08 de agosto de 2011, às 20h57min

A hora do recreio

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A demanda por resultados imediatos é uma das causas no aumento da carga de trabalho. Passamos horas e horas trabalhando em atividades que são "para ontem". Sim, o nosso trabalho é importante, mas o volume de atividades urgentes está comendo uma boa fatia do nosso tempo de lazer, ou, pelo menos, o tempo que teríamos para gerar ideias ou fortalecer nossos contatos; atividades essas que podem contribuir bastante para realizar o trabalho com eficiência. Nosso cérebro e nosso corpo precisam de um descanso pleno para que possamos recuperar nossa disposição. É como um celular: ficamos ligados e trabalhamos intensamente até que nossa bateria acabe. Com o esgotamento, a bateria precisa ser recarregada por determinado período para que o aparelho volte a funcionar. Mas com certeza os usuários dependentes, quando veem a bateria perto do fim, recarregam rápido, o suficiente para continuarem falando, e dessa forma o aparelho nunca consegue recuperar toda a carga que necessita e fica viciado. E é exatamente isso o que acontece com as pessoas, como não podemos recarregar naquele momento, fazemos "recargas" paliativas para terminar nossas atividades, como comer besteiras na frente do computador ou fazer o alongamento da ginástica laboral com o telefone na mão. Dessa forma, dificilmente vamos trabalhar em nossa capacidade total.


Surge, então, uma questão: Vale a pena as empresas insistirem em sobrecargas de trabalho, quando sabemos que a equipe não vai produzir resultados de excelência? Por outro lado não podemos parar a empresa, então, como encontrar o equilíbrio da balança? Simples: brincando! É verdade, não estou brincando, quando digo que brincar pode ser uma excelente solução para recarregar as baterias dos funcionários. É só pensarmos nas escolas, que mesmo com uma jornada de cinco, às vezes seis horas ininterruptas, garantem aos alunos a hora do recreio, na qual, além do lanche que pode ser feito com tranqüilidade, é possível brincar e jogar com os colegas; tudo isso, fora da sala de aula. Por isso, de nada adianta promover momentos de alongamento, se as pessoas continuam próximas de suas mesas, vulneráveis à tela do computador e ao telefone. Vale a pena, as empresas dedicarem uma tarde do mês, por exemplo, ou um período ao final de um projeto, para que seus funcionários brinquem e recarreguem suas energias para iniciarem uma nova empreitada. Basta enxergar essa prática como investimento, uma vez que os benefícios são inúmeros. Por exemplo, a promoção de gincanas permite que as pessoas pratiquem uma atividade física leve, mas essencial para a saúde e para evitar o sedentarismo, que criem redes de networking, pois em ambiente descontraídos as pessoas ficam mais desinibidas facilitando a aproximação e até mesmo a construção de novas amizades, também estimulam o trabalho em equipe, pois o objetivo de vencer as provas faz com que as pessoas concentrem seus esforços e se unam para ganhar o prêmio, ajudam a lidar com as incertezas e propiciam o improviso, e com tudo isso, ainda há a melhora do clima organizacional, haja vista o aumento da disposição e do bom humor. Idas a parques de diversão e boliches também são uma boa pedida se empresa tiver recursos para bancar tais atividades.

O importante é esclarecer que as pessoas não são máquinas e atualmente não temos muito tempo para nos cuidarmos, e as empresas, com gestos simples, podem cuidar do seu principal patrimônio: o capital humano. Por isso, é imperativo que iniciativas como a promoção de brincadeiras sejam implantadas e vistas como investimento, para que assim, possamos distribuir melhor o peso da carga de trabalho e garantir resultados positivos para as empresas das quais fazemos parte.

 

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Autor
Administradora de empresas. 

Experiência no setor de telecomunicações com atuação nas áreas Comercial e Administrativa. Atualmente é pesquisadora nas áreas de Gestão de Pessoas e Clientes.

Áreas de interesse: Comportamento Organizacional, Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), Gestão de Talentos, Planejamento Estratégico, Marketing, Controle Gerencial.
 
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