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Tendências dos Drones para 2018

Os empresários visionários liderarão esse jogo sendo os pioneiros e logo depois outras empresas perceberão as vantagens com as soluções baseadas nos Drones e, rapidamente, aplicarão essa tecnologia em todos os setores.

A minha paixão pela tecnologia, em especial pelos Drones e seus sensores, me deixam tendencioso com relação a uma análise precisa para este ano. E 2017 foi o ano em que os drones se tornaram populares de verdade e disponível em qualquer loja das principais capitais de mundo. No início percebemos que o mesmo aconteceu com tantas outras tecnologias, onde a popularização do produto no mercado consumidor levou a abusos como: preços incabíveis, serviços de qualidade inferior, invasão de privacidade, criminosos distribuindo drogas e terroristas convertendo Drones em bombas de ataque.

Os drones comerciais provaram seu valor salvando vidas depois da passagem dos furacões Irma e Harvey, reduziram os custos trabalhistas através de inspeções de infraestrutura e melhoraram a segurança patrimonial e de fronteira por todo o mundo. Diante deste cenário me sinto otimista sobre o que os Drones podem oferecer ao mundo. Com um valor de mercado estimado em U$ $ 127 bilhões até 2020, atuando em mercados como segurança, inspeção de infraestrutura e agricultura, vejo quatro razões pelas quais acredito que 2018 será o ano que definira a indústria comercial dos Drones, superando tudo que vimos em 2017.

1. A evolução da tecnologia

As tecnologias baseadas nos Drones serão desenvolvidas permitindo operações totalmente autônomas, as chamadas missões Beyond Visual Line-of-Sight (BVLOS). Uma missão BVLOS o operador pode estar em sua base de observação, enquanto o drone está fazendo seu trabalho a quilômetros de distância, tornando significativamente mais fácil e eficiente aplicar a tecnologia nos sistemas de segurança, monitoramento e vigilância. Hoje, na grande maioria das operações os drones trabalham em missões VLOS, onde um operador está conectado ao seu drone. Mas, isso mudará em breve. A introdução da tecnologia de redes MESH está permitindo que os drones se conectem simultaneamente ao mesmo centro de controle e internamente uns aos outros, permitindo que essas máquinas "conversem", troquem dados e agilizem as operações.

Hoje, na maioria das empresas os drones são usados principalmente como "câmeras voadoras" que coletam dados. A aeronave retorna da sua missão de coleta de dados (fotos e vídeos) para, em seguida, um operador analisar e processar essas imagens. O que podemos esperar em 2018 é um maior poder de processamento de dados que permitirá que os drones se tornem sensores inteligentes, integrando a visão computacional e as tecnologias de redes neurais para analisar dados sobre o ambiente e com telemetria em tempo real, tudo de forma autônoma, sem a necessidade da intervenção humana. Isso faz com que os Drones sejam independentes, tomem decisões e cuidem sozinhos das operações. A ideia é pensar que a tecnologia utilizada nessas operações se compare ao trabalho de formigas em uma colônia, e será nesse momento que as indústrias compreenderão o sentido na força de trabalho dos Drones, realizando tarefas de forma rápida e segura e trabalhando em conjunto com todos nós. Bem futurista não?

2. Adoção em massa na segurança e monitoramento

Nos últimos dois anos tenho estudado a fundo o mercado de segurança patrimonial no Brasil e acredito que este setor se destacará com os grandes projetos de segurança onde os Drones serão implantados de forma bastante significativa. Essa tecnologia já mostra sua utilidade em grandes fazendas de Camarão no nordeste do país.

Em 2018 iremos ver drones para uso comercial com autonomia muito maior que as de hoje, proporcionando operações mais longas, com possibilidade de transportar cargas mais pesadas, embarcados com sistemas totalmente integrados e seguros, permitindo que operadores de segurança ofereçam uma resposta muito mais eficiente, economizando tempo, dinheiro e até mesmo poupando vidas. Tenho percebido que esse mercado já está disposto a pagar por esta tecnologia, pela simples razão que essas empresas já pagam por sistemas e pessoas que executam o mesmo trabalho de forma ineficiente, por vezes utilizando helicópteros ou drones populares com capacidade limitada.

Os serviços de segurança patrimonial e perimetral utilizando Drones poderão integrar completamente qualquer sistema de segurança privado fechado. É a oportunidade de unir as duas tecnologias de forma bem mais abrangente, onde será possível incluir cercas inteligentes, câmeras de segurança, sensores, machine learning e inteligência artificial. Com essa completa integração será possível que cada um desses sistemas seja controlado de um só centro de controle localizado a quilômetros de distância.

Os empresários visionários liderarão esse jogo sendo os pioneiros e logo depois outras empresas perceberão as vantagens com as soluções baseadas nos Drones e, rapidamente, aplicarão essa tecnologia em todos os setores.

3. O aumento da fiscalização

Fomos influenciados e condicionados a acreditar que toda regulamentação limita o crescimento. Mas com drones, é diferente. A regulamentação chegou para melhorar o setor. À medida que a tecnologia avança desenvolvendo drones com maior capacidade para operar em missões BVLOS (operação 100% autônoma), a regulamentação também avançará, favorecendo as operações com Drones comerciais. As novas regras serão aprimoradas em situações relacionadas a privacidade e segurança.

Já começamos a ver esta mudança após diversas situações onde o Drone foi operado por cartéis de tráfico na tentativa de lançar drogas em presídios e cadeias públicas e também na observação e monitoramento de casas, sítios e condomínios para assaltos e sequestros. No ano passado os Estados Unidos começaram um diálogo com os fabricantes de Drones para discutir a expansão das operações comerciais com essas aeronaves. No Reino Unido foram introduzidas regras para reprimir voos de risco e atentados criminosos. O controle deve apertar por aqui também com novas regras e restrições da ANAC.

4. Um novo modelo de negócio

Todos sabemos como o Software-as-a-Service (SaaS) mudou a forma como consumimos e usamos todos os tipos de software e aplicativos. Este promissor modelo de negócio, reforçado com a inovação da tecnologia e utilizando hospedagem na nuvem, alterou totalmente o modelo de negócios das empresas de software. Já em 2017 a brasileira DronDrones Technologies, de Fortaleza, passou a utilizar este modelo de negócio. Mas será agora, em 2018, que presenciaremos a aplicação total do DaaS - Drones-as-a-Service no mercado global.

À medida que a tecnologia avança para tornar os Drones mais simples de operar e com preços mais acessíveis, as empresas também terão que mudar suas estratégias de negócios no mesmo sentido. Quando evoluirmos para a tecnologia dos Drones totalmente autônomos, excluindo a necessidade de operadores humanos, conseguiremos habilitar de forma eficiente o modelo de negócios conhecido como Drones-as-a-Service.

É provável que algumas empresas optem por não adotar ou criar um departamento de Drones e passarão a locar Drones que serão integrados em seus próprios sistemas. É nesse momento que aparece a maior vantagem, pois utilizarão a tecnologia de acordo suas necessidades permitindo extrair o valor máximo dos dados sem a necessidade de operar ou manter os próprios Drones e sensores. Esse é o momento da terceirização!
Esse novo modelo de negócios mostrará novas perspectivas e abrirão as portas para mais empresas interessadas em oferecer esse serviço, desenvolvendo novos casos de sucesso no uso dos Drones.

Acredito que os fatores acima têm potencial de transformar completamente o universo comercial dos Drones. Fique atento, pois será em 2018 que veremos tudo isso acontecer!

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