Principais fatores causadores da mortalidade precoce das Micro e Pequenas no Brasil

Desta forma, o objetivo deste trabalho foi identificar e analisar os principais fatores causadores da mortalidade das pequenas e médias empresas no Brasil.

Principais fatores causadores da mortalidade precoce das Micro e Pequenas no Brasil

Autoria: Roberto Lombardi Junior *

RESUMO

Sabemos que a grande gama de empresas são Micro e Pequenas e seu desempenho é importante para o desenvolvimento econômico e social de um país, pois proporciona a geração de empregos, fazendo a economia prosperar, porém existe um problema que acaba atrapalhando, que é a alta taxa de mortalidade das empresas.

Entretanto, a maioria dos novos empreendimentos não completa os primeiros dois anos de atividade. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi identificar e analisar os principais fatores causadores da mortalidade das Microe pequenas empresas no Brasil. A pesquisa identificou vários fatores que podem levar as pequenas e médias Empresas ao fracasso prematuro, e verificou-se que a causa da mortalidade ocorre devido a vários fatores associados que, acumulados, aceleram esse estágio, sendo os três principais: a falta de clientes, a falta de capital de giro, a carga tributária elevada.

Palavras-chave: Micro e Pequenas Empresas, empreendedorismo, dificuldades administrativas.

ABSTRACT

We know the vast range of businesses are micro and small and its performance is important for the economic and social development of a country, it provides the generation of jobs, making the economy prosper, but there is a problem that gets in the way, which is high mortality rate of businesses. However, most new ventures do not complete the first two years of activity. Thus, the objective was to identify and analyze the main factors causing mortality of small and medium enterprises in Brazil. The research identified several factors that can lead small and medium-sized companies to fail prematurely, and it was found that the cause of death is due to several factors associated with that accumulated accelerate this stage, the three main ones: the lack of customers the lack of working capital, the high taxes.

Key Words: Micro and Small Enterprises, Entrepreneurship, Enterprise mortality

_____________________

*Bacharel em Administração de Empresas

Universidade Nove de Julho – UNINOVE

E-mail: robertolombardijunior@gmail.com

1 INTRODUÇÃO

O crescimento da economia nos países emergentes depende da criação de empresas, gerando trabalho e conseqüentemente renda para a população economicamente ativa por períodos longos de tempo, fazendo com que estes países possam produzir mais e melhor, melhorando sua colocação estratégica na economia mundial.

As micro e pequenas empresas, no Brasil, alcançam a cada ano uma maior participação na economia, Ficando próximo dos 90% do total de empresas segundo o IBGE (2004), se destacando com grandes geradores de emprego e renda, contribuindo assim, de forma crescente no aumento do PIB (produto interno bruto). Em pesquisa do SEBRAE (2004), 99% das empresas do país é Micro e Pequenas empresas, que representam quase 70% dos postos de trabalho e 20% do PIB.

Entretanto, há uma situação que compromete um crescimento ainda maior no número de empresas, que são os altos índices de mortalidade precoce das Micro e pequenas empresas, criados por alguns fatores. Segundo dados do SEBRAE (2004), das empresas abertas, 31% não ultrapassam o primeiro ano de atividade e após 5 anos chega a 60%.

Este artigo visa apresentar um breve estudo das dificuldades e principais problemas enfrentados pelas micro e pequenas empresas, e como influenciam na sobrevivência no mercado.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

A criação de novos negócios é uma das causas da prosperidade social, econômica e financeira, na medida em que permite a geração de novos empregos e de oportunidades para a sociedade, além de contribuir para o aumento da competitividade e a eficiência econômica (SANTOS 2007). São as empresas, as responsáveis pela geração da renda nacional e criação ou implementação de inovações e oportunidades. Neste sentido, destacam-se aspectos como administração, recursos pessoais, finanças, mercado e produção devem ser atentados para que se almeje uma gestão eficaz, fazendo necessária a adoção de instrumentos, como um planejamento a longo prazo, onde a organização mantenha um fluxo de caixa equilibrado, rentabilidade, baixo grau de inadimplência, controle de despesas, capacidade de negociar, atenção aos clientes, clima organizacional harmonioso, entre outras coisas. Ao seguir os aspectos acima destacados, a empresa estará visando sobreviver no mercado e um retorno aceitável para seu investimento.

Sabendo destes requisitos para um bom desempenho das micro e pequenas empresas, apresentam-se estudos sobre mortalidade e falência dessas empresas no Brasil, onde se analisa os principais conceitos, princípios e definições direcionados para os objetivos da pesquisa, buscando identificar os principais fatores que contribuem para a mortalidade precoce das empresas.

2.1 Empreendedorismo

Segundo Timmons (1994) o empreendedorismo é uma revolução que será para o século XXI mais do que a revolução industrial representou para o século XX. Esta afirmação explica em parte por que os países em desenvolvimento têm investido tanto em programas que visem o desenvolvimento do empreendedorismo, pois conforme Filardi (2000), com a reorientação do papel do Estado, os cidadãos se vêem cada vez mais responsáveis pelo seu próprio destino e buscam reduzir a dependência da intervenção estatal na economia, criando seus próprios negócios

Nos últimos anos, o empreendedorismo começa a se destacar no Brasil como Impulsionador econômico e passa a receber maior atenção tanto do estado quando das empresas privadas, buscando evoluir do modelo tradicional de fluxo de recursos para o modelo mais dinâmico, onde as empresas investem parte do que pagariam de impostos diretamente em projetos de iniciativa empreendedores são tratados como o "grande motor" da economia.

2.2 Importância econômica

No Brasil, a importância sócio-econômica das pequenas empresas também pode ser demonstrada através dos números. Segundo o SEBRAE, 2004 (Serviço de Apoio às Pequenas Empresas), as pequenas e médias empresas representam 99% do total de empresas do país, atuam nos setores industrial, comercial, e de serviços; ocupam 70% da oferta de emprego; e geram 20% do PIB (Produto Interno Bruto).

Nas economias capitalistas, estas empresas têm um papel relevante no que se refere à geração de emprego e de renda e possui uma série de vantagens, dentre as quais a sua maior capacidade de flexibilidade e agilidade para se adaptarem às mudanças (CÂNDIDO E ABREU, 2001).

De acordo com Souza (1995), várias são as justificativas para as contribuições socioeconômicas das pequenas empresas:

Estímulo à livre iniciativa e à capacidade empreendedora;Relação capital/trabalho com mais harmonia;Contribuição para a geração de novos empregos e absorção de mão-de-obra,Manutenção de certo nível de atividade econômica em determinadas regiões;Efeito amortecedor das distorções na atividade econômica;Efeito amortecedor dos impactos do desemprego;Potencial de assimilação, adaptação, introdução e, algumas vezes, geração de novas tecnologias de produto e de processo;Contribuição para a descentralização das atividades econômicas, em especial na função de complementação às grandes empresas.

De uma forma bastante abrangente, Batalha e Demori (1990) apresentam uma série de considerações que retratam a importância deste segmento para a economia, que tem sido mostrado através de:

Absorção da mão-de-obra;Desenvolvimento de profissionais em atividades diferentes;Investimento de capital;Complementação para as grandes empresas, onde o nicho de mercado não é atraente para os grandes empreendimentos;Ambiente de trabalho potencialmente mais produtivo e agradável, pois os contatos com níveis superiores são mais diretos e freqüentes;Participação no PIB – Produto Interno Bruto;Participação na massa salarial;Diversificação das exportações;Equalização do fluxo migratório em direção aos superpopulosos centros urbanos;A grande quantidade de empresas que totalizam o segmento.

Inicialmente, para que as mesmas tragam a real importância sócio-econômica para as economias dos países, são necessárias vigor e coragem para criá-las.

A criação dos pequenos negócios hoje no Brasil depende muito das pessoas capazes de sonhar e de transformar seus sonhos em realidade. Pessoas que buscam recursos e transformam oportunidades em negócios. Essas pessoas são classificadas como empreendedores por todos.

2.2 Mortalidade das empresas

Em pesquisa realizada no primeiro trimestre de 2004, o SEBRAE levantou as taxas de mortalidade de empresas no Brasil, a partir de dados de amostras de empresas constituídas e registradas nas Juntas Comerciais Estaduais nos anos de 2000, 2001e 2002. A seguir são apresentados os principais resultados obtidos, referentes às taxas de mortalidade e as razões para o fechamento das empresas. Informações mais detalhadas encontram-se no relatório completo da pesquisa, disponível no site do SEBRAE.

O levantamento das taxas de mortalidade em % revelou que:

49,9% das empresas encerraram as atividades com até 2 anos de existência;56,4% com até 3 anos;59,9% com até 4 anos

Segundo DRUCKER (1984) o sucesso pode não ser permanente. Pois as empresas são criações humanas desprovidas de permanência real, devendo estas sobreviver além do período de vida de seu fundador, prestando a contribuição que deve a economia e a sociedade. O autor finaliza dizendo que: "Perpetuar a empresa é tarefa básica que cabe ao espírito empreendedor – e a capacidade de consegui-lo pode muito bem constituir o teste mais definitivo para sua administração".

Como citado por Chiavenato (2008, p. 15), "nos novos negócios, a mortalidade prematura é elevadíssima, pois os riscos são inúmeros e os perigos não faltam." Diante disso ele aponta algumas das possíveis causas de mortalidade nas empresas, que são apresentadas na Tabela 1:

Tabela 1. As causas mais comuns de falhas no negócio

Inexperiência- 72 %

Incompetência do empreendedor

Falta de Experiência de campo

Falta de experiência profissional

Experiência desequilibrada

Fatores econômicos - 20 %

Lucros insuficientes

Juros elevados

Perda de mercado

Mercado consumidor restrito

Nenhuma viabilidade futura

Vendas Insuficientes - 11 %

Fraca competitividade

Recessão econômica

Vendas Insuficientes

Dificuldade de estoques

Despesas excessivas - 8 %

Dividas e cargas demasiadas

Despesas operacionais

Outras causas – 3 %

Negligencia

Capital insuficiente

Clientes insatisfeitos

Fraudes

Ativos insuficientes

Fonte: Chiavenato (2008, p.15)

3 METODOLOGIA

Conforme Lakatos e Marconi (2005, p.83), o método "é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões na pesquisa".

O presente artigo caracteriza-se como uma pesquisa exploratória descritiva, e pretende através de uma revisão bibliográfica, analisar os diversos fatores que envolvem a mortalidade precoce das micro e pequenas empresas.

Para Cervo (1983) a pesquisa descritiva observa, registra , analisa e correlaciona fatos ou fenômenos (variáveis) sem manipulá-los. Busca conhecer as diversas situações e relações que ocorrem na vida social, política, econômica e demais aspectos do comportamento humano, tanto do individuo tomado isoladamente como grupos e comunidades complexas.

De acordo com Cervo (1983, p. 55) a pesquisa bibliográfica procura explicar um problema a partir de referencias teóricas publicadas em documentos. Pode ser realizada independentemente ou como parte da pesquisa descritiva experimental. Em ambos os casos, busca conhecer e analisar as contribuições culturais ou cientificas do passado existente sobre um determinado assunto, tema ou problema.

Segundo Lakatos e Marconi (2005, p.185)

"a pesquisa bibliográfica abrange toda bibliografia já tomada pública em relação ao estudo e com finalidade de colocar o pesquisador em contato direto com tudo o uqe já foi dito sobre determinado assunto".

Neste trabalho, foi realizada a pesquisa sobre a caracterização e os fatores de mortalidade das Micro e Pequenas empresas.

O levantamento de dados secundários foi feito por meio de material publicado por Instituições como SEBRAE, IBGE, dentre outras relacionadas, através da análise de relatórios, estudos e dados estatísticos divulgados pelos mesmos além do confronto destas fontes com os conceitos encontrados na pesquisa bibliográfica.

A intenção é proporcionar uma visão geral sobre o referido tema de pesquisa, apresentando um breve estudo das dificuldades e principais problemas enfrentados pelas micro e pequenas empresas, e como influenciam na descontinuidade do negócio e as suas conseqüências.

4 RESULTADOS

Entre as empresas extintas, mais de 90,0% eram microempresas (Gráfico 2) e foram responsáveis pela extinção de 44,8%, em média, ao ano, dos postos assalariados formais. Entre 2000 e 2004, a participação dessas empresas no total do pessoal assalariado nas empresas extintas aumentou 8,8 pontos percentuais, de 39,0% para 47,8%, em contraposição à redução da participação de 6,5 pontos percentuais das grandes empresas e de 2,6 pontos percentuais das médias (Gráfico 3). As pequenas empresas mantiveram uma participação praticamente constante ao longo do período, em torno de 25,0%. Entre 2000 e 2006, de cada dez empregos formais perdidos ao ano, em média, 4,5 estavam nas microempresas, 2,5 nas pequenas, um nas médias e dois nas grandes.

Gráfico 1

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Cadastro Central de Empresas 1999-2006.

Gráfico 2

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Cadastro Central de Empresas 1999-2006.

Gráfico 3

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Cadastro Central de Empresas 1999-2006.

Ranking dos dez principais razões para encerramento das atividades da empresa extinta, segundo opiniões espontâneas dos proprietários.

Tabela 2

Razões

Empresas extintas

N° de citações

Percentual

Falta de capital de giro

51

24,1%

Impostos altos/tributos

34

16%

Falta de clientes

17

8%

Concorrência

15

7,1%

Baixo Lucro

13

6,1%

Dificuldade financeira

13

6,1%

Desinteresse na continuação do negócio

13

6,1%

Maus pagadores/inadimplência

13

6,1%

Problemas familiares

8

3,8%

Má localização da empresa

8

3,8%

Fonte: Boletim "Fatores Condicionantes e Taxa de Mortalidade de Empresas no Brasil", SEBRAE

5 DISCUSSÃO

Estudo feito pelo SEBRAE (2004) identificou as causas que levaram ao insucesso as empresas no Brasil, evidenciando que um dos principais fatores que tem contribuído para essa situação é a falta de capital de giro (51% das respostas), elemento crucial para o fechamento das empresas segundo os empresários, vindo a seguir a elevada carga tributária (34%), fator apontado em outras pesquisas correlatas do SEBRAE. Acrescentando aos dois fatores problemas financeiros, concorrência muito forte, existência de maus pagadores, falta de clientes, localização inadequada, recessão econômica e ausência de habilidades para gerenciar o negócio. A pesquisa SEBRAE afirma que "a alta mortalidade das empresas no Brasil está fortemente relacionada, em primeiro lugar, a falhas gerenciais na condução dos negócios, seguida de causas econômicas conjunturais e tributárias" (SEBRAE, 2004, p.16). Outro estudo do SEBRAE-SP (2008) verificou que, em geral, as causas do fenômeno de mortalidade sofrem pouca variação. A cada novo estudo, constatou-se também que não é possível atribuir a um único fator a causa da mortalidade das empresas. Dentre os fatores contribuintes para o encerramento prematuro dos negócios de empresas paulistas, foram identificados a ausência de um comportamento empreendedor, falta de planejamento prévio, gestão deficiente do negócio, insuficiência de políticas de apoio, flutuações na conjuntura econômica e problemas pessoais dos proprietários.

Chér (1991) atribui a mortalidade das pequenas empresas aos seguintes fatores: a) Inexperiência no ramo de negócios: falta de informação e conhecimento prévio ocasiona falta de competência administrativa, falta de resistência e incapacidade de assumir riscos; b) efeito sanduíche: as empresas compram de grandes fornecedores e vendem para grandes clientes e dessa forma, os preços acabam sendo impostos tanto por parte do fornecedor, com a matéria-prima, quanto pelos compradores com o produto final. Nessa situação, a empresa acaba sendo "devorada"; c) Legislação Tributária; d) baixo volume de crédito e financiamento; e) mão-de-obra desqualificada; f) atendimento excessivo de objetivos pessoais; g) obsolescência de métodos, equipamentos e mentalidade empresarial; h) falta de comunicação entre sócios, funcionários, fornecedores, clientes.

Degen (2005) observou que a falta de conhecimento e habilidades administrativas, mercadológicas, financeiras e tecnológicas são principais razões para o insucesso empresarial. Sendo razões mais importantes: Falta de experiência empresarial; Conhecimento inadequado do mercado; Insuficiência de disponibilidade de capital para iniciar o negócio; Problemas de qualidade de produto; Localização errada; Erros gerenciais no desenvolvimento do negócio; Capitalização excessiva em ativos fixos; Inadimplência de credores; Ineficiência de marketing e vendas; Excessiva centralização gerencial do empreendedor; Crescimento mal planejado; Atitude errada do empreendedor para com o negócio; Erro na avaliação da reação do concorrente; Rápida obsolescência do produto; Abordagem incorreta de vendas; Problemas de produção do produto; Escolha do momento errado para iniciar o empreendimento; Falta ou erros de planejamento do empreendimento, como na projeção de vendas, de custos e do fluxo de caixa.

Felippe et al (2000), numa investigação com empresários que tiveram empresas fechadas em São José dos Campos, estado de São Paulo, concluiu os principais fatores que interferiram na gestão dos empreendimentos: falta de clientes, escassez de capital de giro, carga tributária elevada, ponto inadequado, recessão econômica do país e inadimplência. Neste estudo, o fechamento das empresas parece estar associado à falta de conhecimento sobre o mercado atuante como também a falta de conhecimentos sobre a própria gestão administrativa financeira, pois parcela importante dos proprietários das empresas que se extinguiram não possuía experiência anterior no ramo de atividade onde estava atuando. Além disso, apenas 17,64% dos proprietários entrevistados possuíam formação na área de negócios, fator considerado relevante, exercendo impacto significativo na sobrevivência das empresas.

Yonemoto (1998) observou a influência dos fatores externos e internos no sucesso ou fracasso nas empresas de pequena dimensão, verificando que empreendedores, em geral, entram nos mercados despreparados, e que técnicas e habilidades administrativas são áreas decisivas para o sucesso. Para o autor, as causas de insucesso estariam relacionadas a fatores externos (política, economia, instabilidade de mercado, etc.), fatores internos (fluxo de caixa, finanças, aperfeiçoamento de produto, divulgação, vendas, comercialização, não busca assessoria técnica/profissional, etc.) e fatores relacionados ao perfil do empreendedor (falta de capacitação, competência gerencial, problemas de sucessão, etc.).

De acordo com De Mori (1998), os fatores internos citados por Yonemoto (1998) estão relacionados diretamente ao funcionamento da empresa e que podem ser modificados por ela.

Segundo Rebouças (1991, p.94)

"a análise interna tem por finalidade colocar em evidência as deficiências e qualidades da empresa que está sendo analisada, ou seja, os pontos fortes e fracos da empresa deverão ser determinados diante da sua atual posição produto-mercado".

Sobre os aspectos externos ressaltados por Yonemoto (1998), destaca-se o ambiente, no qual a empresa passa por problemas como falta de crédito, inadimplência e a falta de poder aquisitivo dos clientes (GREATTI, 2003), além de fatores macroeconômicos como recessão econômica, a concorrência e fatores específicos como morte dos sócios, falta de sucessores, assaltos, roubos, e incêndio (ESPINHA; MACHADO, 2005).

Em outro estudo realizado sobre os fatores que influenciam na longevidade de empresas, realizados pelo SEBRAE, averiguou a taxa de mortalidade para os anos iniciais de vida de empresas, formalmente constituídas no estado de Minas Gerais, nos anos de 1995 e 1996. A pesquisa revelou que o primeiro ano de vida representou, em geral, o período de maior risco na vida de qualquer empresa, quando ela procura se firmar no mercado, testar a aceitação do seu produto e criar seus mecanismos e instrumentos de gestão e controle.

De forma simétrica aos estudos já citados, dados consolidados do Departamento Nacional de Registro do Comércio (DNCR, 2004) informaram que apenas 10% dos estabelecimentos encerram suas atividades formalmente, isto é, protocolam nas respectivas "juntas comerciais" o pedido de "baixa" no registro da empresa. Os principais motivos alegados para este comportamento são o custo elevado e o desconhecimento do processo de "baixa" no registro da empresa, sendo que a maioria também diz possuir a esperança de reativar as atividades (SEBRAE, 2004). As estatísticas oficiais referentes à extinção de empresas não expressam a realidade brasileira, pois muitos negócios fecharam as suas portas sem dar baixa nas instituições de registros oficiais (AZEVEDO, 1992).

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando o objetivo proposto para esse estudo, as informações obtidas permitiram observar que diversos fatores são considerados relevantes para a mortalidade das empresas, dentre os principais, falta de capital de giro, altos tributos, falta de clientes, concorrência e outros, como a falta de habilidade na gestão do negócio. Observa-se que estes foram os fatores que apresentaram as maiores citações, tais fatores foram concordantes com a maioria dos estudos citados no referencial teórico, dando a entender que não há como direcionar a mortalidade das empresas para uma causa única, mas sim para um conjunto de fatores que agem em conjunto gerando a descontinuidade das atividades.

Todos os fatores encontrados encontraram suporte teórico como causadoras de mortalidade de empresas, principalmente pelos estudos do SEBRAE e dos outros autores referenciados, confirmando os resultados obtidos na pesquisa.

Como forma de se ter continuidade nos trabalhos desta natureza, sugere-se que sejam feitas pesquisas específicas, de forma a levantar quais as causas da descontinuidade das empresas, comparando com estes resultados e com os resultados apresentados na revisão teórica. Julga-se necessário entender quais aspectos são os principais responsáveis pela mortalidade das empresas brasileiras, para que se possam direcionar ações para minimizar estes índices e, conseqüentemente, gerar resultados econômicos e sociais para o país

REFERÊNCIAS

AZEVEDO, J.H.Como iniciar uma empresa de sucesso. Rio de Janeiro: Qualitymark,1992.

CÂNDIDO, G. A; ABREU, A. F. Aglomerados industriais de pequenas e médias empresas como mecanismo para promoção de desenvolvimento regional. http://read.adm.rfrgs.br/read18artigo/artigo4.htm. Acesso em: 10 Ago. 2010.

CERVO, Amado Luiz ; Bervian , Pedro Alcino. Metodologia científica: para uso dos estudantes universitários. 3. Ed. São Paulo : McGraw-Hill do Brasil, 1983.

CHÉR, R. A gerência das pequenas e médias empresas. 2. ed. São Paulo: Maltese, 1991.

CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo: Dando asas ao espírito empreendedor. 2. ed.São Paulo : Saraiva, 2008.

DEGEN, R. O empreendedor: fundamentos da iniciativa empresarial. São Paulo: Pearson Education, 2005.

DE MORI, F. Empreender: identificando, avaliando e planejando um novo negócio. Florianópolis: Escola de Novos Empreendedores, 1998.

DRUCKER, Peter F. Introdução à Administração. São Paulo: Pioneira, 1984.

LAKATOS, E.M.; MARCONI, M.A. Fundamentos da metodologia científica. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2005.

ESPINHA, P. G.; MACHADO, H. P. V. Reflexões sobre as dimensões do fracasso e mortalidade de pequenas empresas. Guarapuava, 2005. Disponível em: <http:/www.unicentro.br/editora/revistas/capital>. Acesso em: 05 Ago. 2010.

FELIPPE, M. C. de; ISHISAKI, N.; KROM, V. Fatores condicionantes da mortalidade das pequenas e médias empresas na cidade de São José dos Campos. São José Dos Campos, 2000. Disponível em:<http:/.www.teses.usp.br/teses/disponiveis>. Acesso em: 29 Jul.2010.

GREATTI, L. Perfis empreendedores: análise comparativa das trajetórias de sucesso e do fracasso empresarial no município de Maringá. Maringá, 2003. Disponível em: <http:/www.ead.fea.usp.br>. Acesso em: 05 Ago. 2010.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA disponível em: <

http://www.ibge.gov.br/home/ > Acessado em: 15 Ago. 2010.

LACOMBE, Francisco José Masset. Administração: princípios e tendências. São Paulo: Saraiva, 2003

SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO A MICRO E PEQUENA EMPRESA. Conhecendo as MPEs. Disponível em: <http: www.sebraesp.com.br/conhecendo/mpe/mpenumero/pequenaempresaeconimica>. Acesso em: 10 Ago. 2010

______.Fatores Condicionantes e taxa de Mortalidade de Empresas no Brasil/ 2000-2002.Brasília:SEBRAE,2004.

______.Dez anos de monitoramento da sobrevivência e mortalidade das empresas:SEBRAE, 2008. Disponível em:<http://www.sebraesp.com.br> Acesso em: 10 Ago. 2010.

______. Sobrevivência e Mortalidade das Empresas Paulistas de 1 a 5 anos: SEBRAE, 2001. Disponível em: <http://www.biblioteca.sebrae.com.br>. SEBRAE, 2001 Acesso em: 09 Jun. 2010

SOUZA, Maria Carolina de Azevedo F. de. Pequenas e médias empresas na reestruturação industrial. Brasília: SEBRAE, 1995.

YONEMOTO, H. W. Os fatores externos e internos e a sua relação com o sucesso ou fracasso das empresas de pequena dimensão. Florianópolis, 1998. Disponível em: <http: www.biblioteca.universia.net>. Acesso em: 29 Jul. 2010.

Avalie este artigo:
(4)
As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
Tags: dificuldades administrativas. empreendedorismo Micro e Pequenas Empresas

Fique informado

Receba gratuitamente notícias sobre Administração