18 de março de 2010, às 17h15min
Falta de motoristas, uma realidade do mercado de transportes
Conhecimento e prática andam juntos, quando falamos de motoristas profissionais
Por quase todo o país, presenciamos o desespero dos transportadores na busca desses profissionais. Placas de "precisa-se" há muito tempo estão apagadas. Porém motoristas, estamos precisando, sim. O pessoal de RH "treme", quando é solicitado aumento do quadro de motoristas. Sempre que a empresa conquista uma nova operação então, é o novo cliente quem faz a pergunta sobre este tema: "E o quadro de motoristas lá, como é que está"?
Ofertas nos classificados de jornais. Inúmeros pedidos de indicações. Anúncios enormes na porta das transportadoras. Avisos em caminhões: "Estamos contratando motoristas, ligue". Enfim, um desespero, uma busca constante da mão de obra especializada no volante.
A falta de motoristas no mercado compromete o atendimento, e já existem alguns clientes muito preocupados neste sentido, ao contratar serviços de transportes. E isso pode comprometer a Cadeia Logística? Pode sim.
O quadro não aumenta em número suficiente, cada vez que o colaborador é "seduzido" a sair para uma outra empresa. O índice de "turn over" da categoria é alto. Implica melhor remuneração, ou algum atrativo para a troca. Esse valor será repassado em algum momento adiante, criando uma situação cíclica, que se repete de empresa em empresa, independentemente do ramo de atuação da transportadora, parando no cliente.
O empresariado do Setor deve se unir, buscar alternativas para o tema, cobrar as autoridades por políticas de acesso, ingresso e incentivos à categoria. Os sindicatos também poderiam, através de programas já existentes, promover ações mais rápidas de sensibilização e inclusão. Temos uma juventude cada vez mais sem opção. Que tal criarmos algum atrativo para eles, no sentido de compreender este mercado e a atividade?
Até se interessam por logística. As salas estão cheias. Mas não querem saber de conduzir caminhões. Vamos valorizar a categoria, quando iniciei minhas atividades em transportes, comecei lá atrás da fila. Nas condições que se encontram atualmente os terceiros, prestadores de serviços, e eu tenho um carinho muito grande por estes, se fizermos contas, o que sobram para eles também estaria bem próximo de uma remuneração de médias empresas, atuando como colaborador, considerando-se os salários, encargos, e todos os benefícios, menos a dor de cabeça de manutenção de todas as necessidades do veículo de sua propriedade.
Conheço vários que já migraram para a empresa. Algumas montadoras, dos pesados, já possuem programas que estimulam apoio a escolas de treinamento, reciclagem e competição. Mas esta gama de esforços ainda está muito longe da necessidade do mercado. "Operações fidelizam clientes". Sem motoristas, impossível acontecer. A coisa não anda. Literalmente.
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Autor
Palmério Gusmão atualmente é Coordenador de Ensino Superior no Curso de Logística do Grupo Anhanguera Educacional (Campus UNIBAN). É também Professor Especialista em Logística Empresarial no Centro Estadual Paula Souza. Atuando principalmente no desenvolvimento e implantação de operações logísticas, acumula vasta experiência profissional em: operações portuárias, transporte rodoviário internacional Mercosul e operações JIT para montadoras automotivas, como: Volvo, Daimlerchrysler, General Motors, Ford, Volkswagen e outras (1996 a 2011). Anteriormente a atual posição foi Tutor do Curso de Logística pela Universidade Bandeirantes. Ministra palestras sobre logística, transportes e gestão de pessoas - ppalmerio1@hotmail.com
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