27 de novembro de 2009, às 16h39min
Alemanha - Um problema de gestão
Ao abrir a janela qual não foi sua surpresa ao se deparar com um inusitado movimento.
Era incrivelmente grande o número de Vopos, como eram denominados os milicianos da antiga República Democrática da Alemanha – RDA, com seus tradicionais uniformes verde-ruço.
Estavam acompanhados por soldados com semblantes nada amigável e com seus fuzis prontos para ser usados a qualquer momento.
Com movimentos rápidos estendiam de um poste a outro um interminável rolo de arame farpado.
Logo atrás Klaus percebeu que havia centenas de trabalhadores que desembarcavam dos caminhões. Uns descarregavam tijolos, sacos de cimento, areia e cal, outros espancavam o solo indefeso com picaretas, enxadões e britadeiras enquanto outros preparavam a argamassa que iria ser usada para levantar o pavoroso e vergonhoso muro da vergonha ou Berliner Mauer, como denominavam os berlinenses.
Nos meses que se seguiram Klaus pode constatar o intuito de todo aquele movimento, a divisão de sua linda cidade por um muro que se estendeu por trinta e sete quilômetros, separando não somente a cidade, mas, dividindo famílias, esperanças e semeando discórdia.
Berlim, uma das mais belas cidades do mundo, estava dividida, suas estradas fechadas e seus trens proibidos de circular. Era a máquina soviética tentado impor o terror.
Em nível de gestão a Alemanha Oriental implantou uma economia nacionalizada e planificada segundo o modelo socialista. Numa economia assim supõe-se que o trabalhador tenha um papel importante no planejamento e direcionamento das ações governamentais.
Na Alemanha Oriental esta hipótese não valia, na verdade não havia nada de comunismo na verdadeira concepção da palavra, havia sim uma pequena burocracia ditatorial em todos os aspectos que executava um plano que lhes permitissem manter seus próprios privilégios, assim, a troca privada e a posse de terras eram proibidas e as pessoas que deveriam ter seu bem estar como foco principal do Estado era forçadas a trabalhar em fazendas do governo, com sérias privações de comida e de mantimentos.
O que Klaus estava presenciando naquela manhã de 13 de agosto, aliás, data que na minha infância lá em Mato Grosso do Sul diziam ser o dia do azar, o dia do cachorro louco, foi resultado de uma tentativa maluca de Nikita Kruschev, o premier soviético, de conter a evasão e fuga das pessoas de bem. Foram mais de 160 mil pessoas que atravessaram a linha divisória da cidade em busca de uma vida melhor na bela Berlim Ocidental.
Nosso objetivo não é falar de política e sim de gestão, então, fica uma indagação.
Porque que dois países que têm a mesma cultura, o mesmo idioma, as mesmas pessoas e os mesmos recursos têm comportamentos tão diferentes?
De um lado uma Alemanha Ocidental moderna com empreendimentos modernos e uma qualidade de vida digna para seus cidadãos e do outro uma Alemanha Oriental com baixíssimo nível de produtividade da indústria, fábricas obsoletas com equipamentos ultrapassados, com problemas de matéria prima e oferta de produtos extremamente limitados.
Trata-se de uma resposta aparentemente simples; Um claro problema de gestão.
Não estou falando de modelo político, independente de qual seja, a correta gestão dos recursos é que levam uma empresa ou um país a ser bem sucedido.
Quando a gestão é feita na busca de benefícios próprios sem se importar com o bem comum o resultado é o fracasso.
Logo, a diferença entre as duas Alemanhas iam muito além do modelo político implantado, estava também na forma como eram geridas.
Hoje o muro caiu deixando marcas que jamais serão apagadas. Quando você passeia por Berlim, você tem que olhar para baixo não para cima, pois, as cicatrizes estão marcadas no chão.
Embora, discretas e as vezes imperceptíveis, estão lá para que todos os Klaus nunca se esqueçam do que significa o egoísmo e a ganância do homem, mas, principalmente entenda quais são as consequências de uma gestão egoísta e de péssima qualidade.
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Autor
Rubens Fava é formado em Ciências Econômicas e Administração com ênfase em marketing, especialização em Productivity Improvement pelo JPC – Japan Productivity Center for Sócio-Economic Development – Tokyo - Japan, Teoria das Restrições – Institute Goldratt – Saint Paul – USA., Management Study – Baldwin-Wallace College – Berea – Ohio – USA. Mestre em Administração pelo ESADE de Barcelona ES e doutorando em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina - USFC. Autor dos livros Caminhos da Administração, Arauto, Gestão Empresarial – Volume II, Um tributo a Peter Drucker – capítulo 2, Gestão & Administração – A trajetória de uma executiva de sucesso e Espiritualidade Organizacional.
É autor dos livros
1- Caminhos da Administração.
2- A trajetória de uma executiva de sucesso.
3- Espiritualidade Organizacional
É autor dos livros
1- Caminhos da Administração.
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