17 de dezembro de 2009, às 16h44min

A Taxa de Casamento

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 Se há anos atrás parecia se difundir a ideia que ser família era uma coisa ‘careta’ e fora de moda, nos dias atuais começa ser uma concepção a ser revisada, e até valorizada novamente. Não se trata de um condicionamento apenas moral, mas o fato é que cada vez mais se reconhece o grupo familiar como base de uma sociedade, de modo que hoje a ausência desta estrutura pode ser acusada com sentido prático como algo que contribui para a desestruturação da sociedade.

Em torno disto, tomando-se por base que o aspecto formal inicial da constituição da uma família seja o casamento, aqui se propõe apresentar alguns dados compilados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Estatística). É claro que há que se destacar que neste caso trata-se de medir os casamentos formalizados, ficam de fora as denominadas uniões informais, e neste caso não se trata de qualquer juízo de valor, mas de ausência da informação das famílias assim constituídas. De modo geral, quando se trabalha com uma informação para que se entenda o seu sentido se busca relativizá-la. Neste sentido, hoje é possível se comparar a série histórica ligada ao período de 1998-2008.

Para tanto, utiliza-se da denominada taxa de nupcialidade, que é obtida pela divisão do número de casamentos pelo de habitantes e multiplicando-se o resultado por 1.000, ou seja, indica o número de casamentos por cada mil habitantes. Neste caso, a média para o período foi de 6,16, ou seja, em torno de 6 casamentos para cada 1000, para pessoas maiores de 15 anos. Neste sentido, depois de súbita alta de 1998 para 1999 de 6,1 para 6,6, entrou em queda até atingir 5,6 em 2002,  a mais baixa do período, para então entrar num período de recuperação e atingir 6,7, aproximando-se de 7 em 2008.  Assim, se de modo geral forem consideradas duas pontas do período, tem-se um acréscimo de 34,8% entre 1998 e 2008, em números absolutos foram 936.538 de indivíduos que contraíram núpcias oficialmente.

Um dos pontos que contribui para este aumento é a formalização de uniões informais, por conta da melhoria no acesso aos serviços de justiça, ligados às mudanças no Código Civil, renovado em 2002, e ofertas de casamentos coletivos. Neste caso teríamos que considerar que o acréscimo real seria inferior, de fato expandindo-se a efetiva formalização.

Outro número que se mostra interessante é que os casamentos, na sua maioria, se dão entre solteiros, mas há que se destacar também aqueles cujo estado civil é de divorciado ou viúvo, que resolvem tentar mais uma vez o casamento, ou dito de outra forma, a taxa de recasamento também aumentou no período: em 1998, 10,3% destes citados novamente contraíram matrimônio, enquanto que em 2008, passaram a ser 17,1% o que mostra um significativo crescimento percentual próximo a 70%, estabelecendo, assim, uma nova tendência a se tentar de novo. 

Outra modificação interessante onde os números confirmam o que a percepção em parte poderia já ter percebido: homens e mulheres estão casando mais tarde. Neste sentido, quanto às mulheres, mais delas se casam dos 25 aos 29 anos. Enquanto em 1998 essa faixa etária representava 19,4% do total, foi de 28,4% em 2008, enquanto em contrapartida, para as faixas etárias entre os 20 e 24 anos e dos 15 aos 19 anos, houve diminuição no número de casamentos, respectivamente de 31,6% para 29,7%, e de 22,6% para 16,3%, no mesmo período. No caso dos homens, a tendência se mostra a mesma. Entretanto, numa variação inferior, o que pode em parte refletir a inserção da mulher no mercado de trabalho, enquanto que pelo lado masculino esteja mais para um ajuste a esta nova situação, já que em 1998 29,3% casavam entre 25 e 29 anos, para 32,7% em 2008.

Seja lá como for, a tendência em questão no mínimo vai contra o que parecia a expectativa anterior do casamento: estar fora de moda. Pelo menos por enquanto, ele continua frequentando os costumes sociais, e talvez o problema maior não seja casar-se, mas haver um desenvolvimento realista da educação para a vida em família, onde a ética racional se sobreponha à vulnerabilidade da moral. Afinal, casamento é mais exercício de diplomacia, do que partida de futebol, e se o afeto é necessário, não há como.  

 

Gilberto Brandão Marcon, Professor e Pesquisador da UNIFAE, Ex-Presidente do IPEFAE (2007/2009), Economista graduado pela UNICAMP (1982/1985), pós-graduado ‘lato sensu’ em Economia de Empresas pela FAE (1986/1988), com Mestrado Interdisciplinar em Educação, Administração e Comunicação pela UNIMARCO (2006/2008), Comentarista Econômico TV União, Escritor, e com aperfeiçoamento como aluno especial no Mestrado de Filosofia da UNICAMP na área de Filosofia da Psicanálise (2002/2003).  

 

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Autor
Professor da UNIFAE, centro universitário em São João da Boa Vista-SP.  Ex-Presidente do IPEFAE (2007/2009),  instituto que promove estágios, pesquisas e concursos. Formado Economista pela UNICAMP, pós-graduado em Economia de Empresas UNIFAE, com Mestrado Interdisciplinar em Educação, Administração e Comunicação pela UNIMARCO, e doutorando em Educação pela UNIMEP de Piracicaba, além de ter desenvolvido atividades complementares, por quatro anos, em Comentário Econômico da TV local.
 
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que saco, to loco atraz de uma jaqueta dessas
 
Exelente material
 
gostaria de saber quem trabalha em banco que não trabalha sabado e domingo se os três dias ja começa...
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