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Falar em Público ganha de medo de morrer

"Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo."

Ludwig Wittgenstein








O jornal inglês Sunday Times realizou uma pesquisa com 3000 entrevistados. Os questionários eram para que cada pesquisado identificasse e hierarquizasse seus medos. O medo de falar em público ficou em primeiro lugar, com 41%, seguido de 32% pelo medo de altura, 22%, de insetos, 22%, com o medo de ter problemas financeiros, 19%, de doença e apenas 19%, foram atribuídos ao medo da morte. Lembrando que cada entrevistado podia indicar mais de um medo e colocá-los numa lista de importância. Uma enquete realizada no site da revista VOCÊ S/A, em abril do ano passado, mostrou o quanto esse temor atinge os brasileiros. Dos 481 leitores que responderam à pesquisa, 64% disseram ter medo de falar em público, 66% assumiram que esse é um de seus maiores medos. Já a Pesquisa Global Anual da PricewaterhouseCopers, 2008, entrevistou 1100 CEOs em todo o mundo para apontar quais as habilidades pessoais que mais valorizam num candidato à seleção. Entre as mais citadas está a comunicação.

Recentemente um cliente do SEI – Sistema de Estágios Inteligentes, de Belo Horizonte, que trabalha administrando programas de estágios recebeu uma solicitação de uma clínica que desejava contratar uma estagiária para a recepção. Trata-se de uma vaga destinada às estudantes do ensino médio. Dentre as habilidades necessárias estava em destaque a capacidade de falar em público. Conversando com a pessoa responsável pela vaga o pessoal do RH do SEI descobriu que a recepcionista deveria fazer pequenas apresentações de orientações sobre os exames para grupos de até 30 pessoas diariamente e por mais de uma vez ao dia. Isso significa que as habilidades de falar em público deixaram de gerar diferencial somente para cargos executivos. Chegaram à recepção e acreditem, afetam positiva ou negativamente, inclusive, a vida social de qualquer pessoa.

O resultado do estudo do Sunday Times chancela o que muitas pessoas querem dizer ao falarem que preferem morrer a terem que enfrentar uma audiência, mesmo para a simples apresentação de um trabalho escolar. Incrivelmente até em cursos de graduação como o de direito, comunicação social e de licenciatura não há a preparação dos alunos para a arte da expressão em público, há apenas dicas de como se comportar na frente da audiência, coisas como respirar fundo, segurar uma caneta, etc. Há uma diferença gritante entre conseguir se expressar em público e de ser um comunicador capaz de atingir objetivos com sua comunicação. Este artigo visa instigar reflexões sobre os mitos e verdades sobre a capacidade de falar em público. Você se aventura?

O medo, como qualquer emoção, tem uma representação no cérebro, que é mediada pela cadeia de neurônios e sinapses, gerando os neurotransmissores, entre eles a noradrenalina, a serotonina e a dopamina. A fisiologia do medo se inicia nas amígdalas cerebrais, que têm o formato de uma noz, localizadas no sistema límbico e ficam próximas à região das têmporas. Elas identificam uma situação ou objeto do qual se deve tomar cuidado e enviam ao hipotálamo o sinal para a produção dos neurotransmissores apropriados na geração de ação proativa ou reação. A partir daí, começam as manifestações no organismo que nos deixam em estado de alerta para agir, enfrentando ou fugindo da situação. Cada pessoa possui suas maneiras particulares de sentir e de identificar esses sinais que o organismo gera. O comportamento resultante pode ser rotulado de medo, insegurança ou outro nome qualquer. O ponto comum é que é uma sensação incômoda e limitante, no caso das dificuldades de se falar em público ou outra das “fobias sociais”.

A melhor forma de superar o medo é enfrentá-lo. Afirmam aqueles que ainda oferecem “dicas preciosas” para se resolver a questão. Dentre estas dicas estão coisas como: respire fundo e pense positivo; Prepare-se com antecedência: vá para o evento com o máximo de informações possíveis; Cheque todos os dados quantas vezes achar necessário e faça ensaios mentais de sua apresentação; Pense no quão importante é o que tem a dizer; Faça um roteiro e procure segui-lo; faça o reconhecimento do local um ou dois dias antes; Tenha consciência de que é impossível agradar a todos que irão ouvi-lo e, Antes de entrar em cena, procure relaxar. Você pode ouvir música, fazer exercícios respiratórios, rezar, meditar. Isso vai reduzir a ansiedade.

Lamento informá-lo de que tudo do parágrafo anterior está equivocado e não surtirá nenhum efeito prático, se não fizer exatamente o contrário. Ou seja, acentuar ainda mais o medo. Essas “dicas” são racionalizações incapazes de vencer os processos neurológicos descritos anteriormente. O medo e todos os comportamentos humanos derivam-se das experiências internas de cada pessoa, ou seja, suas experiências subjetivas, fruto dos conteúdos de sua história pessoal. Para mudar o resultado desse processo é preciso modificar a sua estrutura, pois o cérebro sempre executará as rotinas que geram o medo. O enfrentamento ou a tentativa de marcar colocando as dicas em prática somente atenuam o sofrimento, mas não o torna uma pessoa que sente conforto e prazer ao falar em público. Para isso é importante que você mude o foco de auto-engato para praticar o autodesenvolvimento.

Existem bons, ótimos e excelentes cursos sobre como falar em público. Muita gente aprende tudo sobre essas técnicas e, mesmo assim, não consegue se comunicar de forma natural, eficaz e dinâmica. Isso porque se focam nos comportamentos, técnicas e procedimentos. Quando na verdade, o que determina a qualidade e a eficácia de um comunicador são suas habilidades e competências. Principalmente a sua maturidade emocional, aliada à sua flexibilidade para aprender constantemente, de modo a se auto-avaliar sempre e buscar as ferramentas que o levem a excelência.

No curso Expressão Total, Comunicação e Oratória, mantido pela Asbrapa, o trabalho é fundamento por técnicas de mudança pessoal, cuja abordagem é nos processos neurológicos que levam o cérebro ao engano e à geração do medo. Os exercícios da Programação Neurolinguística – PNL serão utilizados em várias frentes, na eliminação de limitações, no desenvolvimento de habilidades, na criação se aprendizados generativos e na construção de comportamentos mediados por competências fundamentais, como autoconfiança, controle emocional e poder pessoal. Não enfrente seus medos. Converta a energia desperdiçada nesse processo estressante em potencialidades e descubra como é prazeroso e gratificante comunicar-se bem e eficazmente para um qualquer tipo e tamanho de público. Faça sua Expressão Total!
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Tags: confianca de em falar pessoas_lideranca_auto publico_comportamento_gestao

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