17 de dezembro de 2009, às 11h35min

Como a regra pode definir o vencedor

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No texto anterior descrevi o que seria um truelo entre adversários com diferentes habilidades e de que forma pode-se raciocinar para chegar a um desfecho mais favorável. Naquele exemplo, a forma como a situação estava desenhada influenciava diretamente no seu resultado. Resulta, portanto, que muitas vezes as regras do jogo determinam o vencedor, muito mais do que as habilidades intrínsecas de cada participante ou as preferências de quem precisa escolher um favorito.

Dixit e Nalebeuff ilustram essa idéia de maneira muito didática em The Art of Strategyalt, recorrendo a um caso real ocorrido com Plínio, o Jovem, quando este era um senador romano durante o governo de Trajano, no ano 100 d.C.:
 

Runawayjury
Dustin Hoffman em "O júri"

Grosso modo, existem três formas básicas de se julgar um crime num tribunal de justiça, cada um com seus prós e contras:

1. Status Quo: primeiro determina-se a culpa ou inocência do acusado. Caso seja culpado, determina-se, então, a pena mais apropriada;

2. Tradição Romana: após a apreciação do caso, decide-se se a punição mais severa (pena de morte) é aplicável. Caso contrário, desce-se um degrau na severidade da pena, até escolher uma adequada - ou absolver o réu;

3. Sentença Mandatória: escolhe-se primeiro a pena adequada ao crime e, depois, se o réu deve ser submetido a ela.

No caso citado acima, um homem preso e acusado de um crime terá o seu destino decidido por três juízes que enxergam o caso de maneiras muito distintas umas das outras, de acordo com as ordens de preferência a seguir:

O Juiz A entende que o réu é culpado e deve receber a pena máxima pelo crime, ou seja, pena de morte. Caso isso não seja possível, deverá ficar preso pelo resto da vida. E, por fim, o pior desfecho seria, para este juiz, que o acusado fosse solto;
 

Os3juízes

Os três Juízes e suas punições preferidas, de cima para baixo



O Juiz B também acredita que o réu é culpado, mas como ele é contra a pena de morte prefere, assim, a prisão perpétua como primeira opção. Mantendo a coerência, ele estaria disposto a libertar o acusado antes de vê-lo executado;

Já o Juiz C é o único a confiar na inocência do acusado e, por isso, defenderá a sua absolvição e consequente soltura. Por outro lado, ele prefere vê-lo morto de uma vez a passar o resto da vida na cadeia.
 

* * * * * * * * * *


Será que, dadas as preferências acima, poderíamos ter resultados diferentes dependendo do sistema adotado? Vejamos:

1. Status Quo (primeiro a culpa, depois a pena): os juízes percebem que se o réu for declarado culpado, a pena de morte ganhará de 2x1 (A e C vs. B), mas como dois deles preferem o acusado livre a executado, então ele é declarado Inocente;

2. Tradição Romana: (severidade decrescente): os magistrados entendem que se a pena de morte não for escolhida no primeiro estágio, a prisão perpétua será no segundo. E como o Juiz C prefere o réu executado a apodrecendo na cadeia, por 2x1 (A e C vs. B) escolhe-se a Pena de Morte;

3. Sentença Mandatória: (primeiro a pena, depois a culpa): se a pena escolhida for prisão perpétua, então o réu será declarado culpado - como preferem os juízes A e B. Mas se decidirem pela pena de morte, então o acusado será solto, pois os Juízes B e C assim preferem. A decisão resume-se, então, à prisão perpétua ou liberdade e, por 2x1 (A e B vs. C) ganha a Prisão Perpétua.
 

* * * * * * * * * *

É curioso notar como o sistema pode influenciar diretamente no resutado. O mesmo caso teve três desfechos completamente diferentes. Claro que nem todos os exemplos são tão dramáticos quanto o enfrentado por Plínio, o Jovem, lidando com questões entre a vida e a morte.

Mas pense, por exemplo, nos sistemas eleitorais que temos por aí. Desde o americano - onde um candidato derrotado já assumiu a Casa Branca -, passando pelo iraquiano onde Saddam Hussein sempre tinha mais do que 100% dos votos e chegando ao nosso pleito em dois turnos.

Quantas eleições teriam resultados diferentes se fosse apenas um turno (lembre-se que muita gente deixa de votar em seu candidato para favorecer outro em melhor posição nas pesquisas)? E quantos campeonatos brasileiros o Cruzeiro teria ganho se o sistema de pontos corridos fosse utilizado há mais tempo? E quantos o São Paulo teria perdido?

Independente das respostas de cada um para estas perguntas, o que Dixit e Nalebeuff sugerem é que de acordo com as regras do jogo, os participantes adaptam suas estratégias. Quando as regras mudam, os jogadores alteram seus comportamentos e, de certa forma, anulam as mudanças nas regras.

Precisamos, portanto, tomar muito cuidado antes de definirmos nossas próprias regras, as da nossa casa ou nosso ambiente profissional ou, ainda, ao escolher quem vai fazê-las. A forma como os inputs serão processados, considerados, pesados e somados pode transformar radicalmente o resultado final.

 

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Autor
Mestre em Administração de Empresas pela PUC-RJ, Pós-graduado em Tecnologia de Informação pela FGV-RJ e Bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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que saco, to loco atraz de uma jaqueta dessas
 
Exelente material
 
gostaria de saber quem trabalha em banco que não trabalha sabado e domingo se os três dias ja começa...
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