O Brasil é campeão mundial de empreendedorismo na modalidade” por necessidade”, como revelou uma pesquisa realizada em 2002 pela ONG americana Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em 37 países. Ao contrário do que acontece nos países desenvolvidos, onde as pessoas abrem negócios próprios por vocação, sonho ou “oportunidade de mercado”, aqui – assim como em outros países pobres – a decisão é motivada por fome, miséria ou falta de alternativa no mercado de trabalho. O que significa que o empreendedorismo, mesmo que de forma espontânea e um tanto impulsiva, acaba sendo a saída para essas pessoas driblarem o desemprego e garantirem o sustento de suas famílias. O resultado disso pode ser mensurado através de dados do IBGE, os quais revelam que 42% das pequenas empresas fecham as portas até o seu segundo ano de vida. Um dado nefasto cujos efeitos tem custado caro ao país muito mais do que se pode imaginar em oportunidades desperdiçadas, perda de investimento, vidas arruinadas, não apenas do proprietário, mas também dos empregados, das famílias de ambos, dos clientes, dos fornecedores, de quem emprestou o dinheiro, de todas as pessoas cujas vidas de alguma forma se entrelaçaram com a do pequeno empreendimento e agora com a sua morte. Para driblar fatores como estes é que os maiores empreendedores utilizam uma ferramenta chave para a boa condução das empresas: o plano de negócios. A utilização de um plano de negócios é algo ainda incipiente no Brasil. Poucos empreendedores e empresas trabalham com esta metodologia. Na Europa e principalmente no Canadá e Estados Unidos, é uma ferramenta usual, habitualmente utilizada por empreendedores novos e antigos. Ela orienta o empreendedor a conduzir de maneira mais segura a sua empresa. Fernando Dolabela em O Segredo de Luisa ressalta que administrar não é empreender. As diferenças são tão grandes que justificam a separação dos objetos de estudos em duas áreas: a administração de empresas trata dos gerentes e o empreendedorismo trata dos empreendedores. Segundo Filion (1994), os atributos para gerentes e empreendedores são totalmente diferentes. O Know how também é diferente, uma vez que o gerente ele é voltado para a organização dos recursos, enquanto o empreendedor se direciona para a definição dos contextos. Empreendedores são um dos ativos mais importantes de qualquer economia – no Brasil e lá fora. São os heróis populares da moderna vida empresarial. Eles fornecem empregos, introduzem inovações e estimulam o crescimento econômico. Trabalham com um tipo de capital intangível: boas idéias. São energizadores que assumem riscos necessários em uma economia em crescimento, produtiva. A cada ano, milhares de indivíduos desse tipo, de adolescentes a cidadãos mais velhos, inauguram novos negócios por conta própria e assim fornecem a liderança dinâmica que leva ao progresso econômico. A personalidade empreendedora transforma a condição mais insignificante numa excepcional oportunidade. O empreendedor é o visionário dentro de nós. O sonhador. A energia por trás de toda atividade humana. A imaginação que acende o fogo do futuro. O catalisador das mudanças. O empreendedor é a personalidade criativa, sempre lidando melhor com o desconhecido, perscrutando o futuro, transformando possibilidades em probabilidades, caos em harmonia. Num mundo globalizado e altamente competitivo, o espírito empreendedor aflora a cada dia na maioria de funcionários, trabalhadores e também em estudantes que mal entram no estudo médio e já começam a pensar em futuro, em negócios, e acima de tudo, como montar e fazer gerar lucro com estes negócios. É muito importante para todos nós saber para onde vamos e como vamos chegar lá. As empresas de sucesso têm conseguido sobreviver e vencer, estabelecendo uma visão de futuro bem definida e estabelecendo estratégias para construir o sucesso esperado. As pessoas não são diferentes das empresas. Se olharmos por um ângulo mais amplo, vamos perceber que todos nós temos que definir de maneira clara a nossa visão de futuro, e para o qual precisamos ter um plano de ação que tornará real essa nossa visão.