30 de novembro de 2009, às 15h46min

Estratégias empresariais no futebol

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O campeonato brasileiro de futebol apresentou este ano a melhor média de público desde 1987, com 17.534 torcedores por jogo. O Atlético Mineiro é o time que lidera este ranking, com 37.838 atleticanos a cada partida. Entretanto, o motivo de celebração vira chacota quando comparamos esta audiência ao futebol europeu.

Os quatro maiores times do velho continente têm, em média, mais de 70 mil pagantes a cada confronto. No Brasil, o recorde na série A chegou a míseras 60 mil pessoas, numa partida entre Galo e Goiás no Mineirão. Manchester United, Borrusia Dortmund, Barcelona e Real Madri - um inglês, um alemão e dois espanhóis, compõem a elite.

A venda dos potenciais craques ao exterior repete a história das exportações brasileiras desde o Brasil Colônia. Comercializamos commodities - couro, suco de laranja a granel, soja e café em sacas.
Transformadas, beneficiadas e embaladas, são revendidas como produtos Premium no exterior. O mesmo acontece com nossos jogadores.

As equipes européias já entenderam a importância em administrar seus clubes como marcas, os jogadores como ativos, os torcedores como clientes e lugares distantes como mercados a serem explorados. Há diversos exemplos de clubes europeus com equipes e escolinhas em outros continentes, divulgando sua marca globalmente.

O princípio da segmentação é utilizado para gerenciar os clientes conforme seu envolvimento com o esporte. Philip Kotler - o guru do marketing - classifica-os em sete categorias: indiferentes, curiosos, gastadores, colecionadores, agregados, conhecedores e fanáticos. Fazê-los caminhar por esta escala, adequando as ofertas a cada etapa, são as estratégias a serem seguidas.

Os indiferentes acham que mata-mata é algum jogo de baralho. Já os curiosos - o maior grupo - acompanham as partidas através da mídia. Os gastadores compram os melhores ingressos e investem pequenas fortunas em eletrônicos. Aquele amigo que se orgulha do número de camisas se enquadra no time dos colecionadores.

Os agregados querem estar junto das equipes, criam fãs-clubes e comunidades virtuais. Os conhecedores são aqueles que aliam paixão com ganha-pão, trabalhando em áreas correlatas. O topo da escala é composto pelos fanáticos. Entusiásticos, comprometidos, emocionais e perigosos, explodem de alegria ou frustração.

As maiores equipes parecem ter acordado para estas diferenças. As ações de marketing comprovam a teoria. Camisas com diferentes cores e design, sócio-torcedor, cruzeiros marítimos com ex-jogadores, agência de viagem, sites especializados, restaurantes temáticos, museus, edições comemorativas, batismo e áreas VIP. Uma estratégia para cada público.
O esporte, em todo o mundo, é utilizado como conexão social e familiar. Não há assunto melhor para puxar papo com taxistas, discutir no almoço de domingo ou no cafezinho com os colegas na segunda-feira. Por aqui, os comentários invariavelmente giram sobre o impedimento não marcado, o gol anulado e as chances de cada equipe levar o caneco.

Para sorte da CBF e do clube dos 13, não temos por aqui modalidades esportivas que possam competir com a bola, como na terra do tio SAM. National Football League - NFL, National Basketball Association - NBA, American League of Professional Baseball Clubs - AL, são os esportes dominantes num país em que futebol é jogado com as mãos.

Planejamento, marketing, organização e ética, são os pilares de qualquer modalidade esportiva. A manutenção do sistema de pontos corridos desde 2003, o rebaixamento de grandes clubes à série B, as punições de juízes, técnicos e dirigentes, aliadas às estratégias dos clubes, demonstram que talvez estejamos no caminho certo. Americanos, europeus e até japoneses já aprenderam a lição.

 

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As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
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Autor
Marcos Morita é Colunista do site Administradores e palestrante sobre o tema Estratégias Empresariais.

Seus artigos e comentários são publicados em veículos como: Revista Exame, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Globo G1, Record News, Portal Abril, Endeavors, dentre outros.

Mestre em Administração e professor de estratégia e marketing na Universidade Mackenzie. É também executivo há 15 anos em multionacionais.

Site: www.marcosmorita.com.br
E-mail: professor@marcosmorita.com.br
Skype: professormorita
Twitter: marcosmorita
 
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sou pne por acidente do trabalho posso, ha vagas para mom.
 
ta bom. mas preciso enderecos de microempresas da grande Para. Como posso conseguir? manda pro meu e...
 
Pertinente. Portugal está na merda mesmo.
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