23 de setembro de 2009, às 19h14min

Análise para 24 de setembro de 2009

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 O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), anuncia às 15h15 o rumo da taxa básica de juros do país. Na previsão dos analistas ouvidos pela AL, a autoridade monetária deve manter a taxa básica de juros inalterada, em uma margem entre 0% e 0,25% e só volta a elevar a taxa no próximo ano. Mesmo com a melhora recente de alguns indicadores econômicos, como os números do mercado imobiliário e as vendas no varejo, por exemplo, as condições do mercado de trabalho e gastos dos consumidores continuam fracos, o que indica que o banco central norte-americano não terá espaço para qualquer mudança no cenário atual. Para o professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, ainda está muito cedo para mudar a taxa básica de juros, uma vez que ainda não há crescimento econômico, apesar do ritmo de contração ter diminuído. "O Fed não tem saída, a não ser manter a taxa baixa e esperar a retomada, pelo menos, até o ano que vem quando pode haver uma pressão inflacionária", avalia. Ele ainda prevê que os Estados Unidos devem encerrar o ano com um Produto  Interno Bruto (PIB) com retração de 2,5%. "Dentro deste cenário temos um problema sério: quando o PIB começar a crescer as empresas vão aumentar a produção sem contratar por causa da capacidade ociosa, o que prolonga o desemprego e retarda a retomada do consumo”.O PIB dos Estados Unidos retraiu 1% no segundo trimestre deste ano, de acordo com a segunda leitura preliminar, na taxa atualizada, ante primeiro trimestre,  quando a queda foi de 6,4%. Para o economista Ivo Chermont, da Modal Asset Management, não há nenhuma chance de mudança da taxa neste ano nem no começo do ano que vem. "Acredito que iremos ter um possível aumento apenas no final de 2010", afirmou o economista. Segundo ele, já há sinais de que "teoricamente" a recessão acabou. No entanto, alguns indicadores ainda mostram que a recuperação está em curso e que a economia não está estabilizada. Chermont ainda calcula que a taxa de desemprego continuará aumentando nos próximos meses, pois essa é uma variável que demora mais para se recuperar do que os outros indicadores econômicos. "A recuperação da economia começa com as empresas aumentando os estoques, seguido de um aumento da demanda. Com esse crescimento, as empresas voltam a produzir mais e só então começam a recontrataras pessoas", disse. "Desta forma, uma melhora na taxa do desemprego só poderá ser vista em meados do ano que vem", completou. A taxa de desemprego nos Estados Unidos subiu para 9,7% em agosto, ante 9,4% no mês anterior. No mês passado foram eliminados 216 mil postos de trabalho na economia norte-americana (sem contar os empregos na área rural), ante 276 mil em julho.  O economista da Sul América Investimentos Newton Rosa compartilha a opinião de que a taxa básica de juros deve ficar inalterada este ano, mas pode voltar a subir no terceiro ou no quarto trimestre de 2010. Para Newton Rosa a economia está voltando a crescer e já existem sinais claros de que a recessão está ficando para trás. No entanto, a recuperação não é tão forte e o consumo ainda é fraco. "No curto prazo, as atividades industrial e imobiliária devem direcionar o rumo da economia. No médio prazo, o consumo e o mercado de trabalho vão melhorando. A taxa do desemprego deve chegar a 10% até o final do ano e só deve melhorar no primeiro semestre do ano que vem", projeta o economista.

 

O professor de finanças da Brazilian Business School (BBS), Ricardo Torres, afirma que a manutenção da taxa deve-se à situação econômica que continua ruim. "Existem muitas pessoas desempregadas. As empresas tentaram segurar os empregados, pensando que a crise fosse mais branda, mas, se o consumo não melhorar, a taxa do desemprego vai crescer, e pode chegar aos dois dígitos". Para ele, o mercado apresentou uma leve recuperação, mas ainda não se estabilizou, o que sinaliza que os estímulos à economia terão de ser prolongados. "Se por um lado houve uma melhora do setor financeiro, por outro, o déficit do país continua alto", compara. O professor de finanças da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Adriano Gomes também descarta qualquer mudança na política de juros dos Estados Unidos, pois os indícios de recuperação da economia não foram consistentes como se esperava. Para ele, uma mudança significativa pode ocorrer no ano que vem. "O governo Obama não deve ficar de braços cruzados. É bastante provável que haja uma elevação gradual e consistente da economia em 2010".

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