Dentro da área de Administração um dos grandes focos de estudos é a liderança, e está é claramente ligada em como se conduzem equipes a obter resultados. No dia a dia é exercida por diversos tipos de pessoas e nas mais variadas situações, desde um pastor a um comandante militar, passando por políticos e empresários, trata-se objetivamente de quando lideres fazem com que “pessoas de determinado grupo atinjam seus objetivos comuns, motivando-os na realização de tarefas e melhorando as relações entre os componentes deste grupo. RAHE, Et al, 2001, focando nas empresas, é visto como quem leva a obtenção de resultados pré-determinados da forma mais eficiente e eficaz uma equipe. Sua execução é baseada nos relacionamentos, passeia nos interesses da empresa, pessoais, do grupo e demais pessoas afetadas por sua atividade, muitas vezes contrata, demite, procura soluções alternativas para os problemas, é o foco, cada passo que dá é acompanhado sobre diferentes perspectivas, todas com interesses distintos. O líder tem um alvo e por diversos meios o busca, colaborando, orientando o desenvolvimento de habilidades necessárias as atividades, às vezes persuadindo ou impondo, este atua como um maestro que busca congregar cada instrumento(membro) para que a musica (atividade) tenha boa qualidade(resultado esperado) no final. Tipos de Abordagem A priori qualquer pessoa poderia ser um líder, o questionamento era de como caracterizar este. Vivenciando isto, abordaremos os tipos de Abordagem da liderança, inicialmente a baseada em traços comuns. A Teoria de Traços surge quando inúmeros pesquisadores acreditavam que a liderança era nata de determinadas pessoas e buscaram identificar atributos de personalidade, sociais, físicos e intelectuais que descrevessem líderes e que os diferenciassem dos não-líderes. “O enfoque dos traços predominou até a década de quarenta, tendo como grandes contribuintes para o seu sucesso as pesquisas desenvolvidas pelos testes psicológicos muito incrementados a partir de 1920 ate 1950. Stogdill e Mann serviram-se dos resultados das pesquisas disponíveis acerca de liderança que datavam de 1904 a 1948, encontrando aproximadamente 124 projetos voltados a esse tipo de enfoque no estudo da liderança. Com revisão desses projetos foi possível chegar a um resultado que permitiu listar aproximadamente 34 traços de personalidade considerados como características típicas da amostragem dos líderes eficazes….Alguns exemplos dos traços encontrados são: sociabilidade e habilidades interpessoais, auto-confiança, ascendência e domínio, participação nas trocas sócias, fluência verbal, equilíbrio emocional e controle, busca de responsabilidade e outros”. BERGAMINI,1994 Grandes questionamentos foram feitos sobre os resultados destes estudos, um deste é que não estabelecem uma distinção clara entre caracteres inatos e adquiridos. Como a teoria anterior nao obteve sucesso na busca de respostas, partiu-se na busca de comportamentos coincidentes nos lideres que tinham sucesso, surgiu dai a abordagem comportamental. A procura era feita em determinar com o líder produtivo realizava sua tarefa, o que este fazia que resultava no sucesso ou no fracasso, diversos estudos para isto foram conduzidos, como os da Universidade de Ohio, Universidade Michigan, por Rensis Likert, Blake e Mouton, todos com objetivo determinar as pessoas a serem líderes por meio de …conjuntos de comportamento que pudessem configurar aquilo que passa a ser chamado de habilidade de liderança. (…) Enquanto no enfoque dos traços a suposição básica era de que o líder nasce como tal, agora passa-se a aceitar que, uma vez sendo conhecido o comportamento responsável pela liderança eficaz, as pessoas poderiam ser treinadas para exibir tal comportamento, conseguindo assim se transformar em melhores líderes. BERGAMINI, 1994 O extraido destes estudos a grosso modo é que apesar de vários estudos usarem expressões diferentes para descrever as dimensões da liderança, geralmente elas são conhecidas como orientação para tarefa e orientação para funcionário. A orientação para tarefa consiste em ações tomadas pelo líder para realizar o trabalho, por exemplo: atribuir tarefas e organizar o trabalho, supervisionar e avaliar o desempenho do funcionário. A orientação para funcionário consiste em ações que caracterizam a maneira como o líder se relaciona e se aproxima dos subordinados; um exemplo é a quantidade e o tipo de interesse que um líder mostra por seus funcionários. O fato não levado em conta nestes estudos é que nem sempre em situações diferentes as mesmas respostas obtém bons resultados, vindo tentar sanar esta lacuna, contemporaneamente temos a abordagem contingencial. A “Abordagem Situacional ou Contingencial” é complexa, compreendendo os estilos de liderança, as habilidades, as aptidões e as necessidades da situação. Propõem “que o estilo de liderança deva ‘mudar’ de mais diretivo para menos diretivo conforme o nível de maturidade e autodeterminação do grupo que está sendo chefiado” BERGAMINI, 1994 os fatores situacionais – as características pessoais do gerente, a natureza do trabalho, a natureza da organização e as características do funcionário – influenciam a eficácia da liderança. Liderança – Poder x Autoridade Conduzir liderados ao objetivo é feito por meio de influência, está usada por meio do poder outorgado ou autoridade obtida. O poder é fruto da posição hierárquica existente, dá autonomia na maneira de agir, indo pelo convencimento, consenso até imposição, porém é “possível conseguir as coisas na base da imposição, mas apenas por um bom tempo. Quando usado de forma autoritária, o poder deteriora os relacionamentos.” PEDROSA, 2009 este tem algumas variações que são o poder legítimo, poder de recompensa, poder coercitivo, poder de referência e poder de competência, todos tem a questão de ter um muro invisível que muitas vezes inviabiliza a oportunidade de novas sugestões, cria a passividade que é quebra só pela imposição, perdesse o compromisso, atua-se por obrigação e não por engajamento. Opostamente temos a autoridade que é “a habilidade de levar as pessoas a fazerem de bom grado o que você deseja que seja feito, em decorrência de sua influência pessoal” ROCHA necessariamente não tem relação com o poder, dentro de um grupo um dos membros por suas características pode influenciar a obtenção de resultados. Estes têm algumas características que os diferenciam que podem ser: honestidade, confiabilidade, bom exemplo, respeito, comprometimento, ser bom auscultante Fontes de Poder Dentre os colaboradores, o poder é o que distingue o líder do liderado na hierarquia organizacional, seu exercício pode ser emanado de modo: – legitimo, da hierarquia organizacional, onde individuo atua na função de líder, o poder não é ligado a sua pessoa, sim ao seu cargo; – recompensa, também vinculado a hierarquia, onde cada tarefa efetivada resultada em dada recompensa oferecida por este; – coercitivo, é a faculdade de exercer punições a má ou a não execução das tarefas, não é envolvido com a motivação sim ao medo do erro; – referencia, relacionado ao carisma do líder, o subordinado busca a aprovação deste por meio da execução das tarefas como este requer, cativa para obtenção de resultados; – competência, fruto da capacidade, de sua experiência, conhecimento técnico da atividade ou habilidade para desempenhar a função. Liderança x Gerência O gerente é essencialmente manipulador e sua grande virtude está em manter a passividade dos funcionários na luta pelos objetivos, que são dele ou da empresa, mas raramente deles. Age como se o trabalho não fosse fonte legítima de satisfação e, sendo assim, os trabalhadores têm que ser forçados a realizá-lo. O líder vai exatamente na contra-mão de tudo isso, Warren Bennis tem um posicionamento muito interessante sobre a diferença entre gerentes e líderes: Tendo a considerar a diferença entre líderes e gerentes como diferenças entre aqueles que dominam o contexto e aqueles que se rendem a ele. Além desta, há outras diferenças grandes e cruciais: – O gerente administra, o líder inova. – O gerente é uma cópia, o líder um original. – O gerente mantém, o líder desenvolve. – O gerente prioriza sistemas e estruturas, o líder prioriza pessoas. – O gerente depende de controle, o líder inspira confiança. – O gerente tem uma visão de curto prazo, o líder perspectiva de futuro. – O gerente pergunta como e quando, o líder o que e por quê. – O gerente vive com os olhos voltados para o possível, o líder com os olhos no horizonte. – O gerente imita, o líder inventa. – O gerente aceita o status quo,o líder o desafia. – O gerente é o bom soldado clássico, o líder é seu próprio comandante. – O gerente faz as coisas direito, o líder faz a coisa certa. BENNIS, 1996 O líder tem comprometimento não só com o trabalho, mas também com sua equipe, dando motivação e incentivo para que o projeto caminhe, Alfred Tack separa claramente ambos: Os gerentes, muitas vezes, gerenciam departamentos, gerenciam pessoas, mas não as lideram. Muito poucos empregados trabalham utilizando seu potencial. A liderança eficaz os motiva voluntariamente e esta é a palavra-chave, a dedicarem suas mentes e atributos físicos para o objetivo maior. Tack, A.6 apud BERGAMINI, 1994 Estilo de liderança A Teoria dos estilos de liderança são as teorias que estudam a liderança em termos de do comportamento do líder em relação como ele lidera seus subordinados, ou seja, os procedimentos e as técnicas que ele utiliza para liderar sua conduta. Refere-se aquilo que o líder faz, o seu estilo de comportamento para liderar. Abaixo alguns destes estilos: – Autocrático, o líder que foca apenas nas tarefas. Esta liderança também é chamado de liderança autoritária. Ele (o líder) toma decisões sozinho, sem ouvir as opiniões dos liderados. – paternalista, gira em torno das pessoas — valoriza os indivíduos e as suas emoções mais do que as suas tarefas ou objetivos, gere através da construção de laços emocionais fortes e colhe os benefícios sob a forma de uma intensa lealdade. – liberal, tende a minimizar a quantidade de trabalho necessária à gestão do pessoal, minimizando a importância do talento criativo. Funciona muito bem se tens funcionários que se reportam diretamente a você, altamente treinados e motivados, e tentas ensinar a pensar, ao invés de dar instruções. – democrático, tem como enfoque uma liderança participativa ou consultiva, este tipo de liderança é voltado para as pessoas e há participação dos liderados nos processos da empresa. – Camaleônico, atua conforme a circunstância requisita e o subordinado é capaz de desenvolver melhor sua função. Liderança – Ética e comunicação O líder não é eficaz somente por atingir os resultados esperados. Ele deve fazer isso de maneira considerada ética, os meios não devem justiçar os fins. Segundo Robbins (1999), a liderança é relacionada com a ética em vários pontos: 1. Líderes transformacionais foram descritos como incentivadores da virtude moral quando tentam mudar as atitudes e comportamentos dos seguidores. 2. Líderes carismáticos têm que tomar cuidado com o poder que possuem sobre os seguidores. Líderes são considerados éticos quando utilizam o carisma de forma socialmente construtiva, deixando de lado a tentação de utilizar o seu carisma para acentuar seu poder sobre os seguidores, utilizando-os em beneficio próprio. 3. A questão do abuso de poder por parte do líder está relacionada com a possibilidade que ele tem de conceder a si mesmo grandes salários e bônus, enquanto busca cortar os custos associados com seus seguidores. 4. Também é importante a questão da confiança, que lida explicitamente com a honestidade e a integridade da liderança. O caminho entre o líder e o liderando é a comunicação, dentro desta perspectiva os líderes devem possuir ou desenvolver meios eficientes de se expressar por escrito e de forma verbal; compreender as comunicações escritas e verbais que lhe são transmitidas; ouvir os liderados e colaboradores de forma atenta; considerar as informações dos liderados e colaboradores através de respostas e ações para que não ocorram erros que poderiam ser evitados. Conclusão Percebe-se que o seguidor não é tão passivo à ação do líder. Há um vínculo entre o líder e seu seguidor, em cada interação ocorre um processo de troca, que alcança até aspectos particulares de cada. O líder deve ser visto como alguém que pode trazer benefícios não somente para o grupo em geral, mas também para cada membro desse grupo em particular. E é a ele quem cabe fazer nascer desse intercâmbio o valor que seus seguidores lhe atribuem. Bibliografia BERGAMINI, C. W. Liderança, Administração do Sentido.São Paulo: Atlas, 1994. BENNIS, W. A formação do líder. São Paulo: Atlas, 1996. PEDROSA, P. Liderança por poder x Liderança por autoridade. 2009 . Disponível em <http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/lideranca-por-poder-x-lideranca-por-autoridade/31037/> Acesso em 12 de out de 2009. RAHE, et al. Liderança – Psicologia. Artigo. Campo Grande. Disponível em <www http://www.pederneira.com/caadmufms/trabalhos/1ano/Kenneth/Psicologia%20-%20Cl%E1udia%20-%20Lideran%E7a.doc > Acesso em 11 de out de 2010. ROBBINS, S.P. Comportamento Organizacional. Editora LTC, 1999. ROCHA, A. L.. Autoridade, Liderança e Poder: a tríade em crise. Disponível em <http://www.pensareweb.com.br/artigos/gestores_03.htm> Acesso em 12 de out de 2010