Lean Manufacturing - Para Onde Nossos Indicadores Estão nos Levando?
Em nossas empresas é extremamente amplo o número de indicadores de desempenho que temos ao nosso redor em todas as suas áreas, desde apurações do setor de serviços gerais até um elaborado gráfico ou relatório para o conselho deliberativo. Quando falamos sobre manufaturas então, pode-se dizer que este número praticamente (ou possivelmente) dobra. Tente imaginar rapidamente todos os indicadores possíveis e atualmente utilizados em sua empresa. Parece impossível não é mesmo? Todas estas medições são (ou parecem ser) importantes para verificarmos a quantas anda a “saúde” de nossas empresas, seja ela financeira, produtiva, administrativa etc. Mas será que todos estes nossos indicadores realmente estão nos guiando para o caminho certo? Será que eles nos mostram tudo aquilo que precisamos saber para administrar nossos negócios?
Em um primeiro momento, pode parecer que sim. Nosso sistema tradicional de produção e nossa forma viciada de trabalhar exigem que tudo seja medido a todo instante, que novos relatórios sejam elaborados a cada nova transação e que todo e qualquer tipo de variação (geralmente relacionada com algum tipo de budget) seja devidamente apurada, sanada e acompanhada eternamente, para que se evite sua repetição. Somente assim os administradores estarão tranqüilos quanto ao bom andamento dos trabalhos.
Mas esta realidade está mudando, principalmente para empresas que já começaram ou que estão em estágios bem avançado de aplicação do Lean Manufacturing. Estas empresas tem verificado que as formas tradicionais pelas quais mediam seu desempenho as levavam a tomadas de decisões errôneas em relação ao pensamento Lean. Os dois caminhos são extremos opostos: para um sistema tradicional de trabalho, exige-se indicadores tradicionais e já conhecidos por todos de longa data como por exemplo eficiências de homens e máquinas, absorção das horas fabris etc. Já para um sistema de manufatura Lean novos indicadores que o suportem são requisitados como takt-time, Fisrt-Time-Through, 5S’s etc (Estes indicadores serão vistos em outros artigos posteriores). Mas por que tais mudanças são exigidas? O que há de errado com os indicadores atuais?
O problema está em que os indicadores atuais nos levam a tomar decisões não Lean, onde muito vezes favorecemos o sistema tradicional de produção em massa, sem agregarmos de forma alguma valor ao nosso processo produtivo bem como a administração de nossas empresas. Eis alguns aspectos relevantes sobre as formas de medição tradicionais:
• Estão preocupados em nos mostrar as eficiências (sejam elas de homens ou máquinas) de nosso processo. Isso nos leva a tomar decisões que afetarão todo o nosso sistema enxuto de manufatura e de redução de desperdícios pois, por exemplo, se verificarmos uma baixa eficiência em um determinado setor, fatalmente nossa decisão será produzir mais ou lotes maiores para suprir esta falta, o que acarretará em estoques elevados e em desperdícios de tempo, mão-de-obra e capacidade que poderia ser utilizada para atender a outras necessidades, ou até mesmo para solicitar a vendas um aumento do faturamento;
• A apuração dos dados geralmente é difícil e nem todos os colaboradores conseguem fazê-lo;
• Os indicadores mostram informações geralmente de períodos anteriores, onde muitas vezes o problema já aconteceu e nada ou muito pouco pode ser feito para sanar o problema;
• Com informações defasadas, a solução do problema acaba não sendo a mais eficaz possível.
Poderíamos citar alguns outros aspectos, mas estes já são suficientes para nos mostrar o quanto estamos agindo de forma errada e desperdiciosa ao utilizarmos os indicadores “padronizados” disponíveis hoje na maioria das empresas.
O nosso maior desafio é fazer com que nossos indicadores nos levam na direção correta e nos façam tomar decisões que realmente conduzam a nossa empresa para trabalhar em um sistema Lean Manufacturing. É preciso uma mudança radical na nossa forma de pensar e agir. Devemos sempre lembrar que os indicadores devem nos ajudar a expressar formas de melhorarmos nossas performances , que sejam de fácil elaboração e que, acima de tudo, farão com que nossas empresas sigam adiante e elimine cada vez mais e mais desperdícios. E aí é onde mora o problema: como mudarmos nossa cultura de anos e anos, onde sempre fomos guiados por índices que até então pareciam ser tão úteis?
Você topa seguir adiante neste desafio?
Continua...
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As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
Sou Administrador de empresas, formado em 2006 nas Faculdades Integradas Campos Salles (SP) com ênfase na área de finanças.
MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela Fundação Getúlio Vargas.
Sócio proprietário na empresa CONSTMAR, do ramo de construção civil.
Forte experiência na área de controladoria, com um foco maior em custos e planejamento e também em processos produtivos e administrativos em indústrias de grande porte, onde desenvolvo minhas atividades a aproximadamente 8 anos.
Atuando também como consultor nas seguintes áreas:
- Melhoria de processos administrativos e fabris através de análise e mapeamento dos processos atuais.
- Implementação de metodologias gerencias de custos, controladoria, controle de estoques etc;
- Análise de performance das empresas e implementação de melhorias que possam gerar ganhos de forma sustentável aos empresários.







