19 de abril de 2008, às 12h53min
Administrando o Paraíso
Houve um tempo, não muito distante, em que o sonho de todo o brasileiro era viver, ou pelo menos conhecer, o Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa. E o Rio era a Cidade Maravilhosa indiscutivelmente, a cidade mais bonita do mundo, disparado, o local do povo irreverente e cordial, feliz só por ser carioca. Era suficiente ser carioca, era status, era orgulho. Quem viajava pode lembrar que mencionar o Rio de Janeiro lá fora bastava para causar frisson, para usar um termo bem da época. Era Paraíso na Terra.

É certo que uma cidade tão linda, com vistas tão espetaculares, não deixaria nunca de ser admirada. A questão não é esta. O ponto é que, com o tempo o imaginário popular sobre o Rio foi se deslocando aos poucos do paraíso para o inferno, com passagem até pelo purgatório. Hoje é provável que a primeira imagem, quando se menciona a cidade, seja da guerrilha urbana, do tráfico, da bala perdida e da vida nas favelas. E o pior de tudo é a sensação de que o buraco é mais embaixo.
Dançando com o Dinheiro Público
Quando passamos pela Cidade da Música, no entroncamento da Avenida das Américas com a Ayrton Senna, no coração da Barra da Tijuca, ano após ano, nos deparando com aquele gigante adormecido, um titanic de concreto, de estruturas inacabadas, emparedadas por tapumes, poderíamos, sim, imaginar que aquela obra estava prestes a se transformar em um insaciável devorador recursos públicos. Ainda assim, não levantamos uma palha sequer, não houve questionamentos sérios sobre o projeto, cuja obra vem se arrastando por tanto tempo, exposta aos olhos de quem quisesse olhar. Este é um exemplo emblemático da nossa total falta de responsabilidade, com respeito às ações do gestor destes recursos.

Quer dizer, votamos num prefeito gestor e depois viramos as costas para os assuntos de sua gestão, mesmo que sejam assuntos de R$500 MILHÕES? Foi exatamente o que ocorreu. Se nem MEIO BILHÃO DE REAIS nos comove, a situação é mais que preocupante. Hoje, em troca de nossa falta de participação, temos a epidemia da dengue, com muito mosquito e poucos centros de saúde. A desinteligência é tão grande que, somamos perdas, não só em vidas, mas de turistas que deixarão de visitar a cidade. Operadores de turismo estimam uma redução em torno de 30% de movimento, só em 2008. Dá para imaginar mais outros tantos recursos perdidos por incompetência administrativa.
A democracia exige controle rigoroso por parte dos cidadãos e nisto não vamos nada bem.
Metendo o Nariz

Com tantos desvios do dinheiro público, entre obras superfaturadas, mensalões, verbas para ONG's, cartões 'corporativos', e muitas outras armações para ludibriar os contribuintes, ainda se diz legislativo, executivo e judiciário não devem meter os narizes uns em assuntos dos outros. Nunca, na história deste País, como o próprio presidente vive repetindo, se ouviu uma tão infeliz declaração, vinda da Presidência, que vai de encontro ao próprio conceito da democracia. Esta declaração já passa dos limites, uma falta de compromisso com as conseqüências.
É por onde mais incomoda o presidente, justamente aí que pode estar a raiz da solução. Quando poderes da república, exercendo suas prerrogativas, fazem questionamentos entre si – o chamado ‘cross checking’, tipo uma checagem cruzada - deveríamos aplaudir de pé, porque demonstra que a república está viva, atenta à sua condução.
O sistema tem os mecanismos necessários que, certamente, podem ser aprimorados. Imagine toda a inteligência e tecnologia desenvolvidas pela Receita Federal utilizadas não só para a arrecadação de impostos mas, também, no controle de seus gastos.
Uma Questão de Gerenciamento
Para um passo desta natureza, a sociedade tem que se envolver com a sua administração. É uma questão de gerenciamento público, é responder a pergunta sobre quem é ‘o fiscal que fiscaliza o fiscal’. A sociedade, praticando a cidadania, é a entidade que fiscaliza todos, através da efetiva participação popular, sobre os atos dos gestores públicos. Os instrumentos estão aí, é uma questão de fazer o que tem que ser feito.
Este seria um grande presente para o Rio de Janeiro. Que o amor dos cariocas seja um amor de verdade, um amor com compromisso, um amor de ação. Já vimos que votar só, não basta. É como largar um filho no mundo, é no que políticos soltos se transformam. Tem que educar, apontar os caminhos e checar o tempo inteiro. Caso contrário, viram caso de polícia.
Blog do Varejo
www.varejototal.zip.net
Curta o Administradores no Facebook e siga os nossos posts no @admnews.
As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
Assuntos
Autor
Engenheiro Mecânico por 20 anos, com obras na Amazônia (Grupo CAEMI), resolvendo fazer 'arte' perto da Família, no Rio, abraçou o Varejo como nova profissão. Cursou MBA de Varejo e Serviços (deve monografia) e faz Docência Superior, em retoques finais. Em sociedade com sua esposa é proprietário de uma rede de lojas de prestação de serviços, retalhista de aviamentos e conserto expresso de roupas. Está presente em alguns dos bons shoppings do Rio de Janeiro: NorteShopping, DownTown e Via Parque. Outras duas lojas estão em stripig shoppings de hipermercados, na Avenida das Américas - Barra da Tijuca. No exercício das melhores práticas de administração, a ginástica é sair vivo deste ambiente adverso aos negócios, e encontrar felicidade em perseverar, na luta por um Brasil mais inteligente. Se, em termos de riquezas naturais, estamos sempre entre os dez maiores, porque onde se aplica a mão dos homens, o Brasil está p'rá lá de qüinquagésimo, conforme vemos nos IDH's, PNUD's e outros estudos? É em tributação, em juros, em dificuldades para abrir e fechar empresas e muito, muito mais. A "inteligência" brasileira tem que se impor, e ajudar a colocar nosso país nos trilhos. Quem está nesta? Um pouco desta tarefa, vai pelo Blog do Varejo www.varejototal.zip.net , onde tudo é misturado, qualquer assunto interessante é válido. Sempre visando unir pessoas, colegas e amigos, no caso, que trabalhem no comércio varejista.
Mais recentemente, ajudo no desenvolvimeno do Rotary Club RC da Avenida Ayrton Senna, clube do qual me orgulho de ser sócio fundador e representativo. Outra paixão é o Empreendedorismo Social, o qual temos estudado e procuramos nos encaixar, na busca de estender a mão àqueles dessassistidos.
Profissionalmente, o novo caminho é a Engenharia de Negócios, sobre a qual muito se ouvirá falar no futuro, que nos esforçamos por construir agora.
E a MediATRIX, que transita pelo desafiador mundo da média eletrônica, ainda um grande mistério até meso para os iniciados. Eduardo Buys (atual. 17/09/2010)
Blog do Varejo www.varejototal.zip.net Editor
tt: @edubuys edubuys@uol.com.br skp: edubuys
Mais recentemente, ajudo no desenvolvimeno do Rotary Club RC da Avenida Ayrton Senna, clube do qual me orgulho de ser sócio fundador e representativo. Outra paixão é o Empreendedorismo Social, o qual temos estudado e procuramos nos encaixar, na busca de estender a mão àqueles dessassistidos.
Profissionalmente, o novo caminho é a Engenharia de Negócios, sobre a qual muito se ouvirá falar no futuro, que nos esforçamos por construir agora.
E a MediATRIX, que transita pelo desafiador mundo da média eletrônica, ainda um grande mistério até meso para os iniciados. Eduardo Buys (atual. 17/09/2010)
Blog do Varejo www.varejototal.zip.net Editor
tt: @edubuys edubuys@uol.com.br skp: edubuys
Mais do autor
Deixe seu comentário







