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A importância do capital de giro e sua gestão em empresas de pequeno e médio porte

De acordo o SEBRAE (2013), a taxa de mortalidade de pequenas e médias empresas tem diminuído ao longo dos últimos anos, porém, ela ainda se mantém elevada, em torno de 26,8% nos 2 primeiros anos de vida, e de 31,2% nesses 5 primeiros períodos anuais

Em razão de alterações que ocorrem na economia internacional, as empresas precisam modificar suas ações, procurar adaptar-se aos meios e assimilar tudo da melhor e mais rápida forma possível, de maneira que afete ao mínimo o seu desempenho. Neste sentido, deveria haver nas empresas de pequeno e médio porte a preocupação de manter seu capital de giro equilibrado, para suprir suas necessidades operacionais e garantir sua estabilidade e expansão no mercado. 

De acordo com Ross (2002), o capital de giro líquido é igual ao ativo circulante menos o passivo circulante. O capital de giro líquido é positivo quando o ativo circulante é maior do que o passivo circulante. Observamos, portanto, a imensa relevância desse capital seja qual for o tipo de empresa.

Segundo o SEBRAE, mesmo com a taxa de sobrevivência das empresas tendo obtido uma melhora em seus índices, um dos principais motivos que provocam mortalidade destas é justamente uma má administração do capital de giro. De acordo com os próprios empresários, uma gestão indevida e ineficaz desse capital é a maior causa para o fechamento de pequenas e médias empresas. Podemos reforçar essa afirmação com base no que diz Longenecker et al. (2007, p. 395):

A gestão do capital de giro – gestão do capital de curto prazo (ativos circulantes) e dos recursos financeiros de curto prazo (passivos circulantes) – é extremamente importante para as pequenas empresas. De fato, não existe matéria na área de finanças mais importante e ao mesmo tempo mais mal-entendida. As boas oportunidades de negócio podem ser irreparavelmente danificadas pela gestão ineficiente dos ativos e passivos de curto prazo. 

Sendo o capital de giro aquele ativo da empresa que possui maior liquidez, que está acessível de forma fácil e imediata para utilização da firma sempre que necessário, percebemos que sua existência e disponibilidade são essenciais nos conglomerados, e que sua gestão tem de ser o mais eficaz possível, para evitar faltas e/ou excessos que podem gerar perdas ou ociosidade de recursos.

Ainda neste sentido, segundo Matias e Lopes (2002), nas pequenas empresas, normalmente o responsável pela administração financeira das empresas é o proprietário ou uma pessoa de extrema confiança, que por sua vez deverá ter um pouco de conhecimento de todas as outras áreas e que devem desempenhar tarefas como: elaboração de orçamentos, previsões financeiras, administração do caixa, do crédito e do estoque. Fazer ainda a análise das oportunidades de investimento e formas de captação de recursos, tanto a curto como a longo prazo. 

Logo, ponderamos que então o capital de giro corresponde à alguns pontos, como o caixa, bancos, contas a receber e estoque. Com isso, verificamos a importância na gestão desses aspectos, e somos levados a analisar como ocorre a forma da administração do capital de giro nas pequenas e médias empresas.

Para dar maior ênfase para o significado do assunto, Hoji (2001) diz que o capital de giro são os recursos investidos em ativos circulantes que dão sustentação as atividades operacionais e que se transformam durante o período do ciclo operacional (período que vai desde a compra da matéria-prima, até o recebimento das vendas a prazo).

Podemos então afirmar que a gestão do capital de giro tem o intuito de deixar o ciclo operacional da empresa o mais eficiente possível, minimizando custos e garantindo as receitas sempre superiores às despesas, oferecendo assim suporte suficiente para realizar vendas e efetuar gastos com estabilidade, sem colocar em risco a saúde financeira da organização, evitando excessos desnecessários e mantendo o grupo em situação favorável diante das mudanças do mercado.

Sendo então normalmente as pequenas e médias empresas, em grande parte, administrada por seu proprietário, que possui, também em sua maioria, elevado número de funcionários sendo pessoas pertencentes à sua família ou círculo de amigos, verificamos um risco maior de problemas nesses casos de gestão de capital de giro, pois, empresas com base familiar costumam misturar muito os sentimentos racionais aos emocionais, quanto à tomada de decisão, uma vez que tal atitude poderá influenciar na sua relação com seus familiares, o que pode gerar perigo real para o andamento e continuidade de tais organizações. É preciso, nesses casos, saber diferenciar os pontos, para poder utilizar as possibilidades mais benéficas ao grupo, sem se deixar interferir por questões pessoais.

Mas, independentemente de quem toma as decisões, a administração do capital de giro é tão relevante ao ponto de resultar em falência de empresas, conforme já apontaram diversas pesquisas. Uma correta gestão nesse quesito irá garantir recursos suficientes para que a organização consiga honrar todos seus compromissos a curto prazo, como pagamento de fornecedores, tributos e folha de pagamento, evitando atrasos ou, na pior das hipóteses, calotes. Desestimula, inclusive, empréstimos e financiamentos bancários, fugindo, dessa maneira, dos juros, que são parte considerável dos dispêndios mensais da grande maioria dos empreendimentos endividados em excesso, que possuem altos passivos. 

Por terem um menor porte, as pequenas e médias empresas possuem como uma de suas características serem organizações que possuem bastante flexibilidade, muito por terem certa capacidade de adaptação às mudanças do cenário econômico, assim como às especificidades de cada região e às ações políticas locais, e isso também exige muito da administração financeira. Com esse poder de adaptação elas contribuem significativamente com o desenvolvimento sustentável da comunidade a qual está inserida e com os avanços tecnológicos do país, estimulando o empreendedorismo. Contando ainda com o peso de serem imensas geradoras de tributos, alternativa de emprego formal e informal para uma grande parcela da força de trabalho excedente, que em geral possuem pouca qualificação e não encontram emprego nas empresas de maior porte (IBGE, 2003).

Para estas organizações, é imprescindível ter capital de giro, principalmente para aqueles momentos de maior dificuldade. E, algumas opções são indicadas justamente para obtenção desse capital, tais como:

• Formação de Reserva Financeira – A composição de uma reserva financeira pode ser muito útil à empresa, pois serviria para ser utilizada nos momentos de maiores necessidades;

• Encurtamento do ciclo econômico – Quanto menor esse tempo, menor será a necessidade de captação externa de capital de giro, pois ela estará produzindo e vendendo em menor espaço de tempo;

• Controle de inadimplência – Analisar bem os potenciais clientes pode garantir seus recebimentos futuros, e assim não quebrar seu planejamento;

• Redução dos gastos – Antes de contrair determinada despesa, a empresa deve avaliar sua real necessidade e se o grupo terá realmente condições de honrar sua dívida, aconteça o que acontecer;

• Negociação de dívidas e antecipação de recebimentos – Fornecedores e clientes podem fazer essa cobertura, através de prolongamento de duplicatas a pagar e/ou através de negociação ou adiantamento de duplicatas a receber por meio do aceite de seus clientes;

• Financiamento bancário – Em muitos casos, as empresas acabam recorrendo aos bancos, até por certa facilidade de acesso e amplo número de possibilidades e meios para essa obtenção.

Dos itens citados acima, temos como destaque a captação bancária. Os bancos proporcionam diversas linhas de financiamento de capital de giro, e por terem percebido o vasto crescimento no número de empresas de pequeno e médio porte, tem tido políticas cada vez mais agressivas para vender seus produtos a estes conglomerados. A concorrência com novos produtos na oferta de crédito, fez com que os bancos reduzissem a taxa de juros de pacotes para as pequenas e médias empresas, entre os meses de abril e maio de 2012. Com isso, a intenção dos bancos é acabar conquistando novos clientes, através das tarifas mais atrativas, algo que deve ser muito bem administrado pelos gestores financeiros das pequenas e médias empresas, antes de tomar essa decisão.

Essas alterações feitas pelos bancos, aliás, já chegou a surtir algum efeito. De acordo com Dário Castro de Araújo, Superintendente Nacional de Micro e Pequena Empresa da Caixa Econômica Federal, o total de crédito contratado pelas PMEs, inclusive para capital de giro, apenas nos 4 primeiros meses de 2012, chegou à R$ 17,5 bilhões, o que significa um aumento de 53% em relação ao mesmo período de 2011. Ele diz que desde o início do Programa Caixa Melhor Crédito, ocorrido em abril, houve queda nas taxas das principais linhas de crédito voltadas para pequenas e médias empresas na Caixa Econômica, e que a carteira de financiamento mais procurada é o Giro Caixa Fácil, justamente uma linha de capital de giro parcelado, que possuía uma taxa de juros de 2,72% e passou para tentadores 0,94% ao mês, teve seu prazo de pagamento prorrogado de 18 para 40 meses e teve seu limite de valor ampliado em mais de 50%. Insiste ainda que com todas essas opções disponíveis, diante do cenário da queda do juro, a expectativa de aumento do volume da carteira de crédito para o segmento de pessoa jurídica, em 2012, foi ampliada para 30%.

Para estimular ainda mais, os bancos disponibilizaram várias opções de aquecimento no mercado. Como não poderia deixar de ser, os bancos privados também seguiram no mesmo caminho dos estímulos praticados pelos bancos administrados pelo Governo. A linha de capital de giro do Banco Bradesco, por exemplo, teve sua taxa de juros reduzida de 3,64% para 2,90% ao mês, e o prazo de pagamento do empréstimo dessa linha passou a ser de 36 meses. Já no Banco Santander, houve uma expansão em 2012 da concessão de crédito para PMEs em todos os setores da Economia. A partir de 21 de maio, quando o Santander colocou em prática taxas de juros menores, o segmento de pequenas e médias empresas teve redução no juro do capital de giro de 1,38% para 1,20%, para garantir a pontualidade dos clientes, aquecer o mercado e dar maiores condições a essas empresas, com isso, o banco já conseguiu conquistar mais clientes, estimando que pode chegar até o final do ano à uma elevação de 18,5%, conforme afirma Marcelo Malanga, Diretor Executivo de Pequenas e Médias Empresas do Banco Santander.

Notamos então que, apesar de existirem outras opções internas para financiar o capital de giro, a busca por meios bancários continua sendo uma alternativa bastante utilizada pelas pequenas e médias empresas para compor seu capital de giro, e que essa ainda é uma forma muito comum de atuação dessas organizações, principalmente considerando o cenário de diminuição das taxas de juros e maior facilidade de acesso ao crédito, o que indica que a capacidade e habilidade dos gestores financeiros dessas empresas têm de ser cada vez maior para garantir estabilidade para sua firma, ainda mais levando em consideração a competitividade acirrada que encontramos hoje no mercado.

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Tags: Capital de giro Controladoria Empresas de pequeno e médio porte Finanças empresariais