O pragmatismo de Emmeline Pankhurst

Uma das mais célebres representantes do sufragismo feminino na Inglaterra, Emmeline assumiu o front da causa e morreu um pouco antes do Parlamento Britânico conceder o poder de voto às mulheres.

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A sufragista Emmeline Pankhurst

Líderes de uma causa, ou de uma empresa, muitas vezes são conhecidos por colocar a mão na massa antes mesmo dos seus liderados. E com a britânica Emmeline Pankhurst não foi diferente. Nascida em uma família próspera e liberal de Manchester, ela teve o primeiro contato com o movimento pela defesa do sufrágio feminino ainda criança, aos 13 anos, acompanhando a mãe, Sophia Crane, em uma das reuniões.

Ao terminar cedo os estudos, aos 15 anos - Emmeline era extremamente inteligente -, foi enviada para estudar em Paris durante quatro anos na École Normale Supérieure, e recebeu uma educação na época voltada apenas para homens, incluindo disciplinas como Ciências e Contabilidade na grade curricular. Ela voltou para a Inglaterra formada, elegante, educada e crescida, com apenas 19 anos de idade.

A cidade de Manchester já era um celeiro de ideias revolucionárias em meados do século XIX, e se tornou a cena ideal para o desenvolvimento do movimento em defesa do sufrágio. Donas de casa já não estavam satisfeitas apenas em servir aos maridos e passar o dia em casa fazendo bordados e criando os filhos: queriam ao menos participar das decisões políticas.

Pouco tempo depois de retornar à sua cidade natal, Emmeline conheceu o advogado socialista Richard Pankhurst - vinte e quatro anos mais velho - com quem se casaria. Ativista e apoiador do movimento sufragista, Pankhurst redigiu o esboço do projeto de lei intitulado Lei do Direito de Propriedade da Mulher Casada, que permitia às mulheres administrar as suas próprias receitas e propriedades. O casal fundou a Liga da Cidadania Feminina em 1889 e se filiou ao Partido Trabalhista.

No entanto, um dos maiores legados de Emmeline foi a criação da União Política e Social Feminina (WSPU, sigla em inglês) sob o lema "ações e não palavras". O movimento foi capaz de tirar o feminismo inglês da letargia e mobilizar as mulheres operárias através de manifestações conhecidas como "ações diretas", realizadas muitas vezes para chamar a atenção dos jornais.
Após a Primeira Guerra Mundial, com a força de trabalho feminina povoando as fábricas de munições e artefatos bélicos, Emmeline convocou as mulheres a lutar por direitos como igualdade salarial, benefícios para grávidas ou com recém-nascidos, direito ao pedido de divórcio e oportunidades iguais no serviço público.

Após esse período, ela passou por vários países, como a Rússia, Canadá e Estados Unidos, proferindo palestras. Emmeline morreu em 14 de junho de 1928, um pouco antes de completar 70 anos. Um projeto de lei que garantia o direito de voto às mulheres na Inglaterra foi aprovado poucas semanas após a sua morte. Em 1999, a revista Time incluiu a sra. Pankhurst no panteão das 100 pessoas mais influentes do século 20.

Linha do tempo principal

1958 - Nasce Emmeline Goulden
1872 - Inicia, aos 15 anos, os estudos superiores em Paris
1876 - Começa a atuar no movimento sufragista feminino
1903 - Funda a WSPU, junto com a filha mais velha, Cristabel
1917 - Cria o Partido das Mulheres
1928 - Emmeline morre um mês antes de completar 70 anos

 

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