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Pense duas (ou três) vezes antes de posicionar sua marca politicamente

O posicionamento político das pessoas que gerem uma marca deve realmente refletir nas campanhas desta marca? A melhor escolha pode ser o respeito.

Diante de alguns episódios de marcas nos Estados Unidos que atacaram Trump e alguns boicotes feitos, será mesmo que é uma boa prática misturar marca com política? Airbnb, Starbucks, Corona, Nike, Coca Cola: algumas das maiores marcas do mercado se posicionaram contra as novas políticas de migração propostas pelo governo de Trump.

No Brasil, tivemos o episódio da Amazon que fez um pequeno ataque ao prefeito João Dória por conta da ”cidade cinza”. O publicitário que criou a campanha mantinha em sua rede social um posicionamento ideológico totalmente adverso ao do prefeito eleito, mas ele deveria mesmo passar sua posição para a marca que gerencia? O que as marcas ganham com isso? Neste caso, no final das contas, a Amazon cedeu à resposta de Dória e disponibilizou 36 livros digitais de forma gratuita.

A Marisa também rendeu recentemente outro caso de posicionamento político de marca. Depois do ex-presidente Lula atribuir à sua falecida esposa Marisa o interesse em adquirir o polêmico tripléx no Guarujá, a marca publicou nas redes sociais imagens que faziam referência ao caso.

Será mesmo que estamos adentrando um momento onde marcas começam cada vez mais a se posicionarem politicamente? Ou será que estamos vivendo um momento em que publicitários estão militando em cima das marcas que gerem?

Por trás de marcas há pessoas. Por trás de pessoas, há ideologias. Marcas não falam por si. Existem marqueteiros e publicitários que, ávidos por polemizar, ganhar um prêmio, chamar atenção entre colegas de profissão, acabam por imprimir sua ideologia e posicionamento político nas marcas com que trabalham.

Nos dias de hoje, tudo é rotulado. O coxinha, o mortadela, o petralha, o isentão, o almofadinha, o extremista, o reaça e os “fóbicos”. Marcas, com suas verbas altíssimas de propaganda, quando posicionam-se politicamente na mídia de massa, acabam por carimbar e separar mais as pessoas, gerando mais rótulos, confirmando novamente que o mundo caminha para a guerra ideológica. No caso da Amazon, se ela se posicionou a favor da dita esquerda, ela esquece que os ditos da direita também consomem seus produtos?

Quando se trata de posicionar a marca no aspecto político, o principal ponto é ter a cara dura para arcar com as consequências e ser rotulado de alguma forma por grande parte do público. Uma parte dos seus clientes ficarão insatisfeitos, isso é inegável.

Por isso é tão essencial avaliar uma, duas, até três vezes as consequências de maneira clara. Crie hipóteses. Não deixe transparecer apenas o posicionamento de uma pessoa da empresa. Sua marca tem sim que criar um vínculo com o público-alvo, mas quando ela oferece um produto ou serviço para a massa, você vai querer posicionar-se apenas para a metade dos clientes?

Talvez a melhor forma de se posicionar de forma a impactar verdadeiramente a sociedade é mostrar que não existem dois lados. Não há o bem e o mal. As pessoas não precisam ser rotuladas e polarizadas da forma que constantemente se faz. Posicionar-se a favor do respeito entre as pessoas, da compaixão, de ouvir o outro com empatia, é provavelmente a melhor forma de posicionar sua marca politicamente.

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Tags: brand branding ideologia e marcas marca politica e marca posicionamento posicionamento de marca posicionamento estratégico