19 de dezembro de 2011, às 12h49min

Considerações sobre o livro "Privataria Tucana"

A primeira falha do livro é que a Telebras e a Vale não foram "privatizadas"

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Fenômeno Editorial, se esgotou no primeiro dia, vende mais do que o livro do Steve Jobs.Trata da "privatização no Brasil, comandada pelo governo tucano" e que "foi a maior roubalheira da história da república" e sobre a pechincha da venda da Vale.

A primeira falha do livro é que a Telebras e a Vale não foram "privatizadas".

Isto mesmo, pessoal. Elas já eram empresas privadas, 83% das ações pertenciam ao setor privado.

No caso da Telebras, 83% delas pertenciam a todos os brasileiros que compraram linhas telefônicas por R$ 10.000,00 a linha (a preço de hoje), e recebiam ações da Telebras ou Telesp em troca.

Portanto, a Telebras e Vale não foram "vendidas" pelos tucanos. Somente 17% destas empresas é que foram vendidas, uma parcela pequena mas importante, o bloco de controle.

Algo que quero adiantar, eu e nenhum administrador teríamos feito. Falarei sobre isto no final.

Mas típico do Capitalismo de Estado, estes 83% não tinham direito a voto, não podiam impedir esta "privatização que não era". Esse "bloco de controle" foi vendido a um preço 3 vezes superior ao preço de mercado, 3 vezes o preço de Bolsa na época, o preço das ações sem direito de voto.

Longe de ser uma roubalheira, foi um excelente negócio para o governo.

Venderam a preço de ouro justamente porque eram os 17% que davam o controle.

Por isso, alguns investidores estavam dispostos a pagar 3 vezes mais. Controlar 100% de uma empresa com somente 17% vale muita coisa. Portanto, estas afirmações de que venderam a Telebras por preço de banana não corresponde, aos mais elementares fatos.

O resto, que tinha ações sem direito de voto, ficou a ver navios.

Por isso, nós administradores do Novo Mercado, lutamos e conseguimos o Tag Along. O correto seria o povo brasileiro poder vender os seus 83% pelo mesmo preço.

Hoje os tucanos, graças ao Tag Along, não poderiam fazer este truque com o povo brasileiro.

Mas verdadeira roubalheira foi o Capitalismo de Estado cobrar cada linha telefônica R$ 10.000,00.

Que os tucanos são pancadas, não há a menor dúvida, usam o termo Privatização, quando deveriam usar Desestatização, frase muito mais defensável.

Como os R$ 10.000,00 eram pagos adiantadamente para que a estatal pudesse levar uma linha de telefone até a sua casa, e como boa parte deste dinheiro sumiu, a Telebras não tinha mais como cumprir seus contratos, e decidiram se livrar do abacaxi desestatizando.

Vender uma empresa ineficiente, quebrada, que devia um monte de linhas telefônicas as quais não tinha mais como entregar, não é dilapidar o patrimônio da União, nem roubalheira.

Roubalheira foi cobrar 100 bilhões de reais do povo brasileiro para colocar 10 milhões de linhas.

O Capitalismo (semi) Democrático colocou 200 milhões de linhas por muito menos.

Fim da tese do livro.

Agora a verdadeira questão é essa: por que o Estado vendeu 83% das ações na surdina?

E por que jornalistas ficaram quietos quando estes 83% foram vendidos e só chiaram quando os 17% foram vendidos?

Por que nossos jornalistas econômicos não chiaram quando 83% destas empresas foram "privatizadas", vendendo ações sem direito a voto?

Todos os jornalistas compraram seus telefones por R$ 10.000,00 e portanto sabiam que eram sócios privados da Telebras.

Se o Brasil tivesse na mão de administradores na época, e não de economistas, nós não teríamos vendido os 17% do bloco de controle.

Nós teríamos dado o direito de voto aos 83% de acionistas da empresa, pondo fim à ditadura do Capitalismo de Estado.

Os 83% teriam contratado administradores profissionais brasileiros, a Telebras seria hoje uma empresa nacional, e o governo teria o benefício da melhoria de eficiência e valorização dos seus 17%.

O Estado seria o maior acionista e teria assento no conselho, mas a administração seria eficiente, sem indicações políticas.

Das 10 milhões de linhas telefônicas passaríamos às 200 milhões que temos hoje, mas teríamos ainda uma empresa brasileira, forte, não pulverizada, de classe mundial.

 

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Autor
STEPHEN KANITZ é consultor de empresas e conferencista, vem realizando seminários em grandes empresas no Brasil e no exterior. Já realizou mais de 500 palestras nos últimos 10 anos.

Mestre em Administração de Empresas pela Harvard University, foi professor Titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.

Criador do Prêmio Bem Eficiente para entidades sem fins lucrativos e do site www.voluntarios.com.br.

Criador de Melhores e Maiores da Revista Exame, avaliou até 1995 as 1000 maiores empresas do país.

Sua experiência como consultor lhe rendeu vários prêmios: Prêmio ABAMEC Analista Financeiro do Ano, Prêmio JABUTI 1995 - Câmara Brasileira do Livro e o Prêmio ANEFAC.

É árbitro da BOVESPA na Câmara de Arbitragem do Novo Mercado.

É também articulista da Revista Veja.

Títulos

"Master in Business Administration" pela Harvard University.

Professor Titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.

Doutor em Ciências Contábeis pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.

Bacharel em Ciências Contábeis pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.
 
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