12 de fevereiro de 2009, às 21h48min
A síndrome de Prometeu
Muitos dos trabalhadores de hoje vivem essa realidade, deixando que o trabalho os consumam duramente durante o dia na espera da hora de ir embora para a casa e se livrar do serviço, onde se regeneram. Só que, no dia seguinte, tudo se repete e o trabalho consome toda a sua energia novamente.
Existem, pelo menos, duas explicações para isso.
Uma é que existem pessoas que realmente estão não encontram a motivação (que é um motivo para a ação) para o trabalho: ou por estar em cargo que não tem dom para executar e o exerce apenas para poder sustentar a sua família; ou por ser uma pessoa do tipo que é despreparada para as dificuldades da vida (não aceitam que é preciso trabalhar para o seu próprio crescimento e o crescimento do próximo).
A outra é o problema do ambiente onde trabalham: a maioria das empresas do Brasil, grandes, médias e pequenas, possui pessoas despreparadas no quesito “pessoa” ocupando os cargos de alta liderança. Segundo Vicente Falconi, em outras palavras, o objetivo do trabalho humano é satisfazer a necessidade de quem depende daquilo que você produz. Existem empresas (e você deve conhecer ao uma dúzia) onde o trabalhador, entra ano e sai ano, não sabe pra que, nem pra quem está produzindo algo. É um simples cumpridor de horários e tarefas. O trabalhador não tem reconhecimento nem respeito. Então, quando dá o horário, ele sai louco para ir para casa para se recompor para, no dia seguinte, ter novamente o seu fígado comido.
Você, caso se espelhe no que digo neste texto, tem duas alternativas: trocar de emprego – embora não veja muitas empresas que ofereçam uma real valorização de seus empregados - ou ser um agente da mudança e, dia após dia, buscar negociação com seus líderes e ir colocando "pedra sobre pedra" para que haja uma verdadeira transformação nas cabeças dessas pessoas.
Para a alta liderança, digo que cabe a ela o papel de reconhecer a pessoa certa para o cargo certo, reconhecer o fruto do trabalho de cada um de seus liderados, mostrando-os os resultados do que se produz, e, além de aplicar recursos em treinamento e desenvolvimento, treinar-se e desenvolver-se para poder reter talentos em sua empresa.
A alta liderança, muitas vezes, desconhece o fato de que muitos colaboradores “demitem” os seus chefes por não agüentar a pressão psicológica exercida por eles. Esses chefes atuam como as águias comedoras de fígado de Prometeu. Esses funcionários que criam a coragem de se livrar da Síndrome, quando saem de um emprego, se sentem mais ou menos como diz Ana Carolina na canção Louca Tempestade: “eu quero olhar as luzes que teus olhos não me têm deixado ver, agora eu vou viver”, ou seja, os chefes atuam aprisionando as mentes das pessoas (não é a toa que pessoas tem sofrido infarto, câncer, depressão, insônia, etc, cada vez com mais freqüência).
Cabe a cada líder decidir se quer ter escravos (com pressão descabida, broncas em público, etc - e isso é, no mínimo, falta de educação) ou se quer ter parceiros, que são pessoas que conhecem o seu trabalho, têm ciência de suas responsabilidades, têm compromisso com o resultado de suas tarefas e, principalmente, sabem o porquê de levantar de manhã e dedicar 60% de seu tempo acordado de viver à empresa que esse líder comanda. Mentes livres (disciplina é liberdade - Renato Russo) trazem melhores resultados para a organização, acredite!
Claudinet Antônio Coltri Júnior é consultor organizacional nas áreas de gestão estratégica, marketing e gestão de pessoas. Coordenador e professor universitário do UNIVAG e escreve em A Gazeta às quintas-feiras. Web-site: www.coltri.com.br - E-mail: junior@coltri.com.br
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- Marketing
- Gestão estratégica
- Gestão de pessoas
Coordenador e professor de cursos da áera de Gestão da Educação tecnológica - UNIVAG
Coordenador do curso MBA Compacto em Adm. de Consultório - ABO/MT
Coordenador do curso de formação de ACD - ABO/MT
Consultor e instrutor do Sebrae/MT
Articulista do jornal A Gazeta
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