A base aliada no Senado negocia com o relator do protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul, Tasso Jereissati (PSDB-CE), a votação da matéria em caráter final na primeira quinzena de outubro. A idéia é convencer o tucano a apresentar o parecer sobre a matéria até o dia 30 deste mês, de forma a viabilizar a votação na comissão na semana seguinte e logo depois no plenário. Interlocutores da Comissão de Relações Exteriores (CRE), onde a proposta tramita em caráter preliminar, admitem que os governistas pressionam pela apresentação do parecer do tucano sob o argumento de que a entrada do país vizinho no bloco do Cone Sul será um dos temas a ser tratado no encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente venezuelano Hugo Chávez na Cúpula América do Sul-África (ASA), que será realizada no final de semana em Isla Margarita. As dificuldades, no entanto, são grandes. O primeiro desafio é vencer a
determinação do relator em adiar ao máximo possível a apresentação do parecer. Tasso desconversa quanto ao mérito do voto, mas em oportunidades diversas critica o presidente venezuelano sinalizando sintonia com a cúpula do PSDB que é contrária a adesão do país vizinho ao Mercosul enquanto seu comando estiver nas mãos de Chávez. Embora pressionado pelo setor produtivo para agilizar o processo, Tasso acatou todos os pedidos de mais debate sobre assunto apresentados durante o primeiro semestre deste ano. Com as audiências públicas, o tucano conseguiu desviar o foco das cobranças. Além disso, o tucano está ciente de que mesmo que apresente voto contrário à entrada da Venezuela no Mercosul há chances reais de ser derrotado pelos governistas e, em conseqüência, substituído por um aliado do Planalto na condução do tema. A única estratégia que lhe resta é adiar a decisão o máximo de tempo possível. Os governistas também têm ciência da situação favorável tão logo o parecer seja formalizado. Membros da base aliada chegaram a estudar a possibilidade de "deposição" do tucano do cargo e sua substituição por um aliado favorável à entrada dos venezuelanos no bloco comercial. No entanto, o regimento limitou a ação dos aliados do Planalto e forçou o diálogo. Pelas regras vigentes, as relatorias são distribuídas em rodízio dos partidos, mas quem decide por qual legenda a distribuição começa é o presidente de cada colegiado.
A CRE é presidida pelo tucano Eduardo Azeredo (MG), que também sinaliza que não está disposto a assumir posição contrária à determinada pelo comando tucano. Além de sequer aceitar falar em troca de relator, Azeredo avisou que não vai ceder aos apelos para fixação de uma data para que o colega de legenda apresente seu parecer. "Ele tem o prazo que quiser. Não tem como apressar, pressionar. Quando ele tiver o parecer, apresenta. Até lá, só nos resta esperar", desconversa. Os aliados ainda terão que vencer a resistência do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) ao tema. Antes de assumir a cadeira, o peemedebista deu várias declarações contrárias à adesão sob o mesmo argumento dos tucanos de risco para democracia no bloco com a entrada de Chávez entre os presidentes membros. Depois de eleito, Sarney apenas limitou-se a dizer que colocará o tema em votação tão logo seja enviado ao plenário.
Como Sarney não vota em plenário - salvo em casos de empates em votação – os governistas devem cobrar a fatura do apoio manifestado publicamente durante a crise política ao exigirem que nenhuma manobra seja feita em plenário para atrapalhar a votação do tema até o final deste ano. O protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul tramita no Senado desde dezembro de 2008.
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