus valores por parte do consumidor, pois se traduz em um verdadeiro bombardeio de influência e persuasão sobre os consumidores no momento da decisão de compra.
Em um curto tempo, as necessidades atuais do indivíduo são rapidamente influenciadas pelas necessidades futuras, provocando mudanças, transformações e expectativas de compra imprevisíveis. As constantes mudanças de atributo dos produtos levam as pessoas a valorizá-los de forma muito racional do que emocional. E mais, elas estabelecem comparações entre os valores dos atributos e benefícios e o que o dinheiro pode comprar. É possível perceber, portanto, a existência de um enorme potencial para a agregação contínua de benefícios intangíveis a um produto ou serviço, e isso, na verdade, está englobado no recurso não-matéria.
Dessa forma, os profissionais, cujo objetivo é melhorar a competitividade de suas empresas, deverão concentrar grande parte de seus esforços nas seguintes premissas: Ter consciência de que as necessidades atuais serão superadas pelas expectativas das necessidades futuras; Observar continuamente a rapidez das mudanças socioculturais do consumidor/cliente, seu estilo de vida, principalmente seus valores, e a forma como pensam e agem, tendo em vista a quantidade de informações e o grau de conhecimento desse consumidor sobre produtos e serviços de várias procedências e culturas; Investigar continuamente as mudanças de atributo dos produtos ou serviços junto ao cliente, a fim de conhecer com precisão o que ele deseja em relação ao produto/serviço e que preço está disposto a pagar; Redescobrir o cliente dentro do conceito valor atributo/preço, pois, para a empresa sobreviver e ser competitiva tem de “agregar valor continuamente aos seus produtos”, ou seja, oferecer sempre mais, sem que isso implique aumento de preço para o cliente ou consumidor; Dinamizar as decisões de sua equipe de trabalho, bem como o processo de integração interno das áreas da empresa, estendendo-o para toda a cadeia de valor em que a empresa está envolvida; Dinamizar o conhecimento individual dos clientes por meio de inúmeros softwares criativos e inovadores formando um banco de dados do cliente, com o objetivo de maximizar o marketing mix da empresa.
A decisão em tempo real, por meio de redes entre computadores formada por um super-rodovia da informação digital, oferece às empresas e seus departamentos eficiência e agilidade significativas na tomada de decisões em toda a cadeia de valor.
A rede de computadores entre empresa, fornecedores e clientes mudam totalmente o conceito de administração. Não que a gerência deva administrar de forma diferente por estar vivendo um novo tempo. A questão é que a própria tecnologia digital, os computadores e seus programas impõem a mudanças da organização. A eficiência competitiva dependerá da rapidez com que a empresa e sua administração assimilarem essas mudanças. Todos na empresa precisam ter acesso a um único sistema para dinamizar a tomada de decisões e conhecer simultaneamente o que cada equipe executa. A pior burocracia, ou empresa burocrática, é aquela que utiliza um sistema de informação para cada departamento, ou seja, vários sistemas dentro de um sistema e cada departamento satisfazendo a necessidade do outro departamento.
Tendo em vista as inúmeras transformações organizacionais e administrativas possibilitadas pela tecnologia digital de redes de computadores, intranet, internet, podemos formular uma série de premissas que certamente tornarão as empresas mais competitivas: Decisões em tempo real: uma decisão tomada hoje nos Estados Unidos, na Europa ou no Japão pode ser imediato executada no Brasil, com riqueza de detalhes tecnológicos e conhecimento da matriz durante sua execução. Caso da detecção de uma oportunidade até a concepção do produto/serviço e seu lançamento no mercado, ajustado às necessidades de cada país; Fluxo de informações em todo o processo administrativo da organização utilizando-se um único sistema operacional de informação; Cliente e fornecedores interligados e integrados na cadeia de valor da empresa por meio de programas computadorizados oferecidos por empresas especializadas nestes tipos de programas; Redução do ciclo dos processos organizacionais e dos custos administrativos em decorrência da agilidade nas decisões proporcionada pelos programas de software; Processos organizacionais diretamente ligados ao cliente/consumidor para a sobrevivência da empresa e sua eficiência para competir. Em outras palavras, procedimentos administrativos que não agregam valor ao cliente/consumidor deverão ser reavaliados ou mesmo descartados pela empresa; Criatividade e inovação constantes como base para a sobrevivência da empresa, sobrepondo-se aos controles e limites estabelecidos pelas empresas. Ou seja, o uso da gestão do conhecimento em base contínua. (FILHO, 2000, pg 15 a 19)
A produção da Globalização
A globalização é, de certa forma, o auge do processo de internacionalização do mundo capitalista. Para entendê-la, como, de resto, a qualquer fase da historia, há dois elementos fundamentais a levar em conta: o estado das técnicas e o e o estado da política.
Há uma tendência de separar uma coisa da outra.Dai muitas interpretações da historias a partir das técnicas. E, por outro lado interpretações da historia da política. .Na realidade, nunca houve na historia humana separação entre as duas coisas..As técnicas são oferecidas como um sistema e realizadas combinadamente através do trabalho e das formas de escolha dos momentos e dos lugares de seu uso. É isso que fez a historia.
No fim do século XX e graças aos avanços da ciência, produziu-se um sistema de técnicas presidido pela técnicas da informação , que passaram a exercer um papel de elo entre as demais, unindo-as e assegurando ao novo sistema técnico uma presença planetária.
Só que a globalização não é apenas a existência desse novo sistema de técnicas. Ela é também o resultado das ações que asseguram a emergência de um mercado dito global, responsável pelo essencial dos processos políticos atualmente eficazes. Os fatores que contribuem para explicar a arquitetura da globalização atual são: a unicidade da técnica, a convergência dos momentos, a cognoscibilidade do planeta e a existência de um motor único na historia, representado pela mais-valia globalizada. Um mercado global utilizando esse sistema de técnicas avançadas resulta nessa globalização perversa. Isso poderia ser diferente se seu uso político fosse outro. Esse é o debate central, o único que nos permite ter a esperança de utilizar o sistema técnico contemporâneo a partir de outras formas de ação.
A unidade técnica
O desenvolvimento da historia vai de para com o desenvolvimento das técnicas. Kant dizia que a historia é um progresso sem fim; acrescentemos que é também um progresso sem fim das técnicas. A cada evolução técnica, uma nova etapa histórica se torna possível.
As técnicas se dão como famílias.Nunca, na história do homem, aparece uma técnica isolada; o que se instala são grupos de técnicas, verdadeiros sistemas. Um exemplo banal pode ser dado com a foice, a enxada, o ancinho, que constituem, num dado momento, uma família de técnicas.
Essas famílias de técnicas transportam uma história, cada sistema técnico representa uma época. Em nossa época, o que é representativo do sistema de técnicas atual é a chegada da técnica da informação, por meio da cibernética, da informática, da eletrônica.Ela vai permitir duas grandes coisas: a primeira é que as diversas técnicas existentes passam a se comunicar entre elas. A técnica da informação assegura esse comercio, que antes não era possível. Por outro lado, ela tem um papel determinante sobre o uso do tempo, permitindo, em todos os lugares, a convergência dos momentos, assegurando a simultaneidade das ações e, por conseguinte, acelerando o processo histórico.
Ao surgir uma nova família de técnicas, as outras não desaparecem. Continuam existindo, mas o novo conjunto de instrumentos passa a ser usado pelos novos atores hegemônicos, enquanto os não hegemônicos continuam utilizando conjuntos menos atuais e menos poderosos. Quando um determinado ator não tem as condições para mobilizar as técnicas consideradas mais avançadas, torna-se, por isso mesmo, um ator de menor importância no período atual.
Na história da humanidade é a primeira vez que tal conjunto de técnicas envolve o planeta como um todo e faz sentir, instantaneamente sua presença.Isso, aliás , contamina a forma de existência das outras técnicas, mais atrasadas. As técnicas características do nosso tempo, presentes que sejam em um só ponto do território, tem uma influência marcante sobre o resto do país, o que é bem diferente das situações anteriores. Por exemplo, a estrada de ferro instalada em regiões selecionadas, escolhidas estrategicamente, alcançava uma parte do país, mas não tinha uma influencia direta determinante sobre o resto do território. A técnica da informação alcança a totalidade de cada país, direta ou indiretamente.Cada lugar tem acesso ao acontecer dosa outros.O principio de seletividade se dá também como princípio de hierarquia, porque todos os outros lugares são avaliados e devem se referir áqueles dotados das técnicas hegemônicas.
As técnicas apenas se realiza, tornando-se historia, com a intermediação da política, isto é, da política das empresas e da política dos estados, conjunta ou separadamente.
Há uma relação de acusa e efeito entre o progresso técnico atual e as demais condições de implantação do atual período histórico. É a partir da unicidade das técnicas, da qual o computador é uma peça central, que surge a possibilidade de existir uma finança universal, principal responsável pela imposição a todo o globo de uma mais-valia mundial. Sem ela, seria também impossível a atual unicidade do tempo, o acontecer local sendo percebido como um elo do acontecer mundial. Por outro lado, sem a mais-valia globalizada e sem essa unicidade do tempo, a unicidade da técnica não teria eficácia.
A convergência dos momentos
A unicidade do tempo não é apenas o resultado de que, nos mais diversos lugares, a hora do relógio é a mesma.Se a hora é a mesma, convergem, também, os momentos vividos.Há uma junção dos momentos como resposta àquilo que, do ponto de vista da física, chama-se de tempo real e, do ponto de vista histórico, será chamado de interdependia e solidariedade do acontecer.Tomada como fenômeno físico, a percepção do tempo real não só quer dizer que a hora dos relógios é a mesma, mas que podemos usar esses relógios múltiplos de maneira uniforme.
Com essa grande mudança na história, tornamo-nos capazes, seja onde for, de ter conhecimento do que é o acontecer do outro.Essa é a grande novidade, o que estamos chamando de unicidade do tempo e convergência dos momentos.
A história é comandada pelo grandes atores desse tempo real, que são, ao mesmo tempo, os donos da velocidade e os autores do discurso ideológico. Os homens não são igualmente atores desse tempo real. Fisicamente, isto é, potencialmente, ele existe para todos. Mas efetivamente, isto é, socialmente, ele é excludente e asseguram exclusividade, ou pelo menos, privilégios de uso.
O motor único
Este período dispõe de uma sistema unificado de técnicas, instalado sobre um planeta informado e permitindo ações igualmente globais.
O motor único se tornou possível porque nos encontramos em um novo patamar da internacionalização, com uma verdadeira mundialização do produto, do dinheiro, do crédito, da dívida, do consumo, da informação. Esse conjunto de mundializações, uma sustentando e arrastando a outra, impondo-se mutuamente é também um fato novo.
Um elemento da internacionalização atrai outro, impõe outro, contém e é contido por outro. Esse sistema de forças pode levar a pensar que o mundo se encaminha para algo como uma homogeneização, uma vocação a um padrão único, o que seria devido, de um lado , á mundialização da técnica, de outro, à mundialização da mais-valia.
Tudo isso é realidade, mas também é sobretudo tendência, porque em nenhum lugar, em nenhum país houve completa internacionalização. O que há em toda parte é uma vocação às mais diversas combinações de vetores e formas de mundialização.
A cognoscibilidade do planeta
O período histórico atual vai permitir o que nenhum outro período ofereceu ao homem, isto é, a possibilidade de conhecer o planeta extensiva e aprofundadamente. Isto nunca existiu antes, e deve-se, exatamente, aos progressos da ciência e da técnica (melhor ainda, aos progressos da técnica devidos aos progressos da ciência).
Esse período técnico – científico da historia permite ao homem não apenas utilizar o que encontra na natureza: novos materiais são criados nos laboratórios como um produto da inteligência do homem, e precedem a produção dos objetos.
Com a globalização e por meio da empiricização da universalidade que ela possibilitou, estamos mais perto de construir uma filosofia das técnicas e das ações correlatas, que seja também uma forma de conhecimento concreto do mundo tomado como um todo e das particularidades dos lugares, que incluem condições físicas, naturais ou artificiais e condições políticas. As empresas, na busca da mais-valia desejada valorizam diferentemente as localizações. Não é qualquer lugar que interessa a tal ou qual firma. A cognoscibilidade do planeta constitui um dado essencial à operação das empresas e à produção do sistema histórico atual.
Globalização e os Blocos Comerciais
A área de livre comércio é um acordo que permite a adoção progressiva de tarifas alfandegárias comuns entre os países-membros. Com parceiros fora do bloco, cada país estabelece regras próprias. Se os membros decidem adotar uma política única com quem não integra o grupo, forma-se uma união aduaneira. O mercado comum vai além, liberaliza o trânsito de pessoas, bens e capitais, e não só de mercadorias. Quando padronizam-se as políticas econômicas dos membros rumo a uma moeda única, chega-se à união econômica.
A formação de Blocos Comerciais Regionais traz uma dúvida: trata-se de um estágio necessário para um mundo sem barreiras econômicas ou, pelo contrário, resultará, no futuro, na criação de novas restrições? Há o temor de que países como o Brasil, antes fechados economicamente voltem a reestruturar barreiras em torno de seus grupos locais de comércio. Outro risco é deixar países politicamente importantes fora dos Blocos, como a China e Rússia. A resolução do impasse estaria na capacidade de esses blocos estarem aos demais países as vantagens que existem apenas para os seus membros. A globalização produziu, em matéria de comércio internacional, este dilema.
Idêntico problema cerca os acordos comerciais regionais, como o Mercosul: grandes especialistas em comércio internacional e até as entidades que supervisionam não têm certeza se os blocos são apenas etapas necessárias e positivas na direção de um mundo sem barreiras ou se minifortalezas que, no limite, impedirão a queda de todas as fronteiras.
Esse conflito entre globalização e regionalismo é latente. Ao liberalizar o comércio só com seus vizinhos, os países estão, por definição, discriminando os que não têm a sorte de estar no clube local. A questão e saber se os “clubes locais” caminham para integrar-se a outros clubes, de forma que haja um grande bloco, do tamanho do planeta, ou se tendem a fechar-se em três ou quatro grandes conglomerados em guerra comercial uns com os outros.
Na falta de um projeto global, o risco é o de que cada superbloco se feche para os demais, o que, além do risco de uma guerra comercial, marginalizaria países gigantescos, como China e Rússia, que, até agora, entraram em sistema algum. É sintomático que a União Européia e os EUA estejam empenhando em uma surda guerra para ver qual dos dois consegue fechar antes o acordo com o bloco sul-americano. No Brasil também há uma surda guerra de argumentos entre os pró-Alca e os pró-União Européia.
A “Rodada Uruguai” (marco no processo de globalização) começou em 1986 em Montividéu, arrastou-se por quase oito anos e terminou com o mais abrangente pacote de redução das barreiras ao comércio planetário. Seu impacto mais visível e até certo ponto quantificável surge da redução das tarifas alfandegárias para importações.
A “Rodada Uruguai” foi além da negociação sobre derrubada de barreiras para exportar mercadorias. Introduziu na agenda mundial as chamadas áreas novas do comércio, em especial o vastíssimo campo de serviços. É uma rubrica que cobre desde telecomunicações a transporte marítimo, passa por serviços financeiros e atinge até compras governamentais.
A “Rodada Uruguai” não fechou acordo algum na área de serviços, mas estabeleceu uma agenda de negociações que vai até o ano 2000. Já foram assinados acordos para abrir o mercado de telecomunicações, o que prevê derrubar, até o ano 2000, todas as barreiras para importação de equipamentos/serviços de tecnologia de informação (ou informática).
O impacto da liberalização no setor de serviços tende a superar o da derrubada das barreiras para mercadorias. Trata-se do setor mais dinâmico da economia mundial e do único que ainda gera empregos, ante a estagnação da indústria e a mecanização da agricultura, que se torna crescentemente irrelevante.
A “Rodada Uruguai” introduziu modestas aberturas , mas jogou as negociações definitivas para o ano 2000. Motivo óbvio: tanto EUA como a União Européia subsidiam seus produtores agrícolas e recusam-se a abrir mercados para a competição com produtos do mundo subdesenvolvido ou em desenvolvimento. Por trás dos países ricos, há um número relativamente pequeno de empresas transnacionais que determinam a agenda. O comércio entre filiais e matrizes de multinacionais representa aproximadamente 1/3 do comércio mundial, e as exportações das multis, as companhias que não são subsidiárias, delas cobrem outro terço.
Essa concentração de poder econômico pode limitar a concorrência, reduzindo os ganhos para os consumidores e economias nacionais. Não abriu lugar à mesa de negociações para os consumidores, que tanto podem ser as vítimas como os beneficiários da globalização.
Globalização e os Estados
Na balança de poder do mundo, o Estado muitas vezes se enfraquece diante do sistema financeiro globalizado. Fruto de uma época ideologicamente confusa (a crença de um sistema único e infalível, o capitalismo, que emergiu após a queda do Muro de Berlim) a situação mostra-se instável para os Estados emergentes.
O triunfo de 1989, ano em que o Muro de Berlim ruiu, parecia tão certo que chegou-se a prever o fim da história. Em 1995 quando tudo se caminhava para a consolidação da onda liberal, o capitalismo começou a investir contra si próprio; vieram a crise do México, a quebra do Banco Barings e, agora o crash das bolsas.
Sob os efeitos da globalização, um vírus inoculado na Bolsa de Hong Kong espalhou-se pelo mundo em outubro/97. No Brasil dobrou-se as taxas de juros – recurso para tentar atrair os capitais especulativos que batiam em retirada – causando alta dos crediários. A crise começou em Hong Kong e invadiu o lar de cada brasileiro.
Alguns países estão sob o risco porque não seguem à risca as regras do sistema liberal – encontram-se com a moeda supervalorizada, deficts em suas balanças e despesas públicas maiores do que as receitas. Evidente que o interesse que move a gangorra das bolsas não é o social, mas o da especulação.
Cultura Global
A globalização cultural é tomada como ideologia fundamental de um plano de instrução de formação que tomará conta do planeta, que resultará na configuração de um mundo integrado e organizado no modelo de um gigantesco Estado-Nação.
Essa visão é polemica internacionalmente. Não se pode transformar o mundo sem ver o desenvolvimento da informática, robótica, comunicações por satélite, Internet e modernos meios de transporte. O clima de euforia flui como no século 19, com as maravilhas inventadas nessa época. É natural que esse mundo transformado pela internacionalização, aflora a enpolgação da comunidade integrada.
Uma das características importantes do que se entende hoje por cultura global é justamente a maior visibilidade de manifestações étnicas, regionalistas ou vindas de sociedades excluídas. Talvez as nações ocidentais jamais tenham-se visto na contingência de conviver com a diversidade cultural no interior de suas fronteiras.
As “Terceiras Culturas” são um conjunto de práticas, conhecimentos, convenções e estilos de vida que desenvolvem de modo a se tornar cada vez mais independentes dos Estados-Nação. Formam se em diversas áreas e colocam em conflito idéias em que as vítimas periféricas têm apenas duas alternativas: deixar-se subjugar ou erguer forças para evitar sua incorporação à modernidade ocidental.
Se encontra em curso uma nova etapa da internacionalização. Não há dúvida de que o mundo e cada vez mais percebido como um lugar; não há dúvida que as culturas nacionais geram uma cultura global, em que os indivíduos dos quatros cantos do planeta podem se reconhecer; não há dúvida de que essa cultura global surge da intensificação dos contatos entre povos e civilizações vinculados à expansão econômica e técnica.
Globalização e Marketing
Uma empresa globalizada seria aquela que opera seguindo uma lógica operacional mundial, cujo objetivo seja maximizar benefícios e minimizar custos não importando onde esteja a base de produção e que obedeça uma estratégia de marketing única para todos os países onde vende seu produto. Uma empresa transnacional, o mercado seria uma determinada região do mundo, enquanto para uma multinacional o mercado seria o planeta inteiro.
Uma característica essencial da empresa global atualmente seria a facilidade para identificar locais onde existam as condições mais atraentes para suas operações. Fica mais fácil tomar conhecimento sobre as condições de trabalho em um determinado país e compará-las com a situação em outras partes do mundo. Com os serviços de informação, o aumento nas taxas de juros de um país (que atende a encarecer os custos de produção e a favorecer as aplicações financeiras) chega ao conhecimento dos investidores e empresários de forma imediata.
Somada à crescente desregulamentação não só dos mercados financeiros, mas também em outras áreas, inclusive no que se refere à legislação trabalhista, ficou praticamente liberada a movimentação de capital, trabalho e bens entre os países. Qualquer tendência de elevação dos custos de elevação dos custos de produção em um determinado país pode levar a empresas a trocá-lo por outro onde seja mais barata a fabricação.
No circuito das chamadas empresas transnacionais, o investimento em fábrica deixou de ser privilegiado. A prioridade passou a ser de envestir em marcas. Muitas vezes, a empresa global compra uma campanha local apenas para ganhar uma fatia do mercado, por causa da marca. O crescimento do número dessas companhias e dos negócios por elas realizados é apontado como uma das razões para a expansão do comércio internacional.
O processo de expansão das empresas multinacionais também provoca polêmica por causa das condições de trabalho nas fábricas desses grupos instaladas em países que não se destacam pelo respeito aos direitos dos trabalhadores. Muitas vezes é o mesmo consumidor, no papel de trabalhador, que sofre com a política da empresa transnacionais de fechar uma determinada fábrica ou de promover demissões, alegando a necessidade de reduzir seus custos para aumentar a produtividade.
Globalização e os Países Ricos e Pobres
Ano a ano o fosso que separa os incluídos dos excluídos vem aumentando: os ricos ficam cada vez mais ricos, e os pobres, mais pobres. Em 34 anos a participação dos excluídos na economia global diminuiu em 1,2%. São várias as causa, desde as barreiras alfandegárias punitivas às exportações dos países subdesenvolvidos às leis de proteção de patente que dificultam o acesso das nações pobres a novas tecnológicas.
O comércio mundial cresceu 12 vezes no pós-guerra. Mas foi também o vilão que mais acentuou as desigualdades entre os países ricos e pobres no processo de globalização. Com 10% da população do planeta, os países mais pobres detêm apenas 0,3% do comércio mundial. Para o conjunto de países em desenvolvimento, a globalização impôs perdas comerciais.
O fantasma que ronda a economia globalizada dos países mais ricos é o desemprego. O impacto da revolução tecnológica nas comunicações e na economia ocasiona a perda de empregos no Primeiro Mundo que é a contra partida da criação de postos de trabalho nos países em desenvolvimento. Isso atribuí-se ao fato das nações emergentes estarem avançando na educação de seus habitantes e terem o custo de produção menores.
Existem propostas que sugerem que os governos adotem critérios mais seletivos na hora de abrir as fronteiras à competição internacional, invistam na educação da população mais pobre e fomentem as pequenas empresas. Recomendam, ainda, que formem blocos econômicos regionais para aumentarem o comércio, facilitando o fluxo financeiro e melhorando os meios de transporte. Destaca-se uma proposta de um mecanismo para controle e vigilância com mais agilidade da liquidez internacional, mudanças nas regras do comércio mundial em benefício dos países pobres e uma associação de empresas internacionais para fomentar a redução da pobreza.
É uma tendência em alta. Com as constantes fusões de gigantes empresariais, vai aumentar a importância das multinacionais, em detrimento dos Estados. E é por essa razão que já há quem prefira chamar a globalização de era da englobação.
Os excluídos da Globalização
O sistema global apresenta sérios riscos. São diversas armadilhas que estão vitimando milhares de pessoas em todo o mundo, manisfestando-se através de crescente exclusão social, que vem assolando tantos países ricos como os chamados países da periferia. Em nome da dita ordem, várias crianças estão morrendo de subnutrição, já são milhões os desempregados e inúmeras pessoas vivem marginalizadas.
As armadilhas da Globalização
A globalização é uma idéia antiga no pensamento humano.Já no século IV a.C., Alexandre Magno formulou a tese de “Homem Mundial”: projeto de um homem maior que o homem da cidade, “polis” grega. Assim, a través de suas conquistas, ao estrapolar os limites desta “polis” , torna-se um “Homem- Cosmopolita”.
Essa idéia, portanto, estava imbricada na crença de que havia um coração total da humanidade. Dante Alighieri, inclusive, ao afirmar que os homenssao iguais,ressaltava,no entanto,que roma era o centro do mundo.
Depois de Alexandre Magno, muitos outros lideres ou imperadores foram tomados pelo ímpeto de estender suaas conquistas, e conseqüentemente dominar o mundo. Átila, Napoleão e Hitler, são citados como classicos exemplos, ou ainda, impérios como o Britânico e o Romano.Posteriormente a disputa ocorreu entre sistemas politicos, como os encabeçados pelos Estados Unidos ou pela antiga união soviética.
Através de um discurso sedutor, a globalização é codificada por um idioma ( o inglês); tem seus próprios dirigentes ( o Grupo dos Sete e as grandes corporações transnacionais), facilita a concorrencia dos países mais desenvolvidos navenda de produtos, que agregammaiot tecnologia e transforma negócios, costumes e, culturas e legislações. Ademais, essa ocidentalização do mundo tem se constituído na palavaras so sociólogoOtávio Lanni em “uma espécie de holocausto” em bebfício do lucro ( dos países e empresas que detém o controle do processo, é lógico).
A idéia da “Aldeia Global” é antiga e genial. Produzida diacronicamente com o homem, mas não contemplando todos pelos seus benefícios. Uma multidão encontra-se lamentavelmente excluída. Homens famintos, mulheres prostituídas, croianças sem escolas, irremediavelmente fadiadas à marginalizaçãoe que diariamente são assassinadas na ruas, por nossas autoridades policiais.
A sociedade global cria um novo tipo de exclusão social. E esta exclusão constitui-se, no nosso entender, como a grande aramadilha da Globalização da economia, a qual opera não só em nível internacional, atrvés da dependência de países como os da América Latina em relação aos países ricos, mas também em nível interno, quando milhares de pessoas da região encontram-se em situação de miséria absoluta, destinadas à sobrevivência em meio à fome, doenças desemprego e de outros tipos de violência.
Mais especificamente, a Globalização é um fenômeno que desafia os limites da realidade e do imaginário do nosso velho mundo. Encontram-se não só presente em todos os cantos do planeta como, decisivamente, insere-se em nossa vida intelectual e social, impondo alterações na vida dos individuos e sociedades, modificando culturas, etnias, religiões.
Assim , substitui o complexo paradigma das relações Internacionais pelo mais recente modelo de relações transnacionais-idealizado pelo sociólogo franc~es da escola do Realismo Político, Raimond Aron-que, mais voltado às interações e organizações multinacionais, passa a configurar e a fazer presente uma nova ordem internacional.
A príncipio e de modo simplista, o termo Globalização foi utilizado para expressar as novas tendências surgidas na economia internacional a partri doa nos 70, envolvendo tanto a política dos Estados Nacionais e organismos internacionais como as estratégias de lucros articuladas pelas empresas multinacionais.
Hoje, já podemos afirmar, que os istema global encerra, um verdadeiro jogo de interesses economicamente articulados, ora de natureza conflitiva, ora de interação entre os estados, através de suas instituições oficiais e corporações trannacionais, multinacionais e outros tantos atores internacionais.
No campo político nota-se o mais alto grau de autoritarismo sem, contudo, ser necessária a utilização de armas. Com uma gigantesca concentração de poder, o Grupo dos Sete (G7) domina e decide os destinos do mundo e com um raio de atuação extremamente ampliado resolve quanto custa o dólar, estabelece as coordenadas necessárias à invasão do Kwait, passando pela Chechênia , Yuguslávia ou o que fazer para deter ações terrorisas, etc.
O capitalismo, concebido como coroação do processo evolutivo da natureza, ou seja, como momento definitivo na história, significa a realização de uam sociedade homogênea pela unidade em um mercadoglobal, onde a possibilidade de abundância e de satisfação de desejosé a base da felicidade. A eficiência rege como princípio transformador de um processo modernizante, através de uma cultura consumista como critério de inclusão e de unificação. Assim, todos os países modernos, tendem a parecer-se cada vez mais.
Este capitalismo significa a destruição da cultura e identidade de cada país, a aniquilação lenta das especificidades de cada região, a desvalorização de si mesmo. Implica a exclusão dos países pobrese uam integração dos mais poderosos em níevl mundial. Assim, cada vez mais acentua-se a interdependência econômica em relação aos países desenvolvidos, aumentando o abismo entre pobres e ricos.
No âmbito interno , a população excluída se vê envolta, sem poder dimensionar-se entre o vaivém da pós-modernidade. Ao mesmo tempo em que é levada ao mundo “encantado” do consumo como caminho do bem-estar social, também é desqualificada pela tirania que exercem os princípios da eficiência e da concorrência. É ainda, ignorada pelas instâncias de poder nacional e internacionalque decidem sobre os destinos do mundo. Os excluídos são sacrificados em função do “progresso da nação globalizada”
A promessa do meracdo é apenas um mecanismo ideológico e “inconsciente” de gerar bem-estar social de todos. O egoísmo perverso do meracdo é, na veraddee, o caminho, transformando-se na atitude ética da indiferença e resignação ante o sofrimento de milhões de pessoas. Para esta concepção do modo de produção capitalista, a fome , o desemprego e a mortalidade infantil são sacrificios necessários para alcançar o tão sonhado progresso.
Antes “o melhorar a qualidade de vida” se definia em mais serviços, salários e consumos. A política do Estado de Bem-Estar se estruturava em torno do indivíduo e seus direitos sociais. Agora se estrutura em torno do usuário que demanda uma qualidade de vida da sociedade de consumo. Antes estava em jogo o espaçõ político da igualdade, agora o da diferenciação econômica.
O problema então concentra-se em o que fazer com a grande parte da população excluída pela própria tendência natural do sistema. A luta é para não estar fora dos benefícios da modernidade, trabalho e dos serviços. Pois, há um grande abismo entre os que participam destes benefícios e os que estão condenados à miséria. Há um dramático processo de desintegração social registrado, correndo paralelamente ao avanço estonteante das riquezas e denvolvimento tecnológico de poucos países.
Desemprego e Precarização
Se, por um lado, a globalização aparece como intensificadora da economia mundial e dos modelos de integração regional, o que, na verdade, representa mais uma extensão de mercados para as grandes multinacionais, por outro, ao impor planos de ajustes sacrifica não só os empregos, mas grande parte dos direitos laborais históricos, frutos de séculos de lutas dos trabalhadores, e o desmantelamento do tecido produtivo de nossos países.
Desta forma, percebe-se o surgimento de duas grandes transformações próprias das economias globalizadas e que estão atingindo o mundo do trabalho: o desemprego e a precarização das relações de trabalho.
O desemprego como um dos principais tipos de exclusão social que assola o mundo globalizado, constitui-se no mais drástico problema a ser enfrentado por nossas sociedades; um fenômeno que se encontra presente tanto nos chamados países ricos como nos países da periferia. Está em todos os lados e seu alvo predileto é a população de mão-de-obra não especializada.
Também a necessidade de especialização da mão-de-obra constitui um importante elemento propiciador da queda no número de empregos. Assim, entra em cena o conhecido desemprego “estrutural”, próprio da globalização e do neoliberalismo.
O avanço das corporações transnacionais e seus imperativos de aumento da produtividadee maximização de lucros ensejados com o advento da revolução da microeletrônica e telemática, está significando o aumento da desocupação e da disparidade na distribuição de renda.
Uma das seqüelas desta falta de emprego está na mudança de hábitos e pautas culturais, que está gernado maior marginalidade, feminilização da mão-de-obra, necessidade de “pluriemprego” e do trabalho de todos os membros da família, perda de auto-estima e, conseqüente desestruturação e aumento da violência.
Assim, ao paaso em que as relações de emprego se tornam mais precárias”, nota-se a quebra de sindicatos e a situação de insegurança e de temor dos trabalhadores que ainda subsistem em empregos formais, os quais, freqüentemente , não oferecem resistência à precarização de postos de trabalho em suas empresas, desde que elas não afetem os seus próprios empregos.
Tanto o desemprego como a precarização devem ser duramente combatidos. Reconquistar o cumprimento da legislação é o primeiro passo para barrar e depois reverter o processo de precarização das relações de trabalho.

3. Considerações Finais
A crise que abala as Bolsas é a mais recente manifestação de um processo em que o poder dos governos, o papel das empresas, o destino dos empregados e as culturas nacionais são transformados pela integração econômica e tecnológica.
Com o avanço das comunicações e a liberdade de fluxos de capitais, muitas instituições financeiras operam 24 horas por dia. Movimentação de derivativos, contratos que surgiram com o objetivo para aumentar a segurança de outros investimentos, há dez anos eram insignificantes, hoje têm razões suficientes para transformar todo planeta em questão de segundos, reagindo a boas e más notícias.
A globalização não beneficia a todos de maneira uniforme. Uns ganham muitos, outros ganham menos, outros perdem. Na prática exige menores custos de produção e maior tecnologia. O problema não é só individual, é um drama nacional dos países mais pobres, que perdem com a desvalorização e atraso tecnológico.
Ao analisarmos essas forças, verificamos quanto elas têm mudado as sociedades, as indústrias e as empresas do setor de serviços, afetando departamentos e funções, processos administrativos, posturas, produtos, emprego e desemprego e a própria permanência das empresas no mercado. Essas forças impulsionam as empresas a serem competitivas, nascerem e dependerem do processo de globalização.

4. Referências Bibliográficas
VIEIRA, Carlos Alberto. Relações Internacionais & Globalização. Ijui: Editora Unijuí, 2ª Edição.
SANTOS, Milton. Por uma outra Globalização do pensamento único à consciencia universal. Rio de Janeiro: Editora Record, 10ª Edição.
BAUMAN, Zygmunt. Globalização as conseqüências humanas. Rio de Janeiro: Editora Jorge Zahar , 1999.
FILHO, Luciano Sabóia Lopes. Como tornar sua empresa competitiva e globalizada. Editora Makron Books do Brasil Ltda, São Paulo, 2000.

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