Trechos extraidos do livro Inteligência coletiva de Pierre Lévy: ” Observemos o comportamento de uma multidão. Uma multidão é menos inteligente do que um indivíduo dessa multidão. O fato de diversos indivíduos estarem reunidos não ajuda muito. Há muitas formas de organização e o desafio é inventarmos todos juntos formas de organização que não sejam nem anárquicas – onde não haveria nenhuma forma de cooperação – nem demasiadamente rígidas, mas sim as que permitam otimizar a capacidade de invenção das pessoas, suas competências, suas experiências, suas memórias. Se eu defendo o desenvolvimento de uma ciência da inteligência coletiva é porque estou certo que este é o melhor caminho para se chegar a uma cultura da inteligência coletiva, ou seja, com a constituição de uma vasta rede de pesquisas a perspectiva é avançar em direção a uma transformação cultural que caminhe nesse sentido. Porque uma cultura não é definida por um pequeno grupo de dirigentes ou de pensadores, é algo que é partilhado pelo conjunto de uma população. Ela é produzida de forma espontânea por todas as pessoas que participam dessa cultura. É algo que vai levar tempo, necessariamente, mas que depende de cada um de nós. Não devemos nos aborrecer pelo fato de ainda não estarmos em uma situação perfeita de inteligência coletiva. Cada um deve se perguntar o que pode fazer para propagar novas formas de fazer. E a resposta é: … dar o exemplo”. Questões para análise e reflexão: 1) Quando as pessoas mantêm boas relações, relações frequentes, relações de confiança e dispõem de uma memória informacional, numerosa e bem organizada, podemos afirmar que elas estão em boas condições de inventar coisas novas e desenvolver sua competência pessoal. Você acredita realmente nisso? Reflita e explique-se… 2) Será que confiamos uns nos outros? Ou somos honestos e sinceros ou então passamos nosso tempo a imaginar estratagemas maquiavélicos para nos apunhalarrmos uns aos outros pelas costas. Se nos encontramos no primeiro caso, podemos imaginar que a cooperação intelectual irá funcionar um pouco melhor. Se praticamos o amor ao próximo será muito mais fácil cooperar, ter idéias juntos e melhorar nossa situação comum. Mas se nós passamos nosso tempo a nos mentir, a trairmos nossa confiança, é provável que a cooperação intelectual não funcione muito bem. Esses pensamentos não te ocorreram ainda? Em ambientes virtuais, o que é mais preponderante: a omissão ou falta de cooperação intelectual ou a desconfiança que impera nesses ambientes?. 3) A Internet, por exemplo, nos permite estabelecer relações uns com os outros, trocar e-mails, participar de fóruns de discussão e chats que, eventualmente, terminam em encontros reais. Esses novos meios de comunicação oferecem condições ao desenvolvimento do capital social. Oferecem condições, também, ao desenvolvimento do capital cultural, já que nunca houve tanta informação ou conhecimento que foi publicado 'on line'. Além disso, essas informações e conhecimentos têm 'links', hipertextos entre si. O capital técnico oferece, pois, as condições de um aprimoramento do capital cultural. …Ora se tudo é facilitado pelas novas tecnologias, porque para a maioria se estabelece o silêncio virtual? O que fazer para sair momentaneamente desta letargia? Uma excelente semana para todos os frequentadores desta rede. [ ]’s, Carlos Rodrigues cadre@ymail.com