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Negócios e Gestão

Equipe e competências comportamentais

As habilidades de trabalho em equipe entram em pauta sempre que as pessoas executam tarefas em conjunto visando a uma meta comum
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Recentemente escrevi um texto sobre a difícil arte de trabalhar em equipe. Para além de um texto científico ou acadêmico, senti a necessidade de compartilhar um pouco de minha experiência pessoal sobre o tema. Muitos leitores mandaram-me comentários e pedidos para continuar falando sobre isso. Pois bem! Aqui vamos nós, prosseguindo na reflexão sobre equipes.

As habilidades de trabalho em equipe entram em pauta sempre que as pessoas executam tarefas em conjunto visando a uma meta comum, seja num grupo informal ou em toda a composição corporativa. A tendência é que a demanda por este tipo de habilidade irá aumentar cada vez mais, nos anos que virão, de forma exponencial. Isso por que a tendência é que o trabalho gire cada vez mais em torno de grupos e equipes tendo em vista que as pessoas, individualmente, serão cada vez menos capazes de ter uma visão geral de qualquer coisa. No mundo multifacetado em que vivemos, nossa visão da realidade é sempre parcial e fragmentada.

Para que uma equipe seja bem-sucedida é necessário que certas competências estejam presentes ou sejam desenvolvidas em seus componentes. Competência conversacional, cooperação, motivação, criatividade e percepção são algumas delas. Estar atento a elas e capacitar os demais a utilizá-las é o ponto chave da capacidade gerencial. Assim, vamos explorar cada uma com um pouco mais de profundidade.

A competência conversacional aparece em primeiro lugar. Pesquisas têm mostrado que a maior queixa das pessoas que atuam em equipe refere-se à pouca qualidade das conversas gerenciais; seja horizontalmente, conversas com os pares; seja verticalmente, conversas hierárquicas. Dizem os relatos que tal dificuldade impede a equipe de render o que pode render. Conceitualmente falando, isso revela que a maioria de nossos problemas refere-se a pedidos mal feitos e promessas não cumpridas.

Ter competência conversacional é a chave de todas as habilidades sociais. Do ponto de vista técnico, essa competência refere-se à capacidade de escutar e falar numa dinâmica recíproca entre diferentes pessoas. Conversar não é travar uma batalha de saberes, mas aprender mutuamente com a competência e experiência dos outros.

A competência conversacional distingue de forma clara os profissionais de primeira linha. Tê-la torna a equipe dona de um alto padrão de desempenho. Portanto, estabelecer relacionamentos a partir de uma conversação aberta, possibilita a obtenção do melhor que as pessoas podem oferecer.

A troca de informações é fundamental para o bom funcionamento da equipe. É ideal que todos saibam a respeito do que os afeta, direta ou indiretamente, em detalhes e de modo completo, o mais rápido possível. Para isso, os canais conversacionais devem estar sempre abertos.

Incentivar conversas estruturadas otimiza a comunicação, levando à compreensão mútua, ao compartilhamento de informações e à capacidade de se lidar de forma direta com os problemas, desenvolvendo maturidade relacional e emocional.

Escutar e falar de modo recíproco e equilibrado constitui uma conversa estruturada. Tais habilidades, incluindo aí a arte de fazer perguntas poderosas, ter a mente aberta, ser compreensivo, não interromper, aceitar sugestões, representa as boas práticas de um processo conversacional altamente eficaz.

Outro elemento chave para o comportamento em equipe é aquela força que nos estimula a agir, conhecia por motivação. No passado, acreditava-se que essa força precisava ser “injetada” nas pessoas. Hoje se sabe que cada um de nós tem motivações próprias, geradas por fatores distintos. Estimular o encontro desses motivos pessoais com os objetivos corporativos é uma prática no manejo de grupos que tem se mostrado muito efetiva.

O comportamento das pessoas muda quando estão em grupo, o que pode levar tanto a histeria coletiva como ao espírito de unidade. Para motivar uma equipe é preciso suprir suas necessidades e fixar estratégias para alcançar os objetivos.

A motivação tem importância decisiva para o bom desempenho de uma equipe. Os profissionais são motivados por elementos distintos. Para extrair o melhor das pessoas é preciso reconhecer suas características específicas e analisá-las individualmente. No momento da distribuição das tarefas, é preciso levar em conta as habilidades e os interesses de cada membro da equipe. Se os colaboradores forem responsáveis por tarefas compatíveis com seus interesses e competências estarão mais motivados e voltados para os objetivos. Se os membros se interessarem pelas metas, se estiverem empenhados em atingi-las, eles se esforçarão mais e os resultados serão melhores.

Atitudes gerenciais claras são fundamentais para alcançar objetivos. O grupo mantém-se motivado quando, diante das metas comuns, sabe que tais metas podem ser traduzidas em objetivos práticos – consegue notar e aproveitar as oportunidades. É importante que o gestor se junte aos colaboradores para traçar planos, estimulando e motivando-os na construção de uma visão coletiva da ação.

Colaboração e cooperação vêm em seguida como mais um dos componentes básicos do ambiente de uma equipe. Seres humanos operam bem em grupo – uma característica que pode ser vista nos esportes, nos quais as pessoas colaboram instintivamente, assumem responsabilidades voluntariamente e acatam decisões para o bem geral da equipe. Para alcançar a mesma coesão no ambiente de trabalho, os membros da equipe devem superar a tendência defensiva. Os membros do grupo devem estar abertos para conhecer melhor as habilidades e forças uns dos outros.

A criação de um ambiente cooperativo entre os membros da equipe é fator decisivo para o alto desempenho. Se os membros do grupo se divertem juntos, gostam da companhia uns dos outros, podem atuar bem não só durante os tempos bons, mas principalmente em tempos difíceis e com tarefas sob pressão.

É papel do gestor facilitar a criação desse ambiente cooperativo, promovendo entre seus membros um esforço unificado em torno do mesmo propósito. Existem vários meios para aumentar a cooperação: o reconhecimento de trabalhos bem executados, a troca de informações e recursos, o equilíbrio entre a concentração nas tarefas e o cuidado com os relacionamentos entre os membros da equipe, entre outros.

Os próximos dois elementos talvez sejam os mais complexos na construção de equipes de alto desempenho. Falo de criatividade e gestão de conflitos.

Muitas pessoas tendem a ficar presas em padrões de pensamento formados ao longo dos anos e acabam sendo rotuladas de não-criativas. Para liberar a criatividade de uma equipe, não se pode rotular ou inibir seus membros: todos são capazes de ter ou desenvolver novas idéias, desde que o ambiente favoreça a participação intensa, a comunicação intensa e o respeito mútuo. Promover sessões de compartilhamento de idéias é fundamental para se gerar maior quantidade de soluções a partir do estimulo à criatividade. Nessas sessões, é importante valorizar a diversidade de visões e idéias mantendo-se o foco no problema e no consenso.

Por fim, sabe-se que toda equipe tem uma dificuldade latente. Espera-se que as pessoas atuem juntas, mas discordar umas das outras ou da liderança é uma realidade. Investigar onde estão localizados os problemas ou sinais de insatisfação e enfrentar tais fenômenos, é ponto fundamental para a gestão de conflitos. Uma vez que o problema tenha sido identificado, requer-se do gestor trazê-lo à tona e ajudar a desativar o conflito, incentivando o debate e a discussão aberta. Tato e diplomacia são requerimentos fundamentais para tal competência. Pessoas difíceis, situações tensas, pressão excessiva, relações complexas não possuem soluções simples nem únicas. Enfrentar tais contextos requer capacidade de fazer escolhas, cuidado, tato e diplomacia. Estes são os caminhos mais seguros para um bom final.

Ninguem tira a vida de letra. Os relacionamentos são complexos em função da própria complexidade humana. Entender isso e cuidar dos elementos que lhes apresentei, fortalece o espírito de equipe, estimula a confiança gera “senso de corpo”, tornando o trabalho uma experiência gratificante.

Reflitam em Paz!

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