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Tendências em filantropia familiar

Uma terceira revolução filantrópica está a caminho

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Vivemos em uma era de transformações e mudanças sem precedentes. As incertezas tecnológicas, demográficas, ambientais e sociais estão causando preocupações nas lideranças de todo o mundo acerca do futuro da sociedade, da economia e do nosso planeta como um todo. Numa tentativa de lidar com esses múltiplos desafios, vários grupos sociais, incluindo ONGs, empresários, fundações e empreendedores buscam contribuir de forma significativa.

Nessa mistura de interessados, famílias empreendedoras têm desempenhado, há bastante tempo, um papel central na abordagem dos desafios sociais e ambientais. Enquanto as doações para a caridade são uma realidade há bastante tempo, a filantropia ("amor pela humanidade"), da maneira como a conhecemos hoje, é um fenômeno recente. Dois dos fundadores da filantropia moderna, John D. Rockfeller e Andrew Carnegie, tinham grandes ambições em melhorar os sistemas públicos de saúde e educação nos Estados Unidos. Mas outros nomes, como Julius Rosenwald, Olivia Sage ou Robert Brookings, deixaram suas marcas na sociedade. E a lista segue adiante.

A filantropia desempenha um papel fundamental nas famílias empreendedoras. Familiares que não se envolvem diretamente com os negócios podem, por meio da filantropia, contribuir com o empreendimento, educar os demais membros acerca do legado familiar, desenvolver habilidades profissionais e ajudar a transferir o capital social para as gerações vindouras. Sob o ponto de vista empresarial, essa preocupação demonstra um comprometimento com objetivos de longo prazo, desenvolve o capital social e reputacional e aumenta o comprometimento dos outros membros da família, bem como dos funcionários, em relação à corporação.

No entanto, o espaço da filantropia, que tradicionalmente é reservado para indivíduos e famílias ricas, vem sendo transformado. O mundo da filantropia está reorganizando a si próprio e essa terceira revolução filantrópica está a pleno vapor, conduzida por empreendedores que pensam além dos negócios e facilitada pela tecnologia.

Eis algumas das tendências mais eminentes na filantropia moderna.

· Surgimento de novos megadoadores. Há um novo recorte de empreendedores ricos que decidiram utilizar suas fortunas para fazer algum bem ao mundo. Basta lembrar dos bilionários Soros, Gates, Buffett e Bloomberg; mas também temos Mark Zuckerberg que se uniu às fileiras. Eles eclipsaram a velha guarda no que se refere à magnitude dos recursos envolvidos, querem agir em vida, buscr envolvimento com as atividades filantrópicas, assumir riscos, apostar alto e garantir que suas doações têm um impacto sustentável e mensurável.

· Mudança rumo ao impacto. Como sublinhado acima, há uma clara mudança rumo a um impacto sustentável e mensurável nas doações filantrópicas. Doadores exigem indicadores de performance claros — o que é mais fácil para alguns projetos e mais difícil para outros — para garantir que o dinheiro investido está sendo utilizado de maneira eficaz e eficiente.

· Convergência de stakeholders. Na era do "impacto", podemos observar uma convergência de diferentes grupos de stakeholders, incluindo doadores e filantropos tradicionais, empresários e investidores, bem como os formuladores de políticas. Todos eles buscam impacto.

· Democratização do ato de doar. A tecnologia permite à população em geral participar das atividades filantrópicas, não apenas os ricos ou suas fundações. Primeiro, as colaborações em massa permitem que cada indivíduo contribua para o bem maior (como por exemplo, atualizar artigos da Wikipedia). Segundo, mercados filantrópicos online também permitem que cada um contribua para causas específicas, mesmo que sejam apenas alguns dólares. O poder da quantidade, amplificado pela internet, está mudando a cara da filantropia. Terceiro, fundos agregados combinam recursos de muitos doadores de uma maneira mais eficiente, ao invés de cada um lançar suas iniciativas individualmente. Quarto, desafios de inovação colocam em foco o problema, ao invés do doador, o que é fundamentalmente uma nova maneira de doar.

· Aplicações de fundos. Tradicionalmente, os fundos foram feitos para durarem para sempre. Mas um número crescente de fundos e fundações recentemente estabelecidos estão estruturados apenas para gastos (como, por exemplo, os fundos com períodos de vida limitados).

Nos próximos anos, essas tendências ganharão importância e convergência, transformando o campo da filantropia familiar.

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