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A Odontologia do Trabalho e os custos do absenteísmo para as organizações

A falta de capacidade para planejar estas ausências inesperadas tem obrigado as empresas a contratar trabalhadores temporários ou pagar horas extraordinárias aos seus trabalhadores regulares

Convido-os a refletir com relação a Odontologia do Trabalho e os custos do absenteísmo para as organizações.

O projeto de lei – PL 422/2007 que insere a Odontologia do Trabalho nas empresas e se “arrasta” nas Comissões da Câmara dos Deputados e, posteriormente, terá que passar pelo crivo do Senado Federal completa seis anos de tramitação sob o olhar no, mínimo, “desatento” dos parlamentares e autoridades.

A falta de entendimento da redação do PL, bem como a pressão da bancada que defende os interesses financeiros das grandes empresas, deixa a classe trabalhadora mutilada, ou seja, a cavidade bucal continua não fazendo parte da saúde do trabalhador brasileiro.

A falta de uma visão holística da saúde, que trate o ser humano de forma integral, gera consequências graves e atinge diretamente a qualidade de vida do trabalhador, o desempenho das empresas e da economia como um todo.

Vamos traçar a seguir, algumas considerações sobre o absenteísmo e suas consequências para os trabalhadores, empresas e sociedade, demonstrando a importância da Odontologia do Trabalho e dos programas de promoção de saúde e qualidade de vida nas empresas.

O índice de absenteísmo tem como objetivo controlar as ausências nos momentos em que os trabalhadores deveriam estar em seu tempo programado de jornada de trabalho. O conceito pode ser mais bem compreendido pelo somatório dos períodos em que os empregados de determinada empresa ausentam-se do trabalho, incluindo atrasos, dentro de sua jornada normal.

A falta de capacidade para planejar estas ausências inesperadas tem obrigado as empresas a contratar trabalhadores temporários de última hora ou pagar horas extraordinárias aos seus trabalhadores regulares, para cobrir os déficits de pessoal, exigindo inclusive, por vezes, a contratação de excedente de pessoal regulamentar para suprir preventivamente as faltas não programadas no local de trabalho. Estas medidas geram alto custo para as empresas.

Abaixo, enumeramos os principais custos associados com o absenteísmo:

Perda de produtividade do trabalhador ausente.
Horas extras para outros empregados.
Diminuição da produtividade total dos empregados.
Custos incorridos para garantir ajuda temporária, possível perda de negócios e/ou clientes insatisfeitos.
As organizações precisam criar dados estatísticos sólidos em relação ao absenteísmo para poder instituir estratégias específicas de redução e necessitam quantificar o quanto dele se origina pela ocorrência de patologias e determinar as causas de outra natureza. Quanto às causas decorrentes de doença deve-se identificar se são decorrentes da atividade laboral ou não. As que forem atribuídas à atividade laboral devem ser minuciosamente investigadas para evitar o adoecimento coletivo dos empregados que labutam nas mesmas condições.

Quando menos se espera, surgem casos em nossa clínica de trabalhadores que sofrem acidentes e acabam mutilando seus dentes. Tal fato é mais comum do que se imagina. Por falta de atenção, orientação e cuidado, estes colaboradores se acidentam e tem como sequela a fratura ou luxação de um elemento dentário, causada por objetos dos mais diferentes tipos que se possa imaginar.

Os ferimentos, além de atingirem os elementos dentários, muitas vezes se estendem pelos lábios, tanto nos maxilares superior quanto no inferior, podendo tanto atingir os tecidos duros quanto os tecidos moles, sendo necessária a intervenção multidisciplinar para sanar o problema.

É mais comum do que se imagina o trabalhador efetuar um ofício sem o devido uso do EPI (Equipamento de Proteção Individual) e nos casos citados anteriormente, recomenda-se o uso de um protetor facial que seja capaz de absorver os impactos ou parte significativa deles para que não venham afetar, de forma traumática, a face e seus anexos, principalmente os dentes.

O caso relatado a seguir aconteceu recentemente. Um mecânico que trabalha no setor de máquinas pesadas estava fazendo uso de uma chave de boca comprida e pesada para poder remover um parafuso de uma máquina agrícola e teve o incisivo central (11) fraturado (classe IV) e com exposição pulpar. Quantos casos como este ou similares acontecem nas empresas? Quais as repercussões que trazem ao ambiente produtivo e laboral? Quais são os principais fatores que levam ao absenteísmo por causas bucais, e que custos representam para a organização? Que consequências acarretam na qualidade de vida dos trabalhadores?

Sabemos que a Odontologia do Trabalho é a especialidade da Odontologia que pode nos trazer respostas precisas a estas e outras questões pertinentes.

A implantação da Odontologia do Trabalho nas empresas a cargo do cirurgião-dentista do trabalho, bem como a implantação do Programa de Monitoramento e Promoção de Saúde Bucal com a plenitude das atribuições – que são descritas no Art. 3° da Resolução CFO 25/2002, complementa a atuação dos demais profissionais descritas na NR4 (Médico do Trabalho, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Enfermeiro do Trabalho e Técnico de Segurança do Trabalho) e constitui um papel fundamental para o retorno financeiro de programas de promoção da saúde e qualidade de vida nas empresas.

Odontologia do Trabalho é investimento, garantia de retorno financeiro, por meio do aumento da produtividade proporcionado pela melhoria da qualidade de vida e a diminuição do absenteísmo nas organizações.

Pensem nisso!

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