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Taxação excessiva: um caminho sem volta?

Se já não bastasse encarar o Leão todos os anos, agora temos em nosso encalço as raposas, déspotas bancários que, a cada boleto, mordem um pedaço do nosso orçamento

Divulgação/CFA

O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo. Estima-se que o brasileiro gaste cinco meses de trabalho por ano para pagar impostos. O crescimento dessas taxas acontece de forma geométrica, onerando o orçamento da população.

Pagar tributos faz parte da história da humanidade. A célebre frase lapidária de Jesus “a César o que é de César” deixou uma marca profunda na sociedade. Ela nos mostra que, desde aquela época, o pagamento de taxas era algo cotidiano e sua missão era – e continua sendo – garantir a ordem e a manutenção de determinados serviços.

O bem-estar social depende de tais taxas. Porém, não é preciso dizer que essa troca não funciona no Brasil. Basta assistir o noticiário do dia para perceber que serviços essenciais como saúde e educação estão longe da qualidade merecida. Pagamos caro para manter uma estrutura falida, sem falar dos bilhões de reais que escorrem pelos ralos da corrupção.

Como se não bastasse as altas cargas tributárias, o brasileiro também enfrenta as taxas bancárias. No primeiro semestre de 2016, somente com prestação de serviços e cobrança de taxas, os três maiores bancos privados do Brasil aumentaram em R$ 3,6 bilhões suas receitas, um salto de quase 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A nova plataforma de pagamento anunciada pela Federação Brasileira dos Bancos (Frebraban) vai engordar ainda mais a receita dos bancos. A plataforma foi criada para supostamente modernizar o sistema de boletos de pagamento (cobrança bancária), sob a alegação de trazer maior segurança e agilidade para sociedade.

O que isso significa? Que o boleto sem registro deixará de existir até o final deste ano! Na prática, isso funciona da seguinte maneira: com a cobrança sem registro, o cedente geralmente paga apenas pelos boletos efetivamente quitados pelos sacados. Já com a nova medida, o banco vai cobrar não só pela emissão do boleto, mas também por outras taxas como alteração ou cancelamento do boleto.

O discurso poético da instituição para convencer sobre o benefício da reforma faz brilhar os olhos da população. A linguagem é sedutora, atrativa, escondendo inúmeras promessas. A Febraban varreu para debaixo do tapete o custo que essa “modernização” trará para a sociedade. Um absurdo! É inconcebível que, em plena crise econômica - uma das piores da história desse país, por sinal – uma medida dessa venha a ser empurrada a toda sociedade brasileira.

Com o boleto registrado, o gráfico de rendimentos das instituições bancárias apontam para cima, enquanto que o gráfico dos empresários que emitirão esses boletos aponta drasticamente para o sentido contrário.

Os bancos lucrarão até R$ 72 bilhões com a emissão de 3,6 bilhões de boletos registrados e as empresas terão um prejuízo estimado em R$ 36 bilhões pela emissão de boletos não pagos, já que a metade deles não é compensada. Além disso, o aumento do custo de um comerciante que emitir 130 mil boletos registrados por mês chega a R$ 2,6 milhões. A conta não fecha: as Organizações não Governamentais estimam encolher suas receitas em até R$ 6 bilhões por ano.

A medida não prejudica apenas os empresários e as organizações não-governamentais. Ela também atinge você, cidadão. Verifique os boletos que paga mensalmente: condomínio, escola dos filhos, telefone, cartão de crédito, entre outros. Cada boleto na sua pasta de contas a pagar terá um custo.

Essa nova plataforma mexe com o dia a dia de todos os brasileiros. Ninguém está isento. Em verdade, essa mudança apenas onera as organizações e a sociedade, sem qualquer contrapartida da rede bancária que, diga-se de passagem, bate recordes de arrecadação ano após ano.

É preciso unir esforços para evitar que os bancos imponham esse novo modelo de plataforma às instituições, empresas e aos consumidores. O Conselho Federal de Administração (CFA) deu o primeiro passo ao promover uma ação para alertar a sociedade do impacto econômico que o boleto registrado causa a todos. Não nos deixemos levar por propagandas românticas e discursos elaborados cuja intenção é tão somente uma: saquear nossos bolsos.

Se já não bastasse encararmos o leão todos os anos, agora temos em nosso encalço as raposas, déspotas bancários que, a cada boleto, mordem um pedaço do nosso orçamento.


Link: http://www.cfa.org.br/servicos/news/cfanews/taxacao-excessiva-um-caminho-sem-volta

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